163 anos de Maracás numa grande festa, porém sem ganhar presentes


 

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Esta foto: Blog do Vandinho

 

Café com Leite Notícias: Realmente, como saiu em algumas redes sociais, e vamos aqui concordar, a festa de comemoração dos 163 anos de Maracás foi muito bonita, muitas participações, muitos gastos, porém nada de inauguração. Naturalmente a festa é algo muito bom, pois o nome já diz tudo.  Só que muito mais prazerosa ela é quando é para festejar uma conquista. No caso e Maracás não teve conquistas. O maracaense está, de certa forma, esperando ainda, e fazendo esforço para não perder as esperanças de ver acontecer a mudança, pois já está chegando o meado do segundo ano de mandato, onde  acreditava-se muito coletivamente em algo novo, pois a frase chave da campanha era “vamos mudar Maracás”.

Nas imediações dos correios, foi inaugurada no começo deste ano, uma praça que, de passagem, muito moderna e bonita. Naturalmente que pelo tempo que ficou cercada sem abrir para o público, se esperava algo mais interessante, afinal,  o povo de Maracás merece. Só que vale lembrar que aquela praça foi construída quase que na sua totalidade na gestão do ex-prefeito Paulo dos Anjos, porém inaugurada na atual gestão.

Esse subtítulo em seguida não é pra ser visto como uma critica, mas apenas para lembrar, tanto aos gestores que passaram como o que está aí, que os moradores e os bairros quase que abandonados na cidade, também  fazem parte de Maracás.

Maracás 163 anos e o sofrimento continua nos bairros pobres

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Moradores das extremidades do Bairro Irmã Dulce há anos pedem socorro

 

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O jornal Café com Leite, tanto impresso quanto digital, tem falado sempre que o que Maracás tem de melhor é a sua gente. Por tanto, é muito triste quando se visita os moradores da extremidade do bairro Irmã Dulce e e outros e vê uma fisionomia de tristeza por se sentir excluídos da sociedade, onde só são enxergados durante campanha política. Pasmem, mas em muitas casas os banheiros ainda são aqueles buracos constrangedores que ficam nos quintais.

A pergunta de muitos é: o que está fazendo a secretaria de Assistência Social, que ainda não desenvolveu, através de um levantamento, um projeto para reformas nas casas daquelas famílias? Não se trata de crítica, trata-se de levar ao povo o que é de direito e isso não está acontecendo. É preciso mais coerência com as palavras dirigidas em campanhas; é preciso mais coração dentro dos projetos; é preciso mais obras sociais e, por fim, é preciso chegar a mudança que ao povo foi prometida. Afinal, foi prometida.

Como foi dito na matéria, o maracaense está fazendo um esforço grande para não perder as esperanças. Como ainda faltam dois anos e meio para findar essa gestão,  tem tempo da administração dar a volta por cima e mostrar ao que veio.  Vale lembrar que em se tratando de Maracás, há um diferencial na arrecadação, pois aqui tem a mineradora que gera um grande imposto para a cidade. O que, em tom de sugestão, os vereadores deveriam criar um projeto para que essa verba fosse destinada exclusivamente para obras sociais, que entra as reformas das casas das famílias que vivem na extrema pobreza nessa querida cidade.

Por esses e outros fatores o Café com Leite Notícias não se sente à vontade para dar parabéns à Maracás pelos seus 163 anos, pois aqui ainda falta muito para conquistar pelo menos o básico para a sua gente. Mas os parabéns vão para os organizadores da festa, pois o espetáculo em si foi muito bonito. Aconteceram resgates de costumes antigos, teve a participação maciça das escolas e, como carro-chefe das comemorações, o lindo Desfile Cívico.

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JUÍZA PROÍBE INSPEÇÃO DE PRÊMIO NOBEL DA PAZ NA PRISÃO ONDE ESTÁ LULA


Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel estará hoje na Superintendência da Polícia Federal por Lula

Postado em 19 de abril de 2018 às 7:48 am

O DCM recebeu o seguinte informe:

COMUNICADO A IMPRENSA

Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel estará hoje na Superintendência da PF às 10 horas.

Adolfo Pérez Esquivel se apresentará nesta quinta-feira 19/04/18 na sede da Superintendência da Policia Federal em Curitiba, às 10 horas. Apesar da juíza da 12ª Vara Federal de Curitiba, Carolina Lebbos, responsável pela custódia do ex-presidente, ter comunicado nos autos que não permite a realização de inspeção, e, até o fechamento desta nota, nem ter despachado a autorização da visita pessoal do Nobel da Paz.

O argentino, segundo prêmio Nobel da Paz da América Latina, em 1980, participou na noite desta quarta feira (18/04) da homenagem aos 30 anos da Constituição Federal de 1988, na Universidade Federal do Paraná. Assim que confirmou seu período de estadia na capital paranaense, suas advogadas protocoloraram dois documentos junto ao judiciário do Brasil no Paraná, com relação a visita ao ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva na prisão. 
No primeiro documento, Esquivel formalizou pedido para visitar Lula no cárcere, no dia estipulado para visitas da família e amigos. O representante do Ministério Público Federal deu parecer no sentido de que a visita deveria ser deferida após consulta a Lula. Por meio de seu advogado, Lula rapidamente respondeu que não só autorizava, como desejava ver o amigo argentino nesta quinta-feira. A imprensa noticiou a resposta de Lula e a juíza ignorou a petição, que até o presente momento não foi apreciada.

Ex-preso político da ditadura militar argentina, fundador em 1962 do Serpaj – Servicio Paz y Justicia – que tem status consultivo na UNESCO, integra o sistema de ONGS da ONU – Organização das Nações Unidas – na categoría Grau 2 desde 1986, e recebeu em 1987 o prêmio “Mensageiros da Paz” e a distinção “Educação para a Paz”, Esquivel protocolou também uma comunicação de inspeção, com anotação de urgência. Baseada nas Regras Mínimas para Tratamento de Presos da ONU –- que regula questões humanitárias como o isolamento solitário e a redução de alimentação.

O MPF – Ministério Público Federal se manifestou contrário a inspeção e a juíza da 12ª Vara Federal, invertendo a ordem dos pedidos a serem apreciados, se manifestou primeiro sobre o pedido de inspeção, negando-o. Apesar de admitir a relevância das Regras de Mandela evocadas no pedido de Esquivel, considerou que elas “não tem prevalência absoluta.”

A juíza não tardou em não reconhecer o direito de inspeção, concedido por normativos internacionais, editados e publicados pelo Brasil em 2016 pelo CNJ – Conselho Nacional de Justiça, ao Prêmio Nobel da Paz e Presidente da Agência Internacional de Direitos Humanos.

E, ao deixar de se manifestar (até a redação deste texto não havia qualquer decisão) sobre o pedido de visita de Esquivel, na condição de amigo pessoal, protocolado antes e em caráter de urgência, Carolina Lebbos impede que um homem de 87 anos saiba se poderá se solidarizar com Lula, seu amigo há 36 anos.

As advogadas de Esquivel encaminharam uma petição ao STF – Supremo Tribunal Federal e cópias do pedido de inspeção através de oficio para o Conselho Federal da OAB, a OAB- PR, a Presidenta do CNJ e do STF Ministra Carmem Lucia, e MPF dos Direitos do Cidadão.

Tudo quando começa extrapolar e perder o controle, não adianta querer manter na ilegalidade,porque o disfarce começa a irritar até os aliados. Se a prisão do Lula da forma que aconteceu, de certa forma já foi um “tiro no pé” da direita, os acontecimentos após prisão vêm irritando o mundo. Com essa proibição sobre o Nobel da Paz ter acesso ao local da prisão de Lula, as coisas tendem a piorar e tornar uma crise das que nunca foram vistas antes, em pleno ano eleitoral.

Depois dos acontecimentos, a direita esperava crescer nas pesquisas eleitorais e com isso fazer o povo esquecer Lula e o PT. É nesse sentido que as coisas tiveram um efeito contrário ao esperado pelos mdebistas e tucanos. Walter Salles.

Leia abaixo a matéria do DCM.

 

Mulher é morta após ser sugada por janela de avião nos EUA era executiva de 43 anos


Explosão de um motor do avião provocou danos na fuselagem e destroços atingiram a janela. Jennifer Riordan era casada e deixou dois filhos.Executiva Jennifer Riordan morreu em acidente com aeronave da Southwest Airlines, nos Estados Unidos (Foto: Marla Brose/The Albuquerque Journal via AP)

A relações públicas Jennifer Riordan, do Novo México, foi identificada nesta quarta-feira (18) como a vítima do incidente que provocou o pouso de emergência do avião da companhia Southwest Airlines no Aeroporto Internacional da Filadélfia, nos Estados Unidos, na terça-feira (17). Ela tinha 43 anos, era casada e deixou dois filhos, segundo a CNN.

