ACM Neto fala ao G1 sobre Salvador


ACM Neto concedeu entrevista no gabinete do Palácio Thomé de Souza, em Salvador (Foto: Egi Santana / G1 BA)

ACM Neto concedeu entrevista no gabinete do Palácio Thomé de Souza, em Salvador (Foto: Egi Santana / G1 BA)

O prefeito ACM Neto (DEM) reeleito em outubro, foi convidado pelo G1 a conceder uma entrevista sobre a atuação nos 100 primeiros dias à frente do segundo mandato, que foram completados nesta segunda-feira (10).

O democrata conversou com a reportagem por cerca de dez minutos e respondeu a seis questões. A entrevista ocorreu no gabinete da Prefeitura Municipal, que fica no Palácio Thomé de Souza, no centro da capital baiana.

Durante o encontro, ACM Neto disse que, por estar em um mandato de continuidade, não seria possível fazer uma explanação restrita aos 100 primeiros dias do segundo mandato. “Eu não vou fazer explanação de 100 dias. Eu estou no quinto ano do meu mandato”, defendeu.

ACM Neto falou sobre os seguintes temas:

  • Construção do Hospital Municipal
  • Inauguração de Unidades de Saúde da Família (USF)
  • Regulamentação do Uber
  • Alagamentos nos períodos de chuva
  • Superlotação dos ônibus
  • Ampliação do calendário festivo de Salvador

Leia a entrevista na íntegra:

Prefeito, uma de suas promessas de campanha de reeleição foi a entrega do Hospital Municipal de Salvador em dois anos. Como andam as obras? Esse prazo vai ser cumprido?

As obras estão com o ritmo acelerado. Até diria que mais velozes do que se previa no cronograma inicial. A nossa ideia é de que no começo do próximo ano, ainda no primeiro semestre de 2018, o hospital possa estar funcionando. Nosso compromisso era entregar o hospital nos dois primeiros anos desse mandato, mas eu tenho confiança de que nós vamos antecipar esse compromisso e que ainda no primeiro semestre do ano que vem o hospital vai estar funcionando.

Também na área da saúde, uma das promessas de campanha foi a implantação de novas Unidades de Saúde da Família (USF). Nestes primeiros 100 dias da segunda gestão, foi possível avançar nesta questão? Há alguma unidade a ser implantada ainda em 2017?

Sim. Nós quando assumimos a prefeitura em 2013, Salvador tinha a pior cobertura de atenção básica de todas as capitais brasileiras. Apenas 18% da população assistida na atenção básica. Nós conseguimos elevar esse patamar para quase 50% da população. Mais do que dobramos o número de equipes de saúde da família. Temos agora já previsto para esse próximo mês de abril e maio, nesses próximos dois meses, nós temos previstas a inauguração de novas duas unidades. Duas novas unidades de saúde da família vão ser entregues e nosso desejo é continuar ampliando o programa e a atenção básica. Veja que nós contratamos cerca de 3,7 mil profissionais para a saúde. A maioria deles focada para a atenção básica. A nossa meta, sobretudo nas áreas mais pobres da cidade, é chegar a uma cobertura que ultrapasse 70% nessas áreas. Em geral, na cidade vamos dar continuidade para que a atenção básica seja de fato essa prioridade, que é um compromisso nosso desde o início da gestão.

Alguns vereadores da sua base aliada já defendem a regulamentação do Uber em Salvador. Inclusive, há um projeto do vereador Maurício Trindade (DEM) com este propósito na Câmara. Caso seja aprovado, o senhor tem a pretensão de vetá-lo?

Nós vamos aguardar o posicionamento final do Congresso. Eu acho que a Câmara dos Deputados já deu um passo importante com essa votação que fez agora. O Senado vai ter que se posicionar sobre o assunto. Acho que o caminho correto é delegar aos municípios a possibilidade de fazer a regulamentação, discutir essa regulamentação. Então, a partir dessa decisão do Congresso Nacional, a partir do momento que o projeto seja aprovado no Senado Federal e sancionado pelo presidente da República, nós então vamos dar seguimento à discussão aqui em Salvador. Não tem sentido a cidade fazer algo em contramão à Legislação Federal. Como o assunto avançou bastante, nós vamos aguardar essa deliberação do Congresso Nacional.

Uma situação atual que os moradores de Salvador têm enfrentado são os alagamentos em decorrência do período de chuvas. Isso em vários pontos: da Cidade Alta à Cidade Baixa. O tem sido feito para amenizar esse cenário?

