Quando o mandatário maior segue na contramão, fica difícil: Governo Bolsonaro é “aliado do coronavírus e inimigo do Brasil”, diz Márcio Jerry


Vice-líder do PCdoB afirmou que, diante da pandemia do novo coronavírus, Jair Bolsonaro conseguiu deteriorar ainda mais sua base de apoio no Congresso Nacional

Márcio Jerry (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

 Em entrevista à Fórum na noite da segunda-feira (13), o vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA) afirmou que, diante da pandemia do novo coronavírus, Jair Bolsonaro conseguiu deteriorar ainda mais sua base de apoio no Congresso Nacional. Ao lado do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), os parlamentares falaram ao programa Fórum Debate sobre a tentativa do presidente de reaproximar do Centrão em meio ao desgaste com os presidentes da Câmara e do Senado.

“O presidente Bolsonaro consegue ficar contra o Brasil. No momento em que precisamos, todos nós, de união, em que temos um inimigo comum, letal, perigoso e invisível, o presidente se mostra um aliado do vírus. Todos os dias comete um desatino com uma situação tão grave do ponto de vista sanitário, social e econômico”, comentou o deputado maranhense.

Como exemplo da postura de rivalidade imposta pelo presidente, Jerry citou o que ocorreu na votação do Projeto de Lei Complementar 149/19, aprovado pela Câmara, que busca compensar estados, Distrito Federal e municípios pela queda de arrecadação do ICMS e do ISS em razão da pandemia da Covid-19.

“Inacreditavelmente o líder do governo Bolsonaro encaminhou contra a aprovação do Projeto. É um governo aliado do coronavírus e inimigo do Brasil. As medidas aprovadas no Congresso Nacional são essenciais para diminuir os efeitos graves da pandemia”, disse, referindo-se ao deputado Major Vítor Hugo (PSL-GO), que sinalizou que Bolsonaro vetará a proposta.

De acordo com os congressistas, tem sido considerável o esforço do Congresso Nacional em se responsabilizar com a situação imposta pela pandemia, independente de posicionamentos políticos. Para os parlamentares, enquanto Senado e Câmara pregam a suplantação das diferenças para enfrentar o momento, o presidente segue o caminho contrário, piorando uma relação que já estava deteriorada.

“Estamos vivendo uma situação de absoluta emergência. Por conta da crise sanitária, em primeiro lugar, e da crise econômica, decorrente da paralisação das atividades econômicas, exatamente para evitar uma epidemia tão mortal, como ela é capaz de ser. O Governo Bolsonaro parece que deseja uma situação de caos. Ele deseja que, de fato, aumente a epidemia, atinja mais pessoas, morra mais gente. Ele não se conforma em ver que as medidas sanitárias sejam adotadas e, ao mesmo tempo, faz de tudo para que as medidas econômicas que garantam à população as condições de ficar em casa, se protegendo, não sejam tomadas”, apontou Zarattini.

Os dois parlamentares ainda citaram como alerta da hostilidade presidencial a votação do auxílio emergencial, no valor de R$ 600, aprovado pelo Congresso no fim de março, mas só sancionado e pago aos mais carentes cerca de 10 dias depois.

“O Governo não quer tomar as medidas efetivas para tirar o país da crise. A Câmara já entendeu isso e teve que criar uma espécie de ‘comitê de salvação nacional’ e os vários partidos já entenderam que a atuação da Câmara tem de ser a de salvação do país para impedir o caos social e econômico”, complementou o deputado paulista.

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