Veículos americanos, como CNN e o jornal “The New York Post”, relatam que Jennifer foi parcialmente sugada para fora da aeronave após uma janela, perto de onde ela estava sentada, ter quebrado. A explosão de um motor do avião provocou danos na fuselagem e destroços atingiram a janela.

Passageiro postou no Facebook imagem da janela do avião quebrada (Foto: Facebook Marty Martinez/Reprodução)Passageiro postou no Facebook imagem da janela do avião quebrada (Foto: Facebook Marty Martinez/Reprodução)

Passageiro postou no Facebook imagem da janela do avião quebrada (Foto: Facebook Marty Martinez/Reprodução)

Colegas relataram à CNN que ela dedicou a vida à filantropia. Como vice-presidente de relações com a comunidade na empresa Wells Fargo (que presta serviços financeiros), em Albuquerque (Novo México), Riordan gerenciava o trabalho voluntário de mais de 1.000 funcionários desde 2008. A empresa afirmou em um comunicado que a funcionária era “amada e respeitada”.

Pouso de emergência

O voo 1380 da SouthWest tinha decolado do aeroporto de LaGuardia, em Nova York, e após o problema no motor foi desviado para a Filadélfia, onde fez um pouso de emergência às 11h20 (hora local).

O passageiro Marty Martinez disse que uma senhora teve os braços e parte do corpo puxados na direção da janela: “Ela não ficou para fora da janela. As pessoas do banco de trás a seguraram, tentando mantê-la no lugar”.

Ainda segundo Martinez, algumas pessoas tentaram fechar o buraco: “Elas estavam usando coletes salva-vidas, e as coisas estavam simplesmente sendo sugadas para fora”.

Acidente com motor em fevereiro

De acordo com a CNN, em fevereiro, outro avião da Southwest teve problemas com um dos motores, que pegou fogo durante o voo.

A aeronave precisou voltar para o aeroporto de Salt Lake City momentos depois da decolagem. A companhia declarou que a morte de Jennifer Riordan foi a primeira na sua história.

Confira, na íntegra, a palestra de Dilma Rousseff na Universidade de Berkeley contra a prisão de Lula


Amigo leitor e leitora, tenham um pouco de paciência e leia na íntegra essa matéria da Dilma. Está muito boa, pois é na verdade, o conteúdo que a mídia aberta não mostra, mas que você precisa saber o que aconteceu e o que está acontecendo na atualidade com o nosso país e o nosso povo. Essa palestra da Dilma Rousseff na Universidade de Berkeley, na Califórnia, EUA, tem um conteúdo de grande profundidade e qualquer brasileiro interessado na verdade deve ler.

Postado originalmente no site oficial de Dilma Rousseff.

Dilma na Universidade de Berkeley. Foto: Divulgação/Twitter

A ÍNTEGRA DA PALESTRA DE DILMA:

Meu país vive hoje momentos muito difíceis. Estamos diante de uma situação crítica. A prisão de Lula é uma evidência de que nós vivemos tempos em que medidas de exceção convivem com o sistema democrático. As medidas de exceção corroem o sistema democrático. Vivemos uma situação em que conquistas por muito aguardadas, alcançadas, e algumas ainda em desenvolvimento, foram suprimidas, foram paralisadas, e retrocessos em conquistas sociais foram impostos.

Me refiro ao que vem acontecendo no Brasil em termos de volta da extrema pobreza, da ameaça de volta do país ao Mapa da Fome da ONU – que indica os países em que ainda existe fome em pleno Século XXI. Em 2014, o Brasil conquistou a grande vitória de ter retirado o seu povo, pela primeira vez, em toda a nossa história, do Mapa da Fome.Nenhum texto alternativo automático disponível.A imagem pode conter: 4 pessoas, óculos de sol e texto

Tudo isso é muito sentido por nós. É muito importante que possamos entender o que se passa no Brasil e na América Latina. É preciso que todos tenham consciência de que a democracia está sob ameaça em muitos países latino-americanos.

Há uma diferença entre os golpes que estão sendo cometidos neste momento e os golpes da época da ditadura militar, que atingiram muitos países do nosso continente. A diferença? Quando se trata de golpes militares, de processos nazistas ou fascistas, suspendem-se os direitos de toda a população. São drásticas medidas, cortes nos direitos de organização, de expressão – de imprensa livre nem se fala – de manifestação e de opinião. E, na sua radicalização, matam, torturam, exilam e forjam supostos inimigos. Estes golpes eram típicos da Guerra Fria.

O golpe de hoje é dito como não-golpe, porque ele não tem as mesmas características. É tido como um evento de anormalidade institucional. Mas não é. É um golpe – parlamentar, muitas vezes jurídico, com grande empenho da mídia, principalmente dos setores da mídia que são extremamente concentrados na América-Latina, e no Brasil em especial. Quatro famílias controlam, oligopolisticamente, os principais meios de comunicação no Brasil.

Este golpe de 2016 tinha um objetivo estratégico claro, e vários outros objetivos que eu chamaria de conjunturais. O objetivo conjuntural escondeu, no início, a intenção maior do golpe.

Na ditadura militar, é como se a árvore da democracia fosse derrubada com um machado. No golpe que sofremos agora, é como se fungos e parasitas corroessem a árvore da democracia desde dentro. A começar pelo equilíbrio entre os poderes. Quando derruba-se um presidente eleito sem que ele tenha cometido crime de responsabilidade, como exige a Constituição, a partir daí tudo é possível.

O processo de radicalização leva a constante esgarçamento, ruptura dentro de cada um dos poderes. Isto afeta a Justiça. Afeta aquela Justiça que tem de cimentar a relação civilizada, segundo a qual todos são iguais perante a lei.

Eu sei que só a democracia formal não basta. Todos os povos procuraram construir uma democracia de oportunidades iguais para todos. Mas é bom que a gente saiba que sem a democracia formal todos os seus direitos estão ameaçados. O que nós aprendemos no Brasil ao longo da nossa história é que, sempre que a democracia se aprofundou, a população brasileira ganhou. Sempre que a democracia formal foi suspenda ou colocada entre aspas, de alguma forma mitigada, a população brasileira perdeu.

Após publicidades continue lendo a matéria. 

Nenhum texto alternativo automático disponível.

O golpe não é um ato. Como qualquer golpe, ele é um processo. Ele precisa se reproduzir. Não é só derrubar um governo e está encerrada a questão. Não.

Os golpistas espalharam pelo mundo que o Brasil estava quebrado. Não estava, e eles mesmos tiveram de reconhecer que o Brasil tinha uma situação macroeconômica robusta. Quando Lula assumiu o governo em 2003, o Brasil devia para o FMI mais do que tinha em caixa. O FMI mandava e desmandava em nosso país. Impunha políticas de arrocho salarial, não permitia investimentos em saneamento, casas populares – em nada. Nós conseguimos construir uma reserva. Ao longo dos governos de Lula e do meu, construimos US$ 380 bilhões de reservas internacionais. Temos a quinta maior reserva internacional do mundo, talvez a sexta, não posso assegurar porque desconheço como se desenvolveram as reservas dos outros países.

Mas é fato que, quando me derrubaram, o Brasil não estava quebrado. O que houve é que eles aproveitaram uma crise econômica, que chegava até nós, crise pela qual o Brasil não era responsável, porque se tratava do efeito da crise mundial de 2008 sobre os países emergentes – nós, a China, a Rússia, a Argentina… Nós sofremos uma queda imensa do preço das commodities, e tivemos uma série de problemas neste período.

Mas era uma crise econômca. Nós superaríamos. Mas aconteceu que aproveitaram a crise econômica, superável, e jogaram sobre ela uma crise política.

Eu fui eleita em novembro de 2014, com 54,5 milhões de votos. Em março, os que perderam a eleição, os adversários que eu enfrentei nas urnas, entraram com um pedido de impeachment contra mim. As alegações era fluídas, não se tinha clareza sobre o que eles alegavam. Pediram recontagem de votos, pediram um escrutínio sobre a nossa campanha, tentaram até impedir a minha posse por meios judiciais. Em março eles entram com o primeiro de 18 processos de impeachment. Nenhum deles vai vingar. Até que no final de 2015 eles entram com o processo que de fato vai virar o meu impeachment, alegando um suposto gasto irregular de 0,03% do orçamento, na forma de um empréstimo bancário – que vinha sendo feito por todos os governos desde 1994 – subsidiando agricultores grandes, médios e pequenos, projeto que tinha o nome de Plano Safra. E que fique bem claro: nem eu, nem Lula, nem Fernando Henrique Cardoso assinamos qualquer ato neste processo. Não há nossa assinatura, é um processo apenas burocrático, tipificado pela lei.  Mas quando aconteceu sob o meu segundo mandato, alegaram que estávamos tomando empréstimo do banco do Brasil, um banco público, o que a lei não permite. Até as pedras das ruas de Brasília e as emas ou avestruzes que vivem no Palácio da Alvorada sabiam que era apenas um subterfúgio. Era um biombo. Eram procedimentos, processos e legislações na sua capa. E assim eles dizem: mas nós respeitamos todos os rituais. Sim, eles respeitaram os rituais, mas usaram os rituais para assassinar a lei, para utilizar a lei de forma distorcida. Este processo é grave. É a politização descarada da Constituição. A Constituição não pode ser interpretada ao bel-prazer de quem se acha no direito de fazê-lo. Nem no Brasil nem em qualquer país democrático.

