Quando o bilionário produtor de TV holandês John de Mol processou o Facebook em 2019 por supostamente não impedir que golpistas usassem sua imagem em anúncios enganosos, a empresa de mídia social enviou Rob Leathern a Amsterdã para se reunir com a equipe de Del Mol e falar com a imprensa.
Durante seus quatro anos na empresa agora conhecida como Meta, Leathern foi, de muitas maneiras, o rosto público de seus esforços para combater os anúncios fraudulentos. Ele liderou a unidade de integridade de negócios responsável por prevenir golpistas e outros maus atores de abusarem dos produtos de anúncios da Meta. Ele frequentemente falava com a imprensa sobre anúncios fraudulentos. Leathern também supervisionou esforços de transparência, como a Biblioteca de Anúncios Meta, o primeiro repositório gratuito e pesquisável de anúncios digitais do setor, e o lançamento da verificação de identidade para anunciantes políticos.
Mas desde que deixou a Meta no final de 2020, Leathern tem observado criminosos utilizando deepfakes e inteligência artificial para criar anúncios fraudulento mais convincentes. Ele disse ter ficado alarmado com o fato de que os principais plataformas não investiram em equipes e tecnologia na velocidade necessária para combater esses anúncios exploradores.
Leathern se uniu a Rob Goldman, ex-vice-presidente de anúncios da Meta, para lançar CollectiveMetrics.org, uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de trazer mais transparência à publicidade digital para combater anúncios enganosos. O objetivo é usar dados e análises para medir coisas como a prevalência de anúncios fraudulentos online e revelar os sistemas de anúncios opacos que geram centenas de bilhões de dólares em receita para empresas como a Meta.
Seus esforços surgem em um momento em que as perdas devido a golpes aumentaram drasticamente em todo o mundo. A Global Anti-Scam Alliance, uma organização que pesquisa tendências de scams e inclui líderes da Meta, Google e outras plataformas em seu conselho consultivo, estima que as vítimas tenham perdido coletivamente pelo menos um trilhão de dólares no ano passado. Seu relatório O Estado Global dos Scams 2025 descobriu que 23% das pessoas perderam dinheiro devido a um golpe.
O relatório afirmou que muitas vítimas não denunciam golpes devido a vergonha ou por não saberem para quem contar. Daqueles que denunciaram um golpe, mais de um terço disse que “não foi tomada nenhuma ação pela plataforma após a denúncia”.