Ciro afastou-se dos coronéis e aproximou-se dos milicianos. Por Moisés Mendes


Particularmente, eu, editor do Café com Leite Notícias, diria que o Ciro tem um problema sério pra ser resolvido com ele mesmo. Existem àquelas pessoas que pensam junto com a fala, os que são chamados de pensadores pela boca. Bom, se o pensamento for bom, de boa índole e não causar estragos, tudo bem, passa, mas quando o pensamento vem com uma carga de ofensas e dizeres escabrosos, aí a coisa muda. E muda, principalmente contra o falador. O Ciro é assim e tem se dado mal. Será que ele não tem um cabo eleitoral que possa lhe dar alguns conselhos, ou será que todos babam por ele, acham que será ele salvador da pátria e dizem amém a tudo? 

Eu não diria como o jornalista Moisés Mendes, do DCM, quando diz que o Ciro se afastou dos coronéis e se aproximou dos milicianos. Isso não posso assegurar. Mas podemos afirmar que ele foi o maior cabo eleitoral do Jair Bolsonaro. À medida em que ele ia descendo a “madeira” e Lula, que é um preso político e ele, (o Ciro) sabe muito bem disto, na sua inocência pensava que estava fazendo ele mesmo crescer, mas na verdade só encolhia a sua posição nas pesquisas de opinião. Na verdade, quem cresceu foi o Bozo e terminou levando. Aí fica os cabos eleitorais do Gomes, dizendo que a culpa de tudo é de A e de B. Foi dele, a culpa. 

Agora, mais uma vez, se sentindo aconchegado na UOL, desceu a madeira em dois sites renomados, como o DCM e o Brasil 247, que certamente vão revidar contra as acusações e pedirem provas. Até aqui foi de autoria de Walter Salles do Café com Leite Notícias, depois da foto segue a matéria do Moises Mendes do DCM. 

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Ciro Gomes tentou ser coronel do Nordeste, um coronel bacana, bem ‘muderno’, progressista nos costumes e vago e retórico em relação a questões essenciais da democracia, das lutas sociais e da economia. Não conseguiu, porque o coronelismo entrou em crise.

Ciro saltou fora do ninho e decidiu então que se apresentaria como um cara de esquerda e até andou cortejando Brizola. E saiu a enganar todo mundo, como se pudesse ser uma alternativa a Lula.

Pulou de partido em partido e seduziu muita gente boa, repetindo-se, bradando que era um nacionalista. Muitos, e eu me incluo entre esses, tentaram entender seu dilema de cria do coronelismo de gravata da turma de Tasso Jereissati e imaginaram que em algum momento ele se livraria de suas origens comprometedoras.

Não se livrou de nada, apenas reafirmou o que de fato é. Ciro fracassa há quase duas décadas como candidato a presidente e sempre põe a culpa em alguém. E a culpa é das esquerdas, de Lula, de Haddad, do PT, nunca é dele.

Agora, desorientado, tenta flanar num espaço imaginário e idealizado de centro-direita que tem ódio ao PT e não quer mais saber de Bolsonaro. É nesse centro movediço que ele tenta se acomodar.

Por isso o cara que não conseguiu ser coronel ataca de novo as esquerdas, como atacou os sites DCM e 247 e os jornalistas Kiko Nogueira e Moreira Leite, que ele considera a serviço do lulismo e do petismo. É da sua índole de direita.

Ciro usa a mesma tática desqualificadora e mentirosa dos filhos de Bolsonaro. Acha que se aproxima do centro reacionário que irá festejá-lo, mas está cada vez mais perto da extrema direita.

Que sina. Ciro afastou-se dos coronéis e aproximou-se dos milicianos.

 

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Imagens mostram regressão de câncer em paciente terminal após tratamento pioneiro na América Latina


Conquista da ciência brasileira reverte quadro de paciente com câncer agressivo

Conquista da ciência brasileira reverte quadro de paciente com câncer agressivo

Imagens de exames realizados pela equipe de médicos responsáveis por cuidar de Vamberto Luiz de Castro, 62, diagnosticado com linfoma em fase terminal mostram a remissão da doença após tratamento inédito na América Latina, baseado em uma técnica de terapia genética descoberta no exterior e conhecida como CART-Cell. – Veja imagens abaixo

Há um mês, o corpo do paciente estava tomado por tumores, mas nesta semana, novos exames mostram que a maioria deles desapareceu, e as que restam, segundo os médicos, sinalizam a evolução da terapia.

Manchas pretas no exame são tumores. O primeiro foi realizado há um mês, quando deu entrada no Hospital. Nesta semana, o resultado do exame mostra que a maioria das manchas desapareceu e as que restam sinalizam a evolução da terapia. — Foto: Reprodução/FantásticoManchas pretas no exame são tumores. O primeiro foi realizado há um mês, quando deu entrada no Hospital. Nesta semana, o resultado do exame mostra que a maioria das manchas desapareceu e as que restam sinalizam a evolução da terapia. — Foto: Reprodução/Fantástico

Manchas pretas no exame são tumores. O primeiro foi realizado há um mês, quando deu entrada no Hospital. Nesta semana, o resultado do exame mostra que a maioria das manchas desapareceu e as que restam sinalizam a evolução da terapia. — Foto: Reprodução/Fantástico

Os médicos e pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, apontam que o paciente está “virtualmente” livre da doença.

Os especialistas, no entanto, não falam em cura ainda porque o diagnóstico final só pode ser dado após cinco anos de acompanhamento. Tecnicamente, os exames indicam a “remissão do câncer”.

Os pesquisadores da USP – apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) – desenvolveram um procedimento próprio de aplicação da técnica CART-Cell.

Terapia genética

A CART-Cell é uma forma de terapia genética já utilizada nos Estados Unidos, Europa, China e Japão. Esse método consiste na manipulação de células do sistema imunológico para que elas possam combater as células causadoras do câncer.

A estratégia consiste em habilitar células de defesa do corpo (linfócitos T) com receptores capazes de reconhecer o tumor. O ataque é contínuo e específico e, na maioria das vezes, basta uma única dose.