E foi aí que o golpe, o processo do golpe, começou. Começa com a minha saída. Há um efeito sobre as demais instituições. Numa eleição, se aprova um programa. O programa que foi aprovado com a minha eleição era a continuidade do processo de redução das desigualdades, a ampliação do acesso da população a serviços, como educação, saúde e demais serviços, que uma população como a brasileira nunca teve, de luz elétrica à fornecimento dágua. Mas, sobretudo, educação. Nós fizemos um esforço enorme para que a população mais pobre do Brasil, que é além de pobre, dominantemente negra, pudesse ter acesso a ensino de qualidade. É óbvio que não conseguimos resolver este problema em 13 anos. É impossível, a não ser com a continuidade desta política. Também fizemos um grande programa de formação técnica dos trabalhadores.

‘Grande’, no Brasil, é algo que se conta em milhões. Não se pode fazer um programa no Brasil para dez mil pessoas, porque não fará a menor diferença. É assim que o Bolsa Família beneficia 56 milhões, Minha Casa Minha Vida para 4,5 milhões de famílias (cerca de 20 milhões de pessoas), programa Mais Médicos para 63 milhões de pessoas…Após publicidades continue lendo a matéria. 

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Nós colocamos os pobres no orçamento. Significa que nós gastávamos com os mais pobres, porque são eles que precisam do estado. Vocês sabem que uma pessoa com três ou quatro filhos que ganha 200 dólares por mês, e é disso que se trata no Brasil, não consegue pagar por uma casa. Esta é a maioria da população brasileira. A grande maioria das famílias brasileiras ganha dois salários minimos, ou 400 dólares. Vejam que estou falando aqui de famílias, não de pessoas individualmente. É óbvio que o estado tem de intervir para enfrentar este problema, muitas vezes com subsídios. Subsidiar, nesta situação, é papel do estado. Estas famílias têm de mudar de vida e para que isto aconteça você precisa beneficiar desde já as crianças, a próxima geração. Nós tinhamos toda a consideração pelos jovens e pelos jovens adultos, mas tinhamos um foco, queríamos que a próxima geração comesse três vezes por dia, tivesse acesso obrigatório a vacinas, acesso obrigatório a educação, acesso obrigatório a uma comunidade saudável, morando em casas adequadas, não em favelas e alojamentos precários.

Este era o nosso programa. Nós conseguimos resultados expressivos, e isto foi reconhecido pela ONU e por todos os órgãos que tratam da questão do aumento da igualdade no mundo. E nós estávamos contra a corrente. Na década em que nós reduzimos a desigualdade, o mundo ampliava a desigualdade. A gente vinha provando que era possivel crescer e distribuir renda. Não só e possível, como uma coisa puxa a outra. Não se pode esquecer que temos um mercado de consumo expressivo. E que também tinhamos uma política externa independente.

Quando eles dão golpe, passam a executar a sistemática destruição de toda esta política.

Não deixa de ser sintomático que eles inaugurem a gestão interina do governo e acabem com o ministério da Cultura, porque para eles era irrelevante. Aqui em Berkeley vocês respiram cultura. A cultura é a forma pela qual a nacionalidade de um país se expressa ou se erige.

Eles montam um ministério de homens velhos, ricos e brancos, num país que tem mais da metade da população formada por mulheres, negros, indigenas e pobres.

Criaram algo que se chama ‘teto de gastos’, por 20 anos: o Brasil não poderá mais ter os investimentos em saúde e em educação crescendo acima da inflação. Isto é uma sandice. O Brasil deixou para trás milhões de pessoas. Ao mesmo tempo em que tem de atender quem entra, tem que buscar quem ficou para trás. Portanto, sempre será preciso gastar em educação e saúde mais do que o índice de crescimento econômico e mais do que o índice da inflação. Impuseram uma reforma trabalhista extremamente prejudicial. Tomaram uma série de medidas. Chegaram a revogar um decreto que proibia, coibia e fiscalizava o trabalho-escravo, ou em condições análogas à escravidão. Este tipo de exploração ainda existe no Brasil e se o ministério do Trabalho não fiscaliza, esta situação piora.

Este é um lado da questão. Enquanto isso, começa outra ação que vem desde um pouco antes do meu impeachment, que são os processos de combate à corrupção. Há dois pré-requisitos para o combate à corrupção: o primeiro é fortalecer as instituições que fazem este trabalho, o segundo é criar uma legislação que permite o enfrentamento.

Antes de nós, o procurador Geral da República era chamado – não por nós, mas pela imprensa, que de santa não tem nada – de engavetador geral da República. Todo processo contra corrupção que chegava a ele não tinha continuidade, ía direto para a gaveta.

Lula, ao assumir, passou a escolher como procurador Geral aquele que fosse o mais votado por seus colegas de corporação. Assim, fortaleceu o ministério público, dando-lhe autonomia. Há quem questione isto, mas o fato é que eu e o presidente Lula demos poder corporativo a esta instituição do estado. Além disso, Lula fortalece a Polícia Federal. Também criamos novas leis. Corrupção exige a existência de uma dupla – o corrupto e o corruptor. No Brasil, se punia o corrupto e fingia-se que não se via o corruptor. Isto é típico do poder do dinheiro em sociedades que ainda carecem de maior desenvolvimento democrático. Nós tipificamos o corruptor. Ele passou a ser passível de punição. Também deixamos mais claro o institutio da delação premiada. Tudo isso em 2013, que é quando começam as investigação mais fortes de corrupção no Brasil.

Eu reproduzo aqui a fala de um senador e líder golpista, o senador Romero Jucá. Ele foi gravado por outro senador, do mesmo partido que ele. O Jucá tantava persuadir seu colega a participar do golpe. E diz mais ou menos assim: “é necessário que a gente tire eles porque eles não vão impedir a investigação de corrupção; para estancar a sangria, temos de dar o golpe”. E conclui dizendo: “Com o Supremo Tribunal Federal e com tudo”. Esta é fala, e é bom que vocês saibam que ela está sendo transformada em fake news numa série da Netflix, que estranhamento coloca esta frase, gravada pela própria procuradoria, na boca do Lula, que não tem nada a ver com esta declaração. O que mostra como se constrói politicamente fake news.A imagem pode conter: texto

Não se dá um golpe, não se tira um presidente que é inocente, por impeachment, sem que se tenha um objetivo político em mente. Nós tinhamos vencido quatro eleições presidenciais consecutivas. Lá atrás, em 2006, chegaram a pensar num impeachment, mas avaliaram, como disse o senador golpista Agripino Maia, que não precisava porque a gente “ia sangrar até morrer”. E nós ganhamos mais três eleições. E depois de quatro eleições, eles tiveram que seguir o conselho de Milton Friedman: usar uma crise forjada e real, para que o politicamente impossível se tornasse politicamente inevitável. Politicamente impossível era aprovar a agenda deles, vencerem a eleição com a agenda deles. O que se tornou politicamente inevitável foi o nosso afastamento.

Além disso, todo o golpe quer se reproduzir. Tem de continuar. Não pode parar nem no primeiro nem no segundo ato. O que eles queriam não era só me derrubar, mas destruir o PT, o presidente Lula e a nossa militância política. Buscavam a nossa inexistência. Para isso, adotaram o que se chama de “justiça do inimigo”. Você define o inimigo e passa a tentar destruí-lo. Pode ser o imigrante, por exemplo. No caso do Brasil, o inimigo éramos nós. Mas acontece que em vez de nos destruir, eles se destruiram e nos fortaleceram.

Isto aconteceu porque eles subestimaram a crise econômica e subestimaram a própria crise política que tinham criado. E subestimaram também a capacidade de compreensão da população brasileira. Se num primeiro momento, parte da população foi induzida a se voltar contra seus próprios interesses, isto mudou, e a mudança foi mostrada, inclusive, pela escola de samba Paraíso do Tuiuti, no carnaval deste ano no Rio, ao exibir os ‘manifestoches’, que se mobilizaram  contra si mesmos. Mas o que vem ao caso é que não nos destruiram. O núcleo golpista, que era constituído de partidos de centro e de centro-direita eliminou suas lideranças. Eles próprios foram atingidos pela sangria que queriam estancar. Colocaram em marcha um processo que pretendia nos atingir e acabou atingindo-os.

