Olhos atentos e conexão guiam a exposição Oceano: o Maior Mistério da Terra, na 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). Quem passa pela estrutura azul-marinho, com 120 m², quase não se lembra que está em pleno Centro-Oeste brasileiro. Instalada no pavilhão principal da mostra, a experiência transporta o público para o bioma aquático por meio de projeções de bioluminescência, réplicas de fitoplânctons e uma imersão em realidade aumentada com óculos que simulam um mergulho. Distraídos ou à procura, todos são logo fisgados pelo maior mistério da terra: o mundo marítimo.
Animados e vibrantes com tudo que foi descoberto durante a visita, Emanuel e Isabelli, de 10 anos, contaram que a informação de que o oceano é tão legal era inédita. “A gente amou ver as coisas grandes. A gente não sabia que a baleia azul é do tamanho de um prédio de seis andares”, disseram. Banners foram espalhados por todas as paredes da estrutura, com informações sobre animais marinhos e o alto-mar, informando e surpreendendo quem participava da experiência.
No entanto, foi a sala de espelhos que levou os pequenos à euforia. Lá, o fenômeno da bioluminescência — quando uma substância chamada luciferina reage com oxigênio, geralmente com a ajuda de uma enzima chamada luciferase, e libera energia em forma de luz vibrante e brilhante — foi reproduzido com o oceano refletido no chão, espelhos aumentando a sensação de espaço, o som das ondas inundando o ambiente.
A saída da sala abriga os sons e surpresas únicas de quem vê os próprios passos virando luz. “Que legal!”, gritaram Emanuel e Isabelli durante a experiência. Ao andar, o movimento é reconhecido pela projeção, acionando a luz que segue o passo dado e simulando a reação química que mais parece mágica. De acordo com a dupla, a sala realmente parece o oceano. “Parece muito! Achei que a gente estava nadando, foi muito divertido. A gente acha que todo mundo deveria vir ver de perto”, afirmaram. A proposta da iniciativa era justamente essa: imersão.
Realizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Instituto de Pesquisas Oceânicas (Inpo), unidade vinculada ao ministério, os dados que motivam a necessidade da exposição são alarmantes. No Brasil, cerca de 1,3 milhão de toneladas de lixo plástico é descartado no oceano todo ano, segundo o relatório Fragmentos da Destruição: Impacto do Plástico à Biodiversidade Marinha, divulgado em 2024. Já no mundo, o World Wildlife Fund (WWF) afirma que, todos os anos, cerca de 9 milhões a 14 milhões de toneladas de poluição plástica vão parar no oceano de todo o globo.