Aquecimento global pode afetar produção de alimentos, alerta IPCC


O pior é que o presidente da República Brasileira, ou pela sua ignorância ou por propósito de causar o mal, já não se sabe mais, está na contra mão de tudo isso que essa matéria a seguir relata. No seu discurso recente, ele convida o resto do mundo que queira fazer parcerias para explorar a Amazônia. Ainda diz que o país agora está sob nova direção e que esse negócio de demarcação de terras para índios é besteira e que ele vai integrar-los à sociedade. Isso demonstra que o Brasil e brasileiros correm um grande risco. Se existe uma parte da sociedade brasileira quer continuar tiete batendo palmas para essas atitudes, por simplesmente serem alienados e incapazes de enxergar e repudiar tais atitudes do presidente, que fiquem nos seus cantos chamando-o de mito. Mas a classe consciente de toda barbaridade que está acontecendo no país, tem obrigação de lutar e de gritar contra todas essas barbáries e as que estão por vir. Até aqui Café com leite Notícias.
Desmatamento na Amazônia: ação que, a princípio, não deve merecer muita atenção do novo governo federal brasileiro (Foto: iStock)

 

De acordo a Revista Um novo relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas nesta quinta-feira (8) reúne as mais recentes e principais descobertas sobre o aquecimento global. O documento trata de como o uso da terra afeta a mudança do clima e, por sua vez, como essa mudança impacta na na própria gestão da terra, mostrando que estamos “presos” em um circulo vicioso que, se não for alterado, pode afetar, entre outras coisas, a produção de alimentos para toda a humanidade.

Segundo o relatório, as atividades humanas afetam, hoje, 70% da terra livre de gelo do planeta. Entre um quarto a um terço da terra é usado para produzir comida, alimento para gado, tecidos, madeira e energia. Dados levantados desde 1961 mostram que o crescimento populacional global e as mudanças no consumo desses recursos são responsáveis por níveis nunca antes vistos de uso de terra e água. Só a agricultura consome 70% da água limpa do mundo e emite 22% dos gases de efeito estufa.

O uso da terra é tanto uma fonte de emissão quanto de absorção de gases de efeito estufa, e portanto essas atividades têm um papel central na troca de energia entre a superfície da terra e a atmosfera. A degradação dos solos aumenta a emissão desses gases, contribuindo para o aquecimento do clima, o que por sua vez aumenta a frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como secas, inundações e ondas de colar, que podem destruir ecossistemas naturais e prejudicar a própria produção de alimentos.

Estima-se que, desde a era pré-industrial, (1850-1900), a temperatura atmosférica subiu em média 1,53oC, enquanto que a temperatura global, incluindo superfícies terrestres e oceanos, subiu, em média, 0,87oC.

Em algumas regiões do mundo essas mudanças já podem ser sentidas. Em locais de baixa latitude, a produtividade de cultivos de trigo e milho estão diminuindo. A mudança climática também está resultando em taxas de crescimento de produção e de produtividade mais baixas em sistemas pastoris na África.

O relatório também aponta que 25-30% do total de alimentos produzidos é desperdiçado, fator que é associado a emissões adicionais de gases de efeito estufa. O documento indica a necessidade de diversificar a dieta e melhorar a produtividade para conciliar a produção de alimentos com um crescimento populacional cada vez maior.

Oportunidade para o Brasil
O relatório do IPCC deixa clara a importância de combater o desmatamento, promover recuperação florestal, mudar práticas agrícolas e frear a degradação das terras no mundo inteiro como medidas capazes tanto de combater a mudança do clima quanto de promover a adaptação da sociedade a elas.

Segundo o relatório, a redução do desmatamento e da degradação tem o potencial de reduzir até 5,8 bilhões de toneladas de CO2 por ano no mundo. Detentor da maior floresta tropical do planeta, o Brasil pode responder por parte importante dessa redução – se governo e sociedade fizerem sua parte.

Há também oportunidades para o Brasil nos setores de bioenergia sustentável e recuperação florestal, vistos pelo IPCC como peças importantes para o atingimento da meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global em 1,5oC, e na agropecuária. O sistema alimentar, que responde por até 37% das emissões de gases de efeito estufa do planeta, pode ser um instrumento de resposta à mudança do clima, com tecnologias agrícolas que o país já utiliza, ganho de eficiência e mudanças de dieta de modo a incluir mais vegetais.

Em todas essas áreas o Brasil tem vantagens competitivas e pode se tornar um líder global em produção com redução de emissões, como o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono preconiza há uma década.

Por outro lado, o IPCC também faz um alerta: a demora do mundo em atacar decididamente a crise do clima pode fará com que as soluções baseadas no uso da terra fiquem menos eficientes, já que o aquecimento da Terra induz à degradação dos ecossistemas e à perda de produtividade agropecuária.

“São dois recados poderosos para o governo brasileiro”, diz Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Ao negar o aquecimento global e estimular o desmatamento da Amazônia, a administração de Jair Bolsonaro está rasgando dinheiro, já que o sistema alimentar será reorientado para atividades de baixo carbono que o Brasil tem potencial de liderar. Ao mesmo tempo, ao aderir à ideologia obscurantista de Donald Trump, o presidente do Brasil desperdiça oportunidade de negócios, inovação e investimento nesse novo setor de uso da terra que o relatório do IPCC delineia.”

Segundo Rittl, a explosão do desmatamento na Amazônia nos últimos meses está na contramão de todas as conclusões do relatório. “A atitude do governo brasileiro em relação às florestas, questionando as medições do desmatamento em vez de agir contra ele são um desastre ambiental, ético e econômico.”