No interior do Sertão Pernambucano, em Petrolina, um projeto da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) está mudando a vida de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA) que precisam de suporte nível 1. Há mais de dois anos, de forma gratuita e aberta à comunidade, a iniciativa “Vem para o Jogo” utiliza o esporte para trabalhar não só a coordenação motora e os aspectos físicos dos jovens, mas também o respeito, o trabalho em equipe, o convívio social, o raciocínio lógico e outras habilidades necessárias para o dia a dia.
O professor responsável pelo projeto, Fernando de Aguiar, explica que o esporte desenvolve habilidades fundamentais para a convivência em sociedade, as quais são essenciais para um bom desenvolvimento dos alunos. O esporte atua como uma ferramenta para exercitar habilidades afetadas pela neurodiversidade do espectro autista, permitindo que as crianças e adolescentes se expressem, compreendam contextos sociais e superem frustrações.
Além de trabalhar aspectos físicos, o projeto fornece aos pais relatórios completos a cada seis meses, com informações sobre alimentação, sono e habilidades cognitivas, psicológicas, emocionais e motoras dos filhos. Isso auxilia os familiares a orientarem o atendimento às crianças, organizando-se de acordo com a rotina delas.
A mãe de um dos alunos, Luana Marques, relata que o projeto transformou a vida de seu filho, permitindo que ele se desenvolvesse de maneira surpreendente, especialmente na parte social. O “Vem para o Jogo” proporciona um ambiente de crescimento não apenas para os alunos atendidos, mas também para os estudantes de graduação envolvidos no projeto, que participam do desenvolvimento de aplicativos e relatórios que beneficiam o atendimento público.