A cantora Marcia Felipe alerta brasileiros sobre canonizaçaõ de Irmã Dulce e disse que santo só Jesus Cristo


Cantora falou para fãs não se enganarem: ‘Santo só o senhor Jesus Cristo’

A cantora Márcia Fellipe causou revolta na web ao comentar a canonização de Irmã Dulce, que aconteceu na manhã deste domingo (13), no Vaticano. Santa Dulce dos Pobres é a primeira santa brasileira a ser reconhecida como tal pela Igreja Católica. “Ajudar o próximo, sim! Mas não faz nenhum ser humano ser ‘santo’. Santo só o senhor Jesus Cristo. Não se deixem enganar (leiam a Bíblia). ‘E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’. João 8:32”, disse Márcia sobre a santificação da freira baiana.

O comentário foi rebatido por uma série de internautas, que criticaram a postura da cantora. “Ridícula, que falta de respeito. Quem é você para dizer o que é certo e o que é errado? Lê a bíblia inteira e não sabe o significado de cada palavra. Sua leitura foi em vão. Leia novamente e compreenda as suas palavras, você não é digna de dizer nada. Respeite a religião dos outros. Não nos metemos na sua”, disse uma pessoa.

“Cadê o respeito pela religião dos outros?”, enfatizou outro. “Você só tem e diz que lê a Bíblia por conta dos católicos. Então, linda, não só leia e decore. Estude cada palavra”, sugeriu mais um internauta. Apesar disso, a postagem da cantora também recebeu algumas curtidas. Fonte: CorreiodaBahia.

 

 

Suspeito por óleo no Nordeste, navio fantasma ‘dribla’ radares


Embarcações trocam de nome e até desligam aparelho de localização

 

Apontada como uma hipótese para o derramamento de óleo nas praias do Nordeste, a circulação de navios fantasmas petroleiros pelo Atlântico pode ser motivada pelas sanções econômicas dos Estados Unidos à Venezuela, segundo especialistas. Análises sobre a mancha de poluição, que atinge 156 localidades de 71 municípios, já indicaram que a substância achada nas praias tem “assinatura” venezuelana, mas a origem do poluente ainda é desconhecida.

Os chamados navios fantasmas do século 21 não são embarcações mal-assombradas, mas aquelas que procuram navegar sem registro oficial. Para isso, trocam de nome e até desligam o transponder. O aparelho, obrigatório em todas as embarcações, registra a localização em tempo real de cada navio.

“Historicamente, parte do petróleo produzido sempre foi comercializada por canais não oficiais”, explica o economista Edmar Almeida, da Universidade Federal do Rio (UFRJ). “Tanto é que nas estatísticas do petróleo há diferença entre o que é declarado como produção e o que é declarado como consumo.” Segundo ele, isso pode ocorrer por várias razões, como roubo e tráfico de combustível, guerras e conflitos internacionais ou sanções econômicas.

Coordenador do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo (USP), Alberto Pfeifer diz que as sanções americanas à Venezuela e a países que comercializem com ela “podem estar estimulando a marginalidade”.

Os navios fantasmas costumam usar rotas menos conhecidas. Com isso, ficam mais vulneráveis a contratempos. Um eventual derramamento de óleo pode ocorrer por acidente ou pelo descarte de mercadoria irregular para evitar flagrantes. “O tráfico de combustível é uma das cinco atividades ilícitas mais lucrativas, atrás de drogas, armas, pessoas e animais”, diz o especialista venezuelano Rafael Villa, do Instituto de Relações Internacionais da USP. “E sabemos que na Venezuela um dos graves problemas é o contrabando de combustível.”

Patrulha
Em nota, a Marinha disse que realiza rotineiramente “patrulhas e inspeções navais”, incluindo ações contra delitos ambientais. E lembra ainda que o Brasil participa de grupos de trabalho internacionais que acompanham o tráfego marítimo. “Os pontos considerados mais sensíveis são as ‘novas ameaças’, como pirataria, terrorismo e acidentes ambientais.” Com informações do CorreiodaBahia.

 

Base da Funai é destruída na terra indígena mais ameaçada do Brasil


Base da Funai que custou R$ 750 mil é destruída na terra indígena mais ameaçada do Brasil. Sergio Moro minimiza ato criminoso: “Isso acontece também em outros setores”

base da funai

Base da Funai destruída (Imagem: Fábio Tito/G1)

Um posto de fiscalização da Fundação Nacional do Índio (Funai) dentro da terra Karipuna, em Rondônia, está destruído e virou símbolo da ação de madeireiros e grileiros.

O território indígena onde o imóvel foi atacado é o mais ameaçado por queimadas no Brasil – tem o maior número de focos ao redor da terra. Lá praticamente não havia desmatamento até 2014, mas, desde então, mais de 20 km² de floresta foram derrubados.

O imóvel, que deveria ajudar a evitar ataques criminosos, foi construído por uma empresa como ação de compensação ambiental. Entregue em 2016, custou R$ 750 mil.

Os karipuna e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) dizem que fiscais chegaram a trabalhar nos primeiros meses daquele ano no posto. Mas os recursos secaram, e o prédio ficou abandonado.

O posto está a 12 quilômetros da aldeia indígena, em um ponto estratégico perto de estradas e de fazendas. No imóvel, os fiscais tinham escritórios e um mirante para observação.

A estrutura foi doada pela Santo Antônio Energia como contrapartida pela construção da usina Santo Antônio, no Rio Madeira, em Porto Velho. A empresa diz que discutiu a localização com o povo e também com a Funai.

Além da sede, o posto tinha casa do gerador de energia, rampa para lavagem de veículos, caixa d’água com poço tubular, redário, garagem com oficina, gerador, mobília e equipamentos.

Segundo o Ministério Público Federal, 11 mil hectares já foram devastados na terra dos karipuna “por intensa atuação criminosa de madeireiros e grileiros”.

Os karipuna têm o território mais ameaçado do Brasil quando o quesito é o número de focos em um raio de até 5 quilômetros da demarcação. Quando o critério é queimada dentro da área, a terra está entre as 20 com mais queimadas no Brasil.

“Antes, havia invasão, mas não era como hoje, está uma coisa bem devastadora mesmo. Era só retirada de madeira, hoje já são pessoas loteando terras, queimando, fazendo derrubada, e hoje estão ameaçando a gente dizendo que a cabeça dos lideranças estão a prêmio”, diz Eric Karipuna, que é neto do índio mais velho da tribo.

Questionado sobre a destruição do posto da funai na terra dos karipuna, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, minimizou o ato criminoso.

“Pode haver carências específicas em um local x, em um local y ou numa base… Mas isso acontece também em outros setores. Nós temos, por exemplo, problemas de recursos humanos na Polícia Federal e na Polícia Rodoviária Federal que estamos buscando resolver”, justificou.

