Covid-19: Rui Costa anuncia nova prorrogação de suspensão das aulas, transporte e atividades com aglomeração



Rui Costa anuncia nova prorrogação de suspensão das aulas, transporte e atividades com aglomeração — Foto: Reprodução

Rui Costa anuncia nova prorrogação de suspensão das aulas, transporte e atividades com aglomeração — Foto: Reprodução

O governador Rui Costa prorrogou as medidas restritivas de combate à propagação da Covid-19, cujo decreto venceria nesta segunda-feira (6). Entre as determinações, estão mantidas a suspensão das aulas nas redes públicas e privadas e do transporte intermunicipal em 356 cidades baianas

A prorrogação prevê também que atividades que envolvem aglomeração de pessoas, como eventos esportivos, religiosos, shows, feiras, passeatas, aulas em academia de danças e ginástica, abertura e funcionamento de zoológicos, museus, teatros e outros também seguem suspensas.

Essas medidas foram anunciadas no dia 18 de março e passaram a ser prorrogadas à medida em que a Covid-19 avançava na Bahia. A prorrogação mais recente aconteceu em 16 de junho.Com o novo decreto, as atividades ficam interrompidas até o dia 12 de julho, podendo ser novamente prorrogadas.

Durante live na manhã desta segunda (6), o governador falou ainda sobre a orientação para que as pessoas que estão com sintomas procurem uma unidade médica.

“Lá no início havia orientação da OMS [Organização Mundial da Saúde] de só procurar unidade de saúde quando estivesse muito mal. Ao longo dos meses, a orientação mudou. A pessoa com sintoma deve procurar o médico. Procure imediatamente o médico. Queremos fazer a internação mais cedo, mesmo em leito de enfermaria, para evitar ir para a UTI”, avaliou o governador.

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60% dos estados monitoram acesso ao ensino remoto: resultados mostram ‘apagão’ do ensino público na pandemia


Após pouco mais 100 dias de suspensão das aulas presenciais pelo país para conter a pandemia do coronavírus, um levantamento do G1 junto às secretarias estaduais de educação aponta que 15 dos 25 estados que implantaram atividades à distância monitoram a adesão dos estudantes ao ensino remoto. Os índices mostram também que as aulas on-line não são acompanhadas por todos os alunos.

Isso significa que, apesar dos esforços das redes, parte dos estudantes pode não ter acesso à educação na pandemia. As razões são várias – e incluem falta de estrutura em casa, de computadores ou de conexão. A alternativa para os alunos é recorrer às atividades impressas ou à transmissão por outras mídias, como TV aberta ou via rádio. Nesses casos, também é difícil mensurar quantos estudantes estão efetivamente assistindo ao conteúdo.

Quase 4 meses após a suspensão das aulas presenciais, o balanço do G1 aponta que:

  • 25 estados e o DF implantaram aulas remotas: AC; AL; AM; AP; CE; ES; GO; MA; MG; MS; MT; PA; PB; PE; PI; PR; RJ; RN; RO; RR; RS; SC; SE; SP; e TO.
  • Na BA, não há aulas on-line, mas, sim, roteiros de estudo.
  • No PI, apenas 9% dos alunos da rede estadual de ensino assistem às aulas pela internet – 91% estão fora das plataformas on-line de educação.
  • Em RR e SP, mais da metade dos alunos não tem acesso aos conteúdos pelas plataformas digitais.
  • Em 5 estados, o ensino on-line não chega de 20% a até 25% dos estudantes.
  • Em 7 estados, o ensino on-line não chega a até 15%.

“Um resumo que pode ser feito é que foram meses de incertezas e improvisos imensos”, afirma Priscila Vieira, professora em Goiás.

Os dados não apenas revelam um “apagão” do ensino público na pandemia – eles acendem o alerta quando se observa que a maioria dos estados vai adotar as aulas remotas como equivalentes às aulas presenciais.

Na prática, isso quer dizer que as “horas de tela” vão contar como tempo em sala de aula no ano letivo. A medida está autorizada pelo Ministério da Educação (MEC) desde o início de junho.

Estudantes sem acesso ao ensino on-line, na rede estadual, em %
919155,3155,3154,354,325252525212120202020141412121010996,36,33311PIRRSPESPBMAAPRJGOALACMSSCMGPR020406080100
Fonte: Secretarias Estaduais de Educação

Por que é importante monitorar o ensino remoto?

“Monitorar o acesso às plataformas é muito importante. Quanto mais rápido você souber quem acessa as aulas e o que estão aprendendo, melhor será a adaptação do ensino”, afirma Ricardo Henriques, ex-secretário de Educação Continuada e Alfabetização do Ministério da Educação (MEC) e superintendente executivo do Instituto Unibanco.

Ainda assim, o monitoramento atual não descarta a necessidade de uma avaliação mais consistente quando for seguro voltar às aulas, afirma Henriques. Para ele, os dados mostram que a falta de acesso ao ensino remoto torna ainda mais visíveis as desigualdades na educação.

“Uma coisa é acessar a plataforma; outra é ter condições materiais de estudo – ter uma mesa, um espaço silencioso, bem iluminado, por exemplo”, explica.

“Como as diferenças entre alunos e escolas são estruturais, quanto mais longa for a exposição ao ensino remoto, maior será o aumento da desigualdade já existente, entre redes de ensino e dentro de uma mesma turma. É diferente ter acesso total em banda larga, em computador, ou um pedacinho do plano de dados do celular da mãe”, afirma Ricardo Henriques.

Aulas remotas equivalem às presenciais em 20 estados

O balanço do G1 aponta que 20 estados e o DF vão computar o ensino remoto como aula dada. Desses, pelo menos 8 não estão avaliando a aprendizagem:

  • 20 estados, além do DF, afirmam que as atividades vão valer como hora/aula: AC; AM; AP; CE; DF; ES; GO; MA; MG; MS; PB; PI; PR; RJ; RN; RO; RS; SC; SE; SP; e TO.
  • Em 2 estados – AL e PE – elas vão valer parcialmente como hora/aula.
  • 3 estados – BA, PA e MT – não vão contar as atividades remotas como hora/aula.
  • 1 estado – RR – ainda não definiu.
  • avaliação dos alunos está sendo feita em 16 estados e no DF: AC; AL; AM; AP; DF; ES; GO; MS; PA; PI; PR; RJ; RO; RS; SC; SE; e SP.
  • 10 estados não estão avaliando os estudantes: BA; CE; MA; MG; MT; PB; PE; RN; RR; e TO.

Aulas remotas não chegam a todos

Ainda assim, mesmo nos estados que declaram ter aulas remotas, nem sempre elas são ofertadas a todos ou estão acessíveis desde o fechamento das escolas.

Em Sergipe, essa modalidade foi implementada em 15 de junho; no Tocantins, em 29 de junho, mas somente para os estudantes do terceiro ano do ensino médio. No Rio Grande do Sul, as escolas da rede estadual estavam adotando o ensino remoto cada uma ao seu modo e, agora, o governo pretende unificar as iniciativas.

