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Analista do TRF-3 é um dos homens que agrediram apoiadora de Lula na Paulista. Por Donato


Enquanto isso, como diz a música do Roberto Carlos, a policial ao lado “assistia tudo, não dizia nada”.
Jaderson é o que aparece usando óculos, ao centro da imagem (Foto: Jardiel Carvalho)

Oriundo de Nanuque (MG), Jaderson Soares Santana é formado em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz.

Tem mestrado em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP (onde hoje faz doutorado). Especialista em José Saramago.

É analista judiciário do TRF-3.

No último domingo, Jaderson envolveu-se na agressão cometida contra um casal na avenida Paulista. O casal participava do ato pela liberdade de Lula e Jaderson estava com a turma contrária.

O rapaz foi jogado ao chão e a moça, cercada por três homens, levou uma gravata. A foto estampou a primeira página de diversos jornais no dia de hoje e causou revolta nas redes sociais.

O currículo de Jaderson não induz a classificá-lo como desinformado classe média padrão. Seu perfil no Facebook, entretanto, revela sua face conservadora e liberal.

“Na casa que tem um socialista morando, pode ter certeza tem um capitalista trabalhando para pagar as contas”, postou.

Seguidor de Felipe Moura Brasil, da Jovem Pan, e do MBL, Jaderson compartilha com a hashtag ‘bolsonarotemrazão’ e replica posts que afirmam não ter sido golpe o que houve em 1964.

Com ironia, pergunta onde estão os artistas engajados de discurso esquerdista após condenação de Haddad por fake news.

Curioso esse comportamento de imputar penalidades prévias para os outros quando o seu próprio delito está documentado, gravado, fotografado. Jaderson Santana é mais um exemplo da contradição dos simpatizantes da Nova Era.

Ainda que se mostre tocado pelo massacre em Suzano, compartilhou um post no dia 14 março (da República de Curitiba) fazendo troça com a morte de Marielle Franco.

Um dia antes ele havia partilhado um outro em que zombava das suspeitas sobre o vizinho de Bolsonaro ser um dos acusados do crime.  Quase ao mesmo tempo postou outro com petistas em fotos ao lado de um traficante de modo a comprometê-los.

O homem de camiseta azul é extremamente semelhante ao companheiro de Jaderson, mas não é possível identificar com certeza já que está de lado na foto e o vídeo não possui definição suficiente.

Em 30 de março, Jaderson postou que considera sucesso “ver seus filhos crescerem pessoas boas”. Mas sete dias depois ele protagoniza uma incivilidade dessas.

Quando o tal “cidadão de bem” será coerente em suas atitudes com o “bem”? Fonte DCM.,

 

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Moro propôs ações “inconstitucionais, inadequadas e inoportunas”, diz Conselho da OAB


O Conselho Federal da OAB reuniu estudos e pareceres de advogados, professores criminalistas, institutos especializados e aprovou, por “unanimidade”, oposição a vários pontos do pacote anticrime apresentado ao Congresso pelo ministro da Justiça, Sergio Moro.

Entre os destaques das propostas rejeitadas estão: execução antecipada da pena, execução antecipada das decisões do Tribunal do Júri, modificações nos embargos infringentes, mudanças no instituto da legítima defesa, em especial aos agentes de segurança pública, alterações no regime da prescrição, mudanças no regime de cumprimento de pena, mudanças em relação ao crime de resistência, criação do confisco alargado, acordo penal (plea bargain) e interceptação de advogados em parlatório.

“O Conselho, com base nos amplos estudos que recebeu, considerou as propostas inconstitucionais, inadequadas e inoportunas, sugerindo alternativas ao enfrentamento da criminalidade e da corrupção.”

Em relação a outros temas, foi recomendado o debate aprofundado na Câmara dos Deputados e Senado Federal, em conjunto com outros projetos já em tramitação, em especial o Novo Código de Processo Penal. “A ideia é que o Poder Legislativo promova um amplo debate nacional prévio à votação dos projetos de lei, em razão da importância social e repercussão jurídica das matérias.” GGN.

Datafolha: Bolsonaro tem pior avaliação de um presidente com 3 meses de mandato


Presidente Jair Bolsonaro tem a pior avaliação para um presidente em primeiro mandato em seus três meses iniciais de governo desde a redemocratização do país. Números do Datafolha mostram a aprovação do mandatário em queda livre

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Jair Messias Bolsonaro (Imagem: Marcos Corrêa | PR)

O presidente Jair Bolsonaro tem a pior avaliação para um presidente em primeiro mandato em seus três meses iniciais de governo desde a redemocratização do país, em 1985, aponta pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo neste domingo (7). Ele completa 100 dias de gestão na próxima quarta-feira (10).

Segundo o instituto, 30% dos brasileiros consideram o novo governo ruim ou péssimo, índice semelhante ao daqueles que consideram ótimo ou bom (32%) ou regular (33%). Não souberam opinar 4% dos entrevistados. A maioria das pessoas ouvidas, porém, ainda acredita que ele fará uma gestão boa ou ótima (59%).

O instituto ouviu 2.086 pessoas com mais de 16 anos em 130 municípios nos dias 2 e 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A pior avaliação de um presidente eleito em começo de mandato até então era de Fernando Collor (no PRN à época), reprovado por 19% em 1990. Naquele momento ele já vivia o desgaste popular com o confisco da poupança, primeira medida anunciada por seu governo. Em 1995, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tinha a desaprovação de 16%.

