Moro deu a senha, MPF rejeitou e Palocci fecha delação com a Federal


De acordo às matérias publicadas do GGN, o ex-ministro  Antonio Palocci assinou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal, informa o jornal O Globo nesta quinta-feira (26). A notícia confirma que o Ministério Público Federal em Curitiba seguiu a senha deixada por Sergio Moro na sentença em que condenou o ex-ministro a 12 anos de prisão. Ali, Moro denotou que não tinha o menor interesse em aceitar um acordo com Palocci.
Em abril de 2017, durante depoimento gravado, diante de Moro, Palocci deixou claro que queria fazer um acordo de delação e arrastar para a Lava Jato nomes do mercado financeiro e de empresas de comunicação.
Exatamente dois meses depois daquele evento, Moro condenou Palocci a 12 anos de prisão e deixou na sentença um recado à Procuradoria, sobre o desinteresse em aceitar a delação do ex-ministro.
Escreveu o juiz que as declarações de Palocci, “de que seria inocente, mas que teria muito a contribuir com a Operação Lava Jato, só não o fazendo no momento pela ‘sensibilidade da informação’, soaram mais como uma ameaça para que terceiros o auxiliem indevidamente para a revogação da [prisão] preventiva, do que propriamente como uma declaração sincera de que pretendia naquele momento colaborar com a Justiça.”
Um ano depois, a preventiva de Palocci segue em vigor, com o Supremo Tribunal Federal tendo rejeitado, recentemente, um pedido de habeas corpus. O julgamento gerou inúmeros críticas por parte de juristas que apontam que as prisões preventivas na Lava Jato são usadas até para forçar um acordo de delação.
Certo é que, embora tenha dito claramente que a Lava Jato poderia ir além das relações entre políticos, agentes públicos e empreiteiros, Palocci não despertou o interesse de Moro nem dos procuradores de Curitiba.
Mas tampouco há sinais de que a promessa de implicar o mercado e a mídia será o diferencial no acordo com a Polícia Federal.
O Globo publicou que “embora tenha anexos ainda não conhecidos, que tratam de sua relação pessoal com o universo político, das negociatas com empresários e do lobby desempenhado por ele no governo em favor de empresários, a delação do ex-petista segue um roteiro conhecido.”
O “roteiro conhecido”, segundo o jornal, tem “Lula no alvo”, além de ataques à Dilma Rousseff.
“As vantagens oferecidas a Palocci em troca de suas revelações ainda estão sendo mantidas em sigilo pelas partes”, acrescentou o jornal, que acrescentou que “Palocci é um dos poucos condenados da Lava Jato que têm informações importantes para debelar estruturas criminosas ainda fora do alcance da polícia”, na visão de um “experiente investigador”.
Resta saber se a Justiça vai homologar.
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