O Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO) registrou três eventos intensos de poeira proveniente do deserto do Saara no primeiro trimestre do ano. Esta infraestrutura científica, que conta com sistemas avançados, monitora o ar na atmosfera e identifica o material particulado, visando a melhor compreensão da interação entre a maior floresta tropical do mundo e a atmosfera.
O ATTO é um programa científico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) em cooperação com o Instituto Max Planck da Alemanha. Este programa monitora os processos atmosféricos e a conexão com a floresta, desde o solo até a alta atmosfera, investigando como a floresta influencia no clima.
Segundo os dados de monitoramento, os três episódios com maior concentração de partículas foram observados em janeiro e fevereiro. As concentrações atingiram valores entre 15 e 20 μg/m³ de PM2.5, o que representa um aumento significativo em relação à média registrada na estação chuvosa na Amazônia.
O transporte intercontinental das partículas do Saara até a Amazônia ocorre devido às correntes de ar na troposfera livre, entre 2km e 5km de altitude. Dependendo da circulação atmosférica e das condições meteorológicas, as partículas podem ser transportadas a milhares de quilômetros de distância.
Os efeitos do depósito da poeira do Saara sobre a Amazônia estão sendo estudados, e já se sabe que substâncias como potássio e fósforo presentes nessa poeira contribuem para a fertilidade do solo a longo prazo. O monitoramento atmosférico na região é relevante para entender as mudanças climáticas e de uso do solo que afetam o ecossistema amazônico.