A arte da enganação: Carlinhos Brown se junta ao “amigo especial” Doria. Triste Bahia. Por Kiko Nogueira


“Recebi a visita do grande artista brasileiro Carlinhos Brown, amigo especial por quem tenho profunda admiração. Falamos sobre projetos na área da cultura do Estado de São Paulo. Em breve, novidades”.

Como se não bastasse a mídia e os evangélicos servindo a ala negativa da política, agora os artistas, em parte, também entram no jogo

A frase é de João Doria, ele mesmo, o primeiro e único.

O que Brown foi vender ao presidenciável tucano é um mistério, mas o pote de ouro no final do túnel é óbvio.

Mangueiras novas para jogar água em mendigos enquanto rola um axé?

Dinheiro faz o mundo girar, especialmente o do Carlinhos.

Sem nenhum talento especial — não canta bem, não toca bem, não escreve bem, não se expressa bem –, Brown é uma espécie de gênio do marketing.

É jurado do programa de calouros “The Voice”, da Globo, em que dá suas cacetadas sem sentido, mas com muito barulho e pirotecnia.

Na última edição, atribuiu a linda “Balada do Louco”, dos Mutantes, parceria de Arnaldo Baptista e Rita Lee, aos Secos & Molhados.

Nunca se corrigiu porque quem se importa com isso, talquei? Arnaldo Baptista reclamou, mas quem é Arnaldo diante do Brown?

Enganador, especialista em auto promoção, ele sabe se juntar a gente melhor que ele — não necessariamente no bom sentido.

Foi assim com Marisa Monte e Arnaldo Antunes nos Tribalistas.

Não é diferente com Doria. Carlinhos está enxergando ali uma oportunidade de faturar com alguém que engana num nível ainda maior que o dele.

Para CB, os Racionais são “sectários”.

O caminho é se unir à escumalha da direita porque dali vai sair uma geleia geral sensacional. Perfeito.

É um chute na cara do Brasil progressista numa encruzilhada da nossa História, mas desde quando isso importa para o maravilhoso Brown?

Triste Bahia, triste país, pobre Chico Buarque.

Kiko Nogueira é do DCM, onde através dos seus textos demonstra ser um jornalista comprometido em resgatar o Brasil.

Matéria publicada no DCM.