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Facebook deixa as pessoas infelizes, ciumentas e depressivas


Rede Social do Tio Mark  está deixando as pessoas infelizes e gritando o que chama de  “inveja do Facebook”

Um estudo realizado na Universidade de Copenhague, na Dinamarca, confirmou que as internautas estão se tornando pessoas deprimidas.

Alguns usuários da  Rede Social do Tio Mark foram convidados a  fazer  uma pausa de uma semana no site de social media.

After a experience, essas pessoas foram diagnosticadas como “mais satisfeitas com a vida, além de apresentarem um bem-estar maior.”

A pesquisa envolveu 1.095 convidados, dos quais 50% foram convidados a viver seus hábitos no Facebook ea outra metade foi orientada a se abster de logar na rede.

“Milhões de horas são gastos no Facebook todos os dias” , escreveu o autor do relatório Morten Tromholt.

“Você está mais bem conectado do que nunca, mas está em estado de fuga estático para o nosso bem-estar?  

“De acordo com o presente estudo, uma resposta não é” disse Morten.

O estudioso afirma que o uso predominante de redes sociais como meio de se comunicar e obter informações sobre os outros, como passatempo habitual, está afetando nosso bem estar negativamente em várias dimensões.

Participar da pesquisa de pessoas com média de idade de 34 anos e que existem no mundo em torno de 350 amigos na  Rede Social do Tio Mark.

86% das mulheres eram mulheres.

Todos os participantes foram por uma espécie de triagem durante 15 minutos.

Nos testes, os usuários que continuaram usando uma Rede Social do Tio Mark classificaram sua série de satisfação com a vida em 7,74 (numa escala que variava de 0 a 10.)

Já os usuários que foram banidos da rede durante o período experimental aumentaram sua perspectiva de felicidade e deram uma nota média de 8,11 .

Dados colhidos também foram registrados, com o  tempo mais jovem de 19 a 32 anos gastos em mídia sociais, maior será a chance de se tornarem pessoas deprimidas em um futuro próximo.

Até o terceiro semestre de 2018,  a Rede Social do Tio Mark  teve mais de 2,2 bilhões de usuários ativos. Correio Brasileiro.

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Coma menos e viva mais: “Jejum aumenta expectativa de vida em 30%”


O japonês Yoshinori Ohsumi foi premiado em 2016 com o Nobel de Medicina por sua pesquisa sobre autofagia, um processo de limpeza e de “reciclagem” das células.

Restrição calórica atingida pelos efeitos do jejum podem aumentar a expectativa de vida em 30%

Sabe aquela regrinha básica de comer de 3 em 3 horas? Pois bem, parece que alguém de peso do mundo acadêmico discorda dela.

Um grupo de cientistas está pesquisando os efeitos que o jejum (ou o corte radical de calorias) pode promover na qualidade de vida.

A alimentação equilibrada e rica em nutrientes é fundamental para uma boa saúde, porém já é sabido que a privação de alimentos de forma controlada pode ativar mecanismos de autodefesa das células que garantem a elas maior longevidade.

Trocando em miúdos: deixar de se alimentar de maneira, controlada, racional e equilibrada pode te render alguns aninhos de vida a mais.


AUTOFAGIA

É um processo de degradação e reciclagem de componentes da célula […] todas as células realizam autofagia.

Inicialmente, os cientistas acreditavam que a autofagia induzia à morte da célula. Hoje em dia sabe-se que é um processo que garante a sobrevivência das células.

O termo autofagia deriva do grego e significa “comer a si próprio”, ou seja, a célula digere partes de si mesma e ocorre quando o organismo carece de alimentos e revervas energéticas. É nesse momento que a célula começa a digerir suas partes como forma de garantir a sua sobrevivência.

A autofagia é ativada quando a célula está em situações de estresse. (ex: quando alguém fuma um cigarro ou deixa de se alimentar)

Para sobreviver, a célula passa a “comer” partes internas, degradando tudo o que tem de ruim. Quanto mais o mecanismo funciona ‘maior a limpeza interna’.

“A autofagia não fica ativa o tempo todo. Mas a restrição de nutrientes é uma forma de burlar isso”


“O jejum induz a autofagia, isso é sabido. Também sabemos que a autofagia induz a longevidade. A busca agora é entender a conexão entre a autofagia ativada pelo jejum e a longevidade das células”, explica Soraya Smaili, professora livre-docente da Escola Paulista de Medicina.

De acordo com a professora, a maioria dos estudos feitos até hoje foi realizado com animais.


MENOS CALORIAS = AUMENTO DO TEMPO DE VIDA

Outra forma de ativar a autofagia e propiciar benefícios para o organismo é restringindo o consumo de alimentos.

A redução de calorias ingeridas dever variar entre 20% e 60%, segundo indicam as pesquisas.

“A diminuição prolongada de consumo de nutrientes aumenta a autofagia”.  explica Luciana Gomes, pesquisadora do Laboratório de Reparo de DNA da USP.

A redução ocorreria principalmente no consumo de carboidratos e proteínas.


ALERTA – TUDO TEM LIMITE!

Se a privação de nutrientes for muito longa, os efeitos passam a ser negativos.

A célula poderia começar a degradar componentes bons, que funcionam […] o ideal seria conseguir estimular a autofagia (faxina interna) em tempo certo, sem excessos.

É justamente isso que os cientistas pesquisam qual seria o tempo de jejum e o nível de redução calórica necessários para garantir efeitos benéficos sem causar prejuízos às células.

Estudos feitos em humanos que mostram que o jejum, se bem monitorado, traz benefícios a longo prazo.

“Não se trata de um jejum prolongado. O tempo pode variar de 12 e a 24 horas (no máximo). E também pode ser específico, de alguns nutrientes, como carboidratos e proteínas”.

Durante a ausência dessa alimentação, é fundamental manter o consumo de água e sais para não provocar um aumento da pressão arterial ou até mesmo uma desidratação.

Um soro pode cumprir essa função.

E um detalhe importantíssimo: o jejum só poderia ser feito por pessoas saudáveis.


JEJUAR OU CORTAR A ALIMENTAÇÃO? QUAL A MELHOR OPÇÃO?

Para que se tenha um aumento significativo da expectativa de vida a longo prazo, o jejum deve ser feito de forma periódica e acompanhado por profissionais adequados.

“Não adianta fazer um jejum hoje e outro no ano que vem”.

Com relação à redução calórica, ela precisa ser permanente para produzir efeitos, algo que é extremamente difícil de se conseguir.

“Como é necessário ter muita disciplina para reduzir as calorias de maneira definitiva, surgiu a busca para confirmar se o ‘jejum intermitente’ conseguiria levar aos mesmos efeitos”, explica Luciana Gomes, pesquisadora da USP.

Quanto à restrição calórica, ela relata que: “em testes realizados com animais, aqueles que foram mantidos desde o nascimento com um número reduzido de calorias,tiveram um aumento na expectativa de vida de aproximadamente 30%.” Correio Brasileiro.

 

Paulo Guedes aciona a metralhadora na Firjan. Por Helena Chagas


Publicado originalmente no site Os Divergentes

POR HELENA CHAGAS, jornalista

de acordo a matéria da jornalista Helena Chagas o próprio, e que foi publicada no DCM,  o Satanás, encarnado pelo magistral Al Pacino, quem, na cena final do filme “O advogado do Diabo”, faz a revelação e diz que seu pecado predileto é a vaidade. Pelo menos em relação ao poder, Brasília sabe que esse é um dos mais mortais, e se pudesse falar contaria as histórias de ascensão e queda que presenciou, motivadas sobretudo pela vaidade de seus personagens. Essa silenciosa observadora está prestes a receber mais um governo, com sua nova fornada de presas do pecado preferido de Satanás. Quem sucumbirá primeiro?