Em seus três meses iniciais, em seus primeiros mandatos, os petistas Lula e Dilma tinham 10% e 7%, respectivamente, de rejeição popular. Considerando-se apenas os três primeiros meses de mandato, Dilma é a mais bem avaliada entre todos os presidentes. Ela alcançou 47% de índices ótimo e bom.

O instituto não comparou os percentuais obtidos pelos presidentes em segundo mandato por considerar que, àquela altura, eles já acumulavam a avaliação dos quatro anos anteriores.

Desde a véspera da posse, caiu 14 pontos percentuais o índice daqueles que esperavam que Bolsonaro faça um governo ótimo ou bom. Antes de assumir o mandato, 65% dos eleitores tinham essa expectativa. Para 17%, seria regular e 12%, ruim ou péssimo. Agora, a expectativa é positiva para 59%, mediana para 16% e negativa para 23%.

Conforme mostrou pesquisa do Painel do Poder, ferramenta do Congresso em Foco, o presidente recebeu nota 2,5 – em uma escala que vai de 0 a 5 – dos parlamentares mais influentes da Câmara e do Senado. A nota pessoal dele foi inferior à de seu vice, Hamilton Mourão (2,9). A mesma percepção é captada pelo Datafolha em relação ao eleitorado em geral. De acordo com o instituto, 18% consideram o desempenho de Mourão ruim ou péssimo, ante os 30% de rejeição ao atual presidente.

Os números do Datafolha estão em sintonia com os trazidos pelo Ibope em 20 de março, que também o apontou como o presidente pior avaliado nos primeiros meses de mandato. Conforme o Ibope, caiu de 49%, em janeiro, para 34%, em março, o índice dos brasileiros que consideram a gestão Bolsonaro boa ou ótima. É como se o presidente tivesse perdido a aprovação de três em cada dez apoiadores desde que assumiu o mandato. Em fevereiro esse percentual estava em 39%. Conforme o Ibope, em março, 24% dos entrevistados avaliavam como ruim ou péssimo o atual governo. Outros 34% o consideravam regular e 8% não responderam.

Bolsonaro tenta superar a crise político com o Congresso, onde ainda não formou uma base parlamentar e enfrenta dificuldades para votar a reforma da Previdência, principal aposta de seu governo. Também convive com suspeitas de irregularidades e envolvimento com milicianos contra seu filho Flávio, senador pelo PSL do Rio de Janeiro, o desgaste provocado pelas denúncias de uso de candidatas laranjas pelo seu partido, a crise no Ministério da Educação e a disputa interna entre militares e seguidores do escritor Olavo de Carvalho. Além disso, a economia segue em ritmo lento, e a taxa de desemprego subiu em relação ao trimestre passado e já está em 12,4%.

Segundo o Datafolha, 61% dos entrevistados consideram que Bolsonaro fez menos do que se esperava dele até agora. Para 13%, ele fez mais. Outros 22% avaliam que ele fez o que era esperado. Pessoas mais pobres e menos escolarizadas predominam entre as mais descontentes. A aprovação de Bolsonaro é maior entre os homens (38%) do que entre as mulheres (28%).

O comportamento do presidente, que se envolveu em polêmicas como a divulgação de um vídeo pornográfico para criticar o que seriam abusos nas ruas durante o Carnaval, é avaliado como correto por 27% dos ouvidos. Por outro lado, 20% pensam que na maioria das vezes ele age de maneira inadequada, e 23% dizem que ele nunca se comporta como o cargo exige. Outros 27% entendem que Bolsonaro na maioria das vezes se posiciona de forma adequada, mas às vezes não.

De acordo com o Datafolha, os entrevistados que ganham mais de dez salários mínimos e os que têm curso superior registram numericamente também a maior taxa de rejeição ao governo até aqui. Consideram a gestão ruim ou péssima 37% e 35% deles, respectivamente. O presidente se elegeu com folga nesses segmentos.

Esses grupos também registram a maior aprovação, 41% (empatada tecnicamente com os 43% dos que ganham de cinco a dez salários mínimos) e 36% de ótimo/bom (empatada tecnicamente com os 33% de quem tem ensino médio), indicando assim uma polarização entre o eleitor mais elitizado. Já os mais pobres (até dois salários mínimos) são os menos contentes, com 26% de ótimo e bom.

A pesquisa mostra que 42% dos evangélicos aprovam o governo Bolsonaro até aqui. O índice cai a 27% entre católicos (50% dos brasileiros). O presidente teve apoio maciço da população evangélica em sua eleição. Brancos são os que mais aprovam Bolsonaro (39%), enquanto pretos e pardos são os que mais desaprovam (29% para cada um dos grupos).

O Sul, que deu mais votos a Bolsonaro em outubro, ainda dá o maior índice de aprovação ao presidente: 39% (empatado com os 38% do Centro-Oeste/Norte), contra 22% de desaprovação. Segundo o Datafolha, o Nordeste é a região que mais rejeita o governo, com 39% de ruim/péssimo e 24% de ótimo/bom. Também lá existe a menor expectativa positiva: 50%.

Projeto vai prever mais pontos para motorista perder carteira de habilitação, diz ministro


Por Laís Lis, G1 — Brasília

Projeto vai prever mais pontos para motorista perder carteira de habilitação, diz ministro

Projeto vai prever mais pontos para motorista perder carteira de habilitação, diz ministro

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, afirmou nesta segunda-feira (8) que o ministério enviará ainda nesta semana para o Palácio do Planalto uma proposta de projeto de lei que prevê o aumento do prazo de validade da carteira de motorista (atualmente de cinco anos) e também da quantidade de pontos pela qual o motorista perde a habilitação em caso de acúmulo de infrações.