Ministro Sergio Moro (Rafael Marchante/Reuters)

Após esperar 3 horas por atendimento, mãe dá à luz na rua no Rio de Janeiro


Veículo chegou mais de 3 horas depois de ser solicitado, quando a bebê já havia nascido

mãe parto rua rio de janeiro
Ambulância não aparece e mãe dá à luz na rua do Rio de Janeiro (reprodução)

 

 

Dhassyla Pinheiro Silva sentia contrações de parto quando solicitou o serviço de ambulância ‘Cegonha Carioca’, da Prefeitura do Rio. Três horas depois, após insistentes telefonemas, a ambulância não chegou e a mulher deu à luz no meio da rua nesta quinta-feira (10).

A jovem apresentava dores desde a noite de quarta-feira (9), quando foi até a Maternidade Leila Diniz, na Barra da Tijuca. Após avaliação, os médicos liberaram Dhassyla, que provavelmente estava em início de trabalho de parto.

Às 5h de quinta-feira, as dores da gestante se intensificaram e o marido dela acionou a ambulância do Programa ‘Cegonha Carioca’. Às 8h, o veículo ainda não tinha chegado.

Ao perceber que a bebê estava nascendo, o marido pediu ajuda ainda na rua. Os irmãos Fernando Vincler dos Santos e Jean Carlos dos Santos se prontificaram a ajudá-la.

Após o parto na rua, a ambulância chegou, e Dhassyla foi levada para a maternidade. A pequena Merlin nasceu com 2,540 kg e 48 cm. Mãe e filha passam bem.

‘Cegonha Carioca’

O programa ‘Cegonha Carioca’ deveria auxiliar grávidas do pré-natal ao parto, mas funcionários alegam que que estão sem receber salário. Um deles denuncia que dois dos 12 veículos ficaram parados na semana passada por falta de combustível.

Outro funcionário afirma que o dinheiro que está abastecendo as ambulâncias não tem procedência reconhecida. “Na hora de abastecer a ambulância, a regulação liga, manda a equipe da ambulância para um determinado posto, onde lá se encontra um funcionário da prefeitura, com dinheiro vivo, em espécie, e ele faz o pagamento. E eles determinam o valor que vai ser abastecido em cada ambulância.”

Sobre as denúncias dos funcionários, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro garantiu, em nota divulgada à imprensa, que o Transporte Cegonha está funcionando. “As gestantes que precisarem do serviço na hora de ir para a maternidade podem solicitá-lo pelo número de telefone informado durante o pré-natal.”

Implantado em 2011, o Cegonha Carioca tem como principais objetivos humanizar e garantir o melhor cuidado para mãe e para o bebê. Por meio do programa, todas as gestantes que fazem o pré-natal em uma unidade pública de saúde no Município do Rio ficam sabendo, antes do parto, em qual maternidade terão seus bebês e têm a oportunidade de visitar o local.

 

Razão da sobrevida de Bolsonaro irá se esgotar, é o que disse Marcos Coimbra


 O sociólogo Marcos Coimbra escreve sobre a razão da sobrevida de Bolsonaro na Presidência: “a tolerância de alguns”. E aponta: “É pouco para quem quer durar muito. E quatro anos é tempo demais para que alguém como ele sobreviva”

(Foto: ADRIANO MACHADO – REUTERS)

Aos olhos da quase totalidade da opinião pública internacional e da maioria da população brasileira, Bolsonaro não tem condições de presidir o Brasil. Pensa errado, faz errado, fala errado e acredita em coisas erradas, segundo o que pensam, fazem, falam e acreditam as pessoas normais.

Por que ainda está no poder?

Não é, com toda certeza, por respeito à regra de que a democracia padece quando as instituições estão em permanente convulsão, o que exige sejam poupadas de choques e mudanças a toda hora. Bolsonaro ficaria porque a instabilidade provocada por sua saída seria pior que suportá-lo.

Invocar esse argumento, depois do que aconteceu com Dilma Rousseff, é pura hipocrisia. Não nos esqueçamos de que ela estava no início de um mandato recém conquistado nas urnas quando, sem qualquer fato relevante, seu governo foi bloqueado no Congresso e teve início um processo de impeachment mal ajambrado. Hoje, passados menos de três anos, as pesquisas mostram que apenas uma pequena minoria sequer consegue lembrar-se de qual era a acusação e qual prova havia contra ela.

Entre Dilma e Lula, há algum paralelismo na fragilidade das acusações que sofreram. Para condená-los, quem, no povo, os considera culpados costuma utilizar-se de dois raciocínios. Por um lado, do esdrúxulo princípio da presunção da culpa: “não sei exatamente o que fizeram, mas fala-se tanto que alguma coisa devem ter feito”. De outro, da imagem de “conjunto da obra”: não é por essa ou aquela acusação concreta, mas por algumas suposições inespecíficas (por isso mesmo, de comprovação impossível), em que se misturam delitos imaginados com antipatias e picuinhas.

E quanto a Bolsonaro, o conjunto de sua “obra” não é já suficiente? Nos  primeiros nove meses de governo, na avaliação de quem entende do assunto,  não apenas perpetrou dezenas de atos que justificariam a abertura de processos de impeachment, como deixou claro que continuará a praticá-los. Fora para os malucos que acreditam nele, o capitão é o pior tipo de culpado, o que insiste em seus crimes.

Outro argumento para fazer vista grossa à sua evidente inadequação ao cargo é a “legitimidade das urnas”. Ninguém discute que o respeito à manifestação dos eleitores é fundamental na democracia, o que significa aceitar o vencedor por mais deplorável que seja, mesmo depois que a maioria passa a querer vê-lo pelas costas.

Não é, contudo, o que sempre acontece no Brasil. Voltando às analogias com Dilma, o questionamento da legitimidade de sua vitória em 2014, usando da tese de “estelionato eleitoral”, chega a ser cômico face às bandalheiras do bolsonarismo na eleição passada. A respeito da ex-presidente, o máximo que se consegue dizer é que fez “promessas falsas” durante a campanha, pecado venial em nossa cultura politica, cometido por dez entre dez candidatos ao Executivo.

Bolsonaro foi muito pior: ganhou a eleição na trapaça, abusando de ferramentas imorais e ilegais, e enganando uma parcela do eleitorado com o bombardeio de mentiras pelo WhatsApp. Na sua campanha, as (muitas) promessas falsas são café pequeno. Fez tanta coisa irregular que só seus cúmplices acham que o resultado é legítimo.

