Homem dorme nas ruas debaixo de forte frio abraçado com seu amigo cão, mas passa despercebido


O cidadão dorme na rua com o seu amigo leal, porém ninguém lhe enxerga

Por Walter Salles: Andando pelas ruas da cidade de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Geras, vi um quadro que não tem como não chamar atenção, quando se trata de ser humano. Pois é: um homem dormia abraçado com o seu cão amigo em plena calçada. Mas o brabo da história é que não é o morador das ruas que choca, até porque existem milhares por aí. Claro que é algo inaceitável, pois se trata de um cidadão como outro qualquer, mas  que não tem uma casa para morar. O que chocou mesmo foi perceber que ninguém percebe nada. Parte do povo passa de um lado para o outro e não pára para ao menos olhar e se comover com quadro.

Não me interessei em saber o nome do cidadão, pois ele não é um caso isolado. Na verdade, existem muitos por aí a fora que vivem debaixo dos cuidados de Deus. Também não me interessei em saber de onde veio ou para onde vai aquele cidadão. Até porque, a pauta principal desta matéria não é ele, mas sim nós, que temos casa, chuveiro quente, comida na mesa, família pra bater papo ou brigar, não importa. Enquanto ele, que talvez consiga ter momentos de felicidade, por Deus e não por nós, que fique bem claro, tem que enfrentar noites terríveis de frio, principalmente no inverno. Que Deus, na sua infinita bondade, tenha misericórdia daquele homem, mas principalmente de nós todos que formamos uma sociedade de hipócritas, não querendo generalizar. Tenham certeza que aquele homem, apesar de não ter água para tomar banho todos os dias, o seu odor não chega nem perto de muitos que vivem sob as abundâncias.

Não veja esse texto como uma crítica ao leitor de forma individual. Não, não é nada disso. A crítica é sobre algo muito mais profundo que se possa imaginar. Tão profundo que já calejou e adormeceu os corações de muitos a ponto de não se comover mais com os horrores.

Deve ser por esse motivo que muitas pessoas, principalmente os que têm um poder aquisitivo um pouco melhor, engatam a “quinta ou sexta marcha” e seguem na contra mão apoiando as perversidades que governos inescrupulosos aplicam aos mais fracos. Muito triste tudo isso.

Bom, passando agora para o lado prático, literal e realista do fato, seria bom que as autoridades competentes desta cidade, tomassem providências junto àquelas pessoas que vivem às margens do Rio Sapucaí sob o viaduto, os conduzindo para um lar com direito aos cuidados básicos. Se cada governante cuidar do seu reduto, certamente será eliminado o grande mal que assola grande parte da população brasileira. Ter um teto para se recolher no começo da noite é um direito de todos. Vamos começar a pensar nisso e melhorar de fato a qualidade do ser humano que somos.