Na terça-feira, a 77ª Reunião da SBPC abordou o tema “Tecnologia Social e Solidariedade”, reunindo especialistas para discutir sobre a combinação de práticas e saberes desenvolvidos em contextos específicos. A tecnologia social busca enfrentar problemas da população de forma participativa, inclusiva e sustentável.
Durante o evento, o pesquisador Samuel Goldenberg coordenou a mesa, que teve a participação do professor Renato Peixoto Dagnino, da Unicamp, destacando as relações entre ciência, tecnologia, desenvolvimento econômico e sociedade em países capitalistas como o Brasil.
Dagnino criticou a falta de conexão entre a formação acadêmica e o setor produtivo, defendeu uma política científica contra-hegemônica e se posicionou contra o empreendedorismo dominante, enfatizando a importância de integrar ciência e tecnologia de forma crítica e comprometida com a transformação social.
O professor Ricardo Toledo Neder, da UnB, também participou do debate, criticando o avanço da tecnociência voltada para a destruição e defendendo a formação de profissionais comprometidos com a vida e a justiça. Ele ressaltou a importância de reconstruir uma ciência voltada à emancipação social.
A professora Regina Oliveira da Silva, do INPA, apresentou experiências desenvolvidas na região amazônica, destacando o potencial da tecnologia social como instrumento de transformação real, promovendo participação, reunindo saberes locais e acadêmicos e fortalecendo práticas socioprodutivas.
O secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Inácio Arruda, ressaltou os desafios enfrentados pelo governo federal, mas destacou os esforços para retomar os investimentos em ciência, tecnologia e educação, visando impulsionar o desenvolvimento social e o protagonismo do Brasil na produção de conhecimento.