Veja relatos de segurados que esperam por resposta do INSS para seus pedidos


Em busca do auxílio-doença, a atendente Sabrina Ferreira Santos peregrinou entre duas agências até ser atendida no Rio de Janeiro. Em uma delas, só havia um atendente e foi informada que o sistema caiu. Na outra, havia dois funcionários.

“Eles falam para ligar para eles, mas quando liga pede para ir na agência e quando vai na agência pede para ligar. E fica nisso. Até agora não sei de nada, só sei que me deram laudo da minha perícia e de resto não sei de mais nada. (O dinheiro) faz muita falta. Estou atrás do dinheiro para pagar as contas, estou afastada (por motivos de doença) há 3 meses”.

Já Débora de Jesus estava atrás do benefício para o filho deficiente. Diarista, ela às vezes deixa de trabalhar para ficar na fila do INSS à espera de uma resposta. “Vai fazer um ano agora no dia 25 de janeiro (que entrei com o pedido do benefício)”, lamentou.

“Eu venho direto (na agência), estou olhando no site, estou vindo uma vez por semana e estou olhando todo dia e até agora nada. Meu filho está fazendo muito exames, vai operar, vai fazer a terceira cirurgia e até o cartão de passagem dele já foi vencido. Estou tentando ver se consigo fazer de novo, a gente gasta muito dinheiro porque é muita passagem, internação, alimentação é tudo né?”

Filas e dificuldades

Na agência central do INSS em Belo Horizonte, também havia fila quinta-feira (9). “Olha quanta gente na fila, precisava disso não menino, para ganhar um salário mínimo. Isso é um absurdo. Tem que ficar nessa fila enorme, humilhante, humilhante mesmo”, disse a autônoma Efigênia Soares de Oliveira.

Em Brasília, o vigilante João Braghirolli também relatou dificuldade. Nesta quinta-feira, foi a um posto do INSS pela quinta vez. Ele já tentou um agendamento pelo site e pelo aplicativo do INSS. “(Desde) o dia 05 de novembro estou tentando”, afirmou. “Fiz uma cirurgia de córnea e é esse descaso com o trabalhador. Total falta de respeito”. disse. Segundo o vigilante, a justificativa dos funcionários do INSS para tanta demora é a falha no sistema.

Por meio de nota, o governo informou que “não há fila para atendimento em casos de perícia médica.”

8 meses de espera por aposentadoria

Claudete Tassi espera há 8 meses uma resposta do INSS — Foto: Arquivo pessoalClaudete Tassi espera há 8 meses uma resposta do INSS — Foto: Arquivo pessoal

Claudete Tassi espera há 8 meses uma resposta do INSS — Foto: Arquivo pessoal

A assistente administrativa Claudete Tassi, de 49 anos, aguarda desde 28 de maio do ano passado uma resposta do INSS para seu pedido de aposentadoria por tempo de contribuição.

“São 8 meses de espera e nada, eles falam que meu pedido está em análise”.

Claudete conta que descobriu que faltavam 11 anos de contribuição quando entrou no site Meu INSS. Os 29 anos e 8 meses de contribuição caíram para 18 anos. “Tive que ir na agência para comprovar todos esses anos com a carteira profissional e o contrato de trabalho e fazer o pedido”, disse.

Falta pouco para ela se aposentar, pois já está com 30 anos e 3 meses de contribuição. “Falaram que iriam verificar o erro para autorizar o pedido de aposentadoria. Voltei à agência e recebi como resposta que a análise estava atrasada e que era preciso esperar”, contou.

A angústia de Claudete também é devido à recusa do auxílio-doença pelo INSS, que a mandou retornar ao trabalho mesmo após três cirurgias na coluna no ano passado. “Não recebo nada desde novembro, por isso estou esperando a aposentadoria sair”, afirmou.

Sem prazo definido

Marili Masoni, de 50 anos, está no processo para pegar a aposentadoria do marido desde setembro  — Foto: Marcelo Brandt/G1Marili Masoni, de 50 anos, está no processo para pegar a aposentadoria do marido desde setembro  — Foto: Marcelo Brandt/G1

Marili Masoni, de 50 anos, está no processo para pegar a aposentadoria do marido desde setembro — Foto: Marcelo Brandt/G1

Marili Masoni, de 50 anos, foi a uma agência do INSS em São Paulo nesta quinta-feira (9) para mostrar a carta de dependente do marido, mais uma etapa para conseguir a aposentadoria que tenta desde setembro.

“Eles não dão uma data certa de quando você vai receber, só mandam aguardar”, afirmou a manicure.

O valor está fazendo falta na renda da família, porque, desde que o marido morreu, ela não está trabalhando. “Eu parei de trabalhar porque tem coisas a resolver e porque eu não pude deixar meu filho sozinho. A renda vai me favorecer muito”, explicou.

É a filha mais velha que está ajudando nos trâmites na internet. “Eles falaram que isso ia melhorar, mas eu achei que ficou mais demorado”, opinou Marili. “Quando está em análise é porque está numa fila, fica nessa análise e você nunca tem uma posição. Se liga no 135 eles não sabem informar.”

Para a manicure, não saber quando vai receber o benefício é um dos maiores problemas.

“Você fica no aguardo até eles mandarem uma exigência para trazer o documento, você fica no ar sem saber. O ruim é isso sem uma posição, sem um prazo certo.”

Matéria na íntegra do G1

INSS afirma que não tem como zerar a fila dos benefícios em menos de 6 meses

INSS afirma que não tem como zerar a fila dos benefícios em menos de 6 meses

Medidas anunciadas em agosto do ano passado com o objetivo de zerar o estoque de pedidos como a otimização da força de trabalho e digitalização do atendimento parecem não ter surtido efeito.

E, dois meses após a aprovação da reforma da Previdência, os sistemas ainda não foram adaptados às novas regras, o que está travando principalmente os pedidos de aposentadoria. Segurados relatam problemas também para obter benefícios como salário-maternidade e auxílio-doença.

O governo reconhece que existe o problema e que a solução deve demorar. Mas não há um prazo oficial para zerar a fila de análise de pedidos.

O prazo para que o INSS analise os pedidos de benefícios é de 45 dias. Mas, de acordo com o próprio órgão, o estoque de pedidos de benefícios era 1,990 milhão no ano passado, mas 1,3 milhão não foram concluídos até agora, ou seja, cerca de 65% dos requerimentos estão travados à espera de resposta do órgão, segundo mostra reportagem do Jornal Hoje.

De acordo com o instituto, todos os sistemas de concessão de benefícios estão tendo que ser ajustados, já que nenhum cálculo ou definição de valores de benefícios concedidos são feitos de forma manual pelos servidores.

No caso dos pedidos para aposentadoria, o diretor de atendimento do INSS, Castro Junior, reconheceu que o sistema ainda não está adaptado às novas regras introduzidas pela reforma da Previdência e deu prazo pra situação ser regularizada.

Segundo ele, a expectativa é que ainda no primeiro trimestre as adaptações estejam concluídas para agilizar os atendimentos e a concessão de benefícios.