Alimentos ultraprocessados são aqueles que contêm muitos ingredientes, como sal, açúcar, gordura e substâncias industriais para conservação ou realce de sabor. No Brasil, esses alimentos são o segundo grupo mais comprado por pessoas em áreas rurais, com uma frequência de 62%, ficando atrás apenas dos alimentos in natura, presentes em cerca de 95% dos lares dessas regiões. Já nas áreas urbanas, a frequência de compra de alimentos ultraprocessados chega a 74%. Por outro lado, o cultivo de alimentos em casa, mais associado ao consumo de alimentos frescos, é dez vezes maior no meio rural. Os dados são oriundos de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), publicado na “Revista Brasileira de Epidemiologia”.
A pesquisa analisou informações de mais de 49 mil domicílios no Brasil, coletadas durante sete dias seguidos, onde foram registrados os produtos adquiridos em diferentes locais de compra. Os alimentos foram classificados de acordo com a classificação NOVA, que considera quatro níveis de processamento: in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários, alimentos processados e alimentos ultraprocessados.
Os resultados mostram que nas áreas urbanas a maioria das compras é realizada em supermercados, padarias e pequenos mercados, enquanto nas áreas rurais os pequenos mercados são os locais mais frequentes de aquisição, seguidos pelos supermercados e pelo cultivo em casa. A pesquisa aponta também para a importância de ações governamentais que priorizem a tributação e regulamentação da publicidade de alimentos ultraprocessados, além de favorecer o acesso a alimentos in natura e minimamente processados.
Medidas como incentivo aos pequenos produtores e realização de feiras livres, especialmente para a população mais vulnerável, podem ajudar a promover escolhas alimentares mais saudáveis. O ambiente alimentar exerce influência direta sobre as escolhas individuais, principalmente considerando a disponibilidade e a qualidade dos alimentos. Portanto, estratégias e intervenções são necessárias para favorecer mudanças positivas nas escolhas alimentares da população.