O superministro Paulo Guedes, que até agora tinha se preservado bastante, conseguindo inclusive aplausos por nomear uma equipe elogiada pelo PIB e pelo mercado, virou candidato. Não se sabe o vinho servido hoje no almoço da Firjan, mas Guedes, segundo relato de alguns comensais, esqueceu a humildade em casa, passou do tom e atirou para tudo que é lado.

O momento de maior constrangimento foi quando ele investiu contra o Sistema S, galinha dos ovos de ouro das confederações e federações empresariais de norte a sul do país. À plateia repleta de empresários, disse: “Tem que meter a faca no sistema S também. Estão achando que a CUT perde o sindicato, mas aqui fica tudo igual?”. E explicou que, se os empresários forem parceiros, será melhor. Caso contrário, o corte será pior: “se tiver a visão do Eduardo Eugênio (presidente da Firjan), corta 30%; se não tiver, corta 50%”.

Os governadores de Estado receberam de Guedes uma dura advertência: ” Se não apoiar (as reformas), vai lá pagar sua folha. Como ajudar quem não  está me ajudando? Quero que dinheiro vá para estados e municípios, mas me dê reforma primeiro”.

Até a imprensa, que é persona non grata no governo eleito mas costuma tratar bem o futuro ministro da Economia, entrou na linha de tiro: segundo ele, a imprensa, que seria um “quarto poder”, “não entendeu” o fenômeno político da eleição de Bolsonaro.

A faixa passa de Temer aos Bolsonaros e a hipocrisia continua reinando no país. Por Carlos Fernandes


Um denunciado passará a faixa para outro denunciado. Isso é fato!

 

O escândalo envolvendo os repasses milionários de assessores da família Bolsonaro no qual presidente eleito, ministros nomeados e parte impoluta da imprensa querem dar ares de banalidade, fora tudo, nos fazem pensar sobre como os fatos no Brasil são tratados a depender dos interesses envolvidos.

Nessa intrigante moralidade seletiva em que parte considerável da população rasteja na curiosa premissa de que no estoico “combate à corrupção” até a própria corrupção é permitida, nos deparamos com as forças que fazem mover os pratos da desequilibrada balança da justiça.

Vejamos o caso da ex-presidente Dilma Rousseff.

Sem uma única mísera acusação de corrupção, cassaram a vontade popular de mais de 54 milhões de votos em função daquilo que vieram a chamar de “crime de responsabilidade”.

Sem uma única evidência de enriquecimento ilícito ou algo que o valha, o calvário que infligiram a uma política honesta esteve, todo o tempo, travestido com o mesmo velho e esgarçado cobertor de santidades que costuma embalar os atos brios de gente como João de Deus e Damares Alves.

Motivados por um sentimento de “Basta!”, milhões tomaram as ruas “cansados de tanta corrupção” por um processo que resultou na ascensão de um sujeito como Michel Temer à presidência.

A lógica mandaria afirmar que ao fim e ao cabo ninguém ignora o que se passou no país a partir daí. Mas como no Brasil toda lógica é sempre turva, cassada Dilma, restabelecida nossa paradoxal normalidade disruptiva.

Numa impressionante disparidade de pesos e medidas, não teve ineditismo criminal do governo Temer que fosse capaz de reavivar a “revolta dos honestos”.

Entre encontros furtivos nos subterrâneos dos palácios do poder e maratonas flagrantes de malas de dinheiro, a vida segue normal para quem pode contar com a meticulosa condescendência dos indignados de ocasião.

Ironia, essa outra forma da tragédia, é o fato de no apagar das luzes de seu “governo”, vir do próprio Temer o reconhecimento da honestidade da mulher que ajudou a martirizar.

Na entrevista que concedeu ao Poder em Foco, eis as suas palavras:

Eu tenho a impressão de que ela é uma senhora correta, honesta. Eu não tenho essa impressão de que ela seja alguém que chegou ao governo para se apropriar das coisas públicas. Nunca tive essa impressão e confesso que continuo não tendo”.

Revelador mesmo, porém, é o fato de não sentir qualquer sentimento de culpa ou remorso por ter contribuído ativamente na condenação inquisitória de uma inocente.

Temer, tanto quanto a família Bolsonaro, representa fielmente a hipocrisia latente que ora impera no país.

É evidente que muitos outros fatores precisam ser pesados, mas o fato de nessas eleições Aécio Neves ter sido eleito e Dilma não, mostra um pouco do senso de justiça e legalidade a que estamos sendo submetidos.

Bolsonaro ter chegado ao poder é o sintoma maior dessa doença que permite a uma parcela significativa do povo brasileiro se orgulhar de manter preso, sem provas, um homem como Lula.

São desses erros históricos que chegamos ao grave momento em que seremos obrigados a presenciar a passagem da faixa presidencial de um denunciado a outro denunciado.

Tudo, claro, graças ao “combate à corrupção”. DCM.

Estigmatizar Cuba como um país miserável é uma falácia, e de extrema ignorância. Por Gilson Omar Fochesato


Publicado originalmente no Congresso em Foco

POR GILMAR OMAR FOCHESATO, MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas

Em uma matéria importante sobre Cuba, publicada no DCM,  o Gilmar Omar Fochesato, conta que em uma visita cultural ao país caribenho constata-se que o país-símbolo da Revolução Cubana se depara com transformações. A pequena ilha está inquieta. A abertura econômica está mudando um país pequeno em território, mas grande em importância no cenário político internacional.

Quais os anseios desse povo que sabe que a igualdade é condição para o exercício pleno da liberdade? Quais seus desejos? Não pensem os incautos que o povo cubano é submisso, desgostoso com a vida, inimigo de seu governo ou infeliz. Ao contrário, é sabedor de sua história, de seus valores e suas conquistas. Lá há ausência de gente de feitio servil, subserviente.

Estigmatizar Cuba como um país miserável é uma falácia, e de extrema ignorância. Alimentada pela grande imprensa que pouca educa, Cuba é tematizada por uma série de preconceitos.

O criminoso embargo cometido contra a sociedade cubana é injustificável. Há carestia e pobreza, sem dúvida. Mas mesmo assim a famosa frase que corre o mundo é verdadeira:Hoje, 200 milhões de crianças vão dormir nas ruas das grandes cidades do mundo. Nenhuma delas é cubana”. Tampouco alguém passa fome. Nesse contexto, tudo é valorizado. Não se compra o que não se precisa.

Há defeitos e há limites. Os problemas enfrentados são muitos, principalmente nas áreas de moradia, transporte e, agora, do emprego. Entretanto, não se pode negar as grandes conquistas da Revolução, principalmente no que tange à saúde, à reforma agrária e ao sistema educacional.

Mesmo sendo um país pobre, em Cuba todos têm direitos fundamentais socialmente assegurados: alimentação, saúde e educação. Até pouco tempo atrás 93% de sua população possuía nível universitário. Agora são 87%, pois o governo está priorizando as escolas técnicas (nível médio). Não há analfabetismo em Cuba. Conseqüentemente, é um país com poucos assaltos, sem violência (inclusive a doméstica), poucas prisões, poucos presos. Um país sem armas.

Não dá para comparar um país socialista a um país capitalista. Ainda mais esse país, ilhado e bloqueado. Um novo olhar sobre a história da economia cubana demonstra que o pleno emprego não é suportável pela economia estatal, e planejar o corte de até um milhão de empregos públicos paulatinamente absorvidos nas atividades privadas que estão sendo liberadas não é tarefa fácil. Em um futuro próximo é provável que o Estado somente ficará com as grandes empresas. Mas o empreendedor privado deverá se adequar ao que o governo quer.

