Pular para o conteúdo
terça-feira, 27 de outubro de 2026
Notícias
Ciência

Análise Aponta Alterações nos Padrões Climáticos em Todas as Regiões do Brasil

Livia Campos25 de julho de 20254 min de leitura

Mesmo que as metas do Acordo de Paris sejam alcançadas, todas as regiões brasileiras continuarão a enfrentar mudanças nos padrões climáticos. Essa é uma das conclusões das principais tendências sobre a mudança do clima no território nacional. As 14 ameaças climáticas analisadas para as cinco macrorregiões brasileiras diante de cenários de aquecimento médio global de 1,5°C e 2°C estão resumidas em um gráfico no Primeiro Relatório Bienal de Transparência do Brasil à Convenção do Clima. Os dados incluem uma avaliação do nível de confiança atribuído a cada item.

O objetivo da síntese das informações técnico-científicas disponíveis sobre as possíveis mudanças no clima no Brasil foi apoiar a elaboração e a implementação do Plano Clima Adaptação, para que os responsáveis por setores e temas identifiquem os riscos mais prováveis e priorizem ações e territórios.

“A forma como a mudança do clima impacta o Brasil, e ainda, a forma como a mudança do clima impacta as distintas macrorregiões do Brasil é significativamente diferente do que ocorre com o mundo”, afirmou o coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). “Ter clareza sobre os impactos para as macrorregiões do Brasil é absolutamente relevante para a construção das ações climáticas, seja em políticas públicas ou em outras esferas, em decisões de governos, do setor produtivo e da sociedade”, enfatizou.

O climatologista e assessor técnico da agência de cooperação alemã GIZ pontuou que o conjunto de dados sintetiza a emergência climática que vivemos e que muitos ainda não se deram conta.

Entre as tendências que apresentam maior grau de certeza de ocorrerem no futuro estão o aumento de temperatura e de ondas de calor em todas as macrorregiões do país, o aumento da chuva anual no Sul e de chuva extrema no Norte, Sudeste e Sul. Com o mesmo nível de confiança, há sinalização de aumento de secas no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste e de aumento de vento severo nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul. Há ainda tendência de aumento do nível do mar, temperatura do mar, ondas de calor marinha e acidificação dos oceanos em toda a costa brasileira.

Os sinais de tendência relacionados ao aumento de temperatura, seja média, extrema ou ondas de calor, são apontados com alta confiança e probabilidade em todo o território nacional, com efeitos em diversas áreas, como saúde, agricultura e biodiversidade.

Outro sinal preocupante e que é apontado com alto grau de confiabilidade pelas publicações científicas são as alterações relacionadas ao oceano, como acidificação, aumento do nível do mar e da frequência de ondas de calor marinhas. Por serem alterações mais lentas e com menor possibilidade de reversão, devem ser olhadas com atenção, pois temos grande parte da população e das atividades do país concentradas na zona costeira.

A elaboração da síntese considerou diferentes fontes e publicações relevantes sobre mudança do clima observadas e futuras com foco no Brasil. Para executar a tarefa, a equipe técnica estabeleceu critérios para a seleção das publicações e das fontes de dados.

Optamos por uma abordagem mais qualitativa. A proposta é extrair da literatura, de forma transparente e criteriosa, as melhores conclusões possíveis dentro das limitações existentes. Esse tipo de esforço se inspira na metodologia de síntese do próprio IPCC. Segundo os especialistas, a utilização de diferentes fontes ajudou a obter maior confiança para os resultados. Para os casos com divergência de informações, houve a indicação de incerteza.

Os especialistas destacam que os cenários futuros, que contemplam 1,5°C e 2°C, apresentam sinalizações de tendência iguais, contudo a magnitude dos eventos é alterada, considerando gravidade, frequência e intensidade. Mesmo atingindo a meta do Acordo de Paris de 1,5ºC, os sinais de mudança continuarão. A adaptação, portanto, se torna essencial nesse contexto.

Os especialistas envolvidos na elaboração do material explicam que a extensão territorial do Brasil e os regimes climáticos diversos, assim como as características regionais, interferem nos resultados, especialmente quando a variável está relacionada às chuvas. Por isso, fazem ressalvas de que pode haver disparidades regionais. Como exemplo desse desafio encontrado, o especialista relata o desafio de agregar informações por macrorregião.

Uma das ameaças analisadas e que não é muito abordada envolve o aumento do vento severo. Frequentemente, essa ameaça está associada a outros eventos climáticos, como tempestades severas, frentes frias intensas, ciclones extratropicais. Os modelos climáticos ainda apresentam dificuldades para representar adequadamente os padrões de vento extremo, aumentando a incerteza das projeções.

Os especialistas reforçam que a síntese gráfica contribui para melhor comunicar e tornar os dados mais acessíveis ao público não especialista.endars for different regions.

Os especialistas trabalham para atualizar a próxima versão da síntese a partir de informações mais recentes publicadas.

Leia também

Ver a editoria