O USS Gerald R. Ford, o porta-aviões mais avançado da Marinha dos Estados Unidos, está se dirigindo ao Mar do Caribe como parte de uma estratégia do Pentágono que visa fortalecer a luta contra o tráfico de drogas na América do Sul.
A notícia foi confirmada na semana passada por Sean Parnell, secretário assistente de defesa para assuntos públicos, através de suas redes sociais. Em sua mensagem, ele explicou que o envio do Gerald R. Ford “vai fortalecer a capacidade dos Estados Unidos de detectar, monitorar e desmantelar atores e atividades ilícitas que comprometem a segurança e a prosperidade do território dos Estados Unidos, bem como nossa estabilidade no Hemisfério Ocidental.” Até agora, apenas navios de combate e aeronaves haviam sido mobilizados na área.
Desde o mês passado, a administração do Presidente Donald Trump mantém uma campanha nas águas do Caribe com o objetivo de combater o tráfico de drogas, argumentando que a atividade de várias organizações criminosas coloca em risco a segurança do povo americano. Nas últimas semanas, as forças armadas dos Estados Unidos têm mirado várias embarcações e acusado seus operadores de transportar drogas, uma situação que aumentou as tensões diplomáticas dos EUA com nações como Venezuela e Colômbia.
O envio do Ford representa uma escalada da atividade militar de Washington na região, podendo aumentar ainda mais as hostilidades, de acordo com especialistas.
O Ford foi descrito como o mais avançado e caro do mundo. Sua construção teve um valor estimado de US$ 13 bilhões. É o primeiro de uma nova geração de porta-aviões destinados a substituir a classe Nimitz, que desde os anos 1970 tem sido a principal força da frota dos EUA.
O site Naval Technology explica que a classe Ford compreende porta-aviões nucleares, desenvolvidos pela divisão Newport News Shipbuilding da Huntington Ingalls Industries para a Marinha dos EUA como parte do Programa de Porta-Aviões CVN-21.
Em comparação com a classe Nimitz, o USS Gerald R. Ford incorpora 23 sistemas novos ou melhorados que otimizam o transporte, comunicação, rastreamento, desempenho operacional, tolerância ao peso e funções de estabilidade, entre outros aspectos.
O navio desloca quase 100.000 toneladas, tem 333 metros de comprimento e 40,8 metros de largura, e possui um convés de voo com 78 metros de largura. Uma de suas principais inovações é seu sistema avançado de propulsão nuclear, que melhora a geração e distribuição de energia em 150% em relação aos seus predecessores. Esse sistema, desenvolvido pela Northrop Grumman, é composto por dois reatores, quatro eixos e um sistema zonal de distribuição elétrica, permitindo navegar por até 20 anos sem reabastecimento.
O navio opera com o Sistema Eletromagnético de Lançamento de Aeronaves, considerado sua maior inovação. Esse mecanismo substitui os tradicionais catapultas a vapor por um motor linear acelerador eletromagnético, que melhora o controle na aceleração de aeronaves tripuladas e não tripuladas. Na prática, permite lançar veículos em velocidades mais altas, com armamento mais pesado ou mais combustível, aumentando o alcance, cobertura e letalidade.