Mesmo com os embargos, o turismo em Cuba está aumentado. No primeiro trimestre de 2012 houve mais de 1,24 milhão de visitantes. É o setor que traz mais recursos ao país, ficando atrás dos dólares enviados pelos imigrantes em Miami. A movimentação da economia também se dá pelo câmbio negro. Nas riquezas naturais agora se sobressai o níquel.

Percebe-se a diferença entre gerações: enquanto os mais velhos estão um tanto receosos pelas mudanças, os mais jovens estão mais ávidos por elas. Por outro lado, evitar-se-á o desejo de muitos jovens em sair do país.

 

Cuba dificulta (não proíbe) a saída de cidadãos porque, de outra forma, sua mão-de-obra mais qualificada sairia do país em busca de melhores salários. Haveria uma fuga em massa de médicos, engenheiros, professores, já que possuem emprego em qualquer lugar do mundo, tendo em vista a excelência da saúde e educação que o governo lhes deu em toda a vida. O êxodo se dá em função da economia, e não em função de haver “democracia” de um lado e “ditadura” de outro.

Qual o socialismo possível? Isso não faz de Cuba um modelo, embora seja a prova de que o desenvolvimento é possível fora dos ditames do discurso único.

Como entender a complexidade de sua relação com os Estados Unidos? Como entender que há 26 voos diários em toda a ilha para os Estados Unidos. Que dicotomia é essa?

Que o povo possa aproveitar as mudanças para melhorar sua situação econômica e ampliar o acesso à liberdade democrática sem perder os níveis de educação, soberania e autonomia administrativa. Que não se deixe levar pelo consumismo fútil.

Aos turistas, recomenda-se o diferente. Entre Miami, Las Vegas ou Orlando (Disney), não tenha dúvida: visite CUBA.

Por fim, os cubanos deparam-se com o conceito praticamente desconhecido para eles: pagar impostos também faz parte do capitalismo.

Marcos Coimbra: “As eleições presidenciais foram fraudadas”


 

O professor Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi, não tem dúvida de que as últimas eleições foram fraudadas. Coimbra participou, nesta sexta-feira, dia 14, do Seminário Mídias Sociais e Comunicação Digital, organizado em Belo Horizonte, pelo PT MG e pela Secretaria de Organização Nacional do Partido dos Trabalhadores. Também participaram do evento o ex-ministro Franklin Martins e o coletivo Mídia Ninja.

Coimbra revela que a denúncia foi levada à presidente do STF, Rosa Weber. A ministra, de acordo com o seu relato, não deu atenção ao caso. De acordo com interlocutores que apresentaram a denúncia, Weber não entendeu a dimensão da ameaça à democracia ou se omitiu, alegando que a grande preocupação do STE era com relação à confiabilidade nas urnas eletrônicas.

Marcos Coimbra defende que a esquerda não deve deixar o assunto de lado, pois “se isso ocorrer, estará normalizada uma poderosa distorção na democracia brasileira, fazendo com que as futuras eleições não passem de rituais, com o final conhecido anteriormente”. É urgente, para o professor, que o PT e o conjunto da esquerda façam uma autocrítica.

Entretanto, esclarece, não a autocrítica que a mídia, Globo à frente, cobra da esquerda. Para ele o que deve ser feito é um balanço e erros e acertos, para indicar as estratégias de atuação em um mundo que inegavelmente mudou.

Para comprovar a sua afirmação, o pesquisador apresentou gráficos, que contêm os resultados dos principais institutos de pesquisa do país. O comportamento das curvas, que representam a evolução da intenção de votos em Jair Bolsonaro, indicam com bastante clareza uma súbita elevação da sua média histórica, que oscilava entre 20% a 25% da preferência do eleitorado.

Segundo os gráficos, a cerca de uma semana antes da realização do primeiro turno, os números mudaram de uma maneira que foge do padrão histórico das movimentações da opinião pública. Haddad, que vinha em um consistente movimento de crescimento, sofreu um baque e teve sua trajetória interrompida. Enquanto isso, Bolsonaro iniciava um avanço atípico, em um padrão que nunca fora registrado antes no histórico das pesquisas de opinião realizadas no Brasil.

O que explica isso, para Marcos Coimbra, foi a ilegal utilização das redes sociais, principalmente o WhatsApp, para disseminar mentiras e calunias contra Fernando Haddad e o PT. O professor apresentou um exemplo da artificialidade desse movimento nas redes sociais.

A partir de dados que chegaram a ele, somente uma página da Internet, com endereço no mesmo local onde funcionava o site Bolsonaro Presidente, disparou em um só dia mais de 600 mil mensagens com informações falsas e caluniosas contra Haddad, todas elas abordando a questão moral, como o kit gay, um suposto estupro cometido pelo candidato, estímulo a jovens para se relacionarem com outros do mesmo sexo e coisas nessa linha.

Coimbra alerta que esta foi apenas uma das páginas envolvidas na operação de desconstrução de Fernando Haddad. De acordo com dados que chegaram a ele, a operação foi em grande escala, “apenas um dos contratos com empresas responsáveis por disparos em massa de WhatsApp, que foram alvo da reportagem da Folha de S. Paulo, atingia R$ 12 milhões”.

Os disparos não foram realizados ao acaso, informa o professor, “o alvo foi preciso, pessoas de baixa renda da região sudeste, focalizando principalmente no público evangélico”. As curvas dos gráficos da evolução da intenção de votos dos principais institutos do Brasil sugerem uma grande possibilidade de que esta tese seja real.

O professor revela que muitas outras empresas ou esquemas desconhecidos envolvendo mercenários ou robôs estavam envolvidos na operação, o que “custa muito dinheiro, não é barato”. Ele vê crimes eleitorais nesse episódio, destacando especialmente dois: o abuso do poder econômico, com a doação de empresas, o que é proibido; e a disseminação de calúnias e informações falsas.

Franklin Martins

O ex-ministro da comunicação social do governo Lula ressaltou a importância das novas mídias digitais. Segundo ele, as novas tecnologias digitais vieram para o bem e para o mal. Se por um lado, a Internet democratiza a comunicação e permite mais emissores no ambiente da comunicação social, por outro lado, grandes empresas como o Facebook ou o Twitter tem ampla capacidade de intervir no universo digital e intervir na comunicação.

Franklin adverte, no entanto, que a questão central é o conteúdo e a disputa pela agenda do que a sociedade vai debater.

Ele lembra que sempre que uma nova mídia surge, há mudança de paradigmas. Quem sai na frente na utilização das novas mídias leva vantagem; “Franklin Delano Roosevelt foi pioneiro no rádio, enquanto seus adversários tinham apoio dos grandes jornais impressos; Kennedy soube utilizar o potencial da recém-nascida TV, enquanto seu oponente, Nixon, ainda estava na era radiofônica”.

Mas, tanto Roosevelt, quanto Kennedy, introduziram novas agendas que sensibilizaram o eleitorado.

O mesmo ocorreu no Brasil. FHC foi eleito com a agenda do combate à inflação, lembra Martins. E continua, “a agenda que levou Lula ao Planalto, na sua primeira eleição, foi a inclusão social. Depois, ao longo do seu mandato Lula agregou o crescimento econômico, que foi a plataforma que elegeu Dilma, na sua primeira eleição”.

Sem condições de disputar no campo da agenda da inclusão e do crescimento, porque não concorda com isso, a oposição tentou impor o seu tema clássico, que é a corrupção, recorda Franklin. Mas, ele avalia que a reeleição de Lula e a primeira eleição de Dilma, revelaram que a oposição estava perdendo a disputa pela agenda.