As pesquisas recentes também questionam a tese de que o bolsonarismo existe como expressão de um antipetismo amplo e disseminado em nossa sociedade, como se Bolsonaro fosse uma régua através da qual se mede a rejeição ao PT. A hipótese agrada a alguns que odeiam o partido (como os irmãos Marinho e seus funcionários), mas é falsa. As mesmas pesquisas mostram que o tamanho do antibolsonarismo já superou (de longe) o do antipetismo.

Volta a pergunta: o que explica que Bolsonaro aí fique, apesar de tudo? Se não é por apreço à estabilidade institucional, se, em seu caso, a “legitimidade das urnas” é amplamente questionável, se exprime um sentimento minoritário e se, além disso, é um presidente de péssima qualidade, por que permanece no cargo?

O que dá sobrevida a Bolsonaro não é a pequena minoria na sociedade que efetivamente gosta dele e o apoia, mas, por enquanto, a tolerância de alguns. Na opinião pública, dos que acham que é cedo para despachá-lo, e no empresariado, dos que lhe dão apoio pragmático, que persiste enquanto mantêm a expectativa de lucrar e cessará quando se convencerem de que não se concretizará.

Sua turma de coração é pequena e diminui a cada dia: os radicais amalucados do bolsonarismo (alguns no Congresso), os lavajatistas no sistema de Justiça (mesmo desmoralizados pela vaza jato), alguns generais (quase todos aposentados), a velha elite da grande imprensa. Fora esses, os oportunistas de plantão, os primeiros que abandonam o navio.

É pouco para quem quer durar muito. E quatro anos é tempo demais para que alguém como ele sobreviva. O fracasso administrativo do governo vai abreviar o período em que seremos obrigados a aguentá-lo.

Fonte 247.

Major Olímpio incendeia PSL: “Gostaria que Flávio Bolsonaro saísse”


Para o senador, os filhos de Bolsonaro são o maior problema do governo e crê que a nomeação de Eduardo Bolsonaro como embaixador perdeu força após Trump recuar em apoio ao Brasil na OCDE

Major Olímpio, Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro (Reprodução/Youtube)

O senador Major Olímpio (PSL-SP), líder do PSL no Senado, deu uma dura declaração na manhã desta sexta-feira (11) sobre os filhos do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, os parlamentares da família Bolsonaro atuam como príncipes e prejudicam o partido. Olímpio defendeu também a saída do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) da legenda, investigado por suposto esquema de rachadinhas em seu gabinete enquanto era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

“Gostaria que o Flávio [Bolsonaro] saísse [do PSL], eu não escondo isso de ninguém. Gostaria. E outra coia, nós apoiamos o presidente Bolsonaro, não reconheço no país ainda monarquia, dinastia, filho príncipe, nada disso. Aliás, o que está desgastando muito o presidente são filhos com mania de príncipes”, disparou o líder do PSL no Senado em entrevista à GloboNews.

Na conversa com jornalistas ele comparou a situação de Flávio com a do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, acusado de comandar esquema de candidaturas laranjas no PSL de Minas Gerais. Olímpio disse que “se fosse o Marcelo Álvaro” se afastaria do cargo no Ministério para se defender na tribuna da Câmara dos Deputados.

Eduardo Bolsonaro

O filho “03” do presidente também foi alvo de Olímpio. Para ele, a retirada do apoio dos EUA à entrada imediata do Brasil na OCDE descredencia Eduardo Bolsonaro como um bom nome para assumir a Embaixada brasileira em Washington. “Vejo com muita dificuldade a aprovação. Converso muito nos bastidores, já estava complicado. Mas, hoje, com a negativa da OCDE, aprovar Eduardo seria para atender a um interesse pessoal do presidente”, disse à jornalista Andreia Sadi, do G1.

“Mal informado”

Olímpio ainda declarou que “sem PSL e sem Bivar, não existiria Bolsonaro presidente” e que o mandatário está “mal informado”. “O PSL é o único partido que vota 100% com o presidente. Essa base não pode sofrer fissuras pelos problemas internos do partido”, disse ao BR Político, do Estadão.

Com informação da Fórum.

Pressionado por evangélicos, Bolsonaro não vai para canonização de Irmã Dulce


Pressionado por evangélicos, Jair Bolsonaro cancela viagem para a cerimônia de canonização de Irmã Dulce, que será celebrada pelo Papa Francisco. A decisão de não viajar também teve interferência de Michelle Bolsonaro. Biógrafo da beata comentou recuo do presidente

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Imagem em destaque: Irmã Dulce e o Papa João Paulo II, na Base Aérea de Salvador (Divulgação/Acervo Irmã Dulce/Correio)

Enquanto uma comitiva de políticos começa a desembarcar no Vaticano para a canonização da beata baiana Irmã Dulce (1914-1992), o presidente Jair Bolsonaro, que se considera católico mas levanta a bandeira evangélica na política, anunciou que não irá comparecer à cerimônia de santificação. Em seu lugar irá o vice-presidente Hamilton Mourão.

Em julho, o porta-voz da Presidência da República Otávio Rêgo Barros havia confirmado o comparecimento de Bolsonaro na canonização que será conduzida pelo Papa Francisco no próximo domingo (13), alegando que a presença reforçaria o compromisso do presidente “na importância de o Brasil ser um Estado laico”.

Na última quarta-feira (9), entretanto, a presidência informou que devido a compromissos de agenda, Bolsonaro não irá nem ao Vaticano nem a Salvador, em outra comemoração marcada para dia 20 – alguns consideram a decisão uma forma de agradar sua base evangélica e a primeira-dama.

O colunista Ricardo Noblat, da revista Veja, informou que a decisão de não viajar foi influenciada principalmente pela opinião da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. A esposa do presidente, que é evangélica, não concorda com a viagem por razões religiosas.

Além disso, Bolsonaro é apoiado pelas maiores agremiações evangélicas do Brasil, comandadas por figuras como Silas Malafaia e Edir Macedo — este último também proprietário da TV Record.

No entanto, para agradar os católicos há previsão de que na tarde de sábado (12) o presidente compareça à festa da Padroeira de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, SP.

“Em razão até de uma impossibilidade de que ele participe da cerimônia para a Santa Irmã Dulce em Salvador no dia 20, o presidente entendeu a importância de se fazer presente em eventos de fé católica”, disse o porta-voz da presidência.