Assim, este segmento político e midiático tem, hoje, um problema; não tem um candidato. Não tem um candidato efetivamente viável. Mas eles produziram um problema, para si mesmos e para o país: abriram o cenário político do Brasil para a extrema-direita. Todo o movimento que cerca o golpe é de divisão, de intolerância, de semeadura da violência, da misoginia, uma divisão absolutamente irracional – eles nos chamam de petralhas, nós os chamamos de coxinhas. Não é assim que se constrói uma democracia. Não é acentuando as diferenças, mas buscando consensos, pontes, negociações.

O que acontece, desde o início do ano passado, é que o presidente Lula passa a liderar todas as pesquisas de opinião. E não só liderar na intenção de votos, mas reduzindo a rejeição ao seu nome. Ele foi exposto a 70 horas de notícias do maior telejornal do país lhe julgando e condenando, induzindo a população a achar que ele cometeu atos ilegais inimagináveis. Se ele conseguiu resistir, deve existir uma explicação para isto.A imagem pode conter: carro e texto

A rejeição a Lula e a nós inicialmente subiu, porque durante um tempo a imprensa brasileira funcionou como uma instância da Justiça. Mas uma instância da justiça inteiramente distorcida. A imprensa julga, tem a iniciativa, não tem regras nem protocolos, não respeita nenhum dos rituais democráticos. Para a imprensa, a presunção de inocência acabou. Mas o processo acaba chegando à justiça formal e, por mais complicada que seja a justiça brasileira neste momento, no processo formal há direito ao contraditório, nós podemos nos defender, nós sabemos do que somos acusados. E o que se vê são cenas que a população inteira pode ver, como a de um .procurador da República vir a público e apresentar um power point que põe o Lula no centro de todo o crime cometido na operação Lava a Jato e, perguntado pela imprensa – essa imprensa que julga e condena – “quais são as provas contra Lula, senhor procurador”, ele respondeu: “não tenho provas, tenho convicções”.

Qualquer pessoa pode assistir a este cena na internet. O processo contra o Lula começa, então, a ser ultradiscutido em todo o Brasil. Do que o acusam? De ter um apartamento. Obviamente, ele ganhou este apartamento porque concedeu algum beneficio para a empresa que o presenteou. Mas o problema é que o apartamento não é propriedade dele, não está registrado em nome dele num cartório de imóveis, ele não tem a posse, nunca morou lá. E aí se descobre que este apartamento que lhe foi atribuído foi usado pela empresa proprietária como garantia de um empréstimo bancário. Como a empresa não pagou o empréstimo, uma juíza levou o apartamento a leilão. Como, então, este apartamento pode ser do Lula? Mas, como diz o juiz do processo, isto não vem ao caso.

Mas além de provar que o apartamento pertence ao Lula, para que se caracterize o crime de corrupção passiva é preciso provar que Lula tenha tomado alguma medida, feito alguma lei, ou decreto, qualquer ato seu que tenha beneficiado a empresa que o teria presenteado com o imóvel, ou até o contrário, que é deixar de fazer algo que poderia prejudicar tal empresa. O próprio juiz afirma na sentença que nada foi feito ou deixado de fazer, e que o ato de ofício, que caracterizaria a culpa, é indeterminado.

Então, Lula é julgado e condenado. É condenado porque acreditam que, com isso, e agora, com a prisão, ele vai sumir das pesquisas de intenção de voto. Pois neste fim de semana, depois de estar preso há alguns dias, fizeram uma pesquisa, com a qual não temos nada a ver, que mantém Lula com mais do que o dobro dos votos do segundo colocado, o senhor Bolsonaro.

Vejam vocês que complicação política quando num país democrático o centro some, explode, é destruído. A inconsequência da política golpista leva ao surgimento da extrema-direita.O Brasil é um país complexo, precisa da diversidade de opiniões para efetivar uma real democracia.

E qual é a solução que eles dão? Prendem o Lula. Para impedir que ele seja candidato. E descumprem a Constituição, que diz no artigo 5º que todos são iguais perante a lei e, no inciso 57, ninguém será considerado culpado até que seus recursos transitem em julgado em todas as instâncias do Judiciário. Em fevereiro de 2016, o STF mudou o entendimento sobre a Constituição, de forma estranha, porque o tribunal não tem este poder, além do Congresso, e passou a aceitar um mecanismo que se chama prisão provisória, antes do trânsito em julgado. É prisão de qualquer jeito. Mas dizem que a pessoa está presa por ser provisoriamente culpada. Agora, dois anos depois, o STF estava revendo esta interpretação, mas antes de discutir o princípio, um habeas corpus para o Lula, justamente alegando que a Constituição veta prisão antes de todos os recursos, é rejeitado por 6 a 5 – com o voto de minerva contra Lula dado pela presidente do tribunal. E a questão geral, que se refere a qualquer preso, está está esperando exame há mais de ano.

Enquanto isso, o que temos? Lula está preso numa solitária. Lula está isolado numa solitária. Isto porque a situação é mais complexa. Não basta prender o Lula, não podem deixar o Lula falar. O próprio juiz que o prendeu diz isso. Diz que ele fala muito contra a operação que resultou na sua prisão, e não pode falar. Ele não pode falar porque ele argumenta e muda a opinião das pessoas.

Ele está numa solitária. Eu vivi a prisão durante a ditadura. Fiquei três anos presa. Na ditadura, é claro, a prisão pode resultar na sua tortura e até na sua morte, graças à arbitrariedade absoluta, que impede até que saibam que você está preso. Portanto, eu sei que é diferente, e sei que naquela situação é muito mais grave. Mas tem algo que é importante destacar. É próprio dos golpes negar que são golpes, negar que haja prisões arbitrárias, negar que haja tortura, negar que haja assassinatos, como o que aconteceu com a Marielle, que foi um assassinato político. Os golpes tendem a se radicalizar, e o assassinato da vereadora Marielle é sem dúvida um indício de radicalização.

Hoje, estão tentando retirar de Lula o direito de receber visitas. Ele só tem direito a uma visita semanal. Nove governadores de estados, no exercício de sduas funções, foram visitá-los e não permitiram.

Este é uma situação grave. O que estão tentando é silenciar Lula. Ele disse nos seus últimos discursos que é muito difícil prender uma ideia. Podiam prendê-lo, mas as pessoas falariam por ele, andariam e iriam a todos os lugares por ele. Eles têm medo do que o Lula venha a transmitir, se deixarem ele falar com as pessoas.A imagem pode conter: texto

Mas o Lula também disse que estará nesta eleição, preso ou solto, morto ou vivo, condenado ou absolvido. Isto não e uma bazófia. É a expressão política do seguinte: eu não represento uma pessoa, eu represento uma ideia e uma porção de pessoas.

Muita gente pergunta por que, sabendo desta situação, mantemos a candidatura do Lula? Seria muito estranho que a gente, considerando Lula inocente e perseguido político, retirase a candidatura dele, que é o brasileiro com maior índice de aprovação como candidato à presidência. Nós vamos dizer que ele é culpado? Por que? Eles é que acham que ele é culpado. Nós o consideramos inocente.

Antes da votação do impeachment, a mídia dizia que eu devia renunciar e que, se não renunciasse, seria um sinal de autismo, o que é um absurdo, além de preconceito com os autistas.

Você não renuncia quando não tem culpa. Se você acha que a democracia é m bem, você luta para ampliar os espaços democráticos. É sua obrigação ir ao Senado e explicar à população brasileira o que está acontecendo, como eu fiz.  Caso contrário, você perde algo fundamental: a narrativa que deixará, não para o momento imediato, mas para todos saberem o que aconteceu.

Por que abriríamos mão da candidatura do Lula e resolveríamos o problema deles?

Então, o Lula é o nosso candidato. E nós entendemos que só a liberdade dele pode viabilizar uma eleição democrática em outubro deste ano.

Nós também acreditamos que a democracia é o aspecto mais importante desta conjuntura. Às vezes, o aspecto mais importante é a questão social, ou é a soberania do país. Mas neste momento que nós vivemos, a democracia permite que os outros aspectos se afirmem. Sem ela, nós não nos reencontraremos. O Brasil não se reencontrará. No meu ponto de vista, haverá necessidade de um periodo de transição, durante o qual teremos que reconstruir o pacto democrático, que vai permitir que nós respeitemos não só os votos, como a regra do jogo.

É importante que vocês saibamm que o Brasil tem uma elite muito problemática. Nós temos um povo muito sofrido. Sofrido porque é um povo que emerge de 300 anos de escravidão. E a elite sempre achou que o povo, mais do que excluído de seis direitos, não tinha direito de estar ali.

