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terça-feira, 3 de novembro de 2026
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Pesquisadoras Do Butantan Comprovam Pela Primeira Vez Que Serpente Amazônica Se Alimenta De Aves

Livia Campos29 de junho de 20242 min de leitura

“Eu já sabia que, eventualmente, alguém iria documentar a ingestão de aves por Corallus batesii. Parabéns por terem sido os primeiros”, escreveu ele.

Serpentes do gênero Corallus são arborícolas e vivem a maior parte do tempo no topo das árvores das florestas tropicais. São animais oportunistas, que se alimentam de lagartos, pássaros e pequenos mamíferos que passam por elas.

A presença de aves na dieta dessas cobras já havia sido registrada para quase todas as espécies do gênero – com exceção da C. batesii e C. caninus, que habitam a floresta amazônica. A suspeita, no entanto, existia há décadas na ciência. Suas próprias características físicas são ideais para capturar presas volumosas, com dentes finos curvados para trás e cabeça avantajada. Inclusive, por serem morfologicamente muito parecidas, ambas eram consideradas da mesma espécie até a revalidação de C. batesii por Henderson e colaboradores em 2009.

A história da descoberta de Circe e Silvia teve início em fevereiro de 2023, quando o Museu Biológico do Butantan recebeu uma C. batesii, resgatada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) – a propósito, também fazia parte desta entrega a famosa víbora azul batizada de Rita Lee e agora exposta no museu. A serpente-papagaio passou por quarentena para receber cuidados veterinários, como todos os animais resgatados e encaminhados ao Museu Biológico. Nos primeiros meses, algo chamou a atenção das biólogas.

“A serpente ficou dois meses sem se alimentar e, ao defecar, notamos a presença de penas nas fezes. Isso demonstra como a observação do material biológico do animal e a atenção podem ajudar a obter respostas sobre sua biologia”, afirma Silvia.

As cientistas coletaram o material e o conservaram em álcool 70%. Três ornitólogos (especialistas em aves) foram consultados, mas não foi possível identificar a espécie da ave ingerida devido à degradação provocada pela digestão.

O estudo sugere que a ingestão da ave ocorreu na natureza, antes do animal ser capturado ilegalmente. O transporte e a manutenção inadequados, comuns durante a captura ilegal da vida selvagem, podem causar desidratação e estresse no animal, o que neste caso atrasou o processo de defecação e explica o grau de degradação das penas.

Para Circe e Silvia, além da satisfação da descoberta, foi emocionante receber o contato de um pesquisador que é referência para elas. “Foi uma surpresa muito boa. Nosso papel como cientistas é gerar conhecimento, e o que me fascina é que estamos sempre aprendendo. Saber que contribuímos para o conhecimento científico é muito gratificante”, destaca Circe.

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