No Maranhão, 24% das escolas não têm atividades remotas. Entre os alunos das escolas com esse tipo de ensino, 21% não tinham acesso ao conteúdo.

A estudante maranhense Yasmine Schulz estuda em casa e afirma que não conseguiu se adaptar ao ensino à distância. — Foto: Arquivo pessoal

A estudante maranhense Yasmine Schulz estuda em casa e afirma que não conseguiu se adaptar ao ensino à distância. — Foto: Arquivo pessoal

“Não consegui me adaptar ao ensino à distância, porque nem todos os professores estão passando atividades. Não estamos tendo aula on-line, e fica complicado na hora de responder os simulados por causas dos conteúdos. E, na maioria das vezes, eu não tenho os recursos necessários para responder o simulado”, conta Yasmine Schulz, aluna do Liceu Maranhense, em São Luís.

A professora Priscila Vieira, citada no início desta reportagem, afirma que também precisou se adaptar.

“Tive de passar meu celular privado para os alunos tirarem dúvidas, que era algo que eu não fazia. A educação também se dá por afeto. Então, nesse período, fica mais difícil. Estamos tendo de aprender diariamente como dar a aula à distância. A gente está se reinventando”, disse.

Avaliação dos alunos no ensino remoto

A avaliação do ensino está sendo feita, na maioria dos estados, por meio de participação em atividades remotas, entrega de atividades impressas e online, interações nas aulas transmitida ao vivo e nos grupos organizados pelas escolas.

O balanço do G1 aponta que:

  • 16 estados, além do DF, afirmam estar avaliando os estudantes: AC; AL; AM; AP; DF; ES; GO; MS; PA; PI; PR; RJ; RS; RO; SC; SE; e SP.
  • 10 estados dizem que não estão avaliando a aprendizagem: RN, RR, MG, TO, BA, PB, MA, PE, MT, CE)

Em Santa Catarina, haverá a revisão de conteúdos quando as aulas voltarem, especialmente com quem não conseguiu acessar os materiais disponíveis. Enquanto o retorno não ocorre, as atividades remotas valem hora-aula e devem contar para o ano letivo de 2020. Na rede estadual, os alunos são avaliados pelas atividades entregues e de acordo com o planejamento dos professores.

No Maranhão, os alunos ainda não são avaliados – isso deve acontecer apenas no retorno das aulas presenciais, segundo o governo.

“Não posso recusar as tarefas daquele aluno pelo fato de ele não ter condições de fazer dentro de um horário por não ter o acesso a tecnologias”, relatou Alanda Alves, professora do ensino médio em Goiás.

‘Escala’ para usar internet

Quando o foco sai da escola e vai para dentro das casas dos alunos, as realidades de cada família também interferem no acesso ao conteúdo remoto.

Em São Paulo, Raquel Chaves teve de estabelecer turnos de estudo para que seus quatro filhos consigam acompanhar as aulas on-line.

A mais velha, de 17 anos, está no último ano do ensino médio e passou a assistir às aulas durante as madrugadas, para que os irmãos menores pudessem dividir o celular e o computador da família durante o dia.

“Nesta semana, eu pensei duas vezes: ‘Vou na loja e vou comprar um computador’. Mas eu vou me endividar, não posso fazer dívida agora com essa situação que a gente está vivendo. A gente não tem certeza de nada”, desabafa Raquel, que está sem renda desde que o restaurante em que ela trabalhava fechou, há três meses, e não abriu para delivery.

Salas de aulas virtuais esvaziadas

Em SC, após três meses de ensino remoto, a Secretaria de Educação do Estado notou uma diminuição na frequência de atividades e, por isso, lançou uma campanha para incentivar os alunos, famílias e até os professores na continuidade das tarefas.

No RJ, uma professora de Macaé conta que há pouca procura dos alunos no ambiente virtual. “Eu fico on-line na plataforma, preparo os materiais, seleciono textos, artigos, vídeos, preparo e coloco, mas o aluno não dá retorno.”

Da turma de 45 estudantes, apenas “dois ou três” estão on-line na hora da aula. “As atividades são postadas, são colocadas, mas o aluno não tem acesso”, conta.

O mesmo ocorre em Mogi das Cruzes (SP). O professor Everaldo Andrade afirma que é baixa a adesão no horário da manhã, em que ele trabalha.

“Eu me sinto um inútil, porque não consigo avançar. Os alunos se logam tarde da noite e querem tirar dúvida, mas o horário das minhas aulas é das 7h às 12h35, quando muitas vezes não tem ninguém on-line”, diz o professor.

“Está todo mundo confuso. A gente esperava dificuldade com equipamentos e tecnologia de pelo menos metade dos alunos, mas a outra metade tampouco está frequentando. E, da metade que se logou, 80% não entregam as atividades propostas”, afirma.

Sabrina Luz, mãe de um vestibulando do Rio, conta que as escolas tentam engajar os alunos, mas o resultado pode ser ainda mais excludente.

“As escolas estão dando nota para ‘incentivar’ os alunos a assistirem as aulas, mas isso é extremamente excludente. Meu filho diz que a metade dos alunos da turma dele não estão acompanhando nada. Eles nem têm internet, olham uma informação ou outra pelo celular dos pais. Ele diz que é impossível aprender matérias como matemática, por exemplo”, relata.

Para o professor de história e filosofia de SP Álvaro Dias, à medida que o número de alunos que assistem às aulas cai, a escola deixa cada vez mais de cumprir seu papel, e o ensino a distância se mostra cada vez menos inclusivo.

“Desde o começo do isolamento social e com o ensino remoto, a experiência do ensino à distância não conseguiu alcançar os resultados esperados e percebe-se um esvaziamento no processo. Seja pela falta de estrutura, pela falta de planejamento e de investimentos adequados em inovação tecnológica ou pelo excesso de atividades e conteúdos propostos. Os alunos têm demonstrando há um bom tempo desânimo, desinteresse, reduzindo drasticamente a participação nas plataformas do ensino remoto”, afirma.

 Com informações do G1

 

“A morte excita Bolsonaro. Ele não é diferente do país que o elegeu”, diz João Moreira Salles


João Moreira Salles e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/YouTube

João Moreira Salles é documentarista e editor fundador da revista Piauí. Ele escreveu um texto na publicação chamado “A morte e a morte” sobre “Jair Bolsonaro entre o gozo e o tédio” na pandemia de coronavírus.

Salles comenta sobre as reações do presidente nesse evento histórico com milhares de mortos.

