FHC COORDENA MANIFESTO DAS FORÇAS GOLPISTAS


 

REUTERS/Nacho Doce

Após apoiar o golpe parlamentar de 2016 que alçou Michel Temer ao poder, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso volta a articular uma nova movimentação para tentar unificar os partidos do chamado “centro”. Ele é um dos avalizadores do manifesto intitulado “Por um polo democrático e reformista” – que envolve lideranças do PSDB, MDB, DEM e PTB – visando criar um palanque único para disputar a eleição presidencial de outubro.

O manifesto, que será lançado no final de maio, tem dentre seus signatários o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) e o secretário-geral do PSDB, deputado Marcus Pestana (MG). A articulação vem na esteira da movimentação do DEM que tenta firmar uma aliança para barrar uma possível união entre o MDB e o ex-governador e pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin.

A articulação encabeçada por FHC foi definida em uma reunião realizada na semana passada na casa do Heráclito Fortes (DEM-PI), em Brasília. O encontro teve a participação do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann (PPS-PE), do ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM-PE) e dos deputados Jarbas Vasconcelos (MDB-PE), José Carlos Aleluia (DEM-BA), Benito Gama (PTB-BA) e Danilo Forte (PSDB-CE).

“Depois do lançamento, vamos buscar em junho bilateralmente cada um dos candidatos. Esse campo vai dos liberais, como João Amoedo (Novo) e Flávio Rocha (PRB), passa por Paulo Rabelo de Castro (PSC), Rodrigo (Maia), Alckmin e Alvaro Dias (Podemos) – e, no limite, vai até a Marina Silva (Rede)”, disse Pestana ao jornal O Estado de São Paulo.

Segundo o manifesto, a eleição de outubro deverá ser a “mais “complexa e indecifrável” dos últimos tempos. Apesar de não citar nomes, o documento ressalta a possibilidade de uma polarização entre um candidato de esquerda e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ). “À direita, se esboça o surgimento inédito de um movimento com claras inspirações antidemocráticas. À esquerda, um visão anacrônica alimenta utopias regressivas de um socialismo autoritário”, destaca o texto que ainda afirma que a união dos partidos de centro é necessária para evitar o espelhamento “em experiências desastrosas como a vivenciada pelo povo venezuelano”. O manifesto também prega a necessidade da Reforma da Previdência. Brasil 247.