Dou exemplos deste preconceito contra “estar ali”. Protestaram e nos acusaram de ter transformado os aeroportos em rodoviárias, porque o povo passou a andar de avião, já que sua renda aumentou. Chegamos a um momento em que 35% das pessoas que se formaram numa universidade eram os primeiros de suas famílias a chegar a um curso superior. São ganhos que transformam a vida das pessoas. Diziam que eram um absurdo adotarmos políticas de cotas, e isto no país de maior população negra do mundo fora do continente africano. O segundo país de maior população negra no mundo, logo depois da Nigéria.

No Brasil, a exclusão se combina com o privilégio. A forma de controle violento não é visível porque atinge os de baixo. Da classe média para cima, não há um nível de violência e de controle relevante. Quem são os presos no Brasil? São os jovens negros. As mulheres que sofrem mais violência são as mulheres negras. Marielle é o símbolo de uma mulher que assumiu a sua condição, que foi capaz de desenvolver uma política e, mais do que isso, denunciou tanto o privilégio como a exclusão social. A face do excluído no Brasil é criança, é mulher, é negro, vive na periferia das grandes cidades, e no Norte e no Nordeste. São estes os milhões de brasileiros que durante os nossos governos tiveram acesso a serviços públicos e a renda.

Mas, como diz o próprio Lula, nós subimos um degrau, e este único degrau que nós subimos já foi intolerável para a elite brasileira.

Por isso, nós teremos que reconstruir a democracia no Brasil. Não é possível mais a judicialização da politica, como também não é mais possível a politização do judiciário.

E há que ter clareza de que deveremos olhar várias coisas. Da concentração dos meios de comunicação, passando por uma reforma política, uma reforma tributária. Nós somos um dos dois únicos países do mundo, junto com a Estônia, que não tributam dividendos.

E vale a pena lembrar que durante o meu golpe havia manifestações na Avenida Paulista, em São Paulo, que é o coração da atividade financeira no Brasil. O presidente da Federação das Indústrias, senhor Paulo Skaf, plagiou um pato amarelo de um artista holandês, que depois protestou contra ele. Colocou este pato, bem grande, no meio da avenida Paulista.O pato significava o seguinte: em toda a crise – e vocês viveram uma, recentemente – há um conflito distributivo. Vou dar um exemplo daqui. Você tem que escolher que empresas você salva e em muitos momentos há que saber quem é que pagará uma parte da crise e quem pagará menos. Na Espanha, por exemplo, as pessoas perderam as casas, e foram salvos os financiadores. No Brasil, havia um conflito distributivo na crise. Seria necessário aumentar impostos. Não pagar o pato, como gritavam os empresários da Avenida Paulistam, significava não pagar impostos. Mas não há como sair da crise sem girar as dívidas das empresas ou sem mudar a legislação. Não é possível em países como o Brasil vigir a seguinte equação: financeirização, ou alta concentração da riqueza em títulos, papéis e especulação financeira, que leva a um aumento da desigualdade, que por sua vez leva a uma necessidade de desregulamentação das atividades financeiras e a uma redução drástica dos impostos. Isto acontece em muitos países. Redução da tributação sob o argumento de que tributar significa necessariamente reduzir a atividade econômica.

É bom começar a discutir isto, porque financeirização está levando, também, à mitigação da democracia. No Brasil e nos demais países do mundo. O que é gravíssimo. Nós vivemos tempos muito estranhos, em que algumas coisas aparecem invertidas. Por exemplo, o fato de que hoje não há mais a esperança de que os meus filhos viverão melhor do que eu. Esta é uma desesperança que atinge a quase todas as sociedades.

Por 13 anos, nós tivemos a oportunidade de ver auto-estima das pessoas aumentar e fazer com que as pessoas achassem que seus filhos iriam viver melhor do que elas. Este é o maior orgulho que eu tenho de ter sido presidenta do Brasil. É saber que as pessoas acreditavam que teriam uma vida melhor. Que o futuro seria melhor. É muito triste quando as pessoas acham que o passado foi melhor. É lamentável. E quero encerrar dizendo o seguinte: quando os estados e os governos não respondem às demandas de suas populações, a política se torna irrelevante. Campo fértil para aqueles horrorosos animais que surgiram durante o entreguerras, com o nazismo e o fascismo. E mais: com a intolerância e o desrespeito às pessoas. Como a política ficou irrelevante, esta intolerância transforma a democracia, também, em algo muito irrelevante. É aí que começa o perigo. É contra isso que nós temos de nos posicionar. Não interessa qual é a nossa posição no espectro. Mas se somos democratas, não queremos que isto se repita nos nossos países. E eu não quero que se repita no meu país.

Lula livre

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Wanderley Guilherme dos Santos: Lula deve apontar logo um candidato e parar de insistir em ser ele próprio


Lula está em posição de dar as cartas, pois tem maioria absoluta das intenções de votos da população brasileira e já deve apresentar um candidato

 O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos publicou artigo, no dia 16, indicando que Lula deveria desistir de levar “até o fim” sua candidatura a presidente da República em 2018 e apontar rapidamente ao PT o nome do postulante a ser prestigiado pelo partido.
No artigo chamado “A hora do lobo de Luiz Inácio”, Santos explica que “a hora do lobo é a hora da solidão interna”, a hora em que Lula deve estudar as medidas necessárias para unificar as esquerdas, porque sua fragmentação “equivale a criar inesperada oportunidade a uma direita sem rumo”, alertou.
Ainda de acordo com Santos, “a direita só chegará à presidência da República com o auxílio involuntário do Partido dos Trabalhadores”. E como Lula é o cérebro e coração do PT, cabe a ele a difícil tarefa de reorientar o partido após sua prisão.
“A esquerda isolada não elege presidente da República. Foi Lula, seu discernimento, que dobrou o sectarismo da opinião vigiada e punida quando, antigamente, divergia do velho Partidão”, ressaltou.
Nesse sentido, certamente o Lula irá indicar um candidato do próprio Partido dos Trabalhadores. O Ciro Gomes seria um nome a ser cogitado, mas o que acontece é que o próprio Ciro andou jogando alguns “galhos de espinhos” no caminho que daria acesso à uma parceria entre PT e PDT. Nesse caso, as opções ficam com o ex-prefeito de são Paulo e ex governador da Bahia, Fernando Haddad e Jaques Wagner, respectivamente. Dois nomes fortes, porém com um grande risco de a Globo, em parceria com a Polícia Federal, “futucar” a vida de ambos, como já aconteceu com o Jaques Wagner em Salvador, que os repórteres da Globo, como se fossem adivinhos, chegaram na casa do ex-governador antes da polícia.
Ná última pesquisa o Lula teve 31% das intenções de votos e os demais, com exceção do Bolsonaro, que atingiu 15%,  ficaram de 10% pra baixo. O Alckmin, que é considerado o principal adversário, está com apenas 6% das intenções de votos no Brasil. No caso Alckmin, a situação é mais complicada, pois ele já é um político antigo e que já, de certa forma, cansou o povo e não tem muito o que apresentar que o povo já não conheça. Já o Jair Bolsonaro, esse ainda não se sabe o caminho que vai tomar. Muitos dizem que ele já apresentou o que tinha a apresentar e que dificilmente passará de 20% no primeiro turno. Portanto, o velho e resistente PT ainda continua no páreo, dando as cartas queiram ou não queiram os antpetistas. Cabe agora as estratégias de cada um, mas é bom saber que em voto direto, o que come bucho assado tem o mesmo valor de quem vive com punhos de seda e salto alto. Fonte GGN, mas os últimos dois parágrafos foram do Café com Leite Notícias.
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STF TORNA AÉCIO RÉU POR CORRUPÇÃO E OBSTRUÇÃO DE JUSTIÇA


A Primeira Turma do STF decidiu por unanimidade tornar Aécio Neves réu.

Os cinco ministros votaram por receber a denúncia por corrupção; no caso da denúncia por obstrução de Justiça, julgamento foi 4 x 1. Alexandre de Moraes votou contra.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa o tucano de receber ilicitamente R$ 2 milhões de Joesley Batista, oriundos do grupo J&F, e de atrapalhar as investigações em torno da Operação Lava Jato.

O julgamento foi iniciado com a leitura de relatório pelo ministro Marco Aurélio Melo, relator do caso, que também tem como denunciados de corrupção passiva a irmã do senador, Andrea Neves, seu primo Frederico Pacheco, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (MDB-MG).

De acordo com a denúncia da PGR, Andrea teria feito o primeiro contato com Joesley para pedir o dinheiro, solicitação confirmada por Aécio em março de 2017, quando foi gravado por Joesley.

Mendherson e Pacheco são acusados de receber, a mando do senador, o dinheiro, em quatro parcelas de R$ 500 mil, de Ricardo Saud, executivo da J&F.

