Café com Leite entrevista Emerson Eloi, prefeito de Santa Inês


 

 

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A reportagem do jornal e blog Café Com Leite foi até Santa Inês para que ali fosse realizada uma entrevista com o prefeito eleito e escolhido literalmente pelo povo que acreditou e acredita na mudança da história e rumo da cidade, em se tratando de administrações públicas.

O professor Emerson que já iniciou o mês de janeiro trabalhando e realizando uma das mais esperadas festas da região, nos atendeu num gabinete improvisado no Colégio Antônio Carlos Magalhães enquanto fica pronta a reforma da prefeitura. As perguntas foram todas respondidas com firmeza nas palavras e agora você, leitor, vai conhecer um pouco mais do perfil de homem público que é novo prefeito da cidade de Santa Inês, que é o petista Emerson Eloi.

Café Com Leite: Com certeza você já fez uma avaliação básica de como encontrou o município e o que vem pela frente. Faça um resumo do quadro

Prefeito Emerson Eloi: Na verdade, nós já tínhamos uma ideia de como encontraríamos o município há mais tempo, para não nos surpreender depois da posse. Assim que passaram as eleições, a qual fomos vitoriosos, eu, que já tinha o quadro de secretários montado, para uma possível vitória, me reuni com todos aqui na escola, para discutirmos e nos preparar para começar um trabalho em cada setor, logo após a posse.

C L: E chegando o dia de trabalho, que foi no dia 2 de janeiro, houve alguma surpresa maior ou tudo estava como o esperado?

Prefeito E E: Pois é, mesmo com todo cuidado que tivemos, como tem coisas que não deu pra ter acesso, fomos surpreendidos com coisas que atrapalham um começo de trabalho da maneira que desejávamos, pois não encontrei estrutura administrativa, para que eu e meu secretariado pudéssemos iniciar um trabalho como estava planejado. Eu diria que se a gente tivesse pensando em fazer uma gestão convencional, ou seja; dar segmento ao modelo de gestões do passado, gestões políticas e não públicas, não teríamos tantas dificuldade diante do quadro encontrado. Mas como estamos preocupados é com uma gestão pública, é com uma mudança no modelo de gestão, o fato dessa falta de estrutura física e administrativa atrapalha bastante um começo que tem que ser alicerçado. Só pra você ter uma ideia, as secretarias funcionam em uma casa alugada aqui, outra casa alugada ali, sem falar na questão administrativa, como foi dito. Encontramos algo muito maquiado, porque tudo está muito defasado em cada secretaria, o que atrapalha e muito porque temos que construir uma estrutura administrativa que nos possa dar condições de realizar uma administração voltada para o povo, a chamada administração pública e não política como acontecia.

C L: A questão social, que é um trabalho diretamente ligado à melhoria da qualidade de vida de um povo, como foi encontrada?

Prefeito E E: Pois é, meu repórter, A Secretaria de Assistência Social é uma das mais importantes de uma administração, pois ela é uma secretaria ligada diretamente ao povo, que é o alvo principal da existência de uma administração, de uma prefeitura, mas aqui essa secretaria funcionava como uma espécie de escravidão moderna. Matava a fome de um aqui com uma cesta básica, outras coisas ali e assim ia se levando a coisa. Mas é preciso que haja um modelo de funcionamento nesta secretaria, que é trazer para quem precisa o que lhe é de direito, porém sem assistencialismo, mas sim como o verdadeiro trabalho que uma Secretaria de Assistência Social deve realizar. Temos que realizar um trabalho de gestão pública, como falei, onde o benefício chegue a todos de forma igualitária e não para uns, enquanto a grande população, principalmente a mais carente, viva em sofrimento. Quando falo no benefício para todos, estou falando de uma Educação digna, uma Saúde digna, uma Assistência Social de qualidade, para que gradativamente o nosso município e nossa gente sejam resgatados da situação em que se encontram, mudando assim o perfil geral. Mas em se tratando de uma assistência social convencional, é como se fosse algo projetado para que funcione o que falei de escravidão moderna e “legalizada”, o que precisa e vai ser mudado esse modelo.

 

C L: Realizar uma mudança num momento em que há um vício desse povo que recebe esses “presentes” de forma política e proposital por parte do administrador, pra mantê-los escravos, como você disse, é, na verdade, um desafio grande pra você?