Irmã Dulce

Nascida em 1914 em Salvador, irmã Dulce foi uma freira que dedicou sua vida aos desfavorecidos, ficando mais tarde conhecida como beata dos pobres. A ela, primeira santa nascida no Brasil, são atribuídos milagres como a cura de hemorragias e cegueira, sendo considerada um ícone católico na Bahia.

Para o jornalista Graciliano Rocha, autor da biografia “Irmã Dulce, a Santa dos pobres”, o não comparecimento de Bolsonaro pode ser recebido como um desprestígio por parte da comunidade católica.

“O presidente ir ou não é uma decisão pessoal, mas como o Brasil é o maior país católico do mundo, é muito provável que uma parcela da população se sinta desprestigiada. Isso também desconsidera o Vaticano em termos de política internacional, que embora seja um microestado, tem sua relevância como referência para o catolicismo global”, diz.

A canonização ocorre na mesma semana do sínodo da Amazônia, onde o Papa Francisco ressaltou que ideologias podem ser uma arma perigosa.

“Irmã Dulce está sendo canonizada junto ao sínodo da Amazônia, o que demonstra uma preocupação da igreja com as populações locais e com o bioma. Esse é um ponto que tem suscitado muitas críticas a Bolsonaro no âmbito internacional, o que pode justificar, em parte, a ausência do presidente”, finaliza Graciliano.

A Câmara dos Deputados incluiu recentemente o nome de Irmã Dulce no Livro de Heróis da Pátria. O livro está depositado no Panteão da Pátria, em Brasília, e conta com os nomes de Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Santos Dumont e Anna Nery, entre outros personagens históricos.

Milagres

O primeiro milagre atribuído à Irmã Dulce foi a sobrevivência de uma parturiente desenganada pelos médicos, após religiosos e fieis orarem para que a religiosa baiana intercedesse pela vida da paciente.

Segundo os registros usados no processo de beatificação, a mulher foi identificada como a sergipana Cláudia Cristiane dos Santos, que deu à luz ao segundo filho em 11 de janeiro de 2001.

O parto ocorreu no Hospital Maternidade São José, em Itabaiana (SE). O local era dirigido por freiras da mesma congregação de Irmã Dulce e não tinha UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Naturalmente que são apenas rumores de que as lideranças evangélicas pressionaram o presidente para não comparecer. Mas no caso de ser uma realidade, está ocorrendo erros de ambos os lados. Para quem lê a bíblia e interpreta cada versículo, entende que Jesus Cristo é o único intercessor entre o homem e Deus. Porém, no entanto, não cabe uma imposição por parte dos evangélicos, sobre o presidente da República de um país, não participar de um determinado evento, uma vez que tal presidente que governa para 210 milhões de brasileiros, que é o caso do Bolsonaro, teria o dever de marcar a sua presença, principalmente em respeito aos católicos que procuram se espelhar numa mulher que em vida foi uma guerreira na causa dos mais oprimidos. E tem mais, é preciso saber que quem sonda cada coração é Deus.

Agora, é de se concordar que no caso de um pastor evangélico que tem compromisso com o seu rebanho e com Deus, no caso dele não ser mercenário, como existem em todas as classes, não querer comparecer a tal evento. Porém, é um erro querer impedir o presidente de comparecer,  como também é um erro o presidente acatar as determinações e não comparecer, se foi o que aconteceu. Afinal, como foi dito, ele é presidente do Brasil inteiro e chefe de uma nação de cerca de 210 milhões de brasileiros. Fonte Pragmatismo, sendo os dois últimos parágrafos do Café com Leite Notícias. 

Em Brasília: de volta o toma lá dá cá


Crédito: Cássio Moreira / Codevasf

ACORDÃO O senador Fernando Bezerra mediou o entendimento no Congresso (Crédito: Cássio Moreira / Codevasf)

O toma lá dá cá continua vivo no Congresso. O melhor exemplo aconteceu com a PEC que trata da partilha dos recursos da cessão onerosa advindos do megaleilão do pré-sal, no próximo dia 6 de novembro. Entrarão R$ 106 bilhões nos cofres públicos. Os parlamentares exigiram participar da divisão da grana e o governo topou ceder R$ 22 bi a estados e municípios (30% do bolo). Virou um achaque geral. Houve briga de foice entre Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre pela partilha: os senadores queriam que 30% ficasse com estados e municípios e, os deputados, 20%, desde de que 10% ficasse para emendas parlamentares. Os senadores ameaçaram o governo até de não votar a Reforma da Previdência em segundo turno.  O senador Fernando Bezerra (MDB-PE) virou bombeiro e patrocinou um acórdão.

Até o segundo turno da Previdência entrou na pauta 

Até a aprovação da Previdência foi adiada para o dia 23, só para permitir que Bolsonaro promulgue a partilha no próximo final de semana, antes da votação. Se ele não cumprir o acordo articulado por Bezerra, não haverá a finalização da Previdência. Ameaçam rebeldia geral no Senado, o que colocaria em risco o nome de Eduardo para Washington.

O acordo entre eles e o povo e o Brasil que se danem

Ao final, 15% ficará para os estados e 15% para os municípios. A parte dos estados será repartida assim: 10% de acordo com o Fundo de Participação dos Estados (FPE), com privilégios para os nordestinos, mas os estados exportadores ficarão com os outros 5%, de acordo com a Lei Kandir. Os 15% dos municípios serão regidos pelos parâmetros do Fundo dos Municípios (FPM).

Fonte Istoé.

 

Perguntamos ao Zé Ramalho o que é um ‘pano de guardar confetes’


A música ícone da MBP “Chão de Giz” bastante popular nacional e internacionalmente criada na geração da década de 70, ganhou espaço no meio musical justamente por ser uma música com várias nuances de simbologias agrestes. A música carrega em si o peso de sentimentos rejeitados. E se você já conseguiu decifrar aqueles jogos de palavras só ouvindo a música, meu caro, pode se considerar um apaixonado nato com fortes dores de cotovelo. Por que a letra se trata de um apaixonado sofrendo por um amor quase impossível de acontecer.

Afinal, o que é o tal do ‘pano de guardar confetes’? O Curta Mais trouxe a resposta, e você já pode até imaginar, confetes, amor envolvido, sentimentos entrelaçados, tudo num balaio só. Mas daí, onde o tal significado tão resguardado na essência da música “Chão de Giz” se esconde? Em relatos feitos pelo próprio cantor, a música foi criada embasada em sua própria história.