Confira alguns trechos:

Quando as vítimas da pandemia passaram de 5 mil, no dia 28 de abril de 2020, Jair Bolsonaro foi a um estande de tiro. No dia em que chegamos aos 10 mil mortos, ele passeou de jet ski no Lago Paranoá. Na cerimônia em que concedeu a Ordem do Mérito Naval a Abraham Weintraub e Augusto Aras, o país havia superado os 25 mil óbitos. Dois dias depois ele andou a cavalo no meio de seus apoiadores. Dali a poucas horas, quase 30 mil brasileiros já não estariam vivos por causa da doença. O presidente desconfiou dos hospitais quando os registros contabilizaram 40 mil mortos: “Arranja uma maneira de entrar e filmar”, comandou. E no fim de semana em que a conta da nossa tragédia chegou a 50 mil vidas perdidas, ele ajudou Weintraub a enganar a imigração americana.

Variações do parágrafo acima vêm sendo publicadas a toda hora na imprensa. Seria impossível não reparar no óbvio: em nenhum momento da tragédia o presidente articulou uma frase de pesar verdadeiro. Não houve nem esforço de marketing político para demonstrar que se compadecia dos que estavam sofrendo. O presidente é honesto. Uma das frases mais sinceras da história política brasileira é a breve: “E daí?” Há muitas outras – “Eu não sou coveiro”, “Quer que eu faça o quê?”, “É o destino de cada um” –, mas nenhuma tem a concisão aforística de “E daí?”. Nenhum substantivo, nenhum adjetivo, nenhum verbo. Os mortos, os doentes, os que perderam pais, mães, filhos e amigos, os que diariamente vão para a linha de frente salvar vidas – uma locução adverbial de quatro letras dá conta de tudo que o presidente tem a lhes dizer.

(…)

Trump, aqui, não interessa. Entrou na história por ser o modelo de que Bolsonaro se pretende imitador. Gripezinha, vírus chinês, cloroquina – o presidente brasileiro não foi capaz sequer de inventar as próprias fábulas. A coisa é trazida de Washington e aqui piora um pouco mais, como a má tradução de um livro ruim. O que não significa que Bolsonaro seja apenas uma versão abastardada de Trump. Uma das diferenças entre os dois é que a ausência de empatia no norte-americano está associada ao solipsismo radical de seu narcisismo, ao passo que em Bolsonaro ela tem uma origem mais perigosa. É algo anterior a toda convenção, um impulso que corre por baixo, mais primitivo, mais perturbador, e que no entanto, quando se manifesta, parece lógico: a morte o excita.

Mais precisamente: certas formas de morrer o excitam, enquanto outras o deixam frio. Qualquer antologia das frases que notabilizaram Bolsonaro terá cheiro de sangue e morte. Estupro, tortura, fuzil, exterminou, morra, morrido, matando, pavor, Ustra. Essas são algumas palavras-chave que dão sentido às citações mais conhecidas do presidente. Sem elas, as frases se desfariam. É o sofrimento do outro que as organiza.

(…)

É isso. Em 1964, o poder foi tomado à força. Em 2018, 57,7 milhões de brasileiros sufragaram a versão piorada de um regime odioso. Outros 11 milhões anularam ou votaram em branco. No fim das contas, talvez fosse inevitável chegarmos a isso. Bolsonaro não é diferente do país que o elegeu. Não todo o Brasil, nem mesmo a maioria do Brasil (uma esperança), mas um pedaço significativo do Brasil é como Bolsonaro. Violento, racista, misógino, homofóbico, inculto, indiferente. Perverso.

Informação do DCM.

Advogado de Bolsonaro, Wassef promete “explodir todo mundo em rede nacional ao vivo”


Frederick Wassef

– O agitado Frederick Wassef, antes defensor de Flávio Bolsonaro e ainda advogado de Jair Bolsonaro, pretende conceder uma entrevista à TV para falar sobre a morte do miliciano Adriano da Nóbrega, conhecido como ‘Capitão Adriano’, executado pela polícia da Bahia dentro do sítio de um político do PSL. “Vou explodir todo mundo em rede nacional ao vivo. Poderosos políticos do Rio mandaram assassinar o Adriano. Tenho provas. Os mesmos que executaram o Adriano iriam executar o Fabrício Queiroz”, declarou Wassef, de acordo com interlocutores. A informação é da coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo.

O advogado inforrmou que ainda trabalha com Bolsonaro. “Tenho seis procurações assinadas, tudo o que fiz foi autorizado por ele. Sou advogado do presidente, sim”, afirmou.

Wassef revela também, através de diálogos com interlocutores, que falou com Bolsonaro no dia da prisão de Queiroz. “Não preciso mandar recado. Se eu quiser, ligo agora no celular e ele me atende”, afirmou o advogado, para mostrar que sua proximidade com Bolsonaro.

“Não dá para negar uma história que está registrada com tantas fotos e filmes. Fora aqueles que eu tenho comigo e que ninguém nem sonha e nem imagina. Está tudo guardado a sete chaves e mesmo se a bandidagem do Rio quiser fazer busca e apreensão não vai encontrar nada”, conclui Wassef.

Fonte deste matéria Brasil 247. Os comentários não serão de responsabilidade do Café com Leite.

Nassif: o ciclo da Lava Jato está chegando ao fim


Luis Nassif, Sérgio Moro e Deltan DallagnolLuis Nassif, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol (Foto: Divulgação)

O jornalista Luis Nassif aponta um declínio da Operação Lava Jato dentro e fora do País. “No Brasil, criou vários mitos de pés de barro”, afirma. “Na Suíça o ciclo também chega ao fim, com as investigações sobre o Procurador Geral Michael Lauber”, complementa.

“O ciclo da Lava Jato está a caminho do fim. Em dois países, a operação promoveu procuradores e lhes conferiu um poder quase absoluto – sustentado na opinião pública”, escreve o jornalista Luis Nassif em análise publicada no Jornal GGN. “No Brasil, criou vários mitos de pés de barro. Um a um estão tombando pelo caminho, começando pelo ex-Procurador Geral Rodrigo Janot, passando pelo ex-juiz Sérgio Moro e chegando aos procuradores de Curitiba que se deslumbraram com o poder adquirido”, complementou.

De acordo com o jornalista, “na Suíça o ciclo também chega ao fim, com as investigações sobre o Procurador Geral Michael Lauber”. “Lava uma grande pressão do governo Obama para a Suíça fechar sua lavanderia de dinheiro. Dois casos ajudaram na lavagem de imagem, a Lava Jato, especialmente as contas da Odebrecht, e a FIFA, também um escândalo brasileiro. Surando nas duas ondas, Lauber se tornou uma personalidade nacional”.
Com informação do 247.

A resposta de Suplicy a Bia Doria e seu vídeo asqueroso mostra por que ele é o político mais decente do Brasil


Suplicy

Eduardo Suplicy segue sendo, após décadas, um exemplo de político interessado no bem servir.

Mais do que isso, de homem. De decência.

Sua resposta cordata à carta seca e grosseira de Bia Doria mostra o contraste entre ele e a elite paulistana. 

O vídeo que Bia protagonizou ao lado de Val Marchiori, debochando de moradores de rua como grã-finas de anedota, é uma excrescência moral.

Cobrada por Supicy, ela quis saber dele “Quantas pessoas tirou da rua e deu dignidade?” O velho — sim, velho, com todo o respeito que o termo merece nesse caso — respondeu.

