Construções mais eficientes podem resultar em moradias mais confortáveis, escolas mais adequadas ao clima, menor consumo de energia, cidades mais resilientes e novas oportunidades de emprego qualificado. Com o intuito de alcançar tais benefícios, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou o projeto EDinova, dedicado à descarbonização da construção civil e ao fortalecimento de soluções sustentáveis no ambiente construído do Brasil.
A iniciativa atende a duas necessidades centrais: a climática, devido ao impacto da construção civil nas emissões de gases de efeito estufa, e a social, relacionada à demanda por moradias, escolas, prédios públicos e infraestruturas urbanas qualificados. O projeto visa promover uma construção mais inteligente, eficiente e sustentável, por meio do estímulo à inovação tecnológica, gestão do conhecimento, parcerias federativas e desenvolvimento de novos processos, materiais e soluções construtivas.
Além disso, o EDinova foi concebido de forma colaborativa, reunindo diversos atores, como governos, organismos internacionais, instituições financeiras, universidades, centros de pesquisa, empresas, entidades técnicas, setor produtivo, academia e sociedade civil. A proposta parte do pressuposto de que a transformação necessária no setor não pode ser conduzida por um único ator, mas por uma rede capaz de integrar políticas públicas, financiamento, conhecimento técnico e inovação.
Durante o lançamento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ressaltou que o projeto conecta sustentabilidade, inovação e desenvolvimento social, buscando solucionar desafios reais da população, como habitação digna, cidades mais resilientes, redução de custos energéticos e promoção de empregos qualificados.
A descarbonização da construção civil envolve o apoio às empresas no desenvolvimento de novos processos, materiais e soluções construtivas. Para isso, o EDinova trabalha em conjunto com instrumentos de fomento já existentes no MCTI, visando fazer com que as inovações cheguem ao mercado e aos canteiros de obras.
O projeto também terá abrangência federativa, envolvendo estados, municípios e políticas locais voltadas para habitação, licenciamento, planejamento urbano e infraestrutura. A proposta visa criar condições regulatórias, técnicas e financeiras juntamente com os entes subnacionais para impulsionar a adoção de edificações de baixo carbono no país.
Outro foco do projeto será a gestão do conhecimento, visando superar a dispersão de informações, a falta de dados comparáveis e a dificuldade de acesso a ferramentas confiáveis de avaliação ambiental. O EDinova atuará no alinhamento entre plataformas de informação e instrumentos de cálculo de indicadores ambientais, visando aumentar a transparência, segurança para investidores e capacidade técnica de profissionais do setor.
Além disso, o projeto será liderado por um comitê diretivo do MCTI, com participação de instituições estratégicas do governo federal, e terá assessoria de um conselho técnico consultivo formado por especialistas do setor público e privado. A iniciativa contará com a parceria do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e irá gerir recursos não reembolsáveis do Global Environment Facility (GEF), somando mais de R$ 50 milhões, além de contrapartidas de diversos ministérios totalizando mais de R$ 300 milhões.
A representante interina do PNUMA, Beatriz Carneiro, destacou a importância da ação conjunta para a transformação do setor de edificações. Ela ressaltou que a mudança envolve não apenas novas construções, mas também reformas, eficiência energética, resiliência climática e planejamento urbano.
No contexto de mudanças climáticas, o EDinova considera ações de retrofit, conforto térmico, eficiência energética e planejamento urbano, visando a redução de custos operacionais ao longo do tempo. Por meio da inovação e da colaboração entre os setores público e privado, o projeto busca transformar o conhecimento em soluções efetivas para a descarbonização do setor de construção civil.
Através da integração de conhecimento técnico, políticas públicas e soluções já existentes, o EDinova contribuirá para fortalecer a agenda de edificações de baixo carbono e promover a aplicação de soluções sustentáveis em diferentes regiões do Brasil. Dessa forma, a construção civil se torna parte da resposta brasileira às mudanças climáticas, com impactos positivos na inovação, infraestrutura urbana e qualidade de vida da população.