REVOLTA, REVOLTA E REVOLTA: POR WALTER SALLES


 

Por Walter Salles

Café com Leite Notícias: O título deste artigo parece de alguém que está  bastante revoltado e estou.  Quem viajar pelo país e começa a se deparar com as mazelas nas estradas e se sente castrado, no sentido de não ter a quem reclamar, não tem como não se revoltar.

Naturalmente que se a pessoa não estiver ligado nos seus direitos e deveres, vai fazer a viagem inteira e achar tudo muito normal. Vai logo dizer: “pior é viajar montado num Jumento e eu já viajei muito”.  Mas vamos seguindo em frente com a nossa viagem, que até o sul de Minas, região que viajei, se perde as contas da quantidade de pardais, (lombadas eletrônicas), que muitos a chamam de “chupa cabra”, mas que o nome mais coerente que se possa dar seria “Chupa Bolso do Trabalhador Brasileiro”. Pior é que em grande parte elas são apagadas, não piscam e qualquer distração do motorista, até mesmo por ter olhado uma paisagem ou uma conversa descontraída, ele se depara com o pardal e vamos frear bruscamente, podendo até ocasionar um acidente.  É muito comum se ver as marcas dos pneus no asfalto. Tudo isso em nome de arrecadar mais e mais verbas com o suor do trabalhador, pra que finalidade? O que fazem com o dinheiro das multas que hoje é uma renda bilionária para os cofres públicos.

Resultado de imagem para foto de lombada eletronica

Aqui o limite é 30 km hora e quase não se vê o pardal armado

Resultado de imagem para foto de lombada eletronica

As lombadas teriam que ser todas assim. Nesse caso o motorista só seria multado se não dirigisse prestando atenção na estrada

 

Tudo bem, segui a viagem com a minha família, ouvindo canções lindas para descontrair, esquecendo o terrorismo dos pardais, apenas dirigindo muito tenso, com o olhar mais no ar, para não perder de vista a “serpente armada para me dá um bote”.

Mais à frente, mas um fator chama a atenção. A estrada que liga Montes Claros a 040, que liga BH à Brasília, uma estrada de mão dupla, com 300 km de extensão, está recebendo uma grande obra, onde a construção está a todo vapor. Pois é. A construção aí é a dos pedágios, já que a estrada acaba de ser privatizada. O que mais revoltou, é que não se viu uma única obra sendo construída em todo percurso de 1500 km, mas em compensação os pedágios estavam em ritmo acelerado, acredito que hoje, dia 18 de Março, já esteja cobrando pra você ter o direito de trafegar naquela estrada.

 

Na Bahia a buraqueira imperou

A imagem pode conter: céu, árvore, nuvem, atividades ao ar livre e natureza

Na volta, já próximo a nossa terra, que é a linda e amável Maracás, depois do distrito de Suçuarana,  a estrada que liga Anagé à Chapada Diamantina, está uma buraqueira só. Como se diz por aí, a estrada parece uma peneira. Mas a ironia de tudo, é que em meio aquela buraqueira toda, que terminou fazendo os faróis do nosso carro apagarem, talvez foi um fusível ter se desprendido, a gente se depara com um posto da Polícia Rodoviária, o que multou o veículo por o mesmo está com os faróis apagados, acontecimento dentro dos buracos.

Conclusão: o cidadão pega a família, coloca no carro pra um passeio e termina se tornando uma tristeza. Fico imaginando os motoristas, que apesar de bons motoristas, moradores da zona rural que não tendo o costume com os pardais, corre o risco de numa viagem para São Paulo ou qualquer outro lugar distante, no retorno ter que vender o carro para pagar as multas. Se liguem, as “arapucas” estão armadas por todo país.

Walter Salles é fundador do Jornal Café com Leite, que está fazendo 30 anos de existência, também vem editando o Café com Leite Notícias digital.