Eis o melhor candidato a prefeito de São Paulo que o PT esconde. 

Aqui a provocação de Bia Doria: 

Prezado Vereador Eduardo Suplicy,

Entendo sua posição e conheço sim o problema das pessoas em vulnerabilidade social e principalmente neste momento em pandemia.

Aqui no Fundo Social do Estado de São Paulo com todos os secretários do governo estamos trabalhando insanamente para dar dignidade e saúde a todos, principalmente aos vulneráveis que estão na rua.

Estou doando todo meu tempo, minhas energias para este trabalho, que contrariando o que senhor fala, conheço muito bem e sei o que estou fazendo.

E o senhor que tem salário, o que o senhor tem doado para essas pessoas?

Quantas pessoas tirou da rua e deu dignidade?

Quantas pessoas o senhor encaminhou para um trabalho digno?

Quantas casas o senhor conseguiu para essas pessoas?

BEATRIZ DORIA

________________________________________________________

E a resposta dele:

Prezada Senhora Beatriz Doria

Li na reportagem da agência G-1 que a Sra. pediu desculpas por suas declarações a respeito da população de rua que causaram desconforto para tantas pessoas e entidades, em especial aquelas que mais tem dado atenção aos moradores em situação de rua.

Tanto é que não apenas a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, mas também a da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, presidida pela Deputada Beth Sahão, a convidou para que tenha a oportunidade de ali prestar seus esclarecimentos e expor a respeito dos programas que a Rede Social de São Paulo tem feito para bem contribuir para superar os problemas desta população.

Note que a minha carta para a Senhora foi escrita em termos respeitosos, aliás como sempre agi com o Governador João Dória, em especial quando ele foi eleito prefeito e eu fui eleito o mais votado vereador da história de São Paulo e do Brasil. Tivemos um diálogo muito construtivo quando expliquei a ele os méritos das duas cooperativas de vendedores autônomos do Parque Ibirapuera.

Em março de 2017 ele me convidou para nos encontrarmos no parque para conversarmos com as presidentes das duas cooperativas para as quais ele garantiu que a sua gestão iria assegurar o bom funcionamento delas, o que perdura até hoje. Mesmo sendo de partido da oposição e formulador de severas críticas, como por exemplo, quando em maio de 2017, ele e o Governador Geraldo Alckmin, realizaram uma operação com 900 policiais para “acabar com a cracolândia”, com bombas e cassetetes, inteiramente frustrada, sempre nos tratamos com respeito e atitude de construção.

Aproveito a oportunidade para sugerir que a Senhora possa comparecer à reunião de ambas as comissões, da CMSP e da ALESP, em reunião virtual, para bem dialogar sobre quais os caminhos e soluções mais eficazes para resolver os problemas dessa população carente.

Avalio como importante que como Presidente do Fundo Social São Paulo saiba que na cidade de São Paulo, segundo o censo da FIPE-USP, havia cerca de 16 mil moradores de rua em São Paulo, metade dos quais entrando e saindo dos Centros de Acolhida. No Censo de dezembro de 2019, feito pela PMSP, registrou-se mais de 24 mil. Segundo o Cadastro Único, do Governo Federal, somavam mais de 33 mil.

Permita lhe responder suas indagações. Desde que ingressei na vida pública tenho procurado estudar, debater e aprofundar meu conhecimento sobre quais as melhores instrumentos para conseguirmos erradicar a pobreza, promover maior igualdade, liberdade real e dignidade para todos no Brasil e no planeta Terra.

E gostaria muito de conversar sobre quais os planos e ações do Fundo Social e trocar ideias sobre as proposições pela quais tanto dedico minha energia, como o desenvolvimento da economia solidária, do microcrédito e sobretudo a Renda Básica de Cidadania. Por esta razão lhe encaminhei cópia de palestra a respeito. Pode notar que na mesma há uma carta da Coordenação da População em Situação de Rua ao Presidente Jair Bolsonaro com um apelo para que logo seja implantada a Renda Básica de Cidadania.

Isto aconteceu depois que fiz uma palestra para cerca de 70 moradores de rua que avaliaram que será um instrumento muito positivo. Nestes dois meses de quarentena, trabalhando em casa, seguindo as recomendações das autoridades da saúde, já fiz 160 conversas ao vivo com pessoas de todo o Brasil, também de Portugal, Inglaterra e França que querem conversar comigo sobre a Renda Básica de Cidadania, Se desejar saber mais sobre o tema, pode contar comigo.

A senhora me pergunta se faço alguma doação. Esteja informado que nesta pandemia do coronavirus, com o meu voto, nós vereadores estamos doando parcela de nossos salários para os programas de combate á Covid-19 e para assistência à população pela PMSP. No meu caso, minha contribuição é de 45% de meu salário.

A senhora me pergunta quantas pessoas tenho ajudado. Convido-a para visitar o meu gabinete onde, em tempos normais da CMSP, é visitado diariamente por dezenas de paulistanos, muitos em situação de carência, em busca de soluções. Todos são ouvidos com atenção e, na medida do possível, encaminhados para a resolução de seus problemas. Costumo escrever cartas de apresentação sobre a história da pessoa a quem possa interessar, pois tenho por norma não solicitar emprego para o setor público ou privado.

Eu gostaria de lhe apresentar a Senhora Janaína Xavier, que está grávida de oito meses de seu nona criança, tendo ela mais 4 adotados, e que está para ser despejada de uma ocupação na Avenida Rio Branco. Estou fazendo um apelo ao proprietário do imóvel, onde estão cerca de 20 famílias, para que dê um prazo de pelo menos um mês para que ela encontre uma solução de moradia.

Gostaria de conversar também sobre a possibilidade de o Hospital que foi montado sobre cabanas, no Pacaembu, com 200 leitos, desativado no início desta semana, possa ser utilizada para acolher idosos e pessoas carentes em situação de rua neste inverno. Leio hoje na “Folha” que o Prefeito Bruno Covas está conversando com o Governador João Dória sobre a destinação mais adequada destas instalações, que custaram R$ 23 milhões, até que o Pacaembu volte a ser utilizado pelo futebol.

Na expectativa de que possa aceitar o convite de nossa comissão, ou até simultaneamente das duas, respeitosamente, peço que estenda meus cumprimentos ao Governador João Doria, com o abraço,

Vereador Eduardo Matarazzo Suplicy

Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da CMSP

Com informação do DCM

 

Coronavírus apresentou mutação em quase um terço dos casos coletados pela OMS


Imagem: IANS

Da agência Reuters

Quase um terço das amostras de Covid-19 mostram mutação, mas sem agravar doença, diz OMS

Quase 30% dos dados de sequenciamento genético de amostras do vírus da Covid-19 coletadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostraram sinais de mutação, mas não há evidências de que isso tenha causado doenças mais graves, disse uma alta funcionária da OMS na sexta-feira.

