O Brasil enfrentou, em 2025, um dos anos mais extremos do ponto de vista climático das últimas décadas. Recordes de temperatura, chuvas intensas com alto impacto urbano e uma seca prolongada que atingiu centenas de municípios marcaram o período. O relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil” em 2025 foi divulgado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O panorama brasileiro reflete a tendência global. De acordo com dados internacionais mencionados no documento Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado no planeta, com temperatura média 1,47°C acima do nível pré-industrial. No Brasil, o verão 2024/2025 foi o sexto mais quente desde 1961, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.
Durante o ano, o país registrou sete ondas de calor. Capitais como Rio de Janeiro e São Paulo enfrentaram temperaturas históricas, enquanto o inverno trouxe ondas de frio com temperaturas negativas no Sul, incluindo a ocorrência de neve em áreas de maior altitude. Essa combinação de extremos climáticos reflete a crescente variabilidade observada no território brasileiro.
Além das temperaturas extremas, 2025 foi marcado por episódios de chuvas intensas, especialmente no Sudeste e Sul, e pela convivência de enchentes e estiagem prolongada em diferentes regiões do país. O relatório destaca ainda a situação crítica do Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, que encerrou o ano com baixo volume de água armazenada.
A importância do monitoramento contínuo, do investimento em ciência e tecnologia e da integração entre pesquisa e gestão pública para antecipar riscos e reduzir vulnerabilidades é ressaltada no documento. A necessidade de fortalecimento da capacidade científica nacional é destacada como central para enfrentar um cenário climático cada vez mais desafiador e complexo.