Ainda jovem ele se apaixonou por uma mulher mais velha que conheceu no Carnaval de João Pessoa na Paraíba. Ela era casada com um homem da alta sociedade, e jamais largaria um casamento influente por um rapaz “latino americano sem dinheiro no banco”, como diria Belchior. Mas, como todo mundo já sabe esse romance de um amor errôneo teve um fim desastroso. Tendo como consequência, a música poética Chão de Giz, como um bom poeta e compositor que se preze escreveria.

Porém o real significado no pano de guardar confetes é nada mais que balaios ou cestas típicos da cultura popular das costureiras nordestinas, nos quais elas jogam restos de pano, papel, etc. “Aqui, Zé diz que vai jogar as fotos dela nesse tipo de saco e, assim, esquecê-la de vez”. Como quem quer jogar fora todos os sentimentos por um amor mal resolvido.

A história por trás da música

Nosso querido Zé, levado pelo apelido de poeta de Brejo justamento pelo local de nascimento, em Brejo do Cruz na Paraíba. Autor de grandes canções famosas da Mpb, nasceu em 1944 foi criado pelo avô Raimundo (o famoso Avôhai como ele mesmo o chamava) para se tornar médico nos confins do sertão paraibano. Mas o destino quis diferente. O sonhador e disseminador de grandes influências musicais de peso do rock’n roll, abandonou a faculdade de medicina aos 21 anos para se tornar musicista brasileiro, que convenhamos, fez seu nome se tornando um dos melhores cantores e compositores desde os anos setenta até os dias de hoje.

Sua influência veio da literatura de cordel começando com a criação de versos de cordel que por meros devaneios tolos se fez compositor de suas próprias canções. Cantou em bandas inspiradas pela jovem guarda de Roberto Carlos, Renato & Seus Blue Caps, e também pelo rock inglês. Ficou conhecido em 1974 quando uma de suas composições foi introduzida nas canções de um filme de cultura popular nordestina chamado: Nordeste, Cordel, Repente e Canção, da cineasta Tânia Quaresma, que mostrava vários aspectos da arte popular do Nordeste.

Com uma passagem só de ida para o Rio de Janeiro que seu avôhai Raimundo lhe deu, foi atrás da fantasia de ser músico. Participou também na banda de Alceu Valença, mas foi logo adiante em 1977 que lançou seu primeiro álbum solo batizado com seu próprio nome “Zé Ramalho”, de onde surgiu a música Chão de Giz e outras marcantes como. Mas mal sabia ele que, aquele álbum da década de setenta e sete, se arrastaria até os dias de hoje com um grande questionamento sobre suas metáforas contidas nas letras. Além da música (causa um grande amor proibido de carnaval) “Chão de Giz”, houveram outras grandes criações poéticas desse ícone marcadas de histórias cheias de sentimentos, de saudade, de amor e coragem, veracidade, vontade, de paixão que mais parecem um bicho de 7 cabeças.

Uma viagem de cogumelo mudou a sua vida

Em entrevista para Pedro Bial em seu programa “Conversa com Bial” da última sexta feira 4/10 o artista revela a origem e a particularidade de seus grande sucessos. Os sucessos “Avôhai, Chão de Giz, e Vila do Sossego” já estavam praticamente em construção perfeita em sua mente quando decidiu ir tentar a vida na música se mudando para o Rio onde passou dificuldade. E foi exatamente nesse momento que surgiu a música “Garoto de Aluguel”. “Eram algumas amigas, algumas pessoas que eu conhecia em porta de teatro, lá no Rio de Janeiro, que viam minha situação e de mais alguns colegas, e passávamos a noite juntos e deixavam um valor no dia seguinte para um café da manhã e isso me inspirou nessa canção que é muito gravada”, afirma o cantor.

Assista o vídeo da entrevista:

Ainda na faculdade com 21 anos ele participava de um projeto de fungos que estudavam alucinógenos. A música Avôhai foi criada em uma dessas viagens alucinógenas da vida do então estudante de medicina. “Na música, tem um trecho que eu estava descrevendo o que eu estava vendo: ‘Que transparente cortina ao meu redor’. Era como se fosse a aurora boreal. Foi uma coisa muito forte para eu viver isso. Ao voltar para casa, fiquei pensando durante dias nessas sensações, e começou a me chegar a letra toda de uma vez só. Peguei o violão e, assim, em casa, eu já sabia para onde ia a mão. Foi a única vez que isso aconteceu comigo.”

A vida passou, e o gigante da Mpb conseguiu vencer seus obstáculos, e gravar a canção “Avôhai” na mesma gravadora do Roberto Carlos na época. Comentou também sobre o grande projeto que gerou mais três álbuns junto de Alceu Valença, Elba Ramalho, e Geraldo Azevedo. Outra grande parceria que deu muito certo foi com Chitãozinho e Xororó em “Sinônimos”. “Foram tempos maravilhosos” afirma. E aí, bora lá conferir essas grandes histórias poéticas cantadas na voz e violão desse grande cantor? Acesse o link e garanta já seu ingresso para essa aventura pra lá de apaixonante.

 

 

Delegada que foi presa por suspeita de tortura é exonerada do cargo


Carla Ramos deixa a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos

(Arquivo CORREIO)

Acusada de prática de tortura juntamente com outros três policiais civis, a delegada Carla Santos Ramos não é mais titular da Delegacia de Repressão e Furtos e Roubos (DRFR), na Baixa do Fiscal. A exoneração foi assinada pelo governador Rui Costa e publicada na manhã desta quinta-feira (10), no Diário Oficial do Estado, três dias após a prisão de Carla Ramos.

A delegada e os agentes Agnaldo Ferreira de Jesus Filho, Carlos Antônio Santos da Cruz e Iraci Santos Leal foram presos na segunda-feira (7), acusados de prática de tortura na própria unidade contra a funcionária de uma lotérica, no bairro de Dom Avelar.

 

No documento, a vítima alega que os agentes aplicaram-lhe chutes, socos, tapas e cacetadas na cabeça. Ela diz que teve ainda um dos dedos do pé quebrado pelos investigadores na tentativa de fazê-la confessar onde estaria o dinheiro roubado da casa lotérica e indicasse o nome de outros envolvidos no delito.

