Após reação negativa, SBT retira uma das transmissões que lembram ditadura


A emissora não explicou por que mensagens com músicas da época da ditadura e o slogan “Brasil: Ame-o ou deixe-o!” foram reproduzidas com a intenção de “unir o país”, logo depois de eleito presidente do Brasil o militar reformado Jair Bolsonaro
Reprodução
Jornal GGN – Após a polêmica transmissão do SBT em referência direta a um dos maiores símbolos da ditadura brasileira, o slogan “Brasil: ame-o ou deixe-o!”, a emissora de televisão retirou do ar as próximas transmissões da mensagem que faz referência a um dos períodos de chumbo do regime militar.
A informação divulgada pelo blog do Mauricio Stycer, que cobre bastidores da TV e celebridades, é que o próprio Silvio Santos foi quem decidiu levar ao ar a série de mensagens enaltecendo o Brasil, com músicas e outros slogans patriotas enaltecidos durante os anos de chumbo, um dos piores da ditadura,  sob o comando do general Médici (1969-1974).
“Como em várias outras situações, o dono do SBT não consultou ninguém, nem deu explicações. Chamou um assistente, transmitiu as mensagens que gostaria de ver no ar e ponto final”, informou o blog.
Entre as cenas de 15 segundos, uma particularmente chamou maior atenção: introduzindo com fotografias de pontos turísticos do Brasil, o locutor finaliza com a declaração “Brasil: ame-o ou deixe-o!”, slogan reconhecido no governo Médici por ameaçar quem se opunha a ditadura do regime militar.
De acordo ainda com o blog de Mauricio Stycer, se tratou de um “erro”, porque o objetivo de Silvio Santos “seria de promover uma mensagem de união do Brasil”. Por isso, apenas esse spot foi retirado do ar.
Entretanto, os outros spots continuam no ar. Um deles, traz a música “Eu te amo, meu Brasil”, da dupla Dom e Ravel, ainda no período da ditadura. Outro traz o ritmo do hino “Pra frente Brasil”, de Miguel Gustavo, popularizada na Copa de 1970, também na ditadura.
A emissora ainda não se pronunciou por que essas mensagens foram transmitidas. Uma especulação é de que se trata de um anúncio da novela “Amor e Revolução”, que será reprisada e trata da ditadura militar. Outros acreditam que seja uma homenagem ao capitão reformado do Exército eleito presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.