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Desvendado Mecanismo Que Ativa Produção De Glicose No Fígado Em Situação De Estresse

Livia Campos22 de outubro de 20242 min de leitura

Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros detalhou a morfologia dos nervos no fígado e como eles controlam a produção de glicose em situações de estresse do organismo. Esse processo, chamado de gliconeogênese hepática, é essencial para manter os níveis de glicose durante o jejum e em momentos de alta demanda energética.

Publicado na revista científica Metabolism, o estudo realizado em camundongos mostrou que em resposta ao frio, os nervos simpáticos que liberam noradrenalina no fígado auxiliaram a aumentar os níveis de açúcar no sangue ativando a produção de glicose. Esse processo envolveu moléculas específicas – a proteína CREB e seu ativador CRTC2 – que são pouco estudadas nesse contexto.

A noradrenalina é um neurotransmissor fundamental na resposta rápida do corpo humano a situações de estresse ou perigo, aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e a liberação de glicose a partir das reservas de energia. Os resultados desse estudo podem contribuir para novas pesquisas que visam entender melhor as doenças metabólicas, como diabetes e obesidade.

O estudo utilizou uma técnica chamada 3DISCO para analisar a distribuição dos nervos simpáticos no fígado dos camundongos. Os pesquisadores observaram uma densa inervação composta por fibras nervosas primárias espessas, que se ramificam, mas não alcançam diretamente o hepatócito.

Ao expor os animais a baixas temperaturas, os pesquisadores descobriram que o estresse pelo frio ativou CREB/CRTC2, garantindo o fornecimento de glicose para os músculos e ajudando a manter a temperatura corporal dos roedores. A retirada da inervação do fígado ou a ausência do coativador de CREB nos camundongos transgênicos inibiu a produção de glicose em resposta ao frio, indicando a importância do papel dos nervos e das moléculas específicas nesse processo.

O estudo contou com o apoio da FAPESP e foi conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo e de instituições internacionais, trazendo novas informações sobre a regulação da produção de glicose pelo fígado em situações de estresse.

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