Inexplicavelmente, logo que assumiu a presidência, Dilma assumiu a agenda do adversário e iniciou uma cruzada de “limpeza”. Para o ex-ministro, a presidenta deixa de lado as conquistas dos governos petistas e, de maneira que merece profundas análises, passa a priorizar a agenda que interessava à oposição.

A surpresa ainda é maior, porque Dilma faz a opção pela agenda da corrupção e deixa em segundo plano a inclusão e o crescimento no momento que o país estava em uma posição econômica invejável, com os fundamentos econômicos sólidos, programas sociais consistentes e o menor desemprego da história, em torno de 4%.

Nas últimas eleições, Franklin Martins reconhece que houve a fraude com uso da internet, mas considera que “o PT não priorizou a luta pela imposição da sua agenda, com isso houve espaço para o crescimento da agenda de quem não quer debater a inclusão, a qualidade de vida da população e o crescimento com distribuição de renda”.

A extrema direita, sabendo que o seu verdadeiro programa seria fatalmente derrotado, porque não interessa à maioria, conseguiu impor uma agenda que a favorecia, o comportamento e os costumes.

Martins observa que a agenda do comportamento também pavimentou o terreno para os ataques e calúnias moralistas contra a figura do candidato Fernando Haddad.

Franklin, conclui dizendo que a questão da internet é fundamental, como ocorre em todo avanço tecnológico nas comunicações, o assunto tem que ser debatido e o meio precisa ser priorizado pela esquerda, pelo seu potencial democratizante; mas o que é decisivo, para a disputa política na sociedade é a agenda. Nocaute.

 

Atriz é humilhada em shopping de Curitiba ao lado da filha


Ex-atriz global relata ter sido humilhada, agredida e coagida diante da filha em shopping de Curitiba. Claudia Rodrigues, que sofre de esclerose múltipla, acionou a Justiça após o episódio

Claudia Rodrigues esclerose
Claudia Rodrigues

A atriz Claudia Rodrigues se manifestou nesta sexta-feira (13) sobre uma agressão que sofreu no Shopping Crystal, em Curitiba (PR), na última segunda-feira (10).

Claudia acusou dois seguranças de a terem “humilhado, coagido e agredido”.

Emocionada ao ver no local uma campanha com sua imagem na capa, a atriz relata que pediu para a sua empresária tirar uma foto, mas foi impedida pelos profissionais do shopping.

Claudia revela que foi empurrada por uma segurança quando se posicionou para tirar a foto. A partir daí, deu-se início uma confusão.

“Eu amo Curitiba e continuarei visitando a cidade, mas infelizmente no Shopping Crystal, eu, minha filha, Iza, e a minha empresária, Adriane Bonato, fomos desrespeitadas, humilhadas, coagidas e agredidas por dois vigilantes”, escreveu a atriz no Facebook.

Claudia, que é mãe de uma adolescente de 14 anos, afirmou que tomará as “medidas cabíveis” contra o estabelecimento e os profissionais. “Tomarei as medidas cabíveis para que outras pessoas não passem pelo que nós passamos”, justificou.

“Eu a posicionei para tirar uma foto, mas, quando eu virei, ele já abriu os braços em cima dela, empurrando-a para cima do painel. Ela tropeçou e só não caiu no chão porque tinha o painel e a filha, que a segurou na hora. Aí eu voltei e disse: ‘tira a mão dela’”, contou Adriane, empresária da atriz.

Outro segurança teria surgido, pedindo para as mulheres falarem baixo. De acordo com a empresária, Claudia “ficou muito abalada com o ocorrido” e o shopping as procurou no dia seguinte para tentar um “acordo amigável”.

Adriane, entretanto, recorreu à polícia para prestar queixa de agressão e assédio moral, e pretende abrir um processo contra o segurança e o shopping. “Já pedimos as filmagens, solicitamos o nome completo e o endereço do funcionário […] O que aconteceu foi um absurdo e não pode ficar impune”, declarou a empresária.

O Shopping Crystal diz que “o funcionário agiu com respeito e seguiu os protocolos de segurança previstos no regimento interno relativos à produção de imagens no estabelecimento”. O estabelecimento comercial alega que é proibido fazer fotos no local “por questão de segurança”. Pragmatismo.

Tarde demais, STF começa a admitir que Moro não é o juiz do Universo


chavearoeira

Uma decisão da 2ª Turma do STF, hoje, fez, finalmente, o óbvio.

Tirou do açougue de Curitiba as delações da Odebrecht que se referem a supostos favorecimentos em reformas no Sítio de Atibaia, a compra do terreno para o Instituto Lula que jamais foi do instituto Lula e as palestras dadas pelo ex-presidente.

O motivo? Como não há, nas investigações, nenhuma relação entre estas denúncias e contratos da Petrobras, que dariam a Sérgio Moro a desejada distribuição por conexão e continência do processo.

A violação do princípio do juiz natural, que vem sendo denunciada aqui e em toda parte, transformou a 13ª Vara Criminal de Curitiba num tribunal de exceção, com um leque, segundo o próprio MPF, de mais de mil procedimentos instaurados.

Faça a conta: se Sérgio Moro der apenas três dias de atenção a cada um deles, seriam mais de 11 anos, no caso de aplicar-se todos os dias úteis a isso, de segunda a sexta, sem se dedicar à sua vasta agenda de palestras, homenagens, prêmios e viagens ao exterior.

Creio, porém, que, mesmo sendo um avanço – o maior havido até agora contra a transformação do Judiciário no “Tribunal do Moro” -é tarde demais.

Salvo exceções, tudo o que se permitiu a ele fazer nestes quase quatro anos de Lava Jato deformou boa parte da magistratura nacional.

Quem duvidar, veja o espetáculo deprimente da desembargadora do Rio e o recentíssimo do juiz da 2ª Vara Criminal de Petrópolis, Afonso Henrique Castrioto Botelho, que sugeriu “cuspir, chutar a bunda e dar bolachas” na senadora Gleisi Hoffmann.

Ainda assim, preparem-se: a mídia vai urrar e vão sobrar associações de promotores e juízes a dizer que entregar uma investigação nas mãos de outros juízes que não sejam Moro é “a impunidade”, quando nem mesmo garantia de imparcialidade é. Tijolaço.

 

Gui Santana imita William Bonner e cria climão no Encontro com Fátima Bernardes


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O humorista Gui Santana criou uma saia justa no Encontro desta sexta-feira (14). Fátima Bernardes pediu a ele, conhecido por suas imitações de famosos, que recriasse a voz de uma pessoa conhecida para ela adivinhar quem era. O ex-Pânico pegou a apresentadora de surpresa ao imitar William Bonner, com quem ela era casada.

“Faz o seguinte, não me fala não. Faz a imitação que eu vou tentar adivinhar quem é. Conversa comigo com algum dos seus personagens reais, porque são todos pessoas que existem, né?”, solicitou Fátima.

Santana pensou rapidamente e começou a discursar com a voz do âncora do Jornal Nacional. “Bom, eu acho que esse encontro tinha que acontecer, né, gente?”, começou ele, que logo notou o climão.

“Ficou um silêncio aqui, eu não sei se você tava… Se eu podia falar ou não, de repente você me dá um bom dia e eu respondo ‘boa noite’”, continuou ele, deixando óbvio que estava imitando Bonner.

Fátima deu risada e disse ter adorado a brincadeira. Lair Rennó entrou no jogo e pediu para o humorista fazer o encerramento do Jornal Nacional.

