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sexta-feira, 30 de outubro de 2026
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Estudo Propõe Que Proteínas Possam Se Compartimentalizar e Formar Gotículas no Interior das Células

Livia Campos29 de outubro de 20242 min de leitura

Em física, um sistema composto por duas substâncias pode ser modelado através da teoria clássica de mistura, considerando a fração de cada constituinte e a interação entre eles. Exemplos são a coexistência de fases de alta e baixa densidades na água super-resfriada e a coexistência de poças metálicas em uma matriz isolante na chamada transição metal-isolante de Mott.

Motivados por esse tipo de abordagem, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro utilizaram conceitos de física da matéria condensada para descrever a compartimentalização de proteínas no interior das células e propuseram uma fase celular do tipo Griffiths em analogia com a fase magnética clássica de Griffiths. O estudo foi conduzido pelo professor Mariano de Souza e pelo pós-doutorando Lucas Squillante, e foi publicado na revista Heliyon.

A produção de proteínas dentro de uma célula pode levar a uma concentração limiar que resulta na separação de fases do tipo líquido-líquido, levando à compartimentalização de proteínas em forma de gotículas. O estudo demonstra que, em determinadas condições, a dinâmica celular é drasticamente reduzida, gerando uma fase celular do tipo Griffiths.

Além disso, a pesquisa sugere que a fase celular do tipo Griffiths possa estar associada à origem da vida e dos organismos primordiais, conforme a hipótese clássica apresentada pelo biólogo e bioquímico russo Aleksandr Oparin. A chiralidade e a homoquiralidade também são exploradas como componentes fundamentais nesse processo.

Os pesquisadores envolvidos no estudo destacam a importância da separação de fases líquido-líquido na compreensão e tratamento de diversas doenças, incluindo tumores, cataratas, doenças neurodegenerativas e até mesmo a infecção pelo SARS-CoV-2. A formação de gotículas de proteína pode ter impactos significativos na gestão e no tratamento de diversas enfermidades.

Para concluir, o estudo ressalta a necessidade de uma abordagem interdisciplinar em estudos fundamentais, demonstrando a relevância da aplicação de conceitos físicos em contextos biológicos.

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