MCTI Lança EDinova Para Acelerar Descarbonização Da Construção Civil No Brasil

Construções mais eficientes podem significar moradias mais confortáveis, escolas melhor adaptadas ao clima, menor gasto de energia, cidades mais resilientes e novas oportunidades de emprego qualificado. Com esse objetivo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta terça-feira (12), em Brasília, o EDinova, projeto voltado à descarbonização da construção civil e ao fortalecimento de soluções sustentáveis para o ambiente construído no Brasil. 

A iniciativa responde a duas urgências centrais: a climática, diante do papel da construção civil nas emissões de gases de efeito estufa, e a social, relacionada à necessidade de qualificar moradias, escolas, edifícios públicos e infraestruturas urbanas. O projeto busca estimular uma construção mais inteligente, eficiente e sustentável, com apoio à inovação tecnológica, à gestão do conhecimento, à articulação federativa e ao desenvolvimento de novos processos, materiais e soluções construtivas. 

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Foto: Rodrigo Cabral (ASCOM/MCTI)

EDinova foi concebido de forma colaborativa e reúne diferentes níveis de governo, organismos internacionais, instituições financeiras, universidades, centros de pesquisa, empresas, entidades técnicas, setor produtivo, academia e sociedade civil. A proposta parte do entendimento de que a transformação exigida pelo setor não pode ser conduzida por um único ator, mas por uma rede capaz de integrar políticas públicas, financiamento, conhecimento técnico e inovação. 

Durante o lançamento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que o projeto conecta sustentabilidade, inovação e desenvolvimento social. “A inovação é essencial para resolver problemas reais da população: moradia digna, cidades mais resilientes, custos de energia reduzidos, empregos qualificados. O EDinova busca conectar todos esses pontos”, afirmou. 

Inovação para chegar aos canteiros de obra 

A descarbonização da construção civil envolve apoiar empresas no desenvolvimento de novos processos, materiais e soluções construtivas. Para isso, o EDinova dialoga com instrumentos de fomento já desenvolvidos pelo MCTI, como programas de apoio a empresas, linhas de financiamento para projetos inovadores e mecanismos de estímulo ao empreendedorismo tecnológico, com o objetivo de fazer com que os resultados cheguem ao mercado e aos canteiros de obra. 

O projeto também terá caráter federativo, ao envolver estados, municípios e políticas locais de habitação, licenciamento, planejamento urbano e infraestrutura. A iniciativa busca construir, junto aos entes subnacionais, condições regulatórias, técnicas e financeiras para que edificações de baixo carbono avancem de forma concreta no país. 

Outro eixo será a gestão do conhecimento, com foco em enfrentar a dispersão de informações, a falta de dados comparáveis e a dificuldade de acesso a ferramentas confiáveis de avaliação ambiental. O EDinova atuará no alinhamento entre plataformas de informação e instrumentos de cálculo de indicadores ambientais, ampliando a transparência, a segurança para investidores e a capacidade técnica de projetistas, construtores e gestores públicos. 

Governança e cooperação internacional 

EDinova será conduzido por um comitê diretivo presidido pelo MCTI, com participação de instituições estratégicas do governo federal, e assessorado por um conselho técnico consultivo formado por especialistas dos setores público e privado. A iniciativa também contará com parceria do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e irá gerir quase R$ 50 milhões em recursos não reembolsáveis do Global Environment Facility (GEF), além de mais de R$ 300 milhões em contrapartidas de diversos ministérios. 

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Ascom/MCTI

A representante interina do PNUMA, Beatriz Carneiro, destacou que a transformação do setor de edificações exige ação conjunta. “O setor de edificações e construção tem um papel fundamental na agenda climática global. A transformação envolve não apenas novas edificações, mas também retrofit, eficiência energética, resiliência climática e melhor planejamento urbano”, afirmou. 

Além das emissões associadas aos materiais e aos processos construtivos, os prédios continuam consumindo energia durante toda a vida útil. Por isso, o EDinova também considera ações de retrofit, conforto térmico, eficiência energética e planejamento urbano, com foco na redução de custos operacionais ao longo do tempo. 

Para o ministro substituto do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a iniciativa contribui para transformar políticas climáticas em ações concretas. “Para nós, não basta fazer um bom plano. O desafio é implementar. E o que estamos fazendo aqui hoje é dar mais um passo importante, aliando ciência, conhecimento, articulação com setores de governo e participação da sociedade”, disse. 

O projeto também se conecta à agenda de adaptação climática, especialmente em escolas, moradias e equipamentos públicos. Edificações mais eficientes podem reduzir a necessidade de climatização artificial, melhorar o conforto térmico e contribuir para ambientes mais adequados à aprendizagem, à convivência e ao trabalho. 

O presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), Orestes Marraccini, afirmou que o EDinova ajuda a integrar conhecimento técnico, políticas públicas e soluções já existentes. “O momento é de integrar tudo o que tem sido feito e não reinventar a roda. Essa articulação é fundamental para transformar conhecimento em soluções concretas e efetivas no caminho da descarbonização”, declarou. 

A iniciativa também reforça a estratégia brasileira de desenvolvimento sustentável. O Brasil é reconhecido internacionalmente pela participação de fontes renováveis em sua matriz energética, com cerca de 50% da energia total e 90% da energia elétrica de origem renovável. Com o EDinova, o país busca ampliar essa agenda para a construção civil, setor ligado ao crescimento urbano, à infraestrutura e à qualidade de vida da população. 

A expectativa é que o projeto fortaleça a agenda de edificações de baixo carbono e amplie a aplicação de soluções sustentáveis em diferentes regiões do país. Para o MCTI, a iniciativa coloca a construção civil como parte da resposta brasileira à mudança do clima, com impacto direto na inovação, na infraestrutura urbana e na vida da população.