Será que a série de TV francesa Lupin foi profética? O programa imaginou um assalto ao Louvre, um evento que se tornou realidade na manhã de 19 de outubro, quando um grupo de ladrões profissionais conseguiu invadir o mundialmente famoso museu de Paris. Em apenas sete minutos, eles roubaram uma série de inestimáveis joias da coroa francesa.
O assalto ocorreu por volta das 9h30, logo após o museu abrir ao público. Usando uma escada montada em um caminhão, os ladrões entraram na Galerie d’Apollon – localizada na ala Petite Galerie do Louvre – através de uma janela do segundo andar que abriram com um esmerilhador de ângulo.
Ao entrarem, os ladrões arrombaram pelo menos duas vitrines, pegaram os artefatos preciosos e depois fugiram alguns minutos depois em duas motocicletas Yahama, desaparecendo no trânsito e logo em seguida entrando na rodovia.
Incluídos no saque, segundo as autoridades francesas, estavam oito joias da coroa, quase todas da era napoleônica tardia. Um nono item, a coroa de diamantes e esmeraldas da Imperatriz Eugénie, foi encontrado danificado nas proximidades, evidentemente deixado pelos criminosos em fuga. Os ladrões conseguiram levar também uma tiara pertencente à esposa de Napoleão III, no estilo Império completo, decorada com 212 pérolas, 1.998 diamantes e mais 992 diamantes em forma de rosa. Eles também levaram um broche de laço pertencente à Imperatriz Eugénie com 2.438 diamantes e 196 pedras em forma de rosa. Também no saque está uma parure – uma tiara com 24 safiras do Ceilão e 1.083 diamantes, acompanhada de um colar com oito safiras impressionantes, mais diamantes e trabalho em ouro, e um brinco de pendente que pertenceu à Rainha Maria Amália.
É difícil calcular o valor desta coleção de joias; elas não são meros artigos de luxo com valor específico, mas sim posses inestimáveis. O valor literal das gemas, pedras e ouro é aumentado pelo seu valor histórico, sem mencionar o fato de que fazem parte do patrimônio do Estado francês, o que por si só os torna provavelmente impossíveis de vender no mercado tradicional. No entanto, é possível que, como frequentemente acontece nesse tipo de roubo, os ladrões desmontem os artefatos, fundam os metais preciosos, recortem novamente as joias para torná-las menos rastreáveis e as vendam no mercado cinzento ou negro, potencialmente gerando dezenas de milhões de euros.
Independentemente do seu desfecho, o assalto ao Louvre foi uma operação hábil. Alguns analistas dizem que os ladrões exploraram as vulnerabilidades do sistema de segurança do museu, que há anos lida com problemas de pessoal, obras constantes e também com a pressão crescente do número exorbitante e crescente de visitantes. Uma busca nacional e internacional começou agora. Por enquanto, não há suspeitos específicos, mas todas as imagens disponíveis da área (incluindo um vídeo que mostra um dos ladrões atuando) estão obviamente sendo examinadas.
Com todas as imagens de vigilância e câmeras agora espalhadas por toda a cidade, deve haver material suficiente para identificar possíveis pistas. O presidente Emmanuel Macron condenou veementemente o incidente e garantiu que os responsáveis serão logo levados à justiça. Além disso, os dias em que o decorador italiano Vincenzo Peruggia cometeu o que até agora era considerado o maior roubo na história do Louvre já passaram: a ousada apropriação indevida da Mona Lisa de Leonardo, que ocorreu em 21 de agosto de 1911.
A pintura foi devolvida dois anos depois; Peruggia tentou revendê-la a um comerciante de arte florentino que então levantou o alarme. Talvez um golpe de sorte semelhante possa acontecer também neste caso.
Esta história foi originalmente publicada no WIRED Italia e foi traduzida do italiano.