“Acho que isso é bastante disseminado”, disse Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, à Reuters, após entrevista realizado pela associação de jornalistas da ONU, em Genebra.

Até agora, a OMS coletou 60.000 amostras do vírus, disse.

A mutação genética do novo coronavírus, designada D614G, aumenta significativamente sua capacidade de infectar células e pode explicar por que os surtos no norte da Itália e em Nova York foram maiores do que os observados anteriormente em outros lugares, de acordo com os pesquisadores.

Maria Van Kerkhove, líder da área técnica da OMS para a pandemia de Covid-19, disse na entrevista desta sexta-feira que a cepa mutada foi identificada no início de fevereiro, e circulava na Europa e nas Américas.

“Até agora, não há evidências de que isso leve a doenças mais graves”, disse.

Situação complica para José Serra: ‘E agora josé’????


Senador José Serra é denunciado por lavagem de dinheiro - Vermelho

Da Coluna de Bernardo Mello Franco no Globo.

Demorou seis anos, mas aconteceu. Na sexta-feira, a Lava-Jato denunciou o primeiro figurão do PSDB de São Paulo. O senador José Serra foi acusado de receber propina da Odebrecht durante as obras do Rodoanel. Os repasses somaram R$ 191 milhões em valores atualizados, informou o Ministério Público Federal.

Os procuradores dizem ter identificado crimes de corrupção, fraude a licitação e formação de cartel. Como a investigação andou a passo de tartaruga, a maior parte das acusações prescreveu. Mesmo assim, Serra e a filha Verônica foram denunciados por lavagem de dinheiro transnacional.

(…)

Ex-prefeito, ex-governador e ex-ministro, Serra foi quase tudo, menos o que sempre quis ser. Chegou ao segundo turno de duas eleições presidenciais, mas foi derrotado por Lula e Dilma Rousseff. Sua derrocada abre um novo capítulo na história de declínio do PSDB. O partido passou incólume pela Lava-Jato enquanto pontificava na oposição. Consumado o impeachment, viu sua blindagem desmoronar.

Candidato ao Planalto em 2014, Aécio Neves escapou por pouco da cadeia. Os ex-governadores Beto Richa e Marconi Perillo não tiveram a mesma sorte. Até Eduardo Azeredo, precursor do valerioduto, acabou em cana. Ele havia se tornado um símbolo da impunidade: denunciado por crimes na campanha de 1998, conseguiu adiar por duas décadas o encontro com o xadrez.

(…)

Depois do massacre nas urnas, o que restou do partido caiu no colo de um preposto de João Doria. O governador de São Paulo sonha com o Planalto, mas esbarra na pecha de elitista. Há dois dias, sua mulher disse que não se deve doar marmita aos desabrigados porque eles “gostam de ficar na rua” e precisam “se conscientizar”.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não disfarça a antipatia pelo casal. Prefere inflar o balão de Luciano Huck, animador de auditório e aspirante a salvador da pátria.

O PSDB de Doria tem pouco a ver com o partido social-democrata de Covas, Montoro e FH. Para marcar a guinada à direita, o governador mudou até o logotipo da sigla. Saiu o tucano e entrou a bandeira verde e amarela, emblema dos seguidores do capitão. Ele ainda franqueou a legenda a dissidentes do bolsonarismo, como o deputado Alexandre Frota e o empresário Paulo Marinho.

(…)

Mais uma notícia triste: PM invade casa, atira em menino de 13 anos que dormia e diz: “Fiz merda”


Mizael Fernandes da Silva, 13 anos, foi morto dentro de casa enquanto dormia | Foto: Arquivo pessoal

Publicado originalmente pela Ponte Jornalismo:

Por Caê Vasconcellos

Veja vídeo no final da matéria: Mizael Fernandes da Silva, 13 anos, sonhava em ser vaqueiro. Há pouco tempo havia ganhado seu primeiro cavalo, mas não teve a chance sequer de se fotografado com ele. Na madrugada de quarta-feira (1/7), Mizael foi executado por policiais do Cotar (Comando Tático Rural), pertencente à Polícia Militar, dentro de casa, em Triângulo, no Chorozinho, região metropolitana de Fortaleza.

Em entrevista à Ponte, Lizangela Rodrigues Fernandes da Silva Nascimento, tia de Mizael, detalhou como foi a execução do menino. Ela conta que o sobrinho foi passar uns dias em sua casa para fazer um tratamento dermatológico. Tinha chegado no dia 30 de junho e depois voltaria para o interior, onde morava com o pai.

Assim que chegou em Triângulo, Mizael trocou as cascas de castanha que havia juntado para conseguir comprar seu primeiro celular. Pagou cerca de R$ 200 no aparelho. Estava animado, tirando fotos de si e da família.

Na noite anterior, Mizael foi dormir cedo, como era de costume, já que sempre acordava às 4h da manhã para ajudar o pai na pequena fazenda. Lizangela ficou assistindo televisão, acompanhada do marido, de dois filhos, um de 12 e um de 22 anos, e um tio.

“Mizael jantou, tomou o remédio do tratamento e foi para o quarto assistindo vídeo no YouTube no celular que ele tinha acabado de comprar. Às 19h30 passei pelo quarto e ele dormiu com o celular na mão. Continuamos assistindo TV”, relatou a tia.

A tia conta que nunca tranca a porta da sala da casa, apenas o portão. Por volta da 1h, ouviu alguém bater com muita força no portão. Imediatamente levantou e falou que já abriria abrir. “É a polícia”, ouviu de volta. Saiu, então, acompanhada por todos que estavam acordados.

“Quando estávamos na área, que é mais ou menos a 6 metros da sala, eles já foram tirando a gente de casa. Não imaginei que precisava acordar o Mizael, porque ele estava dormindo. Perguntei o que estava acontecendo e falaram ‘você sabe já’. Meu marido respondeu que não, não sabíamos”.

“Nisso a gente pensou que eles estavam fazendo alguma abordagem na rua e alguém poderia ter pulado no nosso quintal. Mas não foi. Eles expulsaram a gente de casa e mandaram a gente ficar na calçada”, narrou Lizangela.

Dois policiais entraram na casa, um mais alto e outro de média estatura. A tia falou que, se eles iriam revistar a casa, ela deveria entrar junto. O policial mais alto gritou “eu já não mandei você ficar lá fora, sua vagabunda?”, conta Lizangela. O policial menor disse que ela poderia entrar junto.

“Quando eu pisei na sala, eu só vi o clarão no quarto e o tiro. Aí eu falei ‘moço, você matou a criança que tava dormindo aí no quarto?’. O policial maior, que atirou, não respondeu e veio correndo, falando ‘fiz merda, fiz merda’. E me empurrou para fora. Mandaram a gente ficar mais afastado, mais ou menos 200 metros da minha casa”, descreveu.

O policial, então saiu da casa, e chamou mais três viaturas. “Ouvimos ele falando para uma das viaturas, que parecia ser um chefe dele, que ele tinha feito merda e que queria que eles colocassem outra pessoa no local, esse outro policial disse que era para ele limpar a merda dele. Três policiais ficaram apontando o fuzil para a gente na esquina da rua”.