O ministro não detalhou o projeto, mas disse que, além de aumentar a pontuação para a suspensão da carteira, a proposta também acelerará o processo de suspensão em casos de infrações mais graves, como dirigir sob o efeito de álcool.

“A questão da prorrogação e mais um conjunto de questões, como a alteração na pontuação para perda de habilitação depende de lei. Já está pronto e será enviado para o Planalto ainda esta semana”, disse.

Atualmente, o motorista pode ter a carteira suspensa se acumular, ao longo de 12 meses, 20 ou mais pontos. Esses pontos são acumulados de acordo com as infrações cometidas no trânsito.

O projeto também vai tornar mais ágil, disse o ministro, a suspensão da habilitação em casos de infrações muito graves, como dirigir sob o efeito de álcool.

Renovação da carteira

A ampliação do prazo de validade da carteira de motorista já havia sido anunciada em fevereiro pelo presidente Jair Bolsonaro.

Na época, o presidente afirmou que a medida integraria uma série de medidas de ‘desburocratização e economia’ para o trânsito. Atualmente, a CNH tem validade de cinco anos.

Segundo o ministro Tarcísio Freitas, não existe razão para justificar a necessidade de renovação a cada cinco anos. Também sem dar detalhes, ele afirmou que há outros procedimentos que precisam ser alterados.

O ministro afirmou que outras medidas ainda serão tomadas, como o fim da obrigatoriedade do uso de simuladores como condição para se requisitar a carteira de motorista, dependem de resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Feira de Santana é a 14ª cidade mais violenta do mundo, aponta ONG


No topo do ranking, a cidade mexicana de Tijuana foi considerada a mais violenta do mundo

[Feira de Santana é a 14ª cidade mais violenta do mundo, aponta ONG]

Feira de Santana aparece na 14ª posição como cidade mais violenta do mundo. De acordo com a  revista Exame, o ranking foi divulgado pela organização Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal do México. Os dados utilizados no levantamento são do ano passado.

A ONG mexicana ainda apontou que a segunda mais populosa cidade da Bahia registrou 63,29 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Na mesma lista, Vitória da Conquista, terceira maior cidade baiana, ficou na 22ª colocação com 50,75 homicídios por 100 mil habitantes. A capital baiana, Salvador, está na 29ª posição com 47,23 homicídios por 100 mil habitantes. No mesmo estudo, a cidade brasileira mais violenta é Natal, capital do Rio Grande do Norte, que aparece em 8° lugar, com 74,67 homicídios por 100 mil habitantes.

No topo do ranking, a cidade mexicana de Tijuana foi considerada a mais violenta do mundo, com taxa de 138,26 homicídios para cada 100 mil habitantes. Metrô 1.

 

Viúva de músico morto pelo Exército diz que militares riram após dar 80 tiros no carro da família


“Eles debocharam o tempo todo. Vocês não sabem o que estou sentindo, não desejo isso para ninguém”, disse Luciana Oliveira, que perdeu o marido, Evaldo dos Santos, neste domingo.

Facebook / Reprodução

 

Luciana Oliveira, enfermeira que perdeu o marido, o músico Evaldo Rosa dos Santos, 46, neste domingo (7), após o carro da família ser alvejado por 80 tiros de uma equipe do Exército, disse que os militares deram risadas depois de fuzilar o veículo. O caso aconteceu em Guadalupe, zona norte do Rio de Janeiro.

— Eles riram. Chamei eles de assassinos e eles riram. Debocharam. Essas pessoas têm que pagar, principalmente pelo deboche. Eles debocharam o tempo todo. Vocês não sabem o que estou sentindo, não desejo isso para ninguém — disse Luciana.

A enfermeira afirmou que a ação dos militares foi repentina. A família ia para o chá de bebê de uma amiga.

— Não teve confronto nenhum. Estávamos cantando e escutamos um estilhaço. O sangue espirrou em mim. Meu filho não sabe e está perguntando do pai — disse Luciana.

Cunhado de Evaldo, Leandro Rodrigues ainda disse que o músico conseguiu salvar a família após ser atingido por um tiro nas costas.

Pelo que fiquei sabendo, eles tinham ordem para atirar em um carro branco

LEANDRO RODRIGUES

Cunhado de Evaldo dos Santos

— Ele sentiu o tiro por trás e ainda conseguiu virar o carro, para salvar o David e a família, que estavam no banco de trás — afirmou o cunhado, que estava com o laudo feito pelo Instituto Médico Legal nesta segunda-feira (8).

Leandro disse que estava em casa por volta de 16h quando ficou sabendo da tragédia, que ocorreu por volta de 14h.

— Vi pela internet. Pelo que fiquei sabendo, eles tinham ordem para atirar em um carro branco — apontou.

Luciana e David conseguiram escapar do tiroteio, que continuou após um homem tentar socorrer Evaldo, segundo a enfermeira. Uma amiga da família também estava no veículo e se salvou.

— Um moço veio socorrer e deram tiros nele. Deram muitos tiros. Vieram ao nosso encontro. Meu marido não era bandido. Esperaram a gente passar e começaram a atirar. Abrimos a porta, meu padrasto foi socorrer e atiraram mais — disse o cunhado.

