Promoção do filho de Mourão causa revolta entre funcionários do BB – inclusive os bolsonaristas. Por Carlos Fernandes


Para quem não sabe da notícia, até porque a mídia aberta que temos hoje não mostra o que convém ao povo brasileiro, mas sim o que convém com o que está dentro de um acordo firmado, o filho do vice-presidente Hamilton Mourão, Antonio Hamilton Rossell Mourão, acaba de ser indicado para assessor do presidente do BB, com um salário que chega perto de 40 mil Reais. Antes esse rapaz ganhava 12 mil em outro emprego. Nesse caso o salto foi grande, mas tem deixado outras pessoas do próprio BB revoltadas.

A coisa está mais ou menos assim, imaginemos uma moeda, que de um lado tem o número, o valor, e do outro lado uma imagem. Se a gente não virar a moeda ou ela tiver colada, nunca saberemos como será o outro lado. As notícias da mídia tradicional mostra apenas um lado, às vezes ainda chega toda distorcida, mas o povo termina engolindo tudo aquilo lá. Quando alguém viu, por exemplo, através da mídia tradicional, a mídia que serve ao grupão, mostrar as nossas plataformas indo mar a fora para o exterior, para serem entregues à Shell, para depois começarmos comprar o nosso próprio petróleo? Vamos procurar saber o que está do outro lado da moeda. Afinal o povo quer uma gestão transparente, como foi dito por eles e não “traz parente. Até aqui Café com Leite Notícias

Antonio Hamilton Rossell Mourão (Foto/Veja)

 

A “nova era” no Brasil já começou. A tão alardeada moralidade na coisa pública já experimenta práticas administrativas jamais vistas antes nessa República.

Nepotismo, cabides de empregos e incompetentes ocupando altos cargos da administração são coisas do “passado comunista que destruiu o país” e que agora finalmente deram lugar à excelência técnica para o seu devido provimento.

Obviamente, nada poderia estar mais errado. Essas são as mesmas crenças que embalam os idiotas úteis que acreditam no Kit Gay e no Jesus subindo um pé de goiaba.

E olha que não foi preciso mais do que uma semana de governo Bolsonaro para que toda essa farsa fosse jogada à mesma lama em que chafurdam os hipócritas de plantão.

Didático mesmo é o fato de que essa ladainha tenha caído mais uma vez por terra justamente através daqueles em que mais se esperavam as práticas dos ditos rigores e disciplinas militares.

Como não poderia ser diferente, caiu como uma bomba a notícia da nomeação do filho do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, para o excelentíssimo cargo de Assessor da Presidência do Banco do Brasil.

Antônio Hamilton Roussel Mourão, “coincidentemente” na mesma data da posse do novo presidente do BB, Rubem Novaes, protagonizou a maior e mais meteórica ascensão profissional já presenciada nos quadros da instituição financeira.

Atropelando um sem número de profissionais mais antigos, mais capacitados e com cargos infinitamente mais importantes que o seu, o rebento chegou do dia para a noite a um patamar profissional cobiçado não só por velhos funcionários de carreira do próprio banco como por profissionais badalados do mercado, já que para esse nível funcional o estatuto prevê a possibilidade de contratação fora de seus quadros.

Enquanto os funcionários das agências estão sendo diariamente massacrados com metas absurdas e outros (inclusive iluminados apoiadores do atual governo) perdem os seus cargos em função do enxugamento da máquina, o prodígio Antônio Mourão praticamente triplica o seu salário sem ter que levantar um único dedo.

Aliás, o rapaz agora já pode ostentar o seu ingresso no seleto grupo de brasileiros que ganham acima dos R$ 30 mil.

A coisa toda é um escárnio.

A revolta que se instalou em todo o corpo funcional invadiu a discussão nas áreas de debates da intranet do banco. A justificativa oficial da instituição para tamanha benesse ao filho do vice-rei é uma contradição em si quando comparado ao nomeado. Dizem eles:

A nomeação ocorreu de acordo com o estatuto social do Banco. Os cargos de confiança da presidência são preenchidas por funcionários do mercado ou de carreira do BB, com a análise da competência e experiência necessárias para o assessoramento do presidente do BB.

 

A justificativa oficial da instituição para tamanha benesse ao filho do vice-rei só não é mais grosseira do que a justificativa do próprio Mourão, o pai.

Segundo o general, a nomeação do filho se justificava porque ele já havia sido “perseguido” anteriormente. Além disso, ainda segundo o pai coruja, o filho é “qualificado”, todo o resto, diz, “é fofoca”.

É simplesmente inacreditável o deboche com que estão tratando o assunto.

Para quem jurava que nas forças militares, e por conseguinte num governo militar, todo mundo, sem exceção, precisava lavar o chão do banheiro para só depois, com competência, ir subindo de posição, deu literalmente com a cara no vaso sanitário.

Mourão filho, tanto quanto os Bolsonaros filhos, são as provas maiores que a meritocracia do novo governo é fundada em dois grandes pilares: QI (o famoso “quem indica”) e, claro, o berço.

Como se vê, o Brasil finalmente está livre do socialismo e das grandes mamatas nas empresas públicas.

O que entrou em vigor a partir do 1 de janeiro de 2019 é outra coisa. Muito mais alinhada com quem se sente feliz em ser feito de imbecil.