Neymar Jr. fora da campanha da Previdência


Por Alex Solnik, colunista do 247 e membro do Jornalistas pela Democracia

A primeira consequência das denúncias de estupro e agressão contra Neymar Jr. deve ser o cancelamento de sua participação na campanha da Nova Previdência do governo Bolsonaro, que é, por sinal propaganda enganosa e deveria ser tirada do ar pelo Conar.

No dia 17 de abril, seu pai encontrou-se com Bolsonaro e com seu ministro da Economia, Paulo Guedes. O assunto foi a dívida do jogador com o fisco, de aproximadamente 68 milhões de reais, referente à venda de seu passe ao Barcelona.

Embora um sonegador não seja um bom garoto-propaganda de nada, cogitou-se trocar a dívida, ou parte dela, por sua atuação na campanha. Depois das denúncias isso está fora de cogitação.

Além de perder mais essa boquinha, o número 10 da seleção (ainda) corre o risco de perder patrocinadores que lhe proporcionaram no ano passado faturamento em torno de R$100 milhões, segundo matéria na Folha de hoje.

A moça que o acusa começa a ser conhecida. Como o processo corre em segredo de Justiça não se sabe ao certo se o nome e as fotos são as que circulam nas redes sociais. Mas seu perfil ganhou alguns contornos.

Ontem, a TV Globo exibiu trechos de suas conversas telefônicas com o então, e agora ex- advogado José Edgard Bueno. Num deles, revela a intenção de acabar com sua carreira:

“Por que a gente não joga logo na mídia para acabar com a carreira desse pipoqueiro? Ele me espancou e me estuprou”.

Em outro trecho, se arrepende por não tê-lo matado:

“Estou com raiva, Zé. Eu deveria ter matado ele quando tive a chance”.

Bueno abandonou o caso alegando que a cliente, a princípio, iria denunciar o atleta por agressão, mas depois resolveu mudar a acusação para estupro.

Seja qual for a sentença final – inocente, culpado de agressão ou de estupro – o escândalo tende a se manter nas manchetes de jornais e telejornais por um longo período e quanto mais tempo ficar, pior será para a imagem de Neymar Jr. que já está muito abalada.

Mas nem tudo está perdido. Talvez ele seja aproveitado numa possível futura campanha do governo pela aprovação.