Leitores da Folha e do Uol fazem abaixo assinado após entrevista canalha com Boulos


Muito triste o que acontece com a mídia brasileira, quando se trata da grande mídia, que está sempre atrelada à direita brasileira. Nas entrevista eles, os jornalistas, dão mel para os candidatos da sua linhagem e fel para os candidatos da esquerda, como sempre acontece. Com a Manuela D’ávila foi a mesma coisa, colocaram na roda do Roda Viva e tentaram devorá-la crua e viva. Muito triste tudo isso.

Agora a lista dos que se irritaram com as perguntas dirigidas ao Boulos, que bandeirosamente, mostraram que na política a imprensa tem lado. Até aqui Café com Leite.

Nós, assinantes, leitoras e leitores da Folha de São Paulo e UOL, abaixo assinados, vimos a público manifestar nosso protesto contra o que nos pareceu extremamente parcial, durante o programa intitulado Sabatina Folha/UOL realizado no dia 26/11/2020. O programa tinha por objetivo entrevistar separadamente Bruno Covas e Guilherme Boulos, candidatos à prefeitura de São Paulo, que disputam o segundo turno das eleições no próximo domingo (29/11/2020) .

Entretanto, o que assistimos foi uma assimetria preocupante no tratamento dispensado aos candidatos, o que coloca em xeque os princípios da imparcialidade e da própria democracia defendidas por esse veículo.
Vimos um tratamento distinto conferido a cada um dos candidatos. Diferentemente da entrevista anterior realizada com o candidato Bruno Covas no mesmo programa, durante a entrevista com o candidato Guilherme Boulos, as entrevistadoras Thais Oyama e Luciana Coelho se posicionaram praticamente como adversárias do candidato em boa parte das intervenções endereçadas a ele.

Em determinados momentos, a suposta entrevista nos pareceu mais um pretexto para que as jornalistas apresentassem ao público seus próprios pontos de vista (ou da empresa), do que oportunizar ao candidato esclarecer pontos de seu programa.

Guilherme Boulos foi interrompido em suas respostas por 7 vezes, enquanto Bruno Covas foi interrompido 3 vezes, uma delas brevíssima.

Questões importantíssimas sobre o perfil do candidato a vice de Bruno Covas, Ricardo Nunes, apoiador da Escola sem Partido e sob investigação da promotoria do Patrimônio Público e Social do Ministério Público do Estado de São Paulo, foram tocadas suavemente pelas entrevistadoras.

O mesmo ocorreu com o gravíssimo problema da pandemia na cidade e no país. A afirmação de Bruno Covas durante o programa de que “a quantidade de óbitos e de casos permanecem os mesmos em São Paulo”, não gerou qualquer reação das entrevistadoras.

Questionamentos sobre programa de governo não foram feitos ao candidato Bruno Covas. Tampouco, perguntas extremamente longas que roubassem o tempo de resposta do candidato. O mesmo tratamento não foi dado a Guilherme Boulos na sua sabatina.

Perguntas quase hilárias foram dirigidas à Guilherme Boulos, como: a cidadania de “donos de mansão” ou a “metragem das mansões”. Essas perguntas foram não apenas tendenciosas como panfletárias, a fim de atrair explicitamente as camadas ricas da população contra a candidatura de Boulos/Erundina.

Concordamos com o cientista político Samuel Braun que no Facebook escreveu: ‘o tratamento dado ao Boulos chegou a ser ofensivo’.

Ao fim do programa, a jornalista Thaís Oyama utilizou 38 dos 44 segundos restantes para formular sua pergunta final e ainda instruir Guilherme Boulos a fazer suas considerações finais. Ao candidato Guilherme Boulos restaram risíveis 6 segundos, ao fim dos quais o microfone foi sumariamente cortado. Seria cômico se não fosse trágico.
Já a última pergunta ao candidato Bruno Covas foi sobre “o pior momento para ele, no enfrentamento de sua doença”. Não sobre o estágio atual – o que embora seja uma pergunta inconveniente, pode até ser considerada de interesse público. Da maneira como formulada, essa questão pode ter impacto emocional sobre eleitores(as), e é irrelevante para qualquer decisão sobre voto.

Um exemplo crasso de um jornalismo questionável foi exibido na sabatina Folha/UOL desta quinta feira 26/11/2020.

A atitude do portal de publicar um pedido de desculpas e oferecer espaço para a resposta do candidato nem de longe resolve os problemas construídos no curso dos 45 minutos da sabatina. Mas, como apontam para o reconhecimento de um erro grave, entendemos que seja necessário uma resposta reparadora urgente e proporcional ao erro cometido. é urgente que essa instituição responda com responsabilidade para não repetir o que ocorreu nos últimos instantes da eleição presidencial de 1989, quando uma edição de debate influenciou profundamente o destino do pleito.

 

Como leitoras, leitores e assinantes da Folha de São Paulo e do UOL pensamos que atitudes assim merecem profunda revisão da empresa quanto à condução das entrevistas citadas e outras a serem realizadas que, em nossa opinião, deveriam primar por procurar esclarecer imparcialmente as propostas de cada um dos dois candidatos a prefeito da cidade de São Paulo. Só assim as pessoas que acompanham a Folha de São Paulo e o UOL estariam protegidas da vasta produção de fake news, inverdades e afirmações sem comprovação, que abundam nas redes sociais; só desse modo o jornalismo pode ser a contrapartida de informações sem credibilidade que não exigem assinaturas e nem confiança para serem acessadas.

Tudo isso caracteriza desespero da direita quando se trata de um empate técnico às vésperas das eleições, onde a “ampulheta” passa areia de um lado para outo em grande velocidade.