Prefeito E E: Sim, a mudança, principalmente em modelos de administrar, sempre traz choque, e muitos vão se sentir prejudicados, principalmente aquela minoria de pessoas que levavam a maior parte dos benefícios que teria de ser para todos. Sei que as “chiadas” vão acontecer, por uma minoria,  mas deixa que “Chiem”, o que eu quero é fazer a coisa certa e acabar com o clientelismo e sim levar o benefício para todos, sobretudo, às classes que sempre ficaram fora do processo.

C L: Como está o nível geral de Santa Inês, comparado com outras cidades do Vale Jiquiriçá?

Prefeito E E: Rapaz, essa pergunta eu não gostaria de dar a resposta que vou dar. Mas a realidade é que a nossa querida Santa Inês hoje lidera todos os índices negativos comparada a todas as cidades do Vale. Quando falo todos estou falado de Saúde, Educação, PIB, Distribuição de Renda e por aí vai. Pra se fazer uma avaliação do prejuízo que faz uma gestão sem compromisso, hoje o município tem uma perda de aproximadamente 300 mil reais mês, por descaso de gestões públicas. O que houve foi a falta de interesse por quase tudo. A falta de lutar, por exemplo, por um aluno na escola, a falta de gestão, o abandono de um povoado etc. Quando o gestor não organiza cada setor para que ele funcione de forma correta, recursos deixam de chegar, como aconteceu, o que vamos ter que organizar tudo isto, pois não podemos aceitar o nosso município liderar todos os índices negativamente como está. Sabemos que vamos pagar um preço por erro do passado, mas vamos “ir pra cima” sem dar trégua para colocar tudo nos seus devidos lugares.

Café com Leite: Você acha que corre o risco de muita gente sair para os grandes centros e cair a arrecadação do município?

Prefeito E E: É um processo natural pessoas saírem do seu município de origem, quando não estão satisfeitas com os acontecimentos. Num município sem renda e sem emprego para os pais de família, é preciso que o serviço público seja de boa qualidade, bem como os benefícios cheguem às pessoas, para que circule mais recursos no comércio, bem como existam escolas de qualidade, ensino de qualidade, merenda escolar de qualidade e outros itens mais em cada setor, como o atendimento à saúde tem que ser de qualidade, para que os moradores se sintam mais seguros em morar na sua terra natal. Em 2020 vem mais um censo e muitas cidades correm o risco de ter os seus recursos (FPM) diminuídos. O gestor precisa olhar pra qualidade dos serviços, para que a permanência ou aumentos dos recursos que chegam seja uma conseqüência e não abandonar os serviços e querer que os recursos continuem os mesmos.

C L: Essa situação que você encontrou o município é resultado de várias gestões ou apenas a última?

Prefeito E E: São prefeitos que não enfrentaram o problema como deveriam e vão empurrando pra frente. Esse último fez a mesma coisa e certamente vamos ter que acertar tudo para regularizar o nosso município, para que o futuro seja melhor pro nosso povo. A dívida, só de atraso de salários e outras coisas, ainda do gestor antes desse que me antecedeu, chega a certa de um milhão e meio de reais e essa minha gestão vai ter que acertar por dois motivos: Um é que o dever de um gestor que tem compromisso com o público é acertar as dívidas. O outro é que o trato do judiciário junto às prefeituras, atualmente está mais rígido. A receita quer receber. Ou o gestor senta pra negociar ou vai ter resgate de recurso, que seria pior.

C L: Como foi encontrado o município na questão adimplência, inadimplência…enfim: como anda a credibilidade da prefeitura de Santa Inês perante os governos Estadual e Federal?

Prefeito E E:  Fizemos um levantamento e posso dizer que a inadimplência do nosso município é muito alta em muitas esferas; estamos sem as principais certidões, principalmente da Receita, encontrei uma dívida com o INSS, Patronal, por exemplo, chega a mais de um milhão de reais e vamos ter que negociar isso em parcelas saudáveis, eu diria, para que tenhamos uma prefeitura apta a fazer parcerias. Dentro dos meus cálculos, teremos aí uma perda de 50 mil mês. Isso somado aos impostos que temos que pagar e mais os impostos que não foram pagos, vai dar um valor de mais de 200 mil reais mês.

C L: Fale de como encontrou o Hospital Maria Leandra e o que pretende fazer. Estou fazendo essa pergunta porque fiquei sabendo que você já teve um encontro mesmo antes da posse, com o Secretário de Saúde do Estado, com a finalidade de resgatar, botar pra funcionar de verdade o hospital, Já iniciou alguma mudança?

