“Avisamos que só tinha criança na casa, mas mesmo assim tacaram granada e tiros, diz testemunha da morte de adolescente de 14 anos


Muito triste o que tem acontecido no país, referente a erros e, em muitos casos, falta de respeito mesmo, por vidas inocentes. aquela coisa de atirar primeiro para depois saber se acertou o alvo ou atirou na pessoa errada. Seria falta de treinamento ou pessoas erradas na Polícia? O pai desesperado grita: “Meu filho nunca tirou uma nota vermelha na escola, meu filho sempre me deu orgulho, sei que ele ia me dar mais orgulho e vem a polícia e faz isso”. Será que os policiais iam gostar de ver seu filho de 14 anos morto bestamente? Naturalmente que existem ótimos policiais espalhados pelo Brasil, mas a quantidade dos arbitrários foge da quantidade, digamos, aceitável. Isso tem contribuído com a violência no país.  Matéria a seguir depois da foto, veiculada no G1, veja vídeo aqui. Até aqui Café com Leite.

Adolescente de 14 anos é morto durante operação policial em São Gonçalo
Adolescente de 14 anos é morto durante operação policial em São Gonçalo

“A gente foi, deitou no chão, levantou a mão. Matheus começou a gritar que só tinha criança… Aí, eles tacaram duas granadas assim na porta da sala, que quem tava mais perto da porta era eu e João. Aí, eles deram muitos tiros nas janelas.”

Esse é o relato de um dos adolescentes que estavam na casa onde o menino João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi morto. João foi baleado na segunda-feira (18), durante uma operação da Polícia Federal com apoio da Polícia Civil no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.

O amigo de João ainda acrescentou:

“Assim, a gente saiu correndo pro quarto. Daí os policiais entraram, mandaram a gente deitar no chão e todo mundo calar a boca. As polícias deram tiro no Matheus enquanto ele levava João no carro pro helicóptero pegar ele.”

João Pedro Mattos Pinto, morto em operação em São Gonçalo — Foto: Reprodução/TV Globo

João Pedro Mattos Pinto, morto em operação em São Gonçalo — Foto: Reprodução/TV Globo

O corpo do menino foi enterrado na terça-feira (19), no Cemitério São Miguel, em meio a um protesto de amigos e parentes e aos gritos de “justiça”.

A operação terminou sem presos e destruiu uma família inteira.

Segundo a Polícia Civil, João Pedro foi atingido durante um confronto na comunidade enquanto policiais federais e civis atuavam na região. Ele morava na Praia da Luz, no bairro de Itaoca.

Imagens mostram a parede de um dos cômodos da casa atingida por disparos. O adolescente foi socorrido de helicóptero, mas não resistiu aos ferimentos.

João Pedro Mattos Pinto, morto em operação em São Gonçalo — Foto: Reprodução/TV Globo

João Pedro Mattos Pinto, morto em operação em São Gonçalo — Foto: Reprodução/TV Globo

‘A polícia chegou lá de uma maneira cruel’, diz pai do menino

pai do adolescente, Neilton Pinto, disse que estava trabalhando na hora que João Pedro foi baleado. Ele contou que a família estava sem notícias do adolescente até a manhã de terça-feira (19), quando foi informada sobre a morte. O filho, segundo ele, sonhava em se tornar advogado.

“Um jovem de 14 anos, um jovem com um futuro brilhante pela frente, que já sabia o que queria do seu futuro. Mas, infelizmente a polícia interrompeu o sonho do meu filho. A polícia chegou lá de uma maneira cruel, atirando, jogando granada, sem perguntar quem era. Se eles conhecessem a índole do meu filho, quem era meu filho, não faziam isso. Meu filho é um estudante, um servo de Deus. A vida dele era casa, igreja, escola e jogo no celular”, desabafou.