Na verdade as denúncias contra Aécio Neves vêm de longe, porém sempre terminavam em nada, pois o senador estava sempre protegidas por amigos políticos. Agora, o que espera é que ajustiça seja realmente justa e aplique o que merecer o acusado. Diante de tudo que já aconteceu, o grande prejuízo do senador Aécio, foi nem ter coragem de colocar o seu nome nas pesquisas, pois sabia que não ia atingir o mínimo que é 01%. Fonte DCM, último parágrafo Café com Leite Notícias.

 

 

 

VÍDEO: MST ocupou afiliada da Globo em Salvador


A turma que defende a liberdade de Lula avisa que não vai parar com a luta

 

#AoVivo MST ocupa Globo direto de Salvador, na filial Rede Bahia.

Posted by Mídia Ninja on Tuesday, April 17, 2018

 

Jovem filho de pedreiro e costureira é doutor mais novo do Brasil


Foto: Reprodução Forum

O filho de um pedreiro e de uma costureira acaba de se tornar o doutor mais jovem do Brasil.

O piauiense Guilherme Lopes, de 26 anos, é de Piripiri. Ele  teve sua tese de doutorado em biotecnologia aprovada na UFPI, Universidade Federal do Piauí, em Parnaíba.

O tema era “Bioprospecção da bergenina isolada de Peltophorum dubium, com ênfase nas propriedades antioxidantes e anti-anti-inflamatórias: aporte para o desenvolvimento de novos fitomedicamentos”.

No ano passado, uma cearense foi reconhecida oficialmente como a mais jovem doutora do país, com 26 anos, nove meses e cinco dias.

Ciências sem fronteira

O jovem estudou em escola pública e, usando a nota do ENEM no PROUNI, foi bolsista do curso de graduação em Biomedicina na Faculdade Maurício de Nassau, em Teresina.

Guilherme passou um ano na Espanha, aperfeiçoando sua pesquisa no Departamento de Farmacologia da Universidad de Sevilla.

Isso graças a uma bolsa do programa Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal, criado pela ex-presidenta Dilma Rousseff e encerrado na gestão de Michel Temer.

“Hoje, pude olhar pelo retrovisor da vida e vi que cheguei até aqui porque nunca vim sozinho. Me lancei ao novo, vivenciei o inesperado, saboreei o doce e o amargo, mas em todo o tempo o “Todo Poderoso” cuidou de mim”, disse Guilherme.

Atualmente, ele é professor da Faculdade Chrisfapi, na cidade natal, onde ministra disciplinas nos cursos de Farmácia e Enfermagem. Fonte:http://www.sonoticiaboa.com.br

 

 

 

FIORI: “A DIREITA E SEUS JUÍZES TRANSFORMARAM LULA NUM MITO”


 

FIORI: PONTO DE PARTIDA É A LIBERTAÇÃO DE LULA

O filme da direita e dos ultraliberais acabou e foi muito ruim. Eles perderam o discurso, não têm nada a propor ao Brasil e vão se dividir cada vez mais. A crise econômica seguirá com efeitos mais dolorosos. A libertação de Lula é a grande causa que unirá as forças progressistas do Brasil e da América do Sul. É preciso fazer avançar a ideia de uma frente pela democracia.

As ideias são do sociólogo e cientista político José Luís Fiori, professor de economia política internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A Eleonora de Lucena, diretora do TUTAMÉIA, ele afirma:

“Nesse momento, o ponto de partida necessário e inevitável das forças progressistas só pode ser a luta pela libertação de Lula. Não necessariamente para que ele seja candidato, mas porque hoje a sua libertação significa simbolicamente o primeiro passo para a restituição da democracia e da justiça nos seus devidos lugares”.

E analisa: “A direita e os seus juízes conseguiram transformar o ex-presidente num mito e numa força política que acompanhará a sociedade e política brasileira por muitos e muitos anos”.

Para Fiori, não adianta pensar agora em candidaturas alternativas que não vão ganhar ou não vão governar nesse quadro atual. “Ou se muda esse quadro e se junta um conjunto de forças poderosas, ou não haverá governo progressista viável de nenhum tipo, seja quem for o indivíduo ou candidato. A menos as forças progressistas queiram repetir a candidatura simbólica do dr. Ulysses Guimarães em 1974”, declara.

Autor, entre outros, de “O Poder Global” (Boitempo, 2007) e de “História, Estratégia e Desenvolvimento” (Boitempo, 2014), Fiori organizou obras essenciais para uma reflexão do mundo contemporâneo, como “Pode e Dinheiro” (com Maria da Conceição Tavares, Vozes, 1997) e “O Poder Americano” (Vozes, 2004).

Na sua avaliação, a crise desencadeada pelo golpe de 2016 e a divisão na sociedade brasileira vão continuar por muito tempo e exigirão enorme paciência estratégica. “Não adianta achar que vai se virar a mesa na próxima meia hora”, defende.

Nesta entrevista por correio eletrônico ao TUTAMÉIA, Fiori trata das diversas forças políticas em embate e lança uma hipótese sobre a dissolução do núcleo intelectual e ideológico do golpe de 2016: a derrota de Hillary deixou sem apoio os seus operadores internos –o que fez o governo golpista cair nas mãos de um grupo da “segunda divisão”–já quase todo na cadeia, que estava inteiramente despreparado para governar o Brasil”.

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A seguir, a íntegra:

TUTAMÉIA — Qual o impacto político da prisão de Lula?

JOSÉ LUÍS FIORI — Muito grande, acho mesmo que a história política do Brasil terá um antes e um depois dessa prisão.

TUTAMÉIA — Ele sairá “maior, mais forte e mais verdadeiro”, como ele disse no discurso do dia 7, em São Bernardo?

JOSÉ LUÍS FIORI –Tenho impressão que sim. E acho que a explicação disso se encontra no próprio discurso do ex-presidente, quando ele diz que já deixou de ser uma pessoa física e se transformou numa ideia, num movimento social e político, num verdadeiro mito. E todos sabemos que as ideias e os mitos não conseguem ser presos nem destruídos. Na verdade, Lula foi sempre um grande negociador e um reformista, e sua genialidade foi demonstrar que, em certos momentos da história, o reformismo é absolutamente revolucionário. Trata-se de um líder absolutamente fora do comum e acima de seus contemporâneos, graças à sua inventividade e à sua intuição estratégica, que é absolutamente extraordinária.

TUTAMÉIA — É possível fazer comparações ou traçar algum paralelo com outras situações históricas vividas no passado?

JOSÉ LUÍS FIORI — Veja bem, se eu me mantiver apenas no campo da minha experiência pessoal, devo te dizer que ainda criança me tocou assistir ao golpe de Estado de 1954, junto com o suicídio e a Carta Testamento de Getúlio Vargas. Depois, vivi o golpe de 1964 e escutei o discurso do presidente João Goulart, na Central do Brasil, que acabou sendo também uma espécie de discurso de despedida. Alguns anos depois, assisti ao vivo e em cores o violento e traumático golpe militar do Chile, tendo escutado pelo rádio o último discurso de Salvador Allende, no dia 11 de setembro de 1973. Foram todos momentos decisivos ou mesmo heroicos da história.

 

 

 

 

Mas o discurso de Lula do dia 7 de abril, na cidade de São Bernardo, teve uma grande diferença com relação aos outros, porque foi o discurso de um homem que decidiu sobreviver e lutar. De um político que decidiu enfrentar os seus acusadores acusando-os de peito aberto e sem medo das represálias. De um pacifista que conseguiu manter e defender sua posição sem oferecer a outra face. De um líder carismático que conseguiu fazer –sob a máxima pressão pessoal– uma belíssima homenagem às utopias humanas, ao mesmo tempo em que traçava as linhas básicas do seu futuro governo. Isso realmente não tem precedente que eu saiba.

Por outro lado, eu não havia nascido e não assisti quando Juan Domingo Perón foi preso e depois libertado pela população para logo em seguida ser eleito presidente da Argentina, em 1946. Mas assisti a transmissão ao vivo, pela televisão, da libertação de Nelson Mandela, aclamado pelo povo e imediatamente eleito presidente da África do Sul. E tenho uma impressão muito forte, como analista político, que mais cedo ou mais tarde isto também acontecerá no Brasil, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por mais que isso cause engulhos às forças conservadoras e direitistas do nosso país.

 

TUTAMÉIA — No imediato, o que que o senhor espera que possa acontecer?

JOSÉ LUÍS FIORI — Uma grande mobilização no Brasil e pelo mundo afora contra a prisão e a favor da libertação do ex-presidente. Mas acho que, no imediato, as pessoas próximas e que gostam pessoalmente do ex-presidente deveriam estar muito atentas com relação à sua integridade física. Sobretudo se tiverem em conta o fanatismo, o rancor, a crueldade e o ressentimento dos que o encarceraram.