— Nós vimos eles (militares) antes. A polícia e os militares têm que proteger, como vão fazer isso? O que eu vou falar para o Davi? Perdi o pai do meu filho, por quem devia proteger a gente — afirmou. Fonte GAUCHAZH.

Bolsonaro sempre dificultando o acesso do brasileiro à informação


Da coluna de Cristina Tardáguia, na Época:

O que se pergunta é se o pai, hoje presidente da República, não sabia dessas transações do seu filho?

(…) infelizmente, a prática de excluir parte relevante da imprensa de declarações oficiais se tornou rotineira. Na última semana de março, por exemplo, em plena troca de farpas com o presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), Bolsonaro impediu que jornalistas de TV Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo, Valor, CBN, GloboNews e UOL participassem de sua entrevista coletiva. Nunca explicou as razões de sua linha de corte. Os vídeos que vieram a público foram emitidos apenas pela NBR , emissora oficial do governo federal.

Em 18 de fevereiro, o alerta número dois se fez presente. Desapareceu do site que abriga a Sala de Apoio à Gestão Estratégica (SAGE) do Ministério da Saúde – um espaço que há anos oferece de forma clara e eficiente uma porção de dados públicos sobre diversos programas mantidos da pasta – o link de acesso direto a mapas e planilhas do Mais Médicos. O colunista Guilherme Amado, da ÉPOCA , registrou o sumiço dos dados no dia seguinte, em uma nota. Na última quarta-feira, retomou o assunto , numa longa coluna. Constatou, estarrecido, que nada foi feito desde então.

Foi nessa mesma semana que o terceiro — e mais grave — alerta se deu. Em entrevista concedida ao Jornal da Record no dia 1º de abril, Jair Bolsonaro disparou gravemente contra a credibilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disse que a taxa de desemprego medida pela entidade “é uma coisa que não mede a realidade.” DCM.

 

ABRAHAM WEINTRAUB FOI MAIS UMA INDICAÇÃO DE OLAVO DE CARVALHO


Pra muita gente, trocou seis por meia dúzia

Nome do novo ministro da Educação, sucessor de Ricardo Vélez Rodríguez, que foi indicado por Olavo de Carvalho, também teria sido chancelado pelo escritor e autointitulado filósofo; segundo a jornalista Julia Chaib, o substituto estava em uma lista com outros dois indicados pelo ideólogo; além das novas orientações, Olavo pediu que seus alunos fossem realocados na pasta

O novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, também teria sido uma indicação de Olavo de Carvalho, ideólogo do governo Bolsonaro, a exemplo do antecessor, Ricardo Vélez Rodríguez, cuja demissão foi anunciada nesta segunda-feira 8. A informação é da jornalista Julia Chaib, da Folha de S.Paulo.

Segundo ela, o nome do economista foi levado ao presidente em uma lista com outros dois discípulos do escritor. Olavo teria exigido ainda, além de uma das nomeações indicadas por ele, a realocação de alunos seus no Ministério da Educação.

O substituto é tão obscurantista quanto o recém-demitido, autor de discursos contra o chamado “marxismo cultural” nas escolas e a “ameaça comunista” no Brasil. No entanto, para Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia, ele não pode ser reduzido a um ‘olavista’, por ter trajetória no mercado financeiro. Fonte 247.

Dez militares são presos após ação do Exército que fuzilou carro de família no Rio com mais de 80 tiros


Por G1 Rio

O músico Evaldo dos Santos Rosa morreu na hora, baleado em ação do Exército em Guadalupe. O carro pode ter sido confundido. — Foto: Reprodução/Facebook

O músico Evaldo dos Santos Rosa morreu na hora, baleado em ação do Exército em Guadalupe. O carro pode ter sido confundido. — Foto: Reprodução/Facebook

O Comando Militar do Leste (CML) informou, na manhã desta segunda-feira (8), que prendeu dez dos 12 militares ouvidos após a ação do Exército que matou o músico Evaldo dos Santos Rosa em Guadalupe, na Zona Norte do Rio, na véspera.

O carro onde estava o artista e a família foi fuzilado com mais de 80 tiros. A Polícia Civil diz que “tudo indica” que o veículo foi confundido com o de criminosos.

Em um boletim de ocorrência registrado na 30ª DP (Marechal Hermes), um motorista conta que foi assaltado por cinco homens em um sedã branco por volta das 14h (meia hora antes do incidente) na própria Estrada do Camboatá, perto do Piscinão de Deodoro.

Os militares foram ouvidos na Delegacia de Polícia Judiciária Militar. Ocaso é investigado pelo Exército devido a uma lei sancionada em 2017 pelo então presidente Michel Temer (MDB).

Inicialmente, o CML informou que os agentes tinham respondido a “injusta agressão” de criminosos. Na manhã desta segunda, o CML disse que identificou “inconsistências” entre os fatos reportados pelos militares e informou que os agentes acabaram afastados.

“Esse procedimento prolongou-se pela madrugada, tendo sido coletado também, até o presente momento, o depoimento de uma testemunha civil. Um membro do Ministério Público Militar acompanhou todo o procedimento”, diz a nota.

Criança de 7 anos estava no carro

O automóvel de uma família foi atingido por mais de 80 disparos, segundo perícia realizada pela Polícia Civil. As cinco pessoas que estavam no carro iam para um chá de bebê: Evaldo, a esposa, o filho de 7 anos, o sogro de Evaldo (padastro da esposa) e outra mulher.

Segundo o delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Divisão de Homicídios da Polícia Civil, há fortes indícios de que o carro foi confundido com o de criminosos. Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, morreu na hora.

