Pular para o conteúdo
sábado, 31 de outubro de 2026
Notícias
Ciência

Cápsulas De Papelão Com Sementes De Árvores Nativas Podem Auxiliar Na Restauração Ecológica Do Cerrado

Livia Campos4 de novembro de 20242 min de leitura

O emprego de cápsulas biodegradáveis feitas de papelão aumenta as possibilidades de germinação das sementes de três espécies de árvores típicas do Cerrado: baru, angico-branco e tamboril. Essa descoberta, divulgada em artigo da revista “Ciência Rural” por pesquisadores das universidades federais de Jataí, em Goiás, e de Rondonópolis, no Mato Grosso, pode trazer avanços para programas de restauração de áreas degradadas.

Essas espécies possuem relevância cultural, alimentar e ecológica no bioma do Cerrado. O baru gera a castanha de baru, rica em nutrientes; enquanto o angico-branco e o tamboril possuem partes utilizadas em preparos terapêuticos, como infusões.

Os experimentos foram realizados em uma estufa do Centro Universitário de Mineiros, em Goiânia, ao longo de quatro meses, com o intuito de comparar o uso de cápsulas com a semeadura direta. Em cada amostra, foram colocadas duas sementes de cada espécie. Os resultados revelaram que a taxa de germinação com as cápsulas foi superior, aproximando-se de 100% para o baru, 42% para o angico-branco e 12% para o tamboril, em comparação com as taxas mais baixas da semeadura direta.

As cápsulas, feitas de papelão, oferecem proteção às sementes no solo contra animais herbívoros, além de favorecer a retenção de umidade, proporcionando um ambiente mais propício para o desenvolvimento das sementes. A pesquisadora Karine Lopes destaca que essa tecnologia de baixo custo pode impactar positivamente os esforços de restauração de áreas degradadas.

A pesquisa também inova ao combinar o uso de cápsulas biodegradáveis com a tecnologia de drones para monitorar a recuperação ambiental. Essa abordagem surge como uma solução sustentável e pioneira para a restauração ecológica, segundo Lopes.

Os próximos passos dos pesquisadores incluem avaliar o crescimento e a sobrevivência das plantas em campo, analisar os custos financeiros envolvidos e implementar a metodologia em áreas de difícil acesso. A pesquisadora destaca a importância de ajustar e aprimorar a aplicação da tecnologia em diferentes cenários para garantir sua eficácia.

Leia também

Ver a editoria