Represália
O CORREIO procurou o advogado da delegada, Gustavo Brito. Ele disse que a exoneração não foi represália. “O cargo que ela exerce é de confiança. Como ela está afastada, precisa de alguém chefiando a unidade. Acredito que seja por isso. Por enquanto, ela está afastada sem exercer função alguma. Acredito que não tenha sido nenhum ato de retaliação, tendo em vista que existe uma medida cautelar de afastamento. Estamos lutando para que seja revogada”, declarou Brito.

O Sindicato dos Delegados da Polícia Civil do Estado da Bahia (Adpeb) também comentou a saída de Carla Ramos da DRFR. “Até onde tenho conhecimento, a exoneração de Carla Ramos não tem vinculação com os fatos anteriormente ocorridos, até mesmo porque, no Diário Oficial de hoje, dia 10, foram publicadas inúmeras exonerações e nomeações. A entidade continua em contato com a delegada Carla, prestando todo apoio e assistência necessária”, declarou o delegado Fábio Lordello, presidente da Adpeb.

Em nota, a Polícia Civil esclareceu que “a exoneração da delegada Carla Santos Ramos é uma providência administrativa, em virtude do inquérito o qual a servidora está submetida na Corregedoria da Instituição. O novo titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), nomeado no Diário Oficial do Estado (DOE), é o delegado Glauber Uchiyama”, diz a nota.

O documento enviado ao CORREIO diz ainda que “os demais servidores investigados continuam em liberdade, porém, sob medidas cautelares, que os afastam dos serviços e proíbem acesso às delegacias”.

Tortura 
Ainda segundo a funcionária da lotérica, que acusa os investigadores da DRFR de tortura, um dos policiais introduziu um cassetete em sua garganta e, em outro momento, tentou o mesmo procedimento em direção ao seu ânus, mas foi impedido por outro agente. Todas as ações, segundo a vítima, teriam o aval da delegada.

(Foto: Divulgação)

Os quatro policiais civis ficaram custodiados por quase 14 horas. Carla Ramos e os agentes tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada no dia 5 deste mês, expedida pelo juiz plantonista Augusto César Silva Britto, solicitada pelo delegado Jackson Carvalho da Silva, da Corregedoria da Polícia Civil. No entanto, eles foram soltos, para responderem em liberdade, na manhã de terça-feira (8).

A desembargadora Márcia Borges Faria concedeu o habeas corpus justificando que a prisão foi baseada em “elementos frágeis”. “Consignam que a ordem constritiva de liberdade ora impugnada revela-se manifestamente ilegítima, posto que embasada em elementos fáticos frágeis, notadamente à luz da utilização apenas de depoimento da suposta vítima para fins de justificar quão drástica providência”, disse a desembargadora.

 

Vereadora do PT de São Paulo diz que PM ficou com arma apontada para o seu rosto


Assista vídeo em que a vereadora Juliana Carodoso (PT-SP) conta sobre a abordagem truculenta feita pela Polícia Militar de São Paulo; “Me senti ameaçada”

De acordo a matéria da Revista Fórum, a vereadora Juliana Cardoso (PT-SP) gravou um vídeo comentando sobre a ação de policiais militares que deteve a ela e parentes dos ativistas Preta e Sidney Ferreira, que tiveram habeas corpus deferido nesta quarta-feira (10). Segundo ela, os policiais estavam acompanhando o carro da irmã dos ativistas com o objetivo de continuar a perseguição sobre o Movimento Sem Teto Do Centro (MSTC).

“Eu fui informada depois que eles já estavam atentos a placa do carro de uma das irmãs da Preta e do Sidney e por isso que houve a abordagem, mas eles não faziam ideia que eu estava no carro junto com eles. Então, você vê que foi uma abordagem direcionada. Mais uma vez, uma ação truculenta, direcionada, para poder pegar os militantes que são vinculados ao movimento de moradia do centro. É inadmissível a gente ter um estado desse, que tem que ajudar as pessoas a terem segurança, parar, por mais de três horas, seis viaturas para fazer uma ação truculenta”, declarou.

A parlamentar disse que acionou a Câmara Municipal após seis viaturas chegarem no local. Juliana e os outros que estavam no carro foram levados para a delegacia, mas já foram liberados.

Condenações de Lula podem ser anuladas: diz Gilmar Mendes


Em entrevista concedida à BBC Brasil, O ministro do STF Gilmar Mendes afirmou que os processos que condenaram Lula, conduzidos e julgados por Moro, deverão voltar à fase de denúncia.

Isso anularia as condenações de Lula em dois processos (Tríplex do Guarujá e Sítio de Atibaia), além de retroceder a ação sobre supostas ilegalidades envolvendo recursos para o Instituto Lula, que está prestes a receber sentença do juiz que substituiu Moro na 13ª Vara de Curitiba, Luiz Antônio Bonat.

“Eu tenho impressão que, pelo menos tal como está formulado (o recurso), se for anulada a sentença, nós voltamos até a denúncia. Portanto, todos os atos por ele (Moro) praticados no processo, inclusive o recebimento da denúncia, estão afetados pela nulidade. Será esse o veredicto”, explicou.

O ministro previu que serão necessárias ao menos duas sessões de julgamento na Segunda Turma do STF para concluir a análise do recurso, já que deve haver uma discussão sobre se as mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil podem ser usadas em benefício de Lula mesmo constituindo prova ilícita.

Por enquanto, os ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia votaram, no final de 2018, contra a suspeição de Moro. O caso está suspenso por pedido de vista de Mendes. Faltam votar também Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.

Na entrevista concedida em seu gabinete, Mendes também defendeu a liminar do presidente do STF, Dias Toffoli, que suspendeu a investigação contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, e inúmeras outras no país.

Com informações do 247.

Queimada em terra indígena destrói até casa e muda festas tradicionais


Casa queimada no Território indígena Xerente — Foto: Arquivo Pessoal

No Território indígena Xerente, no Tocantins, quase 140 focos de queimadas foram registrados desde o começo de agosto até 27 de setembro. Na área que fica no Cerrado, um dos focos chegou à aldeia São José e destruiu a casa de Neli Pereira Xerente, de 45 anos. As queimadas que chegaram a desalojar uma família do povo Xerente também afetaram outros povos, afugentando caças, dizimando roças, plantações, árvores com frutas nativas e adiando eventos culturais.

