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segunda-feira, 26 de outubro de 2026
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Mamirauá Identifica Potencial de 369 Alimentos para Fortalecer a Segurança Alimentar Nacional

Livia Campos27 de março de 20262 min de leitura

Uma xícara de açúcar, quatro colheres de sopa de manteiga, quatro ovos, uma xícara de vinho de bacaba, três xícaras de farinha de trigo e uma colher de fermento em pó. Depois de misturar todos esses ingredientes e assar por 35 minutos, você terá um delicioso bolo feito com um fruto originário da região Norte do Brasil. A bacaba é rica em vitamina E, ferro e manganês, crescendo em palmeiras e combinando bem com carnes de caça, aves e peixes.

Assim como a bacaba, os pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá identificaram o que chamaram de alimentos negligenciados, espécies que fazem parte da cultura alimentar de comunidades tradicionais, mas que ainda são pouco discutidas. Enquanto a alimentação cotidiana do brasileiro se limita a alguns itens como arroz, feijão, proteína e alguns legumes, o Brasil possui uma grande diversidade de alimentos pouco conhecidos pela ciência, mercado e população. O Mamirauá é uma organização social ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

De acordo com a pesquisa publicada na revista Scientific Reports, existem pelo menos 369 espécies de alimentos nativos ou subutilizados no Brasil, incluindo algas, cogumelos, insetos, peixes, frutas nativas e animais silvestres. O estudo foi realizado por uma rede nacional e internacional de pesquisadores, contando com a participação do instituto.

Na Amazônia, onde o aumento no consumo de alimentos ultraprocessados em detrimento dos alimentos tradicionais tem levado a um aumento nos casos de anemia, diabetes e hipertensão, a rica biodiversidade local poderia ser uma aliada importante no combate à desnutrição, afirma o pesquisador do Mamirauá e coautor da pesquisa, Daniel Tregidgo.

Diversos alimentos foram identificados, como plantas como baru e camu-camu, cogumelos silvestres, insetos como tanajura, peixes de água doce e carne de caça. O estudo reforça a importância de aprofundar pesquisas sobre o conhecimento tradicional das comunidades, mostrando que a floresta é uma fonte de alimentos nutritivos. Para isso, os especialistas combinaram conhecimentos de nutrição e ciências ambientais com ferramentas de inteligência artificial explicável.

As plantas representam quase 30% das espécies listadas e concentram a maior parte dos dados nutricionais disponíveis. Outros grupos, como algas, insetos e cogumelos, ainda são pouco explorados. A ideia é que a informação gerada na região amazônica seja compartilhada de forma acessível com as comunidades locais, fortalecendo a segurança alimentar e valorizando o conhecimento tradicional.

Para saber mais sobre receitas como a do bolo de bacaba e as propriedades nutritivas desse fruto e de outros alimentos negligenciados, acesse o material produzido pelo Mamirauá.

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