Primeiro que, diante de chuvas tão intensas, como as que estão acontecendo em Salvador, não há nenhuma cidade no planeta, sobretudo no Brasil, que não sofra com problemas de alagamentos. Agora, eu chamo a atenção para uma coisa. Depois que a chuva passa, o escoamento da água tem acontecido com rapidez. E por que isso? Porque nós fizemos um investimento importante em drenagem, em micro e macrodrenagem, em limpeza de canais, que permite que as principais vias da cidade possam se recompor logo que a chuva passa. Então, você não vê situações de alagamentos que permanecem depois da chuva. Agora, diante, por exemplo, de uma intensidade muito grande de água, é impossível em determinadas áreas não haver alagamentos. Nós continuamos todo esse trabalho de limpeza de canais, de micro e macrodrenagem, de escadarias drenantes, de recomposição de vias. Tudo isso para que a cidade, aos poucos, ela vá tendo condições de enfrentar esse processo das chuvas. Claro que não são conquistas da noite para o dia, mas hoje Salvador está muito mais preparada do que estava no passado, em função dessas ações preventivas de manutenção da infraestrutura, mas também em função de estarmos trabalhando com tecnologia, com reforço de pessoal. Hoje, o trabalho da Defesa Civil é um trabalho de primeira qualidade em Salvador. Nós temos aqui o que há de mais moderno em tecnologia em serviço da Defesa Civil. Implantamos na cidade no último ano, nos últimos doze meses, mais de 70 geomantas para proteger encostas em áreas de risco, construímos mais de 40 encostas e temos pelo menos mais 30 em execução. Temos feito todo ‘relonamento’ das áreas de risco. Então, a chuva passou a ser uma prioridade de atenção da prefeitura. Temos a Operação Chuva em funcionamento desde março com toda a prefeitura mobilizada, todos os órgãos mobilizados para dar assistência e se mitigar os efeitos da chuva na nossa cidade.

Uma das críticas que a oposição faz a sua gestão é a ampliação dos calendários festivos, como réveillon, carnaval e aniversário da cidade. O que, de fato, esses eventos trouxeram de benefício para cidade? Quais são os resultados dessa estratégia?

Engraçado que eles criticam, mas estão aí curtindo, tentando ganhar paternidade das coisas, brigando para ver quem é que faz o carnaval. Então, isso aí é uma bobagem. Para Salvador, o calendário de eventos é importante para a nossa economia. São cerca de R$ 1,7 bilhão que circulam na economia de Salvador nesse campo do entretenimento, da música, da cultura. Hoje, nós tratamos isso com profissionalismo. Hoje nós temos um calendário estruturado, produtos para oferecer que atraem turistas para a cidade. Nós batemos os recordes no último carnaval e no último réveillon. Temos hoje um calendário com o Festival da Cidade, o Festival da Primavera, um calendário cultural com novos equipamentos. Apoiamos as pequenas iniciativas que vêm dos guetos, dos becos da nossa cidade. Salvador é isso. É o berço da cultura brasileira. É o berço da produção musical. A gente tem que aproveitar esse dom da nossa cidade para transformar isso num meio de inclusão econômica e na superação da pobreza. Veja que, em cada evento desse, a quantidade de pessoas que trabalham no mercado informal, ambulantes que vão ganhar o seu dinheiro ali pelo evento, é uma coisa enorme. O impacto que isso tem em toda a cadeia turística da cidade. Então, vindo da oposição, a gente não pode esperar coisa muito diferente. Agora, eles podiam ser pelo menos coerentes. Já que criticam, não aproveitem dos eventos ou, muito pior, não queriam tomar para si a paternidade daquilo que vem sendo feito pela prefeitura.

Com relação ao transporte, a população ainda sofre com ônibus superlotados e há reclamações de linhas insuficientes para locais de grande circulação. O que foi feito de novo, nesse primeiro período de gestão?

Muita coisa. Nunca Salvador teve tantos avanços na área de mobilidade como nós fizemos nesses últimos quatro anos. Vamos lá. Primeiro implantamos o Domingo é Meia, depois o Bilhete Único. Fizemos a licitação com a maior renovação de frota que aconteceu no país, frota hoje toda monitorada por GPS. Oferecemos ao cidadão o mais moderno aplicativo do Brasil, o Cittamobi, que a pessoa hoje pode acompanhar onde está o seu ônibus, que horas ele chega no ponto, pode se comunicar com a prefeitura trazendo críticas, fazendo sugestões. Implantamos um processo de renovação das estações de ônibus e eu diria que a Estação da Lapa é o maior expoente disso, hoje uma estação inteiramente requalificada. Modernizamos o regulamento dos táxis. Regulamentamos o transporte complementar, o transporte turístico, o transporte escolar. Regulamentamos o mototáxi. Garantimos a execução e continuidade da obra do metrô quando cheguei, com acordo que fiz com o governo do estado e com o governo federal. Hoje o metrô é uma realidade graças à intervenção direta da prefeitura de Salvador, que além de tudo colocou lá R$ 2,5 bilhões para viabilizar a obra do metrô. Fizemos diversas intervenções viárias que mudaram a perspectiva da mobilidade em Salvador, com por exemplo na região do Iguatemi; a recuperação e reconstrução da Baixa do Fiscal; a requalificação da Avenida Suburbana; a construção da ligação em Cajazeiras da via Jorge Calmón, que liga Cajazeiras V a Cajazeiras X; a ligação da nova via Valéria/Cajazeiras/BR-324. Tudo isso com recursos próprios da prefeitura. Não fiquei esperando ninguém para fazer não. Estamos agora implantando o programa de Semáforos Inteligentes, que permitem esse controle à distância dos semáforos da cidade nas áreas mais críticas. Estamos em processo de licitação para contratação e execução da obra do BRT, que vai ser um novo modal de alta capacidade para o transporte público de Salvador. Então, estão aí mais do que qualquer discurso ou propaganda, as ações concretas da prefeitura nessa área. Nós temos feito pesquisas, temos monitorado a avaliação das pessoas e, apesar dos problemas que ainda existem, são conhecidos e reconhecidos, mas vêm melhorando bastante. G1