Prefeito E E:   Eu costumo dizer que o Hospital Maria Leandra era um fechado, aberto. Digo isso porque era um hospital que estava com as portas abertas, porém não tinha condição de oferecer atendimento ao povo. Logo no dia 02 de janeiro já começamos a fazer interferência na rede física do hospital. É preciso que façamos algo pela saúde do nosso município o mais rápido possível, pois em todas as pesquisas que fizemos aqui, a Saúde foi o setor que liderou de forma negativa junto a população. Logo no primeiro dia de trabalho dessa minha gestão, foi dado início à construção de um novo pavilhão no hospital com recurso próprio, para que muito em breve aquele hospital possa está de portas abertas e funcionando muito bem. Quero aqui adiantar que já estamos trazendo o CAPS, estamos adquirindo novas ambulâncias para que gradativamente este setor que é de tanta importância para o povo, possa oferecer um serviço de qualidade.

C L: Falar em melhorar o setor da Educação aqui em Santa Inês, em se tratando do professor Emerson, como você é conhecido lá em Maracás, é meio que chover na terra molhada. Mas ainda assim, você pretende dar uma revolucionada também neste setor?

Prefeito E E: Sim. Na verdade já foi dado início rumo à mudança. Mesmo antes de assumir a prefeitura já fizemos um trabalho de “ressignificação” da Educação do município que tem muitos problemas a ponto de ter o pior IDEB do Vale. Essa ressignificação vai nos cobrar um preço. Vamos iniciar a Jornada Pedagógica no dia 20 de fevereiro, com tudo muito diferente, inclusive com a presença do ex-ministro da Educação Renato Janine, bem como outros profissionais da área, todos renomados, diga-se de passagem, para fazermos juntos aqui um movimento bonito, com muitos discursos e discussões para darmos as boas vindas à nova etapa da Educação em Santa Inês.

C L:Como é fazer uma é Ressignificação?

Prefeito E E: Ressignificação é, na verdade, uma reestruturação avançada, onde teremos que pagar um preço alto, o que significa ter coragem, visão administrativa educacional e a certeza de está fazendo a coisa certa. Sabemos que vamos gastar mais em 2017, mas em 2018 vamos começar a receber recurso, talvez mais do que o que foi gasto, e, o mais importante, colher resultados de um trabalho. A certeza de uma mudança pra melhor.

C L: Me fale sobre secretariado, porque é muito comum um prefeito eleito escolher o seu secretariado até chegar a posse, mas, no entanto, na hora da prática, o prefeito percebe que um ou outro não se adaptou e faz a substituição. Aqui deu tudo certo?

Prefeito E E: Logo que me convenceram a fazer parte do pleito político, a concorrer à vaga de prefeito, que eu já comecei a pensar em montar o meu secretariado, num processo de dentro para fora. De forma que quando partimos pra campanha já tínhamos a filosofia do caminho que íamos seguir se ganhássemos as eleições. Por isso que uma semana após as eleições eu já apresentei a minha equipe de secretários. Foi uma escolha bastante técnica e nada política, de forma que os trabalhos já começaram desde o dia 2 de janeiro e eu não tenho dúvida nenhuma de que tenho uma equipe afinadíssima para enfrentar o que vem pela frente em cada setor específico, mas todos sabem que eu como gestor público e que quero fazer a coisa certa vou cobrar trabalho. Mas o que vem sinalizando até agora é que vai correr tudo bem.

C L: Sim…A festa de Santa Inês, que acontece todos os anos no mês de janeiro, esse ano “bombou” e com algumas mudanças, inclusive o nome, que deixa de ser a Festa da Padroeira. Fale um pouco de tudo…

Prefeito E E: Não é fácil a gente tomar posse de uma prefeitura de um município pobre, cheio de problemas e de cara ter que realizar uma festa tradicional e da magnitude da festa de Santa Inês. Fiquei entre a “cruz e a espada”, mas resolvi fazer, porém com os pés no chão e correndo atrás de parcerias, onde conseguimos algumas, para que acontecesse um espetáculo que agradasse a todos, que foi mais de 12 mil pessoas, como de fato agradou, porém sem onerar os cofres da prefeitura.

C L: E a mudança?

Prefeito E E: Pois é. Nós entendemos que Santa Inês tem uma localização geográfica privilegiada, e por isso é preciso que aconteça a festa de forma que seja investimento para o futuro. Apesar do pouco tempo que tivemos para que fosse criado um projeto, realizamos algumas mudanças, inclusive no nome da festa, que é Festival de Cultura SANTA INÊS, Vale do Jiquiriçá.  O nossa objetivo é fazer de Santa Inês a Capital do Vale, em se tratando de festa, onde o objetivo é atrair visitantes da Bahia toda ou quase toda e até de outros Estados. Ano que vem vamos inserir atividades voltadas mais para o intelectual.