“O policial que matou Mizael entrou de novo, limpou alguma coisa, tirou a colcha lilás da cama. Ele também levou o travesseiro e o telefone do Mizael. Até então a gente não sabia que o Mizael estava morto. Eu pensei que alguém tinha entrado no quarto e tinha matado esse bandido. Eles entraram e ficaram mais de 1 hora lá”, continuou.

“Embolaram o corpo do Mizael, igual um porco, e colocaram dentro da viatura. Voltaram e pegaram um pano que tinha dentro do carro para limpar o sangue. Não ficou nem um tiro de sangue no chão. Levaram o edredom da cama”, detalhou.

Depois de um tempo, os dois PMs chamaram Lizangela novamente. “O [policial] de média estatura perguntou se eu sabia da arma, que se encontrava com a pessoa, porque ele nem sabia o nome. Aí eu falei que na minha casa não tinha arma”, relata, destacando que o sobrinho não estava armado.

“Também disse que, mesmo que tivessem chamado ele, o que não aconteceu, ele não teria uma arma. O policial não disse nada, simplesmente atirou”, denunciou a tia.

Ela conta que pediu, junto com o marido, que os policiais mostrassem a arma. “Aí eles deram uma resposta brusca e não mostraram nada. Perguntei se eles tinham tirado foto dele segurando essa arma, porque se tinha uma arma deveriam ter feito isso. Entraram sem dar explicação, mataram sem dar explicação e acabou a história”.

Os policiais, então, foram embora em alta velocidade. Não disseram para os familiares para onde levariam o corpo de Mizael. A tia decidiu ligar para a Polícia Militar e contar o que aconteceu: que havia ocorrido um homicídio dentro da casa e que a vítima era seu sobrinho, que estava dormindo.

Os policiais chegaram e Lizangela conta que pediram para ver a cena do crime. “Perguntaram por que eles tinham levado o travesseiro e a colcha da cama. Perguntaram se eu tinha limpado lá e eu falei que só tava entrando agora com ele. Não acharam nenhum vestígio de bala”, relata.

Lizangela conta que, nesse momento, um dos PMs identificou que a cena do crime havia sido adulterada. “Eu nem sabia para onde tinham levado o Mizael. Eles foram para o Hospital de Chorozinho. Nisso eu já tinha ligado para minha mãe e minha irmã e elas foram para o hospital. O PM disse que tinha acontecido um erro e uma negligência, mas que eles, da Militar, não poderiam pagar por algo que não fizeram”.

A morte de Mizael causou diversas manifestações na região, com carreatas e queima de pneus. Em um dos atos por justiça para Mizael, um PM perguntou para a população se queriam que ele matasse mais um.

“Agora a polícia apareceu com uma arma, falaram que o Mizael já tinha feito vários homicídios, assaltos. Um menino medroso, que a gente falava que era o mais medroso da família. Mizael era uma criança muito carinhosa, brincalhona. Ele alegrava todo mundo quando chegava. Só brigávamos com ele para ele parar de ficar abraçando e beijando a gente o tempo todo”, lamentou a tia.

‘O assassinato do Mizael não é um caso isolado’

À Ponte, Ana Letícia Lins, pesquisadora da Rede de Observatórios da Segurança do Ceará, argumenta que, para entender a execução de Mizael, é preciso entender o panorama que o Ceará está vivendo. A pesquisadora menciona a nota pública do Fórum Popular de Segurança Pública do Ceará, que traz dados sobre a violência no estado.

A pesquisadora destaca que houve um aumento das mortes por intervenção policial no Ceará em 2020. “De janeiro a maio, tivemos 78 mortes por intervenção policial, esse número representa 57,3% do total de mortes por intervenção policial registrado em todo o ano de 2019”.

“Apesar do isolamento social, temos vivenciado essa crescente de homicídios. Os territórios, as comunidades, as periferias em Fortaleza, região metropolitana e interior continuaram vivenciando contextos muito graves de violência, tanto pelos grupos de facção quanto pelas forças estatais. Esses acontecimentos continuaram acontecendo em paralelo com a grave crise sanitária que vivemos”, explica Lins. Após publicidade continua a matéria.

 

Dos 1.880 assassinatos registrados de janeiro a maio de 2020, aponta a pesquisadora, 798 foram de adolescentes e jovens de 12 a 22 anos. “Esse número representa 42% do total de mortes violentas registradas durante esse período. O assassinado do Mizael não é um caso isolado”.

Lins lembra do assassinato de Juan Ferreira dos Santos, 14 anos, em setembro de 2019 quando estava dançando com amigos em uma praça no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza. “Na versão do PM, o tiro foi para o chão, mas a bala acertou na nuca do Juan. Esse caso não pode cair no esquecimento, essas mortes não podem sumir de vista”.

A pesquisadora lamenta que, no caso de Mizael, o local onde mais deveria ser seguro durante o isolamento social foi o cenário de sua morte.”Ver um adolescente assassinado enquanto dormia, por um agente público, torna tudo ainda mais inaceitável”, pontua a pesquisadora. “Isso não pode ser um incidente. Não foi um erro, não foi um ponto fora da curva, a polícia tem agido com truculência nas periferias e nas comunidades. Esse caso é um exemplo disso”, afirma.

Lins critica a atuação do governo de Camilo Santana que, segundo ela, tem adotado como política de segurança pública um investimento grandioso na militarização. “É um projeto de militarização das cidades, das comunidades, da vida das pessoas, com mais controle no espaço urbano. É por isso que esse caso não é uma exceção”, critica.

“Os assassinatos do Juan e do Mizael não geraram constrangimento do poder público. Você não tem um posicionamento público do governador. Não existe um constrangimento mesmo com o relato dos familiares. O que também não existe é uma comoção social em cima desses casos”, finaliza.

Outro lado

Segundo informações do jornal Diário do Nordeste, a polícia relatou que o adolescente estava armado e foi baleado por não obedecer a ordem para soltar o revólver. Os policiais da Cotar que estiveram na ocorrência informaram que estavam atrás de uma “pessoa responsável por vários crimes na região, como furto, homicídio e assaltos”.

De acordo com a polícia, eles teriam recebido informações da suposta localização do suspeito e, então, os agentes foram até a casa onde estava Mizael. Os agentes teriam, então, sido recebidos na porta por um casal e dois jovens que negaram haver mais alguém dentro do imóvel. Entretanto, ao entrar no local e realizar buscas, os PMs encontraram o adolescente com um revólver dentro do quarto.

Ainda de acordo como jornal local, a SSPDS (Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social) informou, por meio de nota, que Mizael Fernandes da Silva, sem antecedentes criminais, foi morto a tiros por intervenção da polícia e que inquérito foi instaurado na Delegacia Municipal de Eusébio, unidade plantonista, e transferido pra Chorozinho, que apura as circunstâncias do homicídio.