 

TUTAMÉIA — Qual será o futuro político das pessoas que o julgaram e encarceraram?

JOSÉ LUÍS FIORI — O mais provável é que venham a ter o mesmo destino de todos os “savonarolas” que já existiram através da história. Apesar de que, no caso brasileiro, essas pessoas não têm o menor fôlego pessoal e intelectual para se transformarem em lideranças carismáticas. São figuras menores, já cumpriram o papel que lhes foi encomendado e devem voltar para o anonimato de onde vieram.

TUTAMÉIA — E qual o impacto mais geral sobre a sociedade brasileira?

JOSÉ LUÍS FIORI — Essa grande encenação –e, sobretudo, esse final patrocinado pelo STF –consolidou uma divisão e uma polarização da sociedade brasileira que que deverá durar por muitos e muitos anos. Vai ser muito difícil de reverter isso. Também vai ser muito difícil sair desse buraco imediato, porque o Estado, as autoridades públicas e a sociedade brasileira aparecem divididos de cima abaixo. Os golpistas estão completamente divididos. O Congresso está quase rachado e desmoralizado. O STF está partido ao meio, perdeu a sua aura de neutralidade e sua credibilidade foi rebaixada por suas brigas internas e por suas sessões infindáveis, marcadas pelo exibicionismo dos seus juízes com seu palavreado gongórico e quase sempre inócuo. Para não falar finalmente da divisão interna da própria Igreja católica. Aliás, dos que se esconderam atrás do silêncio para não se posicionarem frente à prisão do ex-presidente, quem mais me impressionou foi a CNBB. A ausência cúmplice ou envergonhada de algumas de suas principais lideranças no Brasil foi lamentável. Fez lembrar sua participação no golpe de 1964, quando as senhoras conservadoras sacudiam seus terços no lugar de bater panelas.

TUTAMÉIA — Como deveriam agir daqui para frente as forças progressistas?

JOSÉ LUÍS FIORI — Os caminhos estratégicos vão sendo construídos no caminhar e devem sempre tomar em conta os objetivos e as iniciativas dos adversários. Mas, nesse momento, o ponto de partida necessário e inevitável das forças progressistas só pode ser a luta pela libertação de Lula. Não necessariamente para que ele seja candidato, mas porque hoje a sua libertação significa simbolicamente o primeiro passo para a restituição da democracia e da justiça nos seus devidos lugares.

TUTAMÉIA — A ideia de uma frente pela democracia, contra o fascismo e pela soberania pode avançar?

JOSÉ LUÍS FIORI — Mais do que nunca. A direita e os ultraliberais já implementaram todas suas ideias e reformas através do golpe e dos seus executores. Depois da destituição da presidenta Dilma Rousseff e da prisão do ex-presidente Lula já não lhes resta mais nenhuma “causa” nem “ideia”. Seu filme acabou e foi muito ruim. A crise econômica seguirá e seus efeitos se farão cada vez mais dolorosos. A direita ultraliberal já não tem mais nada para dizer ou propor para o Brasil, que não seja a tal da “reforma da previdência que não conseguiram fazer e a privatização da Petrobras, duas propostas extremamente impopulares.

Povo no acampamento Lula Livre, em Curitiba (foto Ricardo Stuckert, como a da abertura)

TUTAMÉIA — Até onde o PT deve esticar a corda e manter a candidatura Lula?

JOSÉ LUÍS FIORI — Como já disse, do meu ponto de vista, o ex-presidente Lula já não é mais apenas uma candidatura. Ele é uma causa e é a grande causa que unirá daqui para frente as forças progressistas do Brasil e da América do Sul. Não adianta pensar, no momento, em candidaturas “alternativas” que não vão ganhar ou simplesmente não vão governar nesse quadro que aí está. Ou se muda esse quadro e se junta um conjunto de forças poderosas, ou não haverá governo progressista viável de nenhum tipo, seja quem for o indivíduo ou candidato. A menos que as forças progressistas queiram repetir a candidatura simbólica do dr. Ulysses Guimarães em 1974.

É bom que as pessoas entendam que essa crise aberta pelo golpe de Estado e essa divisão da sociedade brasileira –promovida ativamente pela imprensa conservadora– devem continuar ainda por muito tempo e exigirão uma enorme paciência estratégica. Não adianta achar que vai se virar a mesa na próxima meia hora.

TUTAMÉIA — Quem poderia ser o maior beneficiado da saída definitiva de Lula da corrida eleitoral?

JOSÉ LUÍS FIORI — Em primeiro lugar, ele já não sairá mais nem da corrida eleitoral nem da história política futura. Como já dissemos, a direita e os seus juízes conseguiram transformar o ex-presidente num mito e numa força política que acompanhará a sociedade e política brasileira por muitos e muitos anos.

TUTAMÉIA — Qual o impacto da prisão de Lula dentro do PT? Alguns esperam esvaziamento do partido. É correto pensar assim?

JOSÉ LUÍS FIORI — Acho que não. Pelo contrário, creio que o PT deve crescer daqui para frente. Mas não sou do PT e não conheço nem sei avaliar corretamente a sua dinâmica interna. Mas com certeza os seus adversários e a imprensa conservadora deverão inventar ou incentivar, daqui para frente, divisões e lutas internas, jogando uns contra os outros de forma a esvaziar a causa unitária do PT, pela libertação e absolvição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

TUTAMÉIA — Qual o impacto da prisão na parcela da população que apoiou o golpe de Estado?

JOSÉ LUÍS FIORI — Num primeiro momento, devem tomar champanhe ou cerveja, dependendo da classe social de cada um. Mas, atenção, porque o efeito emocional dessa prisão se esgota em si mesmo. A grande massa dos que estão comemorando nesse momento muito brevemente se dará conta de que a prisão de Lula não modificará nada em suas vidas. Todos serão obrigados a voltar a viver as suas angústias e seus medos de cada dia –para não falar nos que terão que voltar a conviver com sua própria mediocridade pessoal.

TUTAMÉIA — Então, qual o caminho das forças golpistas?

JOSÉ LUÍS FIORI — Deverão se dividir cada vez mais. Deverão entrar numa luta à morte, depois que perderam o seu grande denominador comum, que era o golpe e a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Será uma guerra sem quartel, e presumo que não sobrará pedra sobre pedra. E essa mesma divisão das forças de direita acabará impedindo qualquer tentativa de suspensão das eleições de outubro de 2018. Eles não têm mais unidade para nada e terão que se enfrentar entre si. O PMDB já foi literalmente descabeçado, com a prisão de algumas de suas principais lideranças nacionais e de quase todas as suas lideranças golpistas que hoje estão na cadeia. E não é improvável que esse quadro piore ainda mais depois que o sr. Temer sair do Palácio do Planalto.

Por outro lado, o PSDB se autodestruiu, com a opção pelo golpe de Estado do seu candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014, que depois se viu envolvido em situações cada vez mais escabrosas. Seus caciques paulistas estão todos brigados entre si, seus intelectuais completamente desmobilizados e desmoralizados ideologicamente. E o seu principal líder vive um momento de declínio intelectual, político e ético, depois de ter sido o grande patrocinador da candidatura do sr. Aécio. Mas, sobretudo, depois de ter justificado de forma bisonha e de ter participado diretamente do golpe de Estado, antes de se afastar do governo que ele mesmo ajudou a criar. O DEM, por sua vez, é um partido que não tem fôlego nacional e está transformado numa quase caricatura da antiga direita baiana e carioca. O conjunto das outras siglas que compõem a ‘base parlamentar” do golpe de Estado não possui nenhuma consistência ou identidade própria e estará sempre ao lado do “balcão de negócios”.

Por fim, depois desses últimos três ou quatro anos, a Globo se transformou numa organização político-ideológica explícita e de direita, agressiva, insidiosa e com enorme poder de fogo. Mas perdeu completamente a posição de “meio de informação” da sociedade brasileira, se transformando no principal inimigo de todas as forças progressistas, democráticas, defensoras da soberania nacional e de um choque distributivo na sociedade brasileira.  Fonte O Cafezinho.

 

O Alckmin está no (Volume Morto) diz Datafolha


Publicado no Tijolaço

POR FERNANDO BRITO

 

A Folha divulgou agora à tarde o recorte paulista da pesquisa presidencial realizada na semana passada.

Geraldo Alckmin amarga um precário terceiro lugar nas intenções de votocom Lula na disputa, com 13 pontos, abaixo de Jair Bolsonaro (14%) e de Lula (20%). Convém lembrar, para comparação, que concorrendo a presidente em 2006, teve, no 1° turno, 54,2% dos votos, contra 36,8 de Lula.