Irritado com as últimas notícias que envolvem os Bolsonaros, o presidente eleito fala em diminuir verba para a grande mídia


 

Em rota de colisão cada vez mais acelerada com a mídia conservadora do país, acossado pelas duas famílias mais poderosas do segmento, os Marinho e os Frias, Bolsonaro reagiu nesta quinta (13) anunciando que vai cortar o fluxo de dinheiro do governo para a imprensa, na forma de publicidade. Ele já sinalizou que a prioridade serão os sites, blogs e mídias das redes sociais, além de alguns veículos de extrema-direita ou alinhados integralmente com ele, como a Record, Bandeirantes, SBT e Jovem Pan. Ontem, ele almoçou com Sílvio Santos, em encontro fora da agenda.

Tomamos conhecimento de que a Caixa gastou cerca de R$ 2,5 bilhões em publicidade e patrocínio neste último ano. Um absurdo! Assim como já estamos fazendo em diversos setores, iremos rever todos esses contratos, bem como os do BNDES, Banco do Brasil, SECOM e outros”, afirmou Bolsonaro no Twitter. Veja: 2

Em nota na manhã desta sexta-feira, a Caixa Econômica federal desmentiu a versão de Bolsonaro de que teria gasto “cerca de R$ 2,5 bilhões em publicidade e patrocínio neste último ano”. O banco estatal informou: “O orçamento com recursos do banco projetado para ações de publicidade, patrocínio e comunicação em 2018 foi de R$ 685 milhões, sendo realizado até novembro de 2018 (o valor) de R$ 500,8 milhões”.

O clima entre a futura administração e a imprensa deve esquentar ainda mais. O futuro chefe da Secom (Secretaria de Comunicação) do governo, Floriano Amorim, atual assessor parlamentar de Eduardo Bolsonaro, é um contumaz detrator da imprensa nas redes sociais e amplifica a campanha de ódio dos Bolsonaro à imprensa tradicional e à mídia independente. Para ele, os jornalistas são uma “escória”. 247.

 

 

A morte da gigante Eunice Paiva e a cusparada de Bolsonaro no busto de Rubens Paiva. Por Miguel Enriquez


Vários episódios nos fazem lembrar da abertura de um modelo de governo que deixou marcas para sempre, na pátria e no povo.

 

O Brasil está duplamente de luto nesta quinta feira, 13 de dezembro. Por um lado, pela passagem dos 50 anos da edição do AI-5, o Ato Institucional que marcou o mergulho definitivo do país nas trevas da mais feroz ditadura, suprimindo as garantias individuais, a liberdade de imprensa e opinião, naturalizou a tortura e a morte de opositores políticos. 

Por outro, em mais uma dessas ironias do destino, é também o dia da morte, aos 86 anos de idade, de uma das mulheres que mais se destacaram no  combate à tirania naqueles anos de chumbo, a advogada Eunice Paiva, mulher do ex-deputado Rubens Paiva, cassado em 1964 e assassinado  sob tortura, nos porões da repressão do Doi-Codi do Rio de Janeiro, no início de 1971.

Sua trajetória pessoal é um paradigma de superação e transformação. Até então uma dona de casa de classe média alta, da Zona Sul carioca, sem militância política anterior, a despeito das atividades do marido, Eunice se dedicava basicamente às chamadas tarefas do lar e à educação dos cinco filhos, um deles o escritor Marcelo Rubens Paiva. 

“Ela tinha aquele perfil clássico da mulher dos anos 1960”, diz Marcelo. “Linda, arrumada e cheirosa esperando o marido chegar.”

Tudo mudou naquele 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro e feriado municipal. A casa da família,  no bairro nobre do Leblon foi invadida por militares que levaram preso não apenas seu marido, mas também ela e uma filha menor de idade.

Eunice permaneceu 13 dias em poder da repressão, numa cela nas dependências do Doi-Codi, na Tijuca. Ao voltar para casa,  esperava encontrar-se com Rubens. Em vão. O tempo foi passando e a angústia aumentava, diante da falta de notícias do marido.

Foi então que Eunice iniciou uma peregrinação por quartéis e ministérios do governo do ditador Emilio Médici –chegou a pedir uma audiência em Brasília com o ministro da Justiça Alfredo Buzaid, de quem recebeu a  garantia de que Rubens fora interrogado, estava bem e logo seria liberado, no máximo em dois dias. 

A realidade seria bem diferente, como relatou o escritor Antônio Callado, que encontrara Eunice na praia de Búzios sorridente, feliz pela boa nova transmitida por Buzaid.

“Dois dias depois, isto sim, os jornais recebiam uma notícia tão displicente que se diria que seus inventores não faziam a menor questão que fosse levada a sério”, escreveu Callado. “Rubens estaria sendo transferido de prisão, num carro, quando guerrilheiros que tentavam libertá-lo tinham atacado e sequestrado o prisioneiro.”  

O resto é história. Aos 41 anos de idade. Eunice foi obrigada a  acumular o papel de mãe e pai de Marcelo, Veroca, Eliana, Nalu e Babiu. Para garantir o sustento da família, já que os bens de Rubens foram bloqueados, teve de trabalhar e estudar. Mudou-se para São Paulo, ingressou na faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, formando-se aos 46 anos.

Como relata Marcelo, em seu livro “Ainda estou aqui” (Alfaguara), como advogada Eunice denunciou incansavelmente o desaparecimento de Rubens por décadas e lutou pelos direitos indígenas ao lado do cantor Sting. 

“Ao longo do tempo, percebi que a grande heroína desta história é minha mãe”, afirmou Marcelo.

Ao mesmo tempo, Eunice, que nunca se conformou com a farsa oficial, do sequestro do marido por um grupo de esquerda, também esteve na linha de frente das lutas pela Anistia, Diretas Já e pela Constituinte.

Em fevereiro de 1996, ela obteve uma primeira grande vitória: recebeu no cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais – Primeiro Subdistrito da Sé, o atestado de óbito de Rubens Paiva, 25 anos depois de sua morte, o que lhe permitiu acesso aos bens bloqueados do marido. “Na saída, ela sorriu, falou com a imprensa e ergueu o atestado de óbito como um troféu”, afirmou Marcelo.

Numa entrevista ele explicou o sorriso da mãe, que chegou a causar estranheza aos jornalistas que cobriam o recebimento do atestado. 

“Por anos, fotógrafos nos queriam tristes. Deflagramos uma batalha contra o pieguismo da imprensa. Sim, éramos a família modelo vítima da ditadura, mas não faríamos o papelão de sairmos tristes nas fotos”, disse. 

“Nosso inimigo não iria nos derrubar. Guerra é guerra. Minha mãe deu o tom: a família Rubens Paiva não chora em frente às câmeras, não faz cara de coitada, não se faz de vítima. A angústia, as lágrimas, o ódio, apenas entre quatro paredes.”

Em 2014, uma nova vitória. Em depoimento à Comissão da Verdade e ao Ministério Público Federal, o general reformado Raymundo Ronaldo Campos revelou que o Exército montou uma farsa ao sustentar, na época, que Paiva teria sido resgatado por seus companheiros “terroristas”, ao ser transportado por agentes do DOI no Alto da Boa Vista.

Raymundo, que era capitão, conduzia o veículo supostamente atacado e estava na companhia dos sargentos e irmãos Jacy e Jurandir Ochsendorf. 

Segundo o jornal  O Globo, “O general, que passou os últimos 43 anos sustentando a farsa admitiu que recebera ordens do então subcomandante do DOI, major Francisco Demiurgo Santos Cardoso (já falecido), para levar um Fusca até o Alto da Boa Vista e simular o ataque. Raymundo e os dois sargentos metralharam e incendiaram o carro, jogando um fósforo aceso no tanque de combustível.”