O sogro dele, Sérgio, foi baleado nos glúteos. Seu quadro era estável até a noite de domingo. A esposa, o filho de 7 anos e a amiga não se feriram. Um pedestre que passava no local também ficou ferido ao tentar ajudar. Ainda não há informações sobre seu estado de saúde.

A Polícia Civil realizou a perícia no local porque os militares tiveram dificuldade em realizá-la, segundo o delegado, devido à revolta dos moradores que testemunharam o crime.

Investigação do Exército

Uma lei de 2017, sancionada pelo presidente Michel Temer, diz que crimes dolosos contra a vida, cometidos por militares das Forças Armadas, serão investigados pela Justiça Militar da União, se o crime acontecer nos seguintes contextos:

A perícia feita pela Polícia Civil e o laudo de necropsia serão enviados ao Exército para que a investigação continue.

Polícia Civil fez perícia

Leonardo Salgado, delegado da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, esteve no local para realizar a perícia. Ele disse que havia indícios para uma prisão em flagrante.

“Foram diversos, diversos disparos de arma de fogo efetuados, e tudo indica que os militares realmente confundiram o veículo com um veículo de bandidos. Mas neste veículo estava uma família. Não foi encontrada nenhuma arma [no carro]. Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares”, afirmou o delegado em entrevista à TV Globo.

Jornalista ameaçado após reportagem sobre fuzilamento feito pelo Exército


Carlos De Lannoy sofreu ameaça em redes sociais após reportagem no Fantástico

Foto: divulgação.

No dia que se celebra a data em homenagem aos jornalistas, um capítulo triste da história do jornalismo brasileiro foi escrito, protagonizado pelos mesmos personagens que nos anos de chumbo tentaram massacrar a democracia e a liberdade de imprensa.

O jornalista Carlos De Lannoy usou as redes sociais neste domingo (07/04), para tornar pública uma ameaça de morte que recebeu após fazer uma reportagem para “Fantástico”, da TV Globo. A matéria falava sobre o caso de um veículo que foi fuzilado por agentes do Exército no Rio de Janeiro, que culminou na morte do motorista.

Minutos após a exibição da reportagem, Carlos De Lannoy recebeu um comentário ameaçador do internauta: “Se você escolher falar merda e defender bandido é escolha sua. Seu merda! Se for errado paga com a vida! Mexeu com o exército, assinou sua sentença! Sua família vai pagar! Aguarde as cartas”.

O jornalista respondeu: “Você vai responder por essa ameaça. O que você fez não é apenas uma afirmação vergonhosa, infeliz e lamentável, mas um crime previsto em lei. Aguarde”. Pouco depois, em seu Twitter, ele comentou: “Minutos depois de fazer reportagem no “Show da Vida” sobre mais uma morte em blitz do

exército, recebi essa ameaça no meu Instagram. Não ficará assim”.?

Sobe para 224 número de mortos identificados em Brumadinho


Ainda de acordo com dados atualizados pela Defesa Civil de Minas Gerais, 395 pessoas foram localizadas e 69 permanecem desaparecidas

A Defesa Civil de Minas Gerais informou que o número de mortos identificados na tragédia da mineradora Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, subiu para 224.

Foto: Adriano Machado / Reuters

Segundo informações divulgadas na noite do último sábado, 69 pessoas permanecem desaparecidas e 395 foram localizadas.

Os trabalhos das equipes do Corpo de Bombeiros continuam na região onde ocorreu o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, da Vale.

Confira aqui a lista de desaparecidos atualizada pela empresa Vale. Para acessar a lista divulgada pela Defesa Civil, .

A barragem 1 da mina Córrego do Feijão em Brumadinho se rompeu no dia 25 de janeiro. Os rejeitos atingiram a área administrativa da Vale, uma pousada e comunidades que moravam perto da mina. As causas da tragédia ainda não foram esclarecidas.

Delegado diz que ‘tudo indica’ que Exército fuzilou carro de família por engano no Rio


Por TV Globo e G1

Homem morre após carro da família ser fuzilado pelo Exército no Rio

Homem morre após carro da família ser fuzilado pelo Exército no Rio

O delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, disse neste domingo (7) que “tudo indica” que os militares do Exército que mataram Evaldo dos Santos Rosa em uma ação durante a tarde em Guadalupe, Zona Oeste do Rio, atiraram ao confundirem o carro com o de assaltantes.

O automóvel de uma família foi atingido por mais de 80 disparos, segundo perícia realizada pela Polícia Civil. As cinco pessoas que estavam no carro iam para um chá de bebê: Evaldo, a esposa, o filho de 7 anos, o sogro de Evaldo (padastro da esposa) e outra mulher.

Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, morreu na hora. O sogro dele, Sérgio, foi baleado nos glúteos. Seu quadro era estável. A esposa, o filho de 7 anos e a amiga não se feriram. Um pedestre que passava no local também ficou ferido ao tentar ajudar. Ainda não há informações sobre seu estado de saúde.

A Polícia Civil realizou a perícia no local porque os militares tiveram dificuldade em realizá-la, segundo o delegado, devido à revolta dos moradores que testemunharam o crime. Os envolvidos foram ouvidos em uma delegacia militar.

“Foram diversos, diversos disparos de arma de fogo efetuados, e tudo indica que os militares realmente confundiram o veículo com um veículo de bandidos. Mas neste veículo estava uma família. Não foi encontrada nenhuma arma [no carro]. Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares”, afirmou o delegado em entrevista à TV Globo.

