Planaltino: Barreira impede filho da terra de visitar seu irmão que mora na cidade, por Walter Salles


Na tentativa de manter a cidade com baixo nível de contaminação pelo coronavírus, coisas erradas acontecem na cidade de Planaltino, inclusive pessoas sendo desrespeitadas nas barreiras, como aconteceu com o editor do Jornal Café com Leite e Café com Leite digital, Walter Salles.

Também, muita gente começa a questionar como tem acontecido os testes em Planaltino com pessoas que possam estar com alguns sintomas. Aqui vai um lembrete que, em muitos casos, as pessoas contaminadas não têm sintomas graves e, por isso, não têm muito interesse em fazer testes, mas, no entanto, podem contaminar outras pessoas caso estejam contaminadas sem saber.

Vamos ao relato

Café com Leite: Aqui vai um relato triste e ao mesmo tempo cômico, pelo fato de um filho de Planaltino, que possui morada na zona rural do município, comprovar na barreira que tem um irmão e que estava indo visitá-lo, não tinha mais pessoas no seu carro, mas mesmo assim as pessoas que estavam na cobertura da barreira, (aliás, não era pouca a quantidade de pessoas que ficam ali “trabalhando”, diga-se de passagem), conversaram e trouxe a notícia de que eu não ia poder entrar na cidade. Eu, meio assustado e surpreso, questionei: “como é? eu não vou poder entrar? mas, por que?” A resposta: “porque o senhor não é morador”. Aí eu disse que ao invés deles ajudarem, estavam era criando problemas e que eu precisava passar para visitar meu irmão. Comentei que quando eu viajo, em trabalho para o nosso site e jornal Café com Leite, mesmo em cidades que eu não tenho parentes, as pessoas das barreiras permitem que eu entre. Naturalmente que dão algumas orientações e logo eu estava de volta, acenava com a mão e seguia a minha viagem. Mas acontecer o que aconteceu, realmente foi algo chato, cômico e inusitado.

Mais uma vez eu questionei sobre a liberação da minha entrada e a resposta foi não e que ele estava fazendo o trabalho dele, aí já foi um garoto, que não quis dizer seu nome, mas fiquei sabendo que é filho de um senhor por nome de Adalício.

A Parte pior

Fui para o meu carro, fiquei ali bastante calmo e percebi que o garoto ligava para alguém, falou alguma coisa do tipo, “ele disse que tem um irmão conhecido popularmente por Rubão, disse que é filho de Elizeu e que a família tem uma fazenda na estrada de Campinhos”. Quer dizer, de certa forma duvidando de mim. Nesse momento, certamente a pessoa do outro lado da linha deu autorização para que eu passasse, certamente por conhecer parte da minha família. Ele caminhou até aonde eu estava, e, com certa rispidez, disse: “o senhor pode me dar seu documento”? Claro que sim, respondi. Peguei a minha carteira de habilitação e entreguei para ele e o dirigir algumas palavras tipo: “rapaz, agindo desta maneira você está mais pra criar problemas que resolver problemas. Aqui mesmo ia ser criado um problema”, Nessa hora, ele agindo por conta própria, devolveu o meu documento, desistiu de fazer a ficha e falou: então crie seu problema que agora você não vai passar e pronto. Quando questionei sobre o seu superior ter autorizado a minha entrada, ele respondeu que ele, a pessoa do telefonema, tinha dito que se eu me comportasse direitinho que ele deixasse eu passar, como não me comportei ele não ia deixar.

Não sei quem deu esse tipo de instrução aos jovens que ali estavam. Se foi o prefeito é algo que tem que ser revisto, pois não temos mais espaço para ditadura, muito menos coronelismo. Pois o que posso aqui relatar é que fui desrespeitado e isso é e tem que ser sempre inaceitável. Quero aqui falar para esse garoto, que eu tenho idade para ser avô dele, e que tanto eu quanto qualquer outro cidadão brasileiro, independente da idade, precisa e exige mais respeito.

Viatura policial

Depois de ser decretado pelo garoto de que eu não ia entrar na cidade de hipótese alguma, eu fui para o carro e fiquei ali a meditar. passado alguns minutos chegou uma viatura policial, ele conversou ali com os policiais que estavam em dois, não tive acesso a conversa, e em seguida o policial que estava ao volante  estacionou ao lado e ficaram na viatura. Naturalmente que os policiais estavam prestando os seus serviços e eu não quis conversar com os mesmos para não ficar aquela coisa de a minha conversa contra a da equipe da barreira.

Providências precisam ser tomadas, pois não existe nem uma lei que proíba alguém de entrar numa cidade, principalmente em se tratando de ter parentes ali. O que deve ser feito é uma avaliação de saúde na pessoa, tipo se tem febre, que é um dos principais sintomas da covid, e caso seja detectado algo, que seja encaminhado para um setor de saúde. No caso de estar tudo bem com a pessoa, orientar como deve se comportar, fazer uma ficha e deixá-lo passar. Mas, como foi dito no texto, ditadura e coronelismo não é mais aceitável pela sociedade.