A versão mentirosa, por sinal, tinha um propagador ativo na figura do capitão e deputado federal Jair Bolsonaro, o campeão das fake news no país. 

Disse Bolsonaro: “Acusam-nos de ter matado Rubens Paiva. O grupo do Lamarca suspeitou e chegou à conclusão de que ele foi denunciado pelo Rubens Paiva quando foi preso. Ninguém resiste à tortura… Então, o grupo do Lamarca suspeitou que Rubens Paiva o havia denunciado. E esperaram o momento certo. Quando o Rubens Paiva foi detido pelo Exército, posto em liberdade, com toda a certeza, foi capturado e justiçado pelo bando do Lamarca e pelo bando da Esquerda, da VPR. E aí a culpa recai sobre as Forças Armadas.”.

Assolada pelo mal de Alzheimer, que a afetava desde 2004 e tema central do livro Ainda estou aqui, escrito pelo filho, Eunice, infelizmente,  não pôde desfrutar desse momento de restabelecimento da verdade. 

A moléstia, no entanto, a livrou de presenciar uma das cenas mais sórdidas já vistas na Câmara dos Deputados, naquele mesmo ano. Protagonizada, para variar, por ele mesmo, o homem que se pretende vir a ser o presidente de todos os brasileiros. 

O episódio ocorreu durante a inauguração de um busto com a imagem de Rubens Paiva, em homenagem à sua luta pela democracia no Brasil. Como relata Chico Paiva Avelino, um dos seus netos, presente ao ato: 

Minha família foi em peso. Emocionadas, minha mãe e minha tia fizeram discursos lindos e orgulhosos sobre a memória do pai. No meio de um deles, fomos interrompidos por um pequeno grupo que veio se manifestar. Era Jair Bolsonaro, junto com alguns amigos (talvez fossem os filhos, na época eu não sabia quem eram), que se deu ao trabalho do sair de seu gabinete e vir em nossa direção, gritando que “Rubens Paiva teve o que mereceu, comunista desgraçado, vagabundo!”. Ao passar por nós, deu uma cusparada no busto. Uma cusparada. Em uma homenagem a um colega deputado brutalmente assassinado

O que consola é que os Bolsonaros passam e devem ocupar um nota de rodapé na história do Brasil. Mulheres guerreiras como Eunice Paiva, que juntamente com outras gigantes como Therezinha Zerbini, a presidente do Movimento Feminino pela Anistia, a estilista  Zuzu Angel tanto fizeram pelas liberdades democráticas no país, certamente ficarão. 

“De todas as combatentes que denunciaram os assassinatos e abusos cometidos pela ditadura militar, durante os anos de chumbo, a figura de Eunice Paiva é uma daquelas que quer permanecem para sempre vivas e cheias de forças em nossos corações”, declarou em nota a presidente Dilma Rousseff. Matéria na íntegra do blog Diário do Centro do Mundo, pelo jornalista Miguel Henriquez.

Marcado para morrer, Padre Amaro resiste na luta pelo direito à terra no Pará. Por Juca Guimarães: veja entrevista


O Padre Amaro ficou 90 dias preso no Pará.

 

POR JUCA GUIMARÃES

No Brasil, um homem está marcado para morrer porque acredita nos ideais de igualdade, amor e respeito entre as pessoas. Por esses motivos, Padre Amaro ficou preso mais de 90 dias e vive sob ameaça de assassinato na região de Anapu, no Pará, no médio Xingu, região Norte do Brasil.

Padre José Amaro Lopes de Souza é um religioso que defende a divisão das terras para a agricultura familiar e a preservação das florestas como um contraponto ao processo exploratório dos grandes latifúndios de plantação de soja e de pasto para o gado, produzindo apenas para a exportação e o aumento das fortunas dos fazendeiros, como explica o próprio Padre.

Desde meados dos anos 1990, quando conheceu a missionária americana Dorothy Stang, uma das principais lideranças da luta pela terra para os camponeses e a preservação da floresta, padre Amaro atua na Comissão Pastoral da Terra (CPT) em um conflito constante com fazendeiros e madeireiros. Dorothy, foi assassinada no dia 12 de fevereiro de 2005 aos 73 anos com seis tiros disparados por pistoleiros contratados por fazendeiros da região. Sua cabeça valia R$ 50 mil na época; a de Amaro R$ 25 mil.

Em 2018, padre Amaro foi acusado e preso num processo considerado controverso. A denúncia contra o padre foi feita por fazendeiros da região, e é considerada por muitos uma perseguição política para impedir a luta pela reforma agrária no município em que atua. Padre Amaro foi declarado inimigo de fazendeiros e madeireiros por ser uma das maiores liderança na luta pela terra em Anapu.

O religioso ficou em uma pequena cela no presídio de Altamira, entre 27 de março e 29 de julho. Mesmo atrás das grades, as ameaças continuaram e, segundo o padre, os latifundiários estavam esperando o pretexto de uma rebelião na cadeia para encomendar a sua morte.

Neste período, dois habeas corpus foram negados pela Justiça do Estado e o religioso só foi solto, como medida provisória, quando o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Enquanto estava preso, padre Amaro viu em uma pequena televisão as notícias da prisão do ex-presidente Lula, no dia 7 de abril, também sem provas. “Eu chorei. Eu sabia que era uma liderança popular sendo presa, dentro do esquema do golpe, para que não pudesse concorrer às eleições presidenciais”, relembra o padre.

Nos 13 anos entre a morte da missionária e a prisão do padre sem provas, o conflito por terra no Pará agravou. “A ordem é limpar tudo. Queimar e passar por cima de tudo, plantação, escola e pessoas”, disse.

Neste cenário, que tem a tendência de piorar com a ultra-direita no governo federal, padre Amaro ensina que é o momento de se unir nas lutas populares e resistir.

Padre Amaro esteve em São Paulo no dia 5 de dezembro para receber um prêmio da ONG Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, pela sua luta em defesa das comunidades camponesas, e falou com o Brasil de Fato. No evento, foi lançado o livro Direitos Humanos no Brasil 2018.  A vereadora Marielle Franco, assassinada no início do ano e cujo crime ainda não foi solucionado, também foi homenageada.

 

Brasil de Fato: Qual é a origem da disputa pela terra no Pará?

Padre Amaro: As terras são terras públicas da União. No processo de colonização da Transamazônica, foi criada uma área de PIC [Projetos Integrados de Colonização] que abrange seis quilômetros a partir da faixa onde iriam viver os trabalhadores. Depois iriam ser separadas as grandes áreas. Foram feitas licitações e se, em cinco anos, o licitante não cumprisse o contrato, as terras voltariam para a União. Foi o que aconteceu.

Muitos fazendeiros do Sul do país compraram essas terras, onde já tinha a ocupação de trabalhadores. Com os projetos de desenvolvimento da região, como Belo Monte, muitos trabalhadores foram para a região. Quando os fazendeiros chegaram, ele tiraram os trabalhadores a pontapés, matando e queimando.

Como é a dinâmica de trabalho dos agricultores que foram trabalhar na região e estavam lá antes dos fazendeiros?

Você tem lotes de dez alqueires e só pode desmatar 20%. Os 80% é da reserva [mata nativa]. Os pequenos agricultores preservam a floresta. Já os grandes fazendeiros consideram isso um atraso para o desenvolvimento da região. Porque o que eles querem é derrubar e jogar pasto para criar muito gado.

E para onde vai essa produção de carne de gado?

