O Ministério da Educação (MEC), por intermédio da Secretaria de Educação Superior (Sesu), revelou um investimento de R$ 20 milhões destinado ao financiamento e à criação de 40 Cuidotecas nas universidades federais. A divulgação ocorreu durante a abertura do 1º Encontro Nacional de Cuidotecas, que acontece em Brasília (DF).
Durante a cerimônia, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, foi representado pelo secretário de Educação Superior do MEC, Marcus David. Segundo o secretário, a iniciativa tem como objetivo garantir a permanência estudantil de mães e responsáveis, principalmente aquelas de famílias mais vulneráveis e sem suporte, possibilitando que elas consigam frequentar as aulas e concluir seus estudos acadêmicos no período noturno com a tranquilidade de saber que seus filhos estão bem cuidados.
As Cuidotecas são uma proposta inovadora que faz parte da Política Nacional de Cuidados e do Plano Nacional de Cuidados Brasil que Cuida. Esses espaços oferecem um ambiente seguro, gratuito e acessível para o acolhimento e cuidado de crianças com e sem deficiência, de 3 a 12 anos.
Essas instalações visam apoiar as pessoas responsáveis pelo cuidado das crianças no ambiente familiar que precisam estudar, se qualificar ou trabalhar durante a noite. Com essa iniciativa nas universidades, o MEC e as instituições de ensino passam a compartilhar o trabalho de cuidado, que geralmente recai sobre as mulheres.
A implementação das Cuidotecas é coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Ministério das Mulheres e o MEC.
A abertura do encontro destacou a importância da iniciativa de forma interseccional. Além do secretário Marcus David, representando o MEC, estiveram presentes a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias; e a secretária nacional de Cuidados e Família, Laís Abramo.
Diversas personalidades também participaram da abertura do evento, como a deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ), o diretor do Escritório da OIT no Brasil, Vinícius Pinheiro; a reitora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Georgina Gonçalves; a pró-reitora do Instituto Federal da Bahia (IFBA), Nivea Cerqueira; e a diretora de Políticas de Cuidados da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Belo Horizonte, Simone Pegoreti.
A programação do evento também trouxe discussões técnicas sobre a iniciativa. A diretora de Desenvolvimento Acadêmico da Sesu, Lúcia Pellanda, participou de uma mesa de articulação interseccional focada em garantir os direitos daqueles que precisam de cuidados e de quem cuida.
Durante o evento, foi detalhada a chamada estratégica para a implementação das Cuidotecas nas universidades federais. Foi explicado que haverá um repasse de R$ 500 mil por unidade anualmente, com duração de 12 meses por instituição, beneficiando até 40 crianças por local. Também foram apresentados os critérios de seleção das universidades, que incluem a comprovação de demanda, cobertura regional, vulnerabilidade socioeconômica e infraestrutura física disponível nos campi.
Por fim, foi ressaltada a importância do programa como uma política de permanência materna, como uma resposta ao isolamento institucional, sobrecarga e interrupção da trajetória acadêmica, fatores que afetam e levam à evasão de estudantes da educação superior que são pais.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Sesu.