Violência marca despejo de 5 mil sem-terras na Bahia


Polícia e milícias invadiram as áreas onde os sem-terra vêm produzindo há anos em três acampamentos

Divulgação MST

As áreas acampadas fazem parte do perímetro irrigado Nilo Coelho, Casa Nova, e o projeto Salitre e Juazeiro.

As famílias estão acampadas nas áreas desde 2007, mediante acordo entre o Governo Federal, o Governo Estadual, o Incra, Ouvidoria Agrária, a Codevasf e o Ministério Público. Entretanto, com as investidas violentas contra os movimentos sociais do atual governo, os acordos estão sendo quebrados e as famílias trabalhadoras estão sendo vítimas uma vez mais da truculência do Estado. Por estarem próximas do Rio São Francisco, as terras dos acampamentos são valorizadas para uso de irrigação, daí a investida das milícias do agronegócio.

As 700 famílias estão vendo seus sonhos sendo destruídos pelo governo, que manda uma mensagem bem clara de que não quer ver sem-terra trabalhando ou produzindo alimentos. A economia de Juazeiro e região deverá sofrer uma queda muito grande, porque os acampamentos estavam produzindo por ano mais de 7.200 toneladas de alimentos, gerando trabalho e renda para mais de 5 mil pessoas, como destacou a direção do MST.

Os acampamentos integram as áreas de perímetro irrigado, fruto do processo de transposição do Rio São Francisco, cujo objetivo é levar as águas do manancial aos pequenos agricultores e às comunidades carentes.

Sem Terras vinham denunciando ações de latifundiários 

As famílias sem terra vêm denunciando há bastante tempo diversas ações articuladas por latifundiários que possuem terras nos arredores, para enfraquecer a produção e, consequentemente, garantir a desistência dos acampados, buscando a apropriação das terras para o agronegócio.

Resta saber o que o governo pretende fazer com essas 700 famílias que viram seus sonhos serem despedaçados. Para onde vão essas famílias que, muitas vezes, a única fonte de ganhar o pão de cada dia é plantando e colhendo às margens do Velho Chico?

será que vão ser reempossadas em outras áreas de terras produtivas ou vão ficar ao deusdará?

Com informações do Jornalistas Livres.