Estudantes fazem campanha para evitar que vendedor deixe faculdade após intimação


Comerciante foi notificado por fiscais a deixar porta de faculdade em Marília, sob pena de multa e apreensão. Grupo mobilizou ação #ficatio nas redes sociais e fez abaixo-assinado; prefeitura reconhece legalidade do vendedor.Movimento criado por estudantes contra a retirada de 'Tio' que vende salgados (Foto: Reprodução/Facebook)

studantes de uma universidade particular de Marília (SP) se mobilizaram e criaram uma campanha nas redes sociais para ajudar um vendedor de salgados, que trabalha nos arredores do campus, depois que ele foi intimado a sair do local pela prefeitura da cidade.

O comerciante José Augusto Marques Filho, conhecido como “Tio”, foi notificado pela prefeitura no dia 22 de março. Segundo uma denúncia, ele estaria infringindo a Lei Concorrencial. Ao receber a notificação, ele foi informado que deveria sair do local sob pena de multa e apreensão dos produtos.

Segundo a lei, “o exercício da atividade ambulante no Município somente será permitido em local previamente definido e não concorrencial ao comércio regular”.

Estudantes se mobilizam para ajudar tio que vende salgados em Marília

Estudantes se mobilizam para ajudar tio que vende salgados em Marília

“Quando soube da denúncia, ele se desesperou. Me disse que nunca tinha tido problemas. Dá dó. Ele se emociona muito quando fala sobre o assunto”, conta Maycon Oliveira, estudante de publicidade e propaganda.

Movimento #FicaTio

Indignados com a situação, os estudantes criaram o movimento #FicaTio nas redes sociais. Com isso, conseguiram chamar a atenção de muitas pessoas para o caso.

Foi então que a estudante de Nutrição, Mariana Pelegrini, resolveu criar um evento convidando a todos para ir até o local onde José vende os salgados e assinar o abaixo-assinado feito por ele. O resultado foi tão positivo que já são mais de 1,2 mil assinaturas.

Eu criei o evento para que mais pessoas ficassem sabendo e para que ele conseguisse mais assinaturas. E, felizmente, deu certo, está dando certo! Ainda estão indo lá assinar”, conta.

E muitos estudantes foram até o local para prestar solidariedade e também apoiar o movimento.

 José recebeu a notificação da prefeitura no final de março (Foto: Arquivo pessoal)José recebeu a notificação da prefeitura no final de março (Foto: Arquivo pessoal)

José recebeu a notificação da prefeitura no final de março (Foto: Arquivo pessoal)

‘Documentos em dia’

José Augusto afirma que possui alvará para atuar no local e está com todos os documentos em dia, ele inclusive entrou com um recurso na prefeitura para rever a situação. O vendedor criou, também, um abaixo assinado pedindo à prefeitura que não o faça sair do local.

“Eu tenho todas as autorizações necessárias, todas. Meus documentos estão em dia. Eu ganho meu dinheirinho pra pagar as minhas contas, só isso”, conta o comerciante.

G1 entrou em contato com a prefeitura de Marília que informou, em nota, que José Augusto realmente possui alvará de ambulante e não será retirado do local. Sobre a notificação recebida por ele, a prefeitura não comentou.

A prefeitura ressaltou que o comerciante está liberado para vender produtos que não sejam vendidos no comércio regular próximo.

Em abaixo-assinado, José Augusto fala que precisa da renda extra (Foto: Reprodução/Facebook)Em abaixo-assinado, José Augusto fala que precisa da renda extra (Foto: Reprodução/Facebook)

Em abaixo-assinado, José Augusto fala que precisa da renda extra (Foto: Reprodução/Facebook)

Gratidão

“Tio” é aposentado e trabalha como vendedor ambulante há mais de 12 anos próximo à universidade. Os estudantes contam que ele é muito querido no local.

“O que me impressiona é a simpatia com que ele sempre nos tratou. Ele conquistou os alunos!, comenta a estudante de Nutrição, Mariana Pelegrini organizadora do movimento #FicaTio nas redes sociais.Alunos foram até o local prestar solidariedade (Foto: Reprodução/Facebook)Alunos foram até o local prestar solidariedade (Foto: Reprodução/Facebook)

Alunos foram até o local prestar solidariedade (Foto: Reprodução/Facebook)

“Eu sou muito grato pelo carinho deles [estudantes], muito grato mesmo. O que são 2 ou 3 pessoas querendo me prejudicar quando eu tenho mais de mil ao meu lado?”, relata José Augusto.

Tio Augusto, como é chamado pelos estudantes, conta que há vários alunos que compram seus salgados há anos e que é impossível não criar uma amizade.

“Tem um moço que faz pós graduação e vem a cada 15 dias pra cidade… Ele fica na minha casa, come comigo e com a minha esposa. Eu o conheço há anos e tenho um carinho enorme por ele”, conta emocionado o comerciante.

Estudantes se mobilizaram e arrecadaram mais de 1,2 mil assinaturas (Foto: Reprodução/Facebook)Estudantes se mobilizaram e arrecadaram mais de 1,2 mil assinaturas (Foto: Reprodução/Facebook)

Estudantes se mobilizaram e arrecadaram mais de 1,2 mil assinaturas (Foto: Reprodução/Facebook)

*Colaborou sob supervisão de Mariana Bonora