Filhos de Bolsonaro alimentam racha do governo com Mourão


Os conflitos e rachas dentro do governo Bolsonaro ganharam novo episódio, envolvendo uma vez mais os filhos do mandatário, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Carlos Bolsonaro, e o vice-presidente, o general Hamilton Mourão. Nesta quarta-feira (24), Carlos alimentou a tese de que o partido de Mourão estaria criando uma base própria contra o presidente Jair Bolsonaro.

A interpretação do filho de Jair foi manifestada nas redes sociais, ao compartilhar um vídeo de um canal de movimentos de eleitores de Bolsonaro, em que o apresentador mencionava que “o PRTB, partido de Levy Fidelix e Mourão, monta uma base de apoio na Câmara dos Deputados, criando um racha na base governista”.

Segundo essa tese, o vice-presidente estaria contando com a articulação de Levy, ex-deputado e presidente do PRTB, para angariar essa “oposição” interna. O suposto racha não foi nem conversado ou debatido com o próprio pai, mas os filhos já alimentaram essa teoria nas redes sociais.

No vídeo, o apresentador ainda afirma que Mourão já teria o apoio dos militares e da Maçonaria e que Carlos estaria agindo contra essa articulação. E o próprio filho do presidente endossou: “Curiosa opinião dos organizadores do canal do youtube ‘Vista Pátria’ sobre ocorrido hoje. Assista sua colocação”, comentou, ao compartilhar o vídeo.

Como se não bastasse Carlos, o outro filho do mandatário, o deputado Eduardo Bolsonaro, que sempre o acompanha em viagens e outras agendas do próprio presidente, saiu em defesa do irmão e disse que Carlos está “apenas reagindo a isso tudo que salta aos olhos”.

“O que tem causado bastante ruído são as sucessivas declarações do vice-presidente (Hamilton Mourão) de maneira contrária ao presidente da República”, disse Eduardo, em entrevista à agência Estado.

“O que parece é que, se o general conseguir cumprir a missão dele, que é substituir o presidente no caso da ausência, tudo bem. Ou as missões que o presidente der a ele. Se ele for um soldado do presidente, tudo se encaixa”, continuou.

Mas disse também ter dúvidas sobre se Mourão seria fiel a Bolsonaro. Ao ser questionado se achava “saudável ficar alimentando discussão nas redes sociais no momento em que o governo tenta aprovar a reforma da Previdência”, Eduardo indicou que esse conselho seria “válido para o vice-presidente”.

“Que todo mundo faça uma autorreflexão. É claro que o foco aqui é na Previdência. Existe limite para as coisas. São muitas declarações. Várias vezes as pessoas trazem reclamações relativas ao vice-presidente. Eu falo, olha, segura, é um cara bom, leal. Mas chega um momento que as pessoas começam a falar, ‘Eduardo, você é ingênuo ou está tapando os olhos para a realidade’?”, completou. GGN.