Para exportação. O pequeno produz o cacau, o milho, a mandioca, o arroz, a pimenta do reino. E algumas fazendas usam um pedacinho para criar uma vaca de leite. Ele tem aquela terra para trabalhar a vida toda. Já o grande [fazendeiro] quer aquela terra para explorar e não fica renda nenhuma ali no município. Vai toda para fora.

E como se dá a expulsão dos agricultores da terra?

Eles querem tirar e eles tiram. Para nós, no Norte, parece que é um Estado sem lei. A impunidade mata e desmata. Eles dizem que vão limpar a área. E para limpar a área vale tudo. Matando, queimando, derrubando casa. Mesmo se a ação está na Justiça, eles nem esperam a tramitação final e vão agindo pela força. Eles têm poder, contratam pistoleiros, têm dinheiro. Eles passam por cima do pequeno e da pequena como se fossem coisas que não existem.

Como é a atuação da CPT na região e quais as acusações contra vocês?

A Comissão Pastoral da Terra dá assessoria aos trabalhadores e trabalhadoras. A CPT tem advogados, a gente ensina, encaminha os agricultores para a Defensoria Pública ou o Ministério Público Federal. Com isso, eles [os fazendeiros] têm raiva. Eles dizem que a gente incita o que eles chamam de “invasão”, mas é ocupação de terras públicas.

Como era sua amizade com a missionária Dorothy Stang?

Conheci ela em 1989, em Belém. Ela convidou alguns jovens para fazer uma missão na área e nós fomos. O bispo aceitou a gente e começamos a trabalhar e a estudar em Belém. Em 1998, eu fui ordenado padre em Anapu (PA). Em dezembro de 1998, o bispo elevou para a categoria de paróquia e eu fiquei ali. Tive a graça de trabalhar com a Dorothy por 15 anos. Quando a conheci, ela já fazia parte da CPT.

E qual era a principal luta de Dorothy?

A luta dela é que com a técnica você pudesse trabalhar na área de uma forma sustentável. Para criar os filhos e netos em harmonia com a terra e a natureza. Como tudo estava sendo devorado [pelos fazendeiros], ela entrou com a criação de dois PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável), que ficaram conhecidos como PDS Virola-Jatobá e PDS Esperança. Isso gerou uma raiva no meio dos fazendeiros e alguns setores dos madeireiros. Para calar e acabar com os PDS, eles mataram a Dorothy. Criaram um consórcio e mandaram matar no dia 12 de fevereiro de 2005.

O assassinato da missionária teve a mesma motivação do plano de difamação contra o senhor e que acabou em prisão. Como foi isso?

Eu estava em casa. O padre Bento que estava vindo de outra cidade me pediu para ir buscá-lo no terminal. Levantei, deixei o portão aberto e fui para o terminal. Quando cheguei tinha seis viaturas atrás de mim. E falaram que tinha um mandado de prisão contra mim. Eu disse que queria ler antes lá na minha casa. Entrei no carro, não fui algemado, e lá disseram que queriam arma, dinheiro, celular e o computador do CPT. Eu li a acusação e tinha coisas terríveis. Foi rápido. Me trouxeram para Altamira e fizeram os procedimentos e me levaram para o centro de detenção. Fiquei 92 dias lá.

Como foi a sua soltura? Teve dois pedidos de habeas corpus negados?

As duas vezes que pediram para a Justiça do Estado negaram. Na terceira, que foi lá no Supremo, foi concedido.

No período em que o senhor estava preso no Pará também prenderam o ex-presidente  Lula. Como foi a sua reação?

A minha reação foi terrível. A gente sabe da inocência de Lula. Sabe que foi golpe. Prenderam ele para que não pudesse concorrer à Presidência, para que não pudesse fazer mais nada pelos pobres. O golpe primeiro foi contra a Dilma e depois contra ele. Na celazinha, tinha uma televisão, quando eu vi aquilo, não fiz outra coisa a não ser chorar. Mais um companheiro que estava sendo preso injustamente. Foi uma dor muito forte no meu coração.

A prisão injusta e essa perseguição contra o senhor gera uma sensação de medo na região?

Não só na região, mas a toda entidade que luta por terra e por direitos. Uma das acusações é que eu não faço outra coisa senão defender bandido. Mas são trabalhadores e trabalhadoras rurais. Se eu fiz algum mal, esse mal foi tentar colocar o alimento na boca do trabalhador e trabalhadora e ajudar ele a conquistar um pedacinho de terra.

Após o golpe de 2016, da luta pela terra ficou mais acirrada. Notou alguma mudança no Judiciário também?

A situação política mudou. Em algumas glebas o pessoal está lá há mais de 20 anos e que agora, depois do golpe e da eleição deste moço [Jair Bolsonaro] que vai assumir a presidência, já teve audiência preliminar, já teve vistoria e o juiz já marcou de ir lá de novo. A gente fica muito preocupado com isso. Lá já foi queimada escola. Impediram de chegar energia elétrica. Não deixaram fazer uma estrada.

O senhor pediu algum tipo de proteção da Justiça após a morte da Dorothy?

Quando a Dorothy foi morta mandaram chamar a gente, os presidentes de sindicatos, os trabalhadores e fizeram várias reuniões. Nós percebemos que era para fazer a proteção de testemunha só para o padre e as irmãs. A gente não aceitou porque a gente não aceitava este tipo de segurança se o nosso povo continuasse inseguro. Era muito cômodo um padre, as irmãs e algumas lideranças ter segurança enquanto todo uma região estava insegura. Fonte Diário do Centro do Mundo.

TRUMP, A QUEM O BRASIL SE AGACHA, É MAIOR AMEAÇA AO MUNDO, DIZ JEFFREY SACHS


O contexto da prisão tem enorme importância. Os EUA solicitaram que o Canadá detivesse Meng no aeroporto de Vancouver, vinda de Hong Kong, a caminho do México, para depois extraditá-la para os EUA. Uma medida desse gênero é quase uma declaração de guerra dos EUA à comunidade empresarial da China. Quase sem precedentes, ela expõe os empresários americanos em viagem ao exterior a um risco muito maior de que iniciativas desse gênero sejam adotadas por outros países.

Meng é acusada de infringir as sanções dos EUA ao Irã. Mas sua prisão deve ser vista no contexto do grande número de empresas, americanas e não americanas, que violaram as sanções contra o Irã e outros países. Em 2011, por exemplo, o J.P. Morgan Chase pagou US$ 88,3 milhões em multas por infringir as sanções dos EUA a Cuba, ao Irã e ao Sudão. Mas seu executivo-chefe, Jamie Dimon, não foi apeado à força de um avião e preso às pressas.

E não se pode dizer que o J.P. Morgan Chase estava sozinho ao infringir as sanções adotadas pelos EUA. Desde 2010, as seguintes instituições financeiras de peso pagaram multas por violar sanções dos EUA: Banco do Brasil, Bank of America, Bank of Guam, Bank of Moscow, Bank of Tokyo-Mitsubishi, Barclays, BNP Paribas, Clearstream Banking, Commerzbank, Compass, Crédit Agricole, Deutsche Bank, HSBC, ING, Intesa Sanpaolo, J.P. Morgan Chase, National Bank of Abu Dhabi, National Bank of Pakistan, PayPal, RBS , Société Générale, Toronto-Dominion Bank, Trans-Pacific National Bank (atualmente conhecido como Beacon Business Bank), Standard Chartered e Wells Fargo.

