Policial pede lanche ‘X-Marielle’ e vice da OAB completa: “com muitas azeitonas”


Depois do lanche ‘Maria da Penha’, PM pede ‘X-Marielle’ e vice-presidente da OAB sugere: ‘Com muitas azeitonas’. Vice da OAB pediu desculpas após a repercussão, enquanto o policial permanece em silêncio

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O policial militar Jônatas Guedes (Reprodução/Facebook)

O site Pragmatismo Político trás uma matéria no mínimo polêmica e comprometedora com a  publicação de um policial militar da cidade de Salto (SP) que repercutiu negativamente nas redes sociais.

Ao se deparar com a notícia do lanche ‘Maria da Penha’ de uma lanchonete de São Paulo, o PM Jônatas Guedes disse que gostaria de comer um lanche chamado ‘X-Marielle’ — em referência à vereadora Marielle Franco (Psol), executada com disparos de arma de fogo na cabeça no Rio de Janeiro em crime ainda não solucionado.

O vice-presidente da OAB de Salto (SP), Flávio Garcia, complementa que o lanche deveria vir “com muitas azeitonas”, usando a gíria para “tiros”. O PM responde em tom de ironia: “não me recordo quantas azeitonas vem”.

Internautas indignados com os comentários decidiram compartilhá-los nas redes sociais, e o caso lago repercutiu. Diante da polêmica, o advogado Flávio Garcia divulgou um pedido de desculpas:

“Brincadeiras indignas e desrespeitosas à relevante causa de Marielle Franco não devem, de forma alguma, ser aceitas. Sou marido, filho, pai de duas mulheres, advogado, sempre atuante em defesa das minorias, e não consinto com quaisquer espécies de ataques a quem quer que seja, principalmente, às mulheres. Minha postura sempre foi pautada pela polidez e pelo respeito ao próximo. Não poderia, desta feita, omitir-me diante de um erro meu”

Até o fechamento deste texto, o policial Jonatas Guedes ainda não se pronunciou, embora sua página no Facebook permaneça aberta.

Lanche Maria da Penha

Uma lanchonete que nomeou um de seus hambúrgueres de ‘Maria da Penha’ precisou trocar o nome do produto após uma série de críticas nas redes sociais.

Reinaugurada no último dia 14, a Kau Hamburgueria revelou o nome do sanduíche por meio das redes sociais.

“Vocês não têm vergonha na cara? Promover a violência contra a mulher e ainda capitalizar isso?”, protestou uma internauta. “Acabaram de lançar um novo hambúrguer, o BOIcote, eu adorei, recomendo”, ironizou outro.

O sanduíche leva repolho roxo como um dos principais ingredientes, e as palavras “olho roxo” foram destacadas para evidenciar o trocadilho com o nome do lanche.

Depois das críticas, a administração do estabelecimento mudou o nome do sanduíche para “Censurado” e depois para “Um lanche com repolho”

Marielle Franco

No último dia 14 de novembro se completaram oito meses do assassinato de Marielle Franco. Na emboscada ao carro de Marielle, seu motorista Anderson Gomes também foi morto.

Meses depois, o caso parece longe de ser solucionado, apesar de autoridades prometerem encontrar os responsáveis até o fim de 2018.

Desde o começo cobrando respostas para o crime, a Anistia Internacional divulgou um relatório onde detalha o que já se sabe sobre o caso e o que ainda falta ser respondido, no que chamou de “labirinto”.

“O objetivo é apontar questões graves que não foram respondidas, possíveis incoerências e contradições no decorrer da investigação e questionar o posicionamento das autoridades competentes”, disse a Anistia em comunicado oficial.

“É chocante olhar para tudo o que já foi divulgado sobre as investigações do assassinato de Marielle Franco ao longo de oito meses e ver que o padrão foi de inconsistências, incoerências e contradições. As autoridades não respondem às denúncias graves que vieram à tona”, afirmou Renata Neder, coordenadora de pesquisa da Anistia Internacional no Brasil.

Quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016, Marielle Franco, 38, foi morta na noite de 14 de março desse ano, no bairro de Estácio, no Rio. Ela estava no carro quando foi atingida por disparos.

Marielle atuava defendendo os direitos humanos e os direitos das mulheres, dos negros e das pessoas LGBTI. Também denunciava os abusos e crimes cometidos por policiais e outros agentes do estado nas comunidades cariocas.

As investigações iniciais do caso indicam que o crime foi cuidadosamente planejado e que pode ter contado com o envolvimento de agentes do estado e das forças de segurança.