A família estava em um carro branco que, segundo testemunhas, foi confundido com um veículo da mesma cor que passou momentos antes.

Evaldo era músico e segurança. Ele estava no carro com a mulher, o filho de 7 anos, o sogro e uma amiga da família e morreu na hora — Foto: Reprodução/FacebookEvaldo era músico e segurança. Ele estava no carro com a mulher, o filho de 7 anos, o sogro e uma amiga da família e morreu na hora — Foto: Reprodução/Facebook

Evaldo era músico e segurança. Ele estava no carro com a mulher, o filho de 7 anos, o sogro e uma amiga da família e morreu na hora — Foto: Reprodução/Facebook

Investigação militar

Os militares envolvidos no caso foram ouvidos, segundo a Polícia Civil, pelo próprio Exército – que entendeu que a investigação deveria ser militar. A Polícia Civil, no entanto, vê indícios para prisão em flagrante.

“Fica muito difícil tomar uma decisão diferente desta [prender], não vejo uma legítima defesa pela quantidade de tiros que foi. Os indícios apontam para uma prisão em flagrante”, afirmou o Salgado.

Comando militar fala em ‘injusta agressão’ de ‘assaltantes’

Logo após a morte de Evaldo dos Santos Rosa, o Comando Militar do Leste (CML) negou que tenha atirado contra uma família e disse que respondeu a uma “injusta agressão” de “assaltantes”. À noite, em outra nota, informou que o caso estava sendo investigado pela Polícia Judiciária Militar com a supervisão do Ministério Público Militar.

Militares do Exército disparam mais de 80 tiros contra carro na Zona Oeste do Rio

Militares do Exército disparam mais de 80 tiros contra carro na Zona Oeste do Rio

‘Continuaram atirando’

Uma amiga da família, que estava dentro do carro, contestou a versão do Exército e disse que os militares não fizeram nenhuma sinalização antes de abrir fogo contra o veículo.

“Eu não vi onde foi o tiro, mas eu acho que foi nas costas. Só que a gente pensou que ele tinha desmaiado no volante […] A gente saiu do carro, eu corri com a criança e ela também. A gente saiu do carro e mesmo assim eles continuaram atirando “, afirmou por telefone à TV Globo a amiga da família .

Carro é atingido por mais de 80 tiros e homem é morto por militares no Rio

Carro é atingido por mais de 80 tiros e homem é morto por militares no Rio

O que diz o Comando Militar do Leste

“A fim de realizar uma apuração preliminar da dinâmica dos fatos ocorridos, foi determinado pelo Comandante Militar do Leste que sejam coletados os depoimentos de todos os militares envolvidos, bem como ouvidas todas as testemunhas civis, o que está em andamento, nesse momento, na Delegacia de Polícia Judiciária Militar ativada na Vila Militar. O Ministério Público Militar já foi informado e está supervisionando a condução dessas oitivas”.

Carro é atingido por mais de 80 tiros por militares do Exército em Guadalupe, Zona Oeste do Rio — Foto: Reprodução

Carro é atingido por mais de 80 tiros por militares do Exército em Guadalupe, Zona Oeste do Rio — Foto: Reprodução

Alunas ensinam porteiro da escola e ele passa na faculdade


Ozeilto e as alunas - Foto: Foto: Dayana Souza/AT
Ozeilto e as alunas – Foto: Foto: Dayana Souza/AT

O porteiro de uma escola em Vitória, no Espírito Santo, passou na faculdade e vai cursar Enfermagem, graças aos alunos e professores do colégio onde trabalha, que o ajudaram a estudar.

Depois de 20 anos fora das salas de aula, Ozeilto Barbosa de Oliveira, de 43 anos, fez o pré-vestibular, o Enem e foi aprovado no final do ano passado.

Ele conseguiu bolsa de 100% por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni). Na lista, de espera do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ele e foi chamado para iniciar o curso no segundo semestre deste ano.

“Eu fiquei muito feliz, vou realizar meu sonho e dar uma vida mais digna para minha família”.

O porteiro também havia sido aprovado em uma faculdade particular de Vila Velha, mas como não conseguiria pagar a mensalidade, não chegou a efetuar a matrícula.

História

Natural da Bahia, ele parou de estudar aos 16 anos quando foi pai pela primeira vez. Atualmente, com três filhos e dois netos, mora no Espírito Santo desde o ano 2000, onde chegou em busca de emprego.

“Logo que cheguei aqui, catei até latinha e não tenho vergonha de falar. Tenho orgulho da minha história, eu sou um sonhador”.

Ozeilto trabalha na portaria do Centro Educacional Charles Darwin, em Jardim da Penha, desde 2011, onde recebeu o convite para retornar à sala de aula e ganhou apoio para estudar.

“Uma secretária da escola chegou para mim e falou: “Ozeilto, que tal você voltar a estudar?” Eu falei logo que não, mas ela insistiu e me apresentou o EJA” (Educação de Jovens e Adultos), explicou.

Ele tinha só o quarto ano do ensino fundamental, mas no ano passado concluiu o ensino médio e fez pré-vestibular do Darwin à noite, com bolsa integral.

“A convivência com os alunos e o ambiente escolar despertaram em mim a vontade de estudar”. Durante o intervalo e na saída das aulas, ele chamava os alunos para tirar dúvidas sobre os exercícios.