Ponte acionou as assessorias da SSPDS, da Polícia Civil e da Polícia Militar para questionar se havia mandado de busca para a ação, como o caso foi registrado na delegacia e se o caso está sendo investigado, mas não obteve retorno até o momento de publicação.

Fonte desta matéria, Diário do Centro do Mundo

Marido pede “mil desculpas” por feminicídio e depois apaga vídeo


Influenciadora digital é assassinada pelo marido com quem era casada há 10 anos.  Familiares da vítima lamentam e afirmam que ela estava recém-formada e em um ótimo momento profissional

Thayane Nunes da Silva feminicídio
Thayane Nunes da Silva

 

 

A arquiteta e influenciadora digital Thayane Nunes da Silva, de 28 anos, é mais uma vítima de feminicídio no Brasil. Ela foi assassinada pelo próprio marido, Gilton Santos Pinto. O crime ocorreu nesta quinta-feira (2) em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Após o feminicídio, Gilton publicou um vídeo nas redes sociais em que pede “mil desculpas pelo que aconteceu”. O conteúdo passou apenas alguns minutos no ar e foi removido.

“Gente, eu estou aqui pedindo mil desculpas pelo que aconteceu hoje, para depois não me julgarem, julgarem os meus familiares. Porque a vida, é, ninguém sabe o que se passa com um casal”, afirma Gilton no vídeo.

Thayane foi asfixiada dentro de casa. Moradores do prédio contam que ouviram gritos no apartamento. O homem fugiu do local depois de cometer o crime. Um prima da vítima contou para a Polícia Militar que estava no momento e viu o homem fugir.

A jovem havia se formado em Arquitetura no ano passado e estava em um excelente momento profissional, disseram amigos e parentes. “Meu Deus, inacreditável. Vá com Deus, Thay. Que os anjos te recebam. Será eterna na memória de todos”, publicou uma amiga.

Thayane tinha mais de 40 mil seguidores no Instagram e mostrava para eles uma rotina de casal apaixonado com o marido. Ela também exibia viagens e outra paixão: os exercícios físicos. Gilton postava frases de amor e sempre aparecia com a mulher.

Fuga

Enquanto fugia da polícia na Rodovia Rio-Santos, Gilton perdeu o controle do carro e provocou um acidente. Ele foi capturado e está internado no Hospital Geral da Japuíba sob custódia.

No acidente provocado por Gilton, sete pessoas ficaram feridas — duas crianças e cinco adultos.

O corpo de Thayane foi levado para o Instituto Médico Legal (IML). Testemunhas já foram ouvidas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que investiga o crime. Com informações do PragmatismoPolitico

Gilton Santos Pinto

 

Comitê científico recomenda lockdown em Salvador e mais três cidades do interior


Prefeito ACM Neto diz não concordar com orientação: ‘esforço feito para evitar’


O comitê científico do Consórcio Nordeste recomendou que seja adotado o lockdown em Salvador e mais três cidades do interior baiano: Feira de Santana, Itabuna e Teixeira de Freitas. A orientação foi divulgada no 9º boletim divulgado pelo grupo, montado para auxiliar os gestores da região na tomada de decisões sobre as ações de enfrentamento à crise decorrente do novo coronavírus.

Segundo o cientista Miguel Nicolelis, um dos coordenadores do grupo, a recomendação tem base nos estudos científicos realizados pelo comitê. “Usamos como base a grande sobrecarga do sistema de saúde, ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), e aumento no número de casos nos últimos dias”, explicou.

No caso de Salvador, o boletim apontou que a cidade continua a apresentar um crescimento significativo de casos nos últimos 14 dias (56%), mesmo com as medidas de bloqueio seletivo de bairros da cidade. “Nós estudamos Salvador por mais de um mês e observamos a ampliação do número de casos e óbitos na cidade, além de uma ocupação dos leitos de UTI em cerca de 80%, em todos o estado”, disse Nicolelis.

Para o cientista, a capital baiana vive um momento de aceleração no número de casos, que pode aumentar nos próximos dias. Atualmente, segundo o estudo, as infectados em Salvador duplicam a cada 16 dias, assim como já acontece em cidades que foram mais afetadas pela pandemia, como Fortaleza. “Portanto, vemos que Salvador já empatou com Fortaleza e superou outras cidades do Nordeste, como Recife e São Luís, que teve desaceleração dos casos nos últimos dias”, explicou Nicolelis, que definiu que a cidade vive “um momento crítico”.

Essa é a primeira vez que o comitê científico do Consórcio Nordeste recomenda o lockdown para a cidade de Salvador. O prefeito ACM Neto disse que não concorda com a orientação. “Essa recomendação não tem qualquer tipo de impacto ou força indicativa para a prefeitura. Eu não tenho buscado suporte desse consórcio, e sim de técnicos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Fiocruz, Universidade Federal da Bahia (Ufba) e trocamos experiência com outras prefeituras”, disse.

Neto destacou também que as decisões tomadas pela prefeitura possuem caráter técnico. “São decisões científicas. O esforço feito pela prefeitura foi justamente para evitar o lockdown. Nós fomos bastante criteriosos na hora de definir o que poderia fechar e o que poderia ficar aberto. Eu não considero que essa recomendação deva gerar preocupação na cidade”, explicou.

Para completar, o prefeito de Salvador salientou a importância das medidas de restrição atuais para evitar que seja determinado algo mais severo no futuro. “Se nós fizermos uma abertura inadequada e inoportuna, pode ser que haja uma explosão no número de casos e, depois, não tenhamos outra alternativa, a não ser decretar o lockdown. Essa medida jamais foi descartada, mas nunca foi considerada como prioridade da prefeitura”, concluiu.

Interior  
No caso das três cidades do interior baiano, Feira de Santana, Teixeira de Freitas e Itabuna, a recomendação do lockdown tem como base critérios semelhantes aos adotados na análise da capital, com o acréscimo do fluxo rodoviário intenso. “É o que acontece em Feira de Santana e Teixeira de Freitas. São dois casos típicos de cidades que ficam no centro de rodovias movimentadas, o que pode aumentar a quantidade de casos no local”, disse Miguel Nicolelis.

Por esta razão, o comitê recomenda no boletim que a BR-324, que liga Salvador a Feira de Santana, passe a ser considerada como alvo principal para instalação de barreiras sanitárias e possível bloqueio intermitente de tráfego de carros particulares e ônibus intermunicipais. Como isso, seria mantido apenas o tráfego de transporte de carga essencial e de pacientes.

Para o grupo, essa decisão vai reduzir a transmissão de casos de Salvador para o interior do estado. No entanto, com a interiorização da pandemia, os cientistas estão observando que um novo fenômeno pode acontecer, o chamado “efeito bumerangue”. “Nós observamos que a covid-19, de modo geral, começou no litoral e capitais do Nordeste. Depois, foi para o interior. Agora, os casos do interior voltam para as capitais, através do sistema de saúde”, explicou Nicolelis.