A queimada que destruiu à casa de Neli não deixou feridos, mas prejuízos materiais. “O fogo que pegou na minha casa tava queimando na área mesmo, na área indígena. Eu perdi foi tudo. Salvei só a geladeira, que um menino me ajudou a tirar, mas as camas, roupas, certidão de nascimento das meninas… queimou tudo”, contou Neli ao blog.

No dia em que as chamas consumiram a casa de Neli, em 27 de agosto, a comunidade estava fora da aldeia ajudando equipes do PrevFogo a combater as queimadas na região. Naquela data, o satélite Acqua, da Nasa, registrou quatro focos de queimadas no Território Xerente.

Casa queimada no Território indígena Xerente — Foto: Arquivo pessoalCasa queimada no Território indígena Xerente — Foto: Arquivo pessoal

Casa queimada no Território indígena Xerente — Foto: Arquivo pessoal

“Muitos da aldeia estavam lá em outra região ajudando outros parentes, outra nação. Aí os que [sobraram] aqui não deram conta de apagar o fogo que atingiu a gente”, explica a indígena, que tem 10 filhos e agora está provisoriamente em outra casa, menor que a anterior.

“O fogo tá acabando com tudo aqui na região… com a roça, com o mato, com a água nascente… Para comer a gente tem os vizinhos que arrumam algo pra gente [se alimentar]. Por isso tudo que estamos passando por causa do fogo”, contou Neli.

Readaptar para sobreviver

A comunidade já está reconstruindo o imóvel. Selma Ekwaidi Xerente, cunhada de Neli, conta que desta vez a cobertura será feita com telhas em vez de palha, como é comum na região. Segundo ela, deixar a palha como material é uma medida de precaução contra os focos mais constantes.

“Eu quase morri de pressão alta no dia em que eu vi a casa da minha cunhada pegando fogo. As coisas que ela perdeu. Está tendo mais fogo nesse ano que nos anos anteriores”, conta Selma.

Wagner Katamy Krahô-kanela, um dos líderes da aldeia Lankrarè, também no Tocantins, contou ao blog que o fogo já queimou aproximadamente 40% do seu território. Segundo Katamy, a terra Krahô-kanela tem um total de 31 mil hectares, dos quais foram demarcados como terra indígena apenas 7 mil hectares. A aldeia fica no município de Lagoa da Confusão, a 200 km da capital Palmas.

Ele conta que, primeiramente, um foco havia se alastrado nessa área já demarcada, sendo possível controlá-lo antes que fizesse maiores estragos. No entanto, após resolver a situação, observou um outro foco a aproximadamente 10 km de distância da aldeia. “E esse [segundo foco de] fogo veio de uma fazenda de plantio de soja e arroz irrigado próximo ao Rio Formoso da região”, relata.

A aldeia Lankrarè tem parceria de trabalho para vigilância e proteção de território com a Fundação Nacional do Índio (Funai) por meio de sua Coordenação-Geral de Monitoramento Territorial (CGMT) e das Coordenações Regionais do Araguaia, Tocantins e Gurupi, além do apoio do Ibama e do governo do Tocantins.

Katamy conta que desde que começou a ser implementado esse trabalho de vigilância já ajudou a coibir, por exemplo, a entrada de pescadores, madeireiros, caçadores e etc.

Ele explica que os incêndios afetam imediatamente a vida nas aldeias. “Se acham donos de tudo. Colocam o fogo, mas não há controle disso e o fogo vem para a terra indígena e causa esse problema. As crianças estão adoecendo, os velhos com dores de cabeça, nariz doendo… tudo por causa disso”, explica.

As queimadas também prejudicam práticas locais de subsistência. “Ao longo do tempo a comunidade indígena aprendeu a plantar a sua roça tradicional, e quando vem o fogo não tem como fazer porque queima antes do tempo e a gente não consegue tirar o nosso alimento, a nossa sustentação”, conta.

Há, ainda, uma outra preocupação com todas as modificações causadas pelas queimadas – que afeta o líder indígena. Segundo ele, as futuras gerações indígenas tendem a se distanciar cada vez mais de suas culturas originais. Wagner Katamy teme que esse alto índice de queimadas consuma a “força natural” de suas terras.

“Nós temos que zelar da terra porque outras gerações virão. Será que eles [os jovens] vão conhecer a área indígena que o vô morou, que seu pai morou, que sua tia morou? Assim foi toda vida”, diz.

Maranhão

A Terra Indígena Caru, localizada no norte do Maranhão, faz parte de um mosaico formado pelas terras indígenas Alto Turiaçu, Awá e Pindaré. Nos 172 mil hectares da área do Caru convivem dois povos Indígenas: os Guajajara e Awá Guajá – povo isolado e de recente contato com o homem branco.

Ouvido pelo blog, o cacique Antonio Wilson Guajajara conta que as atuais queimadas nas terras indígenas daquela região acabam com as caças, com os peixes (por causa dos igarapés que secam) e com as frutas nativas. No relato do líder há uma preocupação inclusive com a falta de comida para as aldeias, caso a devastação prossiga na região.

Os indígenas também sofrem as consequências das queimadas em seus costumes e ritos. A “Festa da Menina Moça”, por exemplo, é um marco tradicional dos povos Awá Guajá para o momento em que a menina índia, entre 11 e 12 anos de idade, menstrua pela primeira vez e ingressa na vida adulta. Nelas, os homens saem da aldeia para caçar os animais que são servidos. Contudo, a festa não acontecerá neste ano.

O cacique Guajajara explica também que, como as queimadas afetam todo o ecossistema, acabam comprometendo, por exemplo, a oferta de animais para a caça, que tradicionalmente é servida como banquete na festa (um dos motivos de a festa ter sido cancelada).

Apesar da época seca do ano ser favorável à proliferação das queimadas, o cacique explica que a ação do homem é responsável por uma larga parcela da devastação. “Muito dos focos de incêndio já foram comprovados que acontecem propositadamente por invasores. Os criminosos, com essas atitudes, esperam que um dia possamos abandonar nosso território para que eles ocupem e, por fim, extraiam toda a nossa riqueza”, explica.

O território é considerado por esses povos como sagrado. Eles acreditam que ali ainda habitam seus ancestrais. “Nossa cultura se manifesta e se reproduz ali”, conta o cacique Guajajara, pedindo ajuda para as aldeias.

Fogo na terra indígena Krahô-kanela — Foto: Arquivo PessoalFogo na terra indígena Krahô-kanela — Foto: Arquivo Pessoal

Fogo na terra indígena Krahô-kanela — Foto: Arquivo Pessoal