Sem Lula e ainda sem um candidato que o represente claramente, Alckmin não vai além de um modesto empate técnico com o candidato dos fascistas e com Marina Silva. Talvez um empate quádruplo, caso Joaquim Barbosa se lance candidato.

São sinais de um desastre sem precedentes para o PSDB em seu ninho, maior até que o que sofrerá em Minas, caso venha mesmo a lançar Aécio Neves como candidato ao Senado.

Ninguém pode, claro, adivinhar os desdobramentos de um processo eleitoral assim, tão em aberto.

Ou melhor, tão fechado, porque está sufocado pela ação absurda de um Judiciário que  desmontou as forças partidárias que, há 24 anos (desde 1994), disputavam a hegemonia política do país e o fizeram sem que nenhuma corrente política surgisse com expressão, exceto o nazifascismo tupiniquim.

A Folha está de posse dos resultados das perguntas feitas sobre os candidatos ao Governo de São Paulo. E, se quiser, pode fazer o cruzamento entre os eleitores de Joaão Dória e as opções por Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin.

É bom Alckmin já ir se acostumando com a ideia de que criou um monstrinho.

PGR REITERA PEDIDO PARA QUE STF RECEBA DENÚNCIA CONTRA AÉCIO


Segundo a denúncia, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) solicitou a Joesley Batista, da JBS, R$ 2 milhões em propina, em troca de sua atuação política; o parlamentar senador foi acusado no ano passado pelo então procurador-geral da República Rodrigo Janot dos crimes de corrupção passiva e tentativa de obstruir a Justiça

 

Wilson Dias/Agência Brasil

André Richter – Repórter da Agência Brasi:  A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, reiterou nesta segunda-feira (16) no Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de ação penal contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) em um dos inquéritos resultantes da delação do empresário Joesley Batista, do grupo J&F. Se o pedido for aceito, o senador e mais três pessoas se tornarão réus no processo.

O julgamento sobre o recebimento da denúncia pela Primeira Turma do STF está marcado para amanhã (17). Também são alvos da mesma denúncia a irmã do senador, Andrea Neves, o primo dele, Frederico Pacheco, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), flagrado com dinheiro vivo. Todos foram acusados de corrupção passiva.

Segundo a denúncia, apresentada há mais de 10 meses, Aécio solicitou a Joesley Batista, em conversa gravada pela Polícia Federal (PF), R$ 2 milhões em propina, em troca de sua atuação política. O senador foi acusado pelo então procurador-geral da República Rodrigo Janot dos crimes de corrupção passiva e tentativa de obstruir a Justiça.

 

 

Nos memorais enviados nesta segunda-feira aos ministros da Primeira Turma, órgão responsável pelo julgamento do caso, a procuradora rebateu as argumentações da defesa e pediu o recebimento da denúncia.

“Tal conduta caracteriza o denominado ato de ofício em potencial, desde que presentes as demais elementares do tipo penal do crime de corrupção. Essas conclusões fáticas bastam para enquadrar a conduta de Aécio Neves e dos demais acusados no crime de corrupção passiva”, diz a PGR.

Em nota divulgada na última terça-feira, o advogado Alberto Toron, que representa Aécio Neves, disse que o senador foi “vítima de uma situação forjada, arquitetada por criminosos confessos que, sob a orientação do então procurador Marcelo Miller, buscavam firmar um acordo de delação premiada fantástico”.

Vão participar do julgamento os ministros Marco Aurélio, relator, Rosa Weber, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Fonte Brasil 247.

PREFEITA DE BARCELONA DIZ SE PREOCUPAR COM “DERIVA AUTORITÁRIA” NO BRASIL


Quique García / EFE

 

Em um encontro com a presidente eleita e deposta pelo golpe, Dilma Rousseff, a prefeita de Barcelona, Ada Colau, se disse preocupada com a “deriva autoritária” que vive o Brasil e afirmou que Dilma e o ex-presidente Lula, que está preso, são “exemplo e referência” porque “representam um dos governos mais progressistas, que promoveram avanços sociais”; “Toda nossa solidariedade, apoio e força para seguir adiante”, reforçou

 

 

 

Líder quilombola que denunciava desmatamento ilegal e poluição de agrotóxicos é executado no Pará


O corpo de Nazildo

Publicado no Amazônia Real

POR CATARINA BARBOSA

Belém (PA) – A Polícia Civil do Pará investiga a suspeita de crime de execução para o assassinato do líder quilombola Nazildo dos Santos Brito, 33 anos, da Comunidade de Remanescentes de Quilombo Turê III, na divisa dos municípios de Tomé-Açu e Acará, no nordeste do Pará. Seu corpo foi encontrado em um ramal da comunidade neste domingo (15) com marca de tiros nas costelas e na cabeça. Segundo a polícia, a motocicleta e objetos pessoais da liderança não foram levados pelo autor dos disparos, daí a suspeita de execução.

Conforme informações da Delegacia do Distrito de Quatro Bocas, o crime aconteceu por volta das 19h30 de sábado (14) no ramal da Roda D’Água, a caminho do quilombo Turê III, na zona rural de Tomé-Açu. De acordo com a investigação, apesar das característica de execução ainda não há informações sobre a motivação e nem pistas sobre o responsável pelo crime.

Nazildo dos Santos Brito, ex-presidente da Associação de Moradores e Agricultores Remanescentes Quilombolas do Alto Acará, era ameaçado de morte por denunciar crimes ambientais na região. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF) do Pará, ele estava no programa de proteção, no entanto, não recebia a segurança solicitada à Secretaria de Segurança Pública (Segup).

Desde 2015, Nazildo respondia a oito processos, sendo acusado de crimes de turbação (perturbação), invasão, ameaças, furto e roubo impetrados pela empresa Biopalma da Amazônia S/A, subsidiária da Vale, na Comarca de Acará.

A liderança quilombola, junto com indígenas Tembé, comandou a ocupação da empresa Biopalma, em 2015, para denunciar desmatamento ilegal, poluição de agrotóxicos nos mananciais de Tomé-Açu. Durante o protesto foram incendiados veículos e tratores da empresa. A Biopalma produz óleo de palmiste para as indústrias farmacêuticos, cosméticos, óleos-químicos e produtos de higiene pessoal em Aracá.

Nazildo Brito é a terceira liderança assassinada nos últimos quatro meses na região nordeste do estado. Em Barcarena foram mortos, em crimes de autoria desconhecida, no dia 12 de março, Paulo Sérgio Almeida Nascimento, segundo-tesoureiro da Associação dos Caboclos Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama). Em 22 de dezembro do ano passado foi assassinado Fernando Pereira, também liderança da Cainquiama. Eles denunciavam crimes ambientais das mineradoras e conflitos fundiários na região. Até o momento, nenhuma pessoa foi presa pelos crimes.

Um telefonema

O território quilombola Turê III fica na divisa entre os municípios de Acará e Tomé-Açu, ambos no nordeste do estado. Em entrevista à agência Amazônia Real, Railson da Silva, disse que seu cunhado, Nazildo dos Santos Brito, recebeu um telefonema por volta das 19h15 do sábado (14) e disse que iria para casa. “Eu pedi pra ele não ir embora, porque estava à noite, mas ele foi mesmo assim”, lembrou Silva.

Para a liderança indígena Paratê Tembé, que também protestou contra os danos ambientais da empresa Biopalma e responde a processos na Comarca de Acará, todos que denunciam a indústria sofrem muitas ameaças. “Aqui nós vivemos sob constante ameaça e criamos sistema de proteção entre a gente, porque sabemos que há ofertas de dinheiro pelas nossas cabeças. Queremos que as autoridades investiguem o caso, que os culpados sejam presos. O Nazildo era um guerreiro, ele lutava com a gente na região do Vale do Acará”, lamenta.

Desde 2012, os índios Tembé da Turé-Mariquita tentam obter compensações e ações de mitigação para os impactos que sofrem com as atividades da Biopalma, mas pouco foi conquistado desde então. “Nós até fizemos um acordo que envolvia a questão do saneamento, mas tudo foi meio vago. Eles [a Biopalma] não cumprem o acordo feito junto com a Funai, organizações quilombola e MPF e isso acaba gerando novamente a expectativa de um novo conflito. A nossa situação com a Biopalma é muito complicada”, afirma Paratê Tembé.

Neste domingo, Paratê utilizou sua página no Facebook para se despedir do amigo Nazildo Brito: “nosso povo indígena e quilombola amanheceu de luto, perdemos um dos nossos guerreiros, um símbolo, um pai, um esposo, um ser humano. Nazildo Quilombola, líder do quilombo Turê lll em Tomé-Açu, que foi brutalmente assassinado ontem (14). Você partiu cedo demais contudo suas ações entre nós vai ecoar pela eternidade. Matéria extraída do DCM.