C L: Pode até inserir um festival de música regional, não é mesmo, prefeito?

Prefeito E E: Sim, claro. Isso e muito mais. O nosso plano é que no ano que vem a festa vai está mais adaptada ao rumo que a gente pretende fazê-a seguir.  Eu que acompanhei a festa inteira fiquei muito feliz em vê que apesar da mudança ser pequena ainda, o povo aceitou de forma bastante positiva. O importante de tudo, é que pode ter as mudanças, porém a parte religiosa não vai ser abalada.

C L: Apresente aí o seu secretariado.

Prefeito E E: Como eu falei no meio da entrevista, tenho um secretariado que apesar do começo dos trabalhos, estou muito satisfeito. Vamos lá. A Secretária de Saúde do município é Naiana, uma enfermeira que veio de Castro Alves. É uma pessoa muito simpática e agradável com todo mundo, mas o melhor dela é que gosta de tudo muito organizado e funcionando. Acredito que o povo de Santa Inês ganhou muito com a nova secretária. Também, para ajudar na Saúde, o nosso vice também é da Saúde, é um médico e já disse que quer trabalhar. Na Educação temos o professor Marcos Paulo, que já trabalhou conosco aqui na escola, é um professor preparado e que tem muito o que contribuir com a sua competência e conhecimento na área.  Na Infra-estrutura temos o conhecido Val da Padaria, que está acima de qualquer suspeita em relação ao seu caráter como cidadão. Foi vereador na gestão passada, e como secretário já começou mostrando serviço com a sua equipe.  No primeiro dia de serviço implantamos o projeto de Cidade Limpa e Saudável, com muitas mudanças, inclusive na forma de recolher lixo, enfim: O Val da Padaria vai nos ajudar muito a fazer dessa cidade uma cidade limpa e muito saudável. Montamos uma equipe à sua volta para lhe ajudar e com isso Santa Inês e o povo só têm a ganhar. Na Secretaria de Administração e Planejamento contamos com o amigo Sandro Silva, que já trabalhava comigo, sabe da forma que gosto de trabalhar, conhece bem as minhas exigências, de forma que o Sandro é uma pessoa correta e competente na secretaria que vai exercer. Portanto, eu diria que estou bem alicerçado com Sandro. Na secretaria da Fazenda a gente escolheu o amigo e competente José Alfredo, já trabalhou na prefeitura, mas tinha uma relação de professor conosco, onde passamos a conhecer melhor o seu potencial e confiança. Já estão acontecendo algumas mudanças e eu diria que vai realizar um grande trabalho à frente da Secretaria da Fazenda. Na Secretaria de Assistência Social temos uma figura muito competente que é o Hélio Barbosa, é terapeuta, psicólogo e além dessa bagagem, é muito correto, humano e de um caráter excepcional e bastante técnico. Acredito que essa secretaria, como todas as outras, será bem servida em termos de dedicação. Para compor a  Secretaria de Cultura trouxemos o Peri, que já chegou com um tremendo desafio, que foi a organização da festa. Se eu não o conhecesse como profissional, diria que passou no teste. Vai ter um desafio grande pela frente, que é fazer parcerias com a Educação, Esporte e Turismo. Por fim vamos apresentar o nosso amigo Clovis para a Secretaria da Agricultura. Sabemos que a Agricultura do nosso município sofreu uma espécie de abandono, mas com os conhecimentos de Clovis, agregado à riqueza de Santa Inês. È um cidadão que gosta de criar alternativas, gosta do contato com o homem do campo, bem como é muito ligado ao Meio Ambiente. Eu diria que pra gestão mais ligada a política do que pública, cuidar do homem do campo é um gasto a mais, mas para gestão pública a zona rural é uma alternativa. Temos que fazer com que o homem do campo volte a cuidar da terra, porém com produção e renda, bem como outros atendimentos. Clovis entendeu perfeitamente a nossa filosofia de trabalho na agricultura do município e vai certamente ser fundamental na mudança também da agricultura.

Acredito que com essa equipe que está toda disposta a fazer a diferença, eu como gestor, que não entrei aqui pra continuar do mesmo jeito, juntos vamos fazer a transformação que Santa Inês e toda sua gente carece.

A equipe do Blog e Jornal Café com Leite deseja que tudo dê certo na certeza que, se assim Deus permitir, muitas notícias boas da cidade de Santa Inês irão circular na região através do jornal e para o mundo, via oline.