As alunas Bárbara Rocha, 20 anos, Débora Lopes, 19, e Ramona Uliana, de 21, acompanharam de perto o esforço do Ozeilto, chamado carinhosamente de “Ozê”.

Inspiração e simpatia

As alunas e amigas que ajudaram Ozeilto Barbosa a estudar dizem que ele “é uma inspiração para nós, sempre estava com um sorriso no rosto”, contou Ramona Uliana.

“Eu lembro de ter o ajudado em Matemática”, contou Débora Lopes. A jovem disse que o porteiro era muito interessado. “A gente via ele todo dia com a apostila na mão lendo ou fazendo exercícios”.

As acham que a área da saúde combina com “Ozê”.

“Ele é afetivo, olha para cada um de forma individual e cumprimenta os alunos pelo nome. A gente reclama por pouco, somos privilegiadas por estudar na juventude. Ele só conseguiu agora”, revelou Bárbara Rocha.

Com informações da TribunaOnLin

Como a sua saúde será afetada pela redução do imposto do cigarro


Diminuir o imposto do cigarro, como quer Sergio Moro, afetará saúde pública. Segundo a OMS, taxar o tabaco é a forma mais efetiva de reduzir seu consumo, especialmente entre jovens e pessoas de baixa renda

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Imagem: AP

Reduzir o imposto sobre cigarros para combater o contrabando. A proposta, polêmica, foi encaminhada na semana passada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro. No dia 26 de março ele criou um grupo de trabalho (GT) que tem 90 dias para apresentar um parecer sobre a viabilidade da medida.

Saiba mais: A imoralidade de Sergio Moro e a esperteza da indústria tabagista

Especialistas em tributos, contrabando e saúde pública comentaram a pauta: é possível reduzir o contrabando sem com isso aumentar o número de fumantes?

A proposta dividiu a opinião pública e políticos

O senador José Serra (PSDB), ex-ministro da Saúde, disse que a medida parece equivocada e contraproducente. “Vai elevar o consumo de tabaco no Brasil, aumentando o número de mortes relacionadas com o cigarro”, afirmou. Em audiência no Senado no dia 27, Moro esclareceu que se o estudo provar que a diminuição dos impostos aumentaria o consumo de cigarro no país, ele não aprovaria a proposta.

Pela ótica do combate ao contrabando, outras figuras públicas, como o senador Luis Carlos Heinze(PP), defenderam a criação do GT. “Hoje, de 11 bilhões a 12 bilhões de reais o Brasil perde em arrecadação, porque há um tributo alto. Mais da metade do cigarro consumido no Brasil hoje é contrabandeado, e grande parte é do Paraguai”, disse Heinze.

Moro defendeu sua proposta, argumentando que é muito difícil combater o contrabando. “As fronteiras são muito porosas, muitas vezes as pessoas envolvidas no contrabando de cigarro não se sentem envolvidas em uma atividade ilegal”, afirmou o ministro, justificando a necessidade do estudo.

Participam do GT membros indicados pela Polícia Federal, pela Secretaria Nacional do Consumidor e pela Assessoria Especial de Assuntos Legislativos. Representantes do Ministério da Economia e do Ministério da Saúde também serão convidados a integrar o grupo. Pesquisadores e especialistas, no futuro, poderão ser chamados para assessorar os trabalhos de análise.

O Grupo será responsável por analisar os principais pontos que envolvem uma possível diminuição dos impostos sobre o cigarro nacional. Conforme disposto na Portaria, será analisada a tributação no Brasil, para que seja possível propor melhorias à política tributária atual. Também se estudará quais medidas podem reduzir o consumo de cigarros estrangeiros contrabandeados, que hoje ocupam 54% do mercado brasileiro, segundo o IBGE. Por fim, o GT terá que avaliar se reduzir os impostos sobre o cigarro brasileiro poderia evitar o consumo do cigarro estrangeiro de baixa qualidade e se a medida poderia aumentar a venda de tabaco no país.

Em paralelo, o ministro instituiu outro GT, pensado para desenvolver e implantar um Centro Integrado de Operações de Fronteira em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Evitar o contrabando?

A cada dez cigarros vendidos no Brasil, quase seis são paraguaios, de acordo com a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF). Isso representou em 2018 um prejuízo de 14 bilhões de reais aos cofres públicos brasileiros, que perdem em arrecadação de impostos. Para Rodolpho Ramazzini, advogado e diretor da ABCF, a diferença de preço do produto nacional e do contrabandeado, motivada principalmente pela carga tributária brasileira, é um dos principais fatores de incentivo ao mercado ilegal de cigarro.

No Brasil, o cigarro é taxado em 70% a 90%, dependendo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de cada estado. Além disso, no país é ilegal vender cartelas com menos de vinte unidades, e, desde maio de 2016, o preço delas não pode ser fixado abaixo de cinco reais. O produto paraguaio, entretanto, não paga impostos ao entrar no território nacional, e em seu país de origem paga no máximo 18% ao Estado. Com isso, uma cartela contrabandeada chega ao mercado brasileiro custando 30% do preço do produto nacional.

Edson Vismona, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), conta que já foram encontrados no Brasil pacotes com 10 cigarros sendo vendidos por um real e cinquenta centavos. Na média as cartelas contrabandeadas com 20 unidades custam três reais. “Nossa ideia é aumentar o imposto das marcas mais caras e diminuir o das mais baratas, para ter uma marca de confronto, para podermos migrar esse consumo que está na mão do ilegal para o produto legal”, defende o presidente do ETCO.

