O progresso do CBERS-6, próximo satélite da colaboração espacial entre Brasil e China, avançou mais uma etapa. Durante reuniões no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), especialistas brasileiros e chineses alinharam procedimentos técnicos que irão guiar a operação da missão. Um marco para o Programa CBERS, o CBERS-6 incorpora pela primeira vez uma carga útil com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR).
Essa missão possibilitará a obtenção de imagens independente das condições meteorológicas e de cobertura de nuvens, ampliando a capacidade de monitoramento ambiental, territorial e de desastres naturais.
As equipes do Inpe e do China Centre for Satellite Data and Applications (Cresda) definiram os principais passos relacionados ao desenvolvimento do CBERS-6. Isso inclui a elaboração conjunta dos planos de calibração e validação do satélite, a preparação dos testes de comissionamento e a definição dos níveis de processamento e dos formatos dos dados que serão disponibilizados aos usuários da missão.
Além disso, as instituições avançaram na construção da estratégia operacional da carga útil SAR, incluindo procedimentos para aquisição, processamento e distribuição das imagens geradas pelo satélite.
A Cresda, agência chinesa responsável pelo gerenciamento, processamento e distribuição de dados de satélites de observação da Terra, manifestou interesse em disponibilizar dados dos satélites Gaofen-1 e Gaofen-6 ao Inpe para apoiar sistemas brasileiros de monitoramento ambiental, como o Prodes e o Deter.
Os resultados das discussões foram consolidados em um documento assinado pelo diretor do Inpe e pelo diretor-geral da Cresda, formalizando os compromissos assumidos pelas instituições para o desenvolvimento e operação do CBERS-6.
Além da missão sino-brasileira, o acordo prevê aprofundar a cooperação em monitoramento ambiental. Também houve apresentações sobre plataformas e sistemas desenvolvidos pela instituição nacional para armazenamento, processamento e análise de dados geoespaciais, como o Brazil Data Cube (BDC), a Base de Informações Georreferenciadas (BIG) e os sistemas de monitoramento ambiental utilizados pelo Programa BiomasBR.
As equipes discutiram ainda sobre a campanha de calibração cruzada dos satélites CBERS-4, CBERS-4A e Amazonia-1, programada para o segundo semestre de 2026 no campo de calibração radiométrica de Dunhuang, na China.
O CBERS-6 será o primeiro satélite do programa sino-brasileiro equipado com radar de abertura sintética, tecnologia capaz de gerar imagens da superfície terrestre mesmo sob cobertura de nuvens ou durante a noite, ampliando a capacidade de monitoramento ambiental e territorial dos dois países.