O projeto Lagos Sentinelas da Amazônia ampliou a área de monitoramento dos lagos da região amazônica impactados por eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos. Agora, quatro lagos no Amazonas e um no Pará contam com informações sobre temperatura, umidade do ar, oxigênio dissolvido, direção e velocidade do vento, radiação solar e quantidade de chuva coletada. A iniciativa é liderada pelo Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A necessidade de monitoramento nas regiões deu origem ao projeto. Nos últimos anos, foram observados momentos sem precedentes para os lagos amazônicos, especialmente em decorrência das secas extremas. Alguns lagos secaram quase completamente, outros superaqueceram. Por exemplo, o Lago de Tefé atingiu mais de 40ºC em 2023, causando grandes consequências para os ecossistemas e resultando na morte de peixes e outros animais aquáticos, como os botos.
Morador e presidente da Comunidade São Raimundo de Cima, Ediney Gonçalves Marinho, falou sobre os impactos da estiagem extrema na região. Ele relatou as dificuldades enfrentadas pelas famílias para manter a produção e se deslocar durante a seca, destacando a tristeza de ver tantos peixes morrendo.
Desenvolvida desde 2025, a iniciativa envolve 69 pesquisadores e mais de 200 pessoas que vivem na região monitorada. Além dos impactos ambientais, as mudanças nos lagos também afetam as comunidades ribeirinhas isoladas que dependem da pesca e das águas para sobreviver. Por isso, a comunidade foi envolvida no processo de vigilância para se tornarem protagonistas de suas próprias coletividades.
O projeto é viabilizado pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia e conta com apoio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de 15 instituições parceiras nacionais e internacionais.
Visando o envolvimento da comunidade e a ampliação da iniciativa, foram realizadas oficinas de diagnóstico participativo nos cinco lagos monitorados, reunindo representantes de 52 comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais. As oficinas buscaram ouvir os moradores sobre os problemas percebidos nos lagos e construir um diagnóstico participativo que considerasse diversos temas, como mudanças climáticas, qualidade da água, saneamento, saúde, pesca, produção, educação e transporte, além do uso do território e formas de organização das comunidades.
Durante as oficinas, os moradores desenvolveram documentos diagnósticos socioambientais para cada lago, reunindo demandas, propostas de soluções e melhorias para a construção de novas políticas públicas e futuras ações do projeto. As atividades também aproximaram os ribeirinhos para integrar o monitoramento das águas ao lado dos pesquisadores a partir de 2027.