Na madrugada de quarta-feira, a Polônia derrubou vários drones russos que haviam violado seu espaço aéreo durante um grande ataque contra o oeste da Ucrânia. A operação militar polonesa, confirmada pelo primeiro-ministro Donald Tusk através de uma mensagem nas redes sociais nas primeiras horas da manhã, marca um ponto de virada no envolvimento de Varsóvia no conflito que afetou a região por mais de dois anos e meio. A agência de defesa polonesa relatou a presença de mais de 10 objetos que vieram do espaço aéreo ucraniano e classificou a violação como um “ato de agressão”.
Em resposta ao ataque, a Polônia ativou o Artigo 4 da OTAN, o Tratado do Atlântico Norte, solicitando consultas imediatas com os aliados. Tusk convocou urgentemente uma reunião do Conselho de Ministros às 8h no horário local, mantendo contato constante com o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, para coordenar a resposta política e diplomática.
A Polônia já estava em estado de alerta para possíveis invasões aéreas desde pelo menos novembro de 2022, quando um míssil ucraniano acertou acidentalmente uma vila no sul do país, matando duas pessoas. No entanto, até então, não havia registros de sistemas de defesa poloneses ou aliados derrubando drones em território nacional. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou na quarta-feira que “pelo menos oito” drones Shahed de fabricação iraniana estavam “direcionados para a Polônia” durante o ataque noturno, sugerindo que a incursão no espaço aéreo polonês foi intencional.
Os moradores das áreas polonesas afetadas relataram ter ouvido explosões no céu durante a noite, seguidas pela ativação de sirenes de alerta. O alerta foi acionado precisamente durante um grande ataque russo às regiões ocidentais da Ucrânia, especialmente aquelas em Volyn e Lviv que fazem fronteira direta com a Polônia.
Segundo informações divulgadas pelo comando militar polonês, os sistemas de defesa aérea nacional e da OTAN foram ativados imediatamente depois que o radar detectou a entrada de aeronaves não tripuladas no espaço aéreo polonês. A operação de interceptação continuou por várias horas, com as forças armadas neutralizando objetos considerados perigosos usando sistemas de defesa aérea. A busca pelos destroços dos drones abatidos ainda está em andamento nas partes orientais do país até o meio-dia de quarta-feira.
A intervenção levou ao fechamento temporário de quatro aeroportos, incluindo Varsóvia-Chopin, Lublin e o aeroporto de Rzeszów, que se tornou um centro crucial para o envio de ajuda militar ocidental para a Ucrânia nos últimos dois anos. A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos confirmou o fechamento temporário dos aeroportos poloneses devido a “atividades militares não planejadas relacionadas à segurança nacional”.
O ataque com drones russo também atingiu com força o leste da Ucrânia: de acordo com relatos da BBC citando autoridades locais ucranianas, 24 pessoas foram mortas e 19 ficaram feridas em um ataque aéreo a uma vila na região de Donetsk, onde as vítimas estavam na fila para receber suas pensões. O incidente ocorre em uma fase particularmente intensa do conflito, onde as tropas de Moscou estão realizando uma ofensiva lenta, mas constante, em grande parte de Donetsk, no oeste da Ucrânia. Enquanto isso, as tentativas diplomáticas de alcançar um acordo de paz basicamente estagnaram, e os contatos entre Washington e Moscou nos últimos meses não produziram resultados concretos.
O incidente ocorre em um momento de tensão particular na região. Apenas 24 horas antes de a Polônia derrubar os drones russos, o presidente polonês alertou durante uma coletiva de imprensa em Helsinki que o presidente russo Vladimir Putin estaria pronto para invadir outros países após a agressão contra a Ucrânia. A hora da incursão ganha ainda mais significado quando se considera que na sexta-feira, 13 de setembro, Rússia e Bielorrússia iniciarão exercícios militares conjuntos chamados “Zapad”, que já levantaram preocupações de segurança regional.
A Polônia anunciou na terça-feira que estava fechando sua fronteira com a Bielorrússia precisamente em resposta ao que Varsóvia classifica como manobras “muito agressivas”, além do crescente número de provocações por Moscou e Minsk. A vizinha Lituânia também decidiu reforçar os controles de fronteira, um sinal de alerta generalizado entre os países membros da OTAN que fazem fronteira com a Rússia e a Bielorrússia.
O incidente de quarta-feira também ocorre em um momento delicado para a diplomacia internacional: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no fim de semana que estava pronto para passar para uma segunda fase de sanções contra a Rússia após meses de negociações mal sucedidas para um acordo de paz entre Moscou e Kiev. O abate de drones em território polonês agora corre o risco de complicar ainda mais os esforços de mediação.
Esta história apareceu originalmente no WIRED Italia e foi traduzida do italiano.