Nós não estamos isolados no mundo, estamos na fronteira vulnerável com o Paraguai. É uma questão econômica que está relacionada com combater o crime e organizações criminosas. Ignorar isso é fechar os olhos para a nossa realidade”, afirma Vismona.

Ramazzini também acredita que uma revisão na tributação pode beneficiar o setor produtivo brasileiro. “Se reduzíssemos a tributação de oito a dez pontos percentuais, muitos consumidores que compram cigarro paraguaio voltariam a fumar o produto nacional”, afirma o advogado. “O brasileiro sabe quando consome o produto contrabandeado, principalmente por causa da ausência de avisos da Anvisa na caixa.

O tema gera polêmica mesmo entre as fabricantes. A fabricante de cigarros Souza Cruz, em nota, apoiou a criação do GT, bem como a criação de uma força tarefa de combate ao contrabando, e também a revisão do modelo tributário aplicado a cigarros nacionais, “por considerar que o sistema em vigor favorece a comercialização de produtos ilegais no país”.

Já a Philip Morris Brasil divulgou um comunicado em que se opõe à proposta de Sergio Moro: “entendemos que o combate ao mercado ilegal não deveria passar por alternativas que possam resultar na redução de tributos e de preços, aumentando o acesso da população de baixa renda a um produto como o cigarro”.

A Souza Cruz possui produtos no mercado voltados para um público de renda mais baixa, enquanto a Philip Morris está centrada em marcas de luxo, que não competem diretamente com o produto paraguaio.

Padrão de qualidade

Na Portaria em que Sergio Moro instituiu o GT, uma das justificativas para se tentar diminuir o consumo do produto contrabandeado seria a saúde do consumidor, pois sua qualidade seria inferior à do cigarro nacional, fiscalizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Ramazzini afirma que já foram encontrados no cigarro paraguaio resíduos de metais pesados, de insetos e coliformes fecais. “O ilegal não é feito sob nenhuma norma de higiene, não segue o padrão”, diz o diretor da ABCF.

Especialistas em saúde não compactuam com essa visão. Para Valeska Figueiredo, do Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde da Fiocruz, de nada adianta migrar as pessoas do mercado ilegal de cigarros para o legal. “Isso em nada ajuda na saúde, porque eles fazem mal da mesma forma. É importante manter o preço alto para inibir o consumo”, afirma a pesquisadora, reiterando que é a combustão do tabaco que causa o maior dano, pois produz substâncias que causam câncer.

Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que os impostos sobre o tabaco são a forma mais efetiva de reduzir seu consumo, especialmente entre jovens e pessoas de baixa renda. Ao elevar o preço do cigarro em 10%, diminui-se o consumo em cerca de 4% nos países desenvolvidos e cerca de 5% nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

De acordo com a pesquisa Vigitel, realizada anualmente por telefone pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde em todas as capitais do país, o número de fumantes diminuiu em dez anos. Nas 27 capitais brasileiras, em 2007, havia 16,4% de fumantes na população adulta. Em 2017, a frequência encontrada na mesma população foi de 10,1%.

Mônica Andreis, diretora executiva da ONG Aliança de Combate do Tabagismo (ACT), defende que essa queda se deu principalmente por causa da adoção de um aumento progressivo nos impostos sobre o tabaco entre 2011 e 2016. “Em 2011, 14,8% da população fumava, em 2016, esse número caiu para 10,2%. Quando a política de aumento de impostos foi interrompida em 2016, houve uma estagnação na queda. Em 2017, a porcentagem foi de 10,1%”, diz a executiva.

Por esse motivo, revisitar a questão tributária, para o pneumologista do Hospital Sírio Libanês, André Nathan Costa, é um retrocesso. “Me assusta pegar uma política pública muito bem sucedida e jogar fora para tentar conter o contrabando”, afirma o médico. A ideia de que somente os consumidores do mercado ilegal migrariam para o mercado legal também é questionada por ele. “Isso só faz sentido se você imaginar que a população é estanque, mas a sociedade é mutável. Uma das maneiras de fazer com que o jovem não fume é manter o cigarro caro”, defende, ressaltando a importância de reafirmar as políticas para educar novas gerações.

Ainda que não defendam uma alteração na tributação, as organizações de saúde não ignoram a questão do contrabando. Para Mônica, da ACT, “o certo seria o Brasil implementar o protocolo que foi ratificado no ano passado para combater o cigarro ilegal”. A diretora faz referência ao ‘Protocolo para Eliminar o Comércio Ilícito de Produtos de Tabaco’ da Organização Mundial de Saúde, que foi ratificado em 2018 no Brasil. Em outubro, um comitê interministerial para implementação do acordo foi instituído no país.

O Ministério da Justiça deveria ter ativado esse comitê ao invés de criar um novo Grupo de Trabalho”, afirma a diretora da ACT. O Protocolo prevê medidas que envolvem esforços diplomáticos entre países que fazem fronteira, bem como ações coordenadas de inteligência e fiscalização. “Não é diminuindo o preço que você vai vencer o contrabando”, afirma Valeska, da Fiocruz.

Em 12 de março Jair Bolsonaro recebeu a visita do presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez. Segundo o governo brasileiro, “desafios nas fronteiras” e “combate aos ilícitos transnacionais” estiveram entre os temas tratados, de acordo com o G1. Eis um fórum mais adequado para tratar de contrabando na fronteira sem correr o risco de tentar resolver um problema e acabar criando um problemão.

Carolina Ingizza, Exame