Nenhum dos executivos-chefes ou diretores financeiros desses bancos infratores de sanções foi preso e posto em custódia por essas violações. Em todos esses casos, a empresa – e não a pessoa do diretor – é que foi responsabilizada. Eles também não foram responsabilizados pela infração generalizada da lei às vésperas, ou na esteira, da crise financeira de 2008, pela qual os bancos pagaram atordoantes US$ 243 bilhões em multas, de acordo com cômputo recente. À luz desse histórico, a prisão de Meng é uma ruptura chocante da prática corrente. Sim, que se responsabilizem executivos-chefes e diretores financeiros, mas que se comece em casa, a fim de evitar a hipocrisia, o interesse próprio disfarçado de princípio elevado e o risco de incitar um novo conflito mundial.

 

Os Estados Unidos afirmam que a empresa representa um risco específico de segurança por meio do potencial oculto de vigilância de seu hardware e software. Mas o governo dos EUA não forneceu quaisquer provas que corroborem essa acusação

De maneira muito transparente, a medida tomada pelos EUA contra Meng é, na verdade, uma parte da tentativa mais ampla do governo Trump de solapar a economia da China por meio da imposição de tarifas, do fechamento dos mercados ocidentais aos produtos de alta tecnologia exportados pela China e da proibição às compras chinesas de empresas tecnológicas americanas e europeias. Pode-se dizer, sem risco de exagerar, que isso é parte de uma guerra econômica à China, e uma guerra impulsiva, além do mais.

A Huawei é uma das empresas tecnológicas mais importantes da China e, portanto, alvo privilegiado do esforço do governo Trump para desacelerar ou deter o avanço da China em vários setores de alta tecnologia. As motivações dos EUA nessa guerra econômica são, em parte, comerciais – proteger e favorecer empresas americanas atrasadas – e, em parte, geopolíticas. Nada têm a ver, certamente, com a defesa do Estado de Direito internacional.

Os EUA tentam atingir a Huawei principalmente devido ao sucesso da empresa na comercialização mundial de tecnologias 5G de ponta. Os EUA afirmam que a empresa representa um risco específico de segurança por meio do potencial oculto de vigilância de seu hardware e software. Mas o governo dos EUA não forneceu quaisquer provas que corroborem essa acusação.

A recente crítica contundente à Huawei publicada pelo “Financial Times” é reveladora nesse aspecto. Após reconhecer que “não se pode ter prova concreta de interferência em tecnologia da informação e comunicações, a não ser que se tenha a sorte suficiente para encontrar uma agulha num palheiro”, o autor simplesmente afirma que “não se pode correr o risco de pôr a sua segurança nas mãos de um potencial adversário”. Em outras palavras, embora não possamos, na verdade, apontar um delito cometido pela Huawei, devemos, mesmo assim, pôr a empresa na lista negra.

Quando as regras do comércio mundial obstruem a tática criminosa de Trump, as regras têm de ir às favas, de acordo com ele. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, reconheceu isso na semana passada em Bruxelas. “Nosso governo”, disse ele, está “abandonando ou renegociando, dentro da lei, tratados, acordos comerciais e outros ajustes internacionais obsoletos ou prejudiciais, que não atendem aos nossos interesses soberanos ou aos interesses dos nossos aliados”. Mas, antes de se retirar desses acordos, o governo dos EUA os está descartando por meio de atos atabalhoados e unilaterais.

A prisão sem precedentes de Meng é ainda mais provocadora, por se basear em sanções extraterritoriais dos EUA, isto é, na afirmação, pelos EUA, de que podem ordenar que outros países deixem de negociar com terceiros, como Cuba ou o Irã. Os EUA certamente não tolerariam que a China ou qualquer outro país dissessem às companhias americanas com quem poderiam negociar ou deixar de negociar.

Sanções voltadas para partes não nacionais (como sanções dos EUA a uma empresa chinesa) não deveriam ter seu cumprimento fiscalizado por um país só, e sim de acordo com tratados firmados no âmbito do Conselho de Segurança da ONU. Nesse sentido, a Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU prevê que todos os países abandonem as sanções ao Irã como parte do acordo nuclear firmado com o Irã em 2015. Mas os EUA – e apenas os EUA – rejeitam atualmente o papel do Conselho de Segurança em questões desse gênero. O governo Trump, e não a Huawei nem a China, é a maior ameaça atual ao Estado de Direito internacional e, portanto, à paz mundial. (Tradução de Rachel Warszawski)

Jeffrey D. Sachs é professor de desenvolvimento sustentável e professor de política e gestão de saúde da Universidade de Columbia, é diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável de Columbia e da Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável da ONU.. Copyright: Project Syndicate, 2018.

“ME ENGANEI FEIO”. DISSE XUXA SOBRE O JOÃO DE DEUS


Xuxa Meneghel (Foto: Reprodução)

Veja SP informa que Xuxa Meneghel decidiu se manifestar no Facebook, nesta quinta (13), a respeito das denúncias de abuso sexual feitas contra João de Deus. A apresentadora afirmou que chegou a fazer uma entrevista com o médium para a TV Globo, mas que as cenas não foram exibidas. Ela diz ter se arrependido de ter divulgado o trabalho de João, entre eles um documentário recente.

“Quero dizer que eu conheci. Fui fazer uma gravação, que não foi ao ar. Mas eu conheci e tive um carinho muito especial por ele. Eu gostei daquela pessoa que eu conheci lá. Infelizmente, me enganei. Me enganei feio” disse.

“Então eu venho aqui pedir desculpas a vocês, porque divulguei o documentário dele, falei que era uma pessoa legal e tudo. Me sinto na obrigação de dizer a vocês que eu fico até um pouco envergonhada com tudo isso. Falando em vergonha, eu gostaria que vocês entendessem que essas pessoas não falaram no passado por vergonha, por medo, querendo esquecer tudo isso. Mas que quero dizer para todas vocês, mulheres, que passaram por isso, que eu tô com vocês, tá? Sinto muito, muito mesmo. Muito. De verdade. Um beijo a todos vocês e, por favor, se tiver mais mulheres, denunciem”, concluiu.

OS GENERAIS QUE CERCAM BOLSONARO QUESTIONAM: ‘ONDE ESTÁ O QUEIROZ?’


Cadê o Queiroz?” – segundo a jornalista Andréia Sadi, que afirma haver conversado com todos os generais do governo Bolsonaro nos últimos dias, essa é a pergunta que todos fazem. “Entre generais do futuro governo de Jair Bolsonaro, a pergunta nos bastidores é: Cadê o Queiroz?, em referência ao ex-motorista de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), deputado estadual e senador eleito” –escreveu Sadi, da GloboNews.

Ainda segundo a jornalista, “integrantes militares do governo Bolsonaro se dizem ‘preocupados’ com o silêncio do ex-assessor Fabrício José Carlos de Queiroz. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encontrou uma movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão na conta do ex-motorista de Flávio”.

São seis os generais que cercam Bolsonaro. O vice-presidente eleito Hamilton Mourão, que expressou sua preocupação abertamente em entrevista nesta quarta-feira (aqui) e mais os generais Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general da reserva, Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, general da reserva, Carlos Alberto dos Santos Cruz, secretário de Governo, general da reserva, Floriano Peixoto Vieira Neto, secretário de Comunicação (Secom), general da reserva e Maynard Marques de Santa Rosa, (SAE), general da reserva. Além deles, integra a cúpula do governo o almirante de esquadra Bento Costa Lima, ministro das Minas e Energia, num posto equivalente hierarquicamente ao de um general.

Segundo assessores políticos do futuro governo, na semana que vem o governo de transição espera que Queiroz deponha ao Ministério Público e explique o caso. Segundo Sadi, os mesmos assessores políticos afirmam que quem sabia dos detalhes da operação Bolsonaro-Queiroz era o chefe de gabinete de Bolsonaro, Jorge Francisco. Só que ele morreu em abril passado. Brasil 247.