Oficina Técnica Aborda Relevância de Dados de Biomassa para o Inventário Nacional de GEE

O Ciência&Clima, projeto conduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), realizou uma oficina técnica destacando a importância dos dados de biomassa para o Setor Uso da Terra, Mudança do Uso da Terra e Florestas (LULUCF) do Inventário Nacional de emissões e remoções de gases de efeito estufa (GEE). O evento virtual reuniu cerca de 50 participantes especialistas no assunto e em todos os biomas presentes no Brasil.

Essa oficina acontece na mesma semana da consolidação do plano de ação de aprimoramento do Inventário Nacional e faz parte do cronograma de trabalhos para revisão dos fatores de emissão e de remoção, assim como das bases de dados para atualização das estimativas do setor.

O próximo Inventário será apresentado na Quinta Comunicação Nacional e no Segundo Relatório Bienal de Transparência do Brasil à Convenção do Clima, previstos para serem submetidos em 2026. O MCTI coordena a elaboração desses documentos, em conformidade com os compromissos de transparência do Brasil perante a Convenção do Clima e o Acordo de Paris.

O objetivo principal foi debater a disponibilidade e as lacunas dos dados de biomassa no Brasil, bem como envolver especialistas para auxiliar na sistematização de estudos de biomassa e carbono.

Na abertura da sessão, o coordenador-geral de Ciência do Clima do MCTI e também coordenador-geral do projeto, Márcio Rojas, enfatizou que o Brasil tem trabalhado na elaboração do Inventário Nacional há cerca de 30 anos, incorporando melhorias a cada nova edição, de acordo com os dados disponíveis e a melhor ciência existente.

Seguindo as diretrizes metodológicas, o Inventário Nacional observa os princípios de Transparência, Acurácia, Comparabilidade, Consistência e Completude (TACCC) recomendados pelo IPCC. Segundo Rojas, o Brasil investe em processos de Controle de Qualidade e Garantia de Qualidade, realizados por especialistas brasileiros com experiência internacional em revisão de Inventários.

De acordo com os resultados do Inventário, LULUCF foi responsável por 39,5% das emissões totais do Brasil em 2022. Este setor é considerado um ‘modulador’ do perfil de emissões do país, sendo sensível às taxas de desmatamento e de degradação florestal.

Os especialistas apresentaram avanços e aprimoramentos em LULUCF em relação aos dados e fatores de emissão utilizados em 2020, durante a elaboração da Quarta Comunicação Nacional.

Foram discutidas as informações disponíveis sobre biomassa, as lacunas e as necessidades de dados para implementar melhorias, considerando todos os biomas e suas várias fitofisionomias.

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Jean Ometto, apresentou a estimativa de biomassa na Amazônia utilizando a tecnologia LiDAR, juntamente com o uso de mapas para guiar os processos relacionados às áreas de biomassa de florestas intactas, além da calibração e validação de dados no campo.

A ecóloga e especialista em LULUCF, Mercedes Bustamante, destacou a importância de registrar as transições de uso da terra por meio de sensoriamento remoto em escala nacional e dentro de uma janela temporal adequada.

A transição do sistema de Relato, Mensuração e Verificação (MRV) para a Estrutura Aprimorada de Transparência (ETF) do Acordo de Paris estabelece um ciclo de submissões de um novo Inventário Nacional a cada dois anos.

Para mais informações sobre o setor, é possível acessar o Primeiro Relatório Bienal de Transparência do Brasil e o Relatório do Inventário Nacional, que detalham a metodologia, além da cartilha Entenda o Inventário Nacional de GEE.

Por fim, o projeto Ciência&Clima é executado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em cooperação técnica internacional, contando com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).