Acontece que o aumento de casos no interior dos estados resulta num fluxo de pacientes em estado grave transferidos para as capitais dos estados, uma vez que estas são as que dispõem de maior infraestrutura hospitalar adequada. Com isso, uma verdadeira avalanche de casos graves, advindos do interior, podem sobrecargar os sistemas hospitalares das capitais, ameaçando-os com um colapso em um intervalo de tempo muito curto, segundo o estudo.

O CORREIO procurou as três cidades do interior citadas pelo estudo, mas nenhuma delas quis se pronunciar. Em Itabuna, município definido pelo comitê como “risco de surto da covid-19”, o prefeito Fernando Gomes anunciou a abertura do comércio na próxima quinta-feira (9). “Abre dia 9, morra quem morrer”, disse o gestor, na ocasião do anuncio.

A declaração repercutiu nacionalmente e o prefeito, depois de dizer que foi mal interpretado, pediu desculpas à população pela declaração feita. “O que nós, cientistas, fazemos, é divulgar informações e, assim, mostramos como o prefeito está errado. Temos convicção de que o prefeito de Itabuna está errando em sua decisão e isso vai causar danos para a cidade”, alertou o também coordenador do comitê científico do Consórcio Nordeste, Sérgio Rezende, que foi ministro de Ciência e Tecnologia no segundo mandato do governo Lula.

Em Itabuna, há ocupação de 100% dos leitos de UTI para tratamento de covid-19.

* Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

 

Vídeo: Bia Doria e Val Marchiori chocam internet ao afirmar que pessoas gostam de morar nas ruas


“Não é correto chegar na pessoa que está na rua e dar marmita, porque a pessoa tem que se conscientizar que ela tem que sair da rua”, disse a primeira-dama de São Paulo

 

A primeira-dama do estado de São Paulo, Bia Doria, chocou a internet, na manhã desta sexta-feira (3), ao afirmar que mendigo escolheu ficar na rua por “capricho”: “Não é correto chegar na pessoa que está na rua e dar marmita, porque a pessoa tem que se conscientizar que ela tem que sair da rua”.

Bia Doria, que é presidente do Fundo Social de São Paulo, disse ainda que “a rua hoje é um atrativo, as pessoas gostam de ficar na rua”. Ela apareceu em um vídeo ao lado da socialite Val Marchiori, que corroborou com as afirmações da primeira-dama.

“Elas não querem sair da rua porque no abrigo têm horário pra entrar, têm responsabilidades, limpeza e eles não querem, né?”, afirmou Marchiori.

“Ela quer receber. Ela quer a comida, quer a roupa, quer uma ajuda e não quer ter responsabilidade e isso está muito errado, porque se a gente quer viver num país onde todos têm suas responsabilidades”, afirmou a primeira-dama, interrompida por Marchiori: “é, nós temos, é nossas contas. Todo mundo tem suas responsabilidades”.

Veja o vídeo abaixo:

 

Fonte Revista Fórum.

00:00/00:40revistaforum

Em reunião secreta com delator da Odebrecht, Serra chorou e pediu para ser poupado


Denunciado pela Operação Lava Jato, o senador José Serra (PSDB-SP) marcou em 2016 um encontro com integrantes da Odebrecht e pediu para ser poupado das delações. Até chorou, mas não teve jeito

José Serra
José Serra (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

De acordo as matérias que circulam nos sites do Brasil, dentre eles o 247, que é fonte desta matéria, Alvo de uma denúncia da Operação Lava Jato, o senador José Serra (PSDB-SP) marcou em 2016 um encontro com um dos delatores da Odebrecht, que prometia entregar aos investigadores fatos ilegais envolvendo o ex-governador e sua filha, Verônica. A reunião secreta aconteceu na casa de um funcionário do parlamentar, em uma comunidade, em São Paulo.

De acordo com informações da coluna de Bela Megali, o tucano chorou, desesperou-se e pediu para ser poupado. Mas foi delatado nas investigações.

A denúncia da Lava Jato apontou que, entre 2006 e 2007, o tucano usou seu cargo para receber da Odebrecht pagamentos indevidos em troca de benefícios nas obras do Rodoanel Sul.

 

Novo ministro da Educação, Feder defendeu fim do MEC e privatização total do ensino


Renato Feder, que antes do MEC comandava a Secretaria de Educação do Paraná, já defendeu a extinção da pasta e a privatização de todo o ensino público, a começar pelas universidades

Renato Feder e Jair Bolsonaro
Renato Feder e Jair Bolsonaro (Foto: Geraldo Bubniak/ANPr | Isac Nóbrega/PR)

Novo ministro da Educação, Renato Feder, 41, já defendeu a extinção da pasta e a privatização de todo o ensino público, a começar pelas universidades. A proposta, que incluía a concessão de vouchers para as famílias matricularem os filhos em escolas privadas, está no livro Carregando o Elefante – como transformar o Brasil no país mais rico do mundo, de 2007. A reportagem é do jornal Folha de S.Paulo.

A publicação é um compilado de críticas e sugestões para as diversas áreas da administração pública brasileira, idealizadas por Feder e seu antigo colega de trabalho, Alexandre Ostrowiecki. Quando assumiu a secretaria de educação do Paraná, porém, ele afirmou que mudou de ideia sobre opiniões apresentadas no livro, incluindo a de privatização do ensino.

Segundo a reportagem, para os autores, deveriam ser mantidos apenas oito ministérios e as funções das pastas da saúde e educação deveriam ser transferidas para agências reguladoras. “Muitos ministros acabam não conseguindo nem falar com o presidente e assumem papel decorativo”, afirmam.

Eles sugerem a privatização de todo o ensino, com a implantação do sistema de vouchers, em que famílias receberiam uma espécie de cupom com o qual matriculam os filhos em uma escolar particular, informa a reportagem.

Vale lembrar que esse é o quarto ministro da Educação no Governo Bolsonaro. Com informação do 274

 

PT vai ingressar com 3 ações contra procuradores da Lava Jato


Bandeira do PT; Procuradores da força-tarefa da Lava Jato reunidos, com Roberson Pozzobon e Deltan Dallagnol à frente (Foto: Lula Marques | Reprodução/Facebook)
O PT vai ingressar com três pedidos de investigação contra os procuradores que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba. Segundo reportagem do blog da jornalista Mônica Bergamo, o partido afirma que os procuradores agiram “de modo absolutamente ilegal, desrespeitando a autoridade central do Ministério da Justiça, para promover uma persecução penal direcionada e criminosa”.As ações tratam da cooperação ilegal envolvendo a troca de informações com agentes norte-americanos do FBI, além da denúncia de compras de equipamentos para a realização de captação ilegal de ligações telefônicas.

A reportagem destaca que estão previstas uma notícia-crime encaminhada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de “prevaricação, abuso de autoridade e condescendência criminosa”, além de uma ação civil pública e uma representação pedindo que seja aberto um processo ético e disciplinar junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Com informação do 247