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sexta-feira, 30 de outubro de 2026
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Pesquisadores Brasileiros Trabalham Para Transformar o Agave na ‘Cana do Sertão’

Livia Campos2 de novembro de 20242 min de leitura

As alterações climáticas estão provocando um aumento da área com clima semiárido no Brasil. De acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), essa região tem se expandido em 7,5 mil quilômetros quadrados por ano desde 1990, o que equivale a cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Essa situação pode prejudicar o cultivo de certas plantas, como a cana-de-açúcar, utilizada na produção de bioenergia.

Diante desse cenário e com o objetivo de encontrar soluções para mitigar as mudanças climáticas, um grupo de pesquisadores brasileiros começou a buscar plantas com potencial para gerar bioenergia e que possam ser cultivadas em regiões desfavoráveis para a cana-de-açúcar. Assim, decidiram estudar o Agave, um gênero de plantas suculentas que engloba mais de 200 espécies e é amplamente utilizado no México para produzir a tequila.

Esse trabalho recebe suporte de projetos da FAPESP no âmbito do projeto Brazilian Agave Development (Brave), uma parceria que envolve diversas instituições de ensino e pesquisa, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a empresa Shell, Senai Cimatec, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (Unesp). O objetivo é transformar o Agave na “cana do sertão”, visando a produção de etanol, biometano, bio-hidrogênio e biochar.

Além disso, os pesquisadores têm coletado diversas espécies de agave no Brasil e em outros países para formar um banco de germoplasma. Eles investigam o fenótipo das plantas, analisando a composição de açúcares, a taxa de fotossíntese, o crescimento, a necessidade de irrigação, entre outros fatores. Com base nessas informações, desenvolvem estratégias para superar os desafios relacionados à transformação do agave em uma cultura energética viável para regiões semiáridas.

Um dos desafios encontrados é relacionado ao metabolismo da inulina, um tipo de açúcar presente no agave. Para contornar essa questão, o grupo desenvolveu uma cepa geneticamente modificada capaz de lidar com a inulina. Além disso, foram patenteadas leveduras modificadas para metabolizar outros açúcares presentes no agave. Também estão em desenvolvimento bioestimulantes e fertilizantes para acelerar o crescimento dessa planta.

O objetivo final do projeto é promover a produção sustentável de biocombustíveis a partir do agave, contribuindo para o desenvolvimento de alternativas energéticas em regiões afetadas pelo clima semiárido.

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