Estudo Mostra Como Peixe Chega à Alimentação Escolar

O peixe que é a base de sustentação das comunidades pesqueiras em todo o Brasil também está presente no prato de milhões de estudantes da rede pública. Um relatório do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) revela que o pescado proveniente da pesca artesanal já faz parte da alimentação escolar, com um planejamento nutricional específico, sendo preparado diariamente pelas merendeiras e alinhado com a cultura alimentar de cada região.

Uma pesquisa realizada de forma online com 2.330 profissionais, incluindo nutricionistas responsáveis técnicos (RTs), merendeiras e merendeiros que atuam no Pnae em diferentes regiões do país, mostrou que existem pontos de convergência nas práticas do dia a dia escolar, assim como diferenças significativas na visão que os dois grupos têm sobre a realidade das escolas.

O estudo, realizado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), analisou a presença do peixe na alimentação escolar pública e apontou diferenças relevantes entre a percepção dos nutricionistas RTs e das merendeiras em relação à oferta, aceitação pelos estudantes e aos principais desafios para incluir esse alimento no Pnae. Essa ação intersetorial está relacionada ao Programa Povos da Pesca Artesanal, criado pelo Decreto nº 11.626/2023, e está em conformidade com as diretrizes do Plano Nacional da Pesca Artesanal.

Os resultados da pesquisa mostram que ainda há espaço e oportunidades concretas para ampliar a presença do pescado nas escolas públicas. Segundo os nutricionistas, 64% indicam que o alimento ainda não é servido nas unidades escolares sob sua responsabilidade. Já entre as merendeiras, esse percentual é menor, de 46%, o que indica oportunidades de expansão da oferta no âmbito do Pnae.

Esse estudo faz parte de um conjunto de ações que visam fortalecer a pesca artesanal e aumentar o consumo de peixe nas escolas públicas brasileiras, contribuindo para guiar políticas públicas e iniciativas para melhorar os cardápios do Pnae. A proposta de ações do governo enfatiza o aumento e a ampliação da aquisição de peixe artesanal nas compras públicas nacionais.

O relatório identificou como principais barreiras para a ampliação da presença do pescado nas escolas públicas as espinhas, o custo e o hábito alimentar. Entre as merendeiras, as espinhas são o principal ponto de preocupação, mencionado por 54% das entrevistadas. Já entre os nutricionistas, tanto o custo do produto quanto as espinhas são destacados, ambos com 50%, indicando questões prioritárias para o planejamento de ações de expansão da oferta.

Além disso, a falta de hábito alimentar foi apontada por metade das merendeiras como um fator a ser abordado, juntamente com questões como a disponibilidade de fornecedores locais, a aceitação dos estudantes e a necessidade de equipamentos adequados para o preparo.

Outro ponto analisado foi o suporte institucional recebido pelas equipes escolares. Cerca de 38% das merendeiras indicaram receber apoio técnico suficiente, enquanto entre os nutricionistas esse percentual foi de 24%.

O estudo mostrou que a tilápia é a espécie mais utilizada nos cardápios escolares, seguida pela sardinha, atum e cação. O uso de filé e preparo assado são predominantes nas cozinhas escolares, sendo considerados os formatos mais adequados para a alimentação escolar. Hambúrguer, almôndega, pão de peixe e outras preparações alternativas ainda são pouco comuns nas escolas, indicando a necessidade de capacitação e desenvolvimento de receitas adaptadas à realidade das cozinhas escolares.

O levantamento revelou as diferenças regionais na oferta de pescado na alimentação escolar, com estados como Acre, Rondônia e Amapá apresentando os maiores percentuais de oferta devido à tradição ribeirinha e ampla disponibilidade de peixe na alimentação cotidiana, enquanto em Minas Gerais o percentual é menor por se tratar de um estado sem litoral e com menor tradição pesqueira.

Esses dados são fundamentais para orientar estratégias de ampliação da presença do pescado nos cardápios escolares e para promover uma alimentação mais saudável e sustentável nas escolas públicas do Brasil.