Estreia de filme sobre Eduardo Suplicy lota cinemas no Festival do Rio


Filme também mostra a onda antipolítica de 2016 e é um termômetro do que viria depois, avalia o diretor / Divulgação

 

Com estreia lotada no Festival do Rio, o filme “Quatro dias com Eduardo”, que acompanha os últimos dias de campanha de Eduardo Suplicy para a Câmara Municipal de São Paulo, em 2016, contou com a presença do próprio vereador e ex-senador do Partido dos Trabalhadores (PT), do diretor do filme, Victor Hugo Fiuza, de artistas, de escritores e de políticos, na última segunda-feira (16).

O longa-metragem mostra Suplicy em campanha pelas ruas de São Paulo e, em alguns momentos, a onda antipolítica e anti-petista que tomou o país nos últimos anos. Apesar disso, Suplicy foi o vereador mais votado na história do país, com 301 mil votos. Diferente de 1988, quando foi eleito vereador pela classe média paulistana, nas últimas eleições municipais foi a periferia quem o elegeu, observa no filme.

No Rio para a estreia, Suplicy foi abordado por fãs e disse que ainda não havia assistido ao filme. “O Victor [diretor do filme] me acompanhou desde alguns momentos na minha casa, em encontro com os meus filhos, na caminhada em Paraisópolis, no domingo das eleições, até no resultado das urnas. Ainda não vi o filme, vai ser uma surpresa para mim também”.

Ao Brasil de Fato, o diretor do filme disse que começou a se interessar pela trajetória política de Suplicy ainda na adolescência. “Eu estudava em uma escola pública aqui no Rio, não era ligado a nenhum partido ou movimento de esquerda, mas ouvia muito Racionais MC e rap. Na época, achávamos que os políticos eram iguais, até descobrir o Suplicy”, explica.

Em contraponto à ideia de Suplicy de política como “a ciência do bem comum”, como ele expõe em uma de suas falas, o filme também tensiona o momento político de ascensão de João Dória (PSDB) na campanha para Prefeito de São Paulo contra Fernando Haddad (PT), o governo Temer (MDB), após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) e alguns chavões da imprensa, como a cobrança pela “autocrítica do PT”.

“Eu não conhecia o Suplicy, por meio de contatos fizemos a proposta e, para nossa surpresa, ele aceitou. O desejo era descobrir quem era o Suplicy, sem querer fazer uma cinebiografia, mas com uma câmera que apenas observasse. Tínhamos a noção de que se tratava de uma eleição importante, por tudo o que aconteceu e vinha acontecendo. O filme é um termômetro, um microcosmo de tudo o que veio depois”, afirma Victor Hugo.

“Quatro dias com Eduardo” tem mais uma sessão nesta terça-feira (17), às 15h15, no Estação Net Rio, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, como parte da